Sinto sua falta, como quem escreveu sobre saudade incontĂĄveis vezes e ainda assim continua um mantra, chamado silencioso atravĂ©s de sĂlabas escritas e escondidas numa pĂĄgina qualquer. Sinto sua falta como se alguma aparição fosse capaz de dissolver toda e qualquer angĂșstia que guardo em mim. Eu sou triste, dos meus olhos escorre melancolia atĂ© nos retratos mais nostĂĄlgicos, mas nĂŁo me recordo sequer uma vez de ter sido triste quando seus dedos ainda tocavam minhas pĂĄlpebras. A tristeza nĂŁo ousava te enfrentar. Sinto sua falta como quem recorda alguĂ©m que partiu para a guerra, se a guerra fosse menos que pontes aĂ©reas e caminhos paralelos. Sinto sua falta em desespero e repito uma, duas, trĂȘs vezes, como se num passe de mĂĄgica vocĂȘ fosse bater na porta e dizer âeu tambĂ©mâ. Juro que nĂŁo pediria nada alĂ©m disso, porque vocĂȘ sempre foi exatamente igual, ainda que o completo oposto, ainda que residisse no extremo do universo - um planeta, talvez uma estrela, atĂ© mesmo outra galĂĄxia - e mesmo assim compreendesse e sentisse minha taquicardia subindo pelo seu pulso, dançando sua garganta, se entrelaçando com o pulsar do seu coração. VocĂȘ foi o meu lar, vocĂȘ Ă© o meu lar. Entre parĂĄgrafos, suspiros e poesias desconexas. nas tuas mĂŁos foi colocado o meu lado mais bonito, cuidado como se fosse seu - e quem pode dizer que nĂŁo Ă©? -, pois se Ă© em vocĂȘ que estĂĄ guardado todo o alento, todas as traduçÔes de cançÔes que sequer o autor compreende. Mas nĂŁo vocĂȘ, que tem as respostas para todas as perguntas que os lĂĄbios sĂŁo corajosos o suficiente para nĂŁo fazer. Sinto sua falta com os olhos marejados de ausĂȘncia e o peito transbordante de um carinho tĂŁo intenso. entĂŁo paro, respiro fundo durante alguns minutos, aquela calmaria vinda de vocĂȘ se apodera do meu peito como quem proclama suas terras. NĂŁo ouso reler nenhuma linha, sorrio pelo excesso de quem ama sem coerĂȘncia. E te sinto, como se a cada dia estivesse mais distante do mundo e perto de mim.Â