Eu sempre acabo soando dramática quando escrevo, mas não sei como descrever de outro jeito. Me conforta saber que quando ler isso de novo eu vou pensar "Misericórdia pq tudo isso?" E vou ficar com vergonha de ser tão... TÃO, mas não dá pra negar que esses dias foram brutais.
Foi brutal nos acontecimentos, nas acusações, nas brigas, nas resoluções, nas lembranças, no peso. Foi brutal viver isso, passar por isso, resolver tudo isso - e mais brutal ainda como eu lidei com tudo o que aconteceu e como venho lidando.
Foi brutal o que ele disse, não posso negar, me feriu e eu ainda não sei bem se não dói. Sei que entendo e que desculpo, mas sei que senti e que me parti ao meio tentando entender e perdoar ao mesmo tempo. Foi como se duas de mim tivessem sido feitas naquele momento, a racional que entendeu e a emocional que foi ferida e decepcionada.
Foi brutal a forma de resolver, pq as duas de mim sabiam que, embora esse fosse o único jeito, a solução iria doer - e... Meus amigos, doeu mais do que eu imaginava possível.
Eu sempre estive pronta para voltar naquele ponto, sempre soube - mesmo 11 anos depois - que isso voltaria. Eu sempre soube que não havia resolvido, que não falar não era resolução; acho que na real eu sempre estive meio lá pra garantir que não ia perder o que a gente tinha hoje e toda culpa daquele período, todo erro, todo pensamento ruim que eu tinha sobre mim veio à tona, e nem uma década de preparação foi suficiente pq no fim, o absurdo que se deu foi outro completamente inexplicável, sem relação e tão brutal que eu não acreditei ouvir.
Ter que repassar aqueles momentos, ter que recontar a história, ver fotos, buscar momentos e stalkear as redes não foi problema, acho que eu também sempre me preparei pra isso, mas eu nunca achei que não seria suficiente.
E então chegou o verdadeiro problema, Eu.
Eu não posso mudar o que ele pensa, o que ele acha, não posso convencer e nem dizer como ele deve pensar. Eu tentei entender de onde veio, tentei buscar a solução dentro dele e em certo momento eu precisei aceitar que não era minha responsabilidade mudar o que a cabeça dele diz, eu já tenho a minha - muito rude pra lidar. E quando eu entendi que isso não dependia de mim, parecia que o inferno se abriu dentro de mim.
Eu me culpei de novo pelo que eu fiz, eu vi que por uma década eu carreguei essa culpa comigo e agi ativamente pra que isso jamais acontecesse de novo, agi para que eu jamais ferisse ele novamente e, não que eu esperasse uma recompensa, mas parece que não foi suficiente - ele ainda desconfia de mim e tem medo de uma partida hipotética, não importa o quanto eu tenha mudado em todos esses anos.
A versão racional entende, sabe de onde o sentimento vem e não o culpa, mas a versão emocional sofre pq isso foi há 11 malditos anos...
Então doeu de novo, doeu lembrar do quanto eu me puni por ter errado quando eu tinha 14, 15, 16 - eu nem sei a idade. Doeu saber que essa culpa adormecida permaneceu comigo por todo esse tempo e que a desconfiança também, mas doeu mais por ter explodido agora - depois de casar, comprar nossa casa, ter nossa vida.
Então o absurdo que eu ouvi e a acusação brutal que ele fez teve um fio, um raciocínio que ele buscou e justificou mesmo sabendo que era infundado. E eu me senti um nada. Uma construção levada a ruínas cada vez que eu pensava no que ele tinha maquinado em sua cabeça. E então a briga... Eu não quero me alongar pq ainda está doendo, nunca imaginei gritar como gritei e ofender como ofendi, e foi ali que eu pensei ter perdido tudo.
Eu passei dias e dias pensando no que havia acontecido, eu conversei, entendi, briguei de novo, lutei pra que as coisas entre nós continuassem vivas e sei que consegui, mas alguma coisa em mim morreu e não estou falando de relacionamento, esse a gente vai reconstruir e seguir. O problema está dentro de mim, da minha cabeça!
Agora eu fico com medo de ter estragado tudo, eu fico com medo de tudo o que aconteceu e tudo o que eu contei ter mudado o jeito que ele pensa de mim. Tenho medo das coisas estarem dando errado e eu não estar percebendo, tenho medo de que revisitar tudo aquilo traga o sentimento ruim sobre mim de volta e tenho mais medo dele, no fundo, achar que aquela acusação que ele negou tenha algum fundamento.
Eu não consigo nem dizer o que ele pensou, não gosto nem de pensar, nem de lembrar, foi tão drástico, rude, nojento e decepcionante que ainda me causa tremor nas mãos e isso ainda me apavora pq algo adormecido de 11 anos atrás serviu pra dar palco pra esse assunto.
Eu também preciso admitir que tenho medo por nós, pq honestamente, nada disso se quer cruzou minha mente, quem dirá considerar. Era o tipo de pensamento que é tão absurdo que não é do tipo que se surta e aceita, é o tipo que a gente dá risada de tão absurdo, mas aparentemente, anos juntos e nos tornando melhores não foi suficiente pra não considerar isso. Meu deus eu nem acredito que ele montou esse pensamento. Ainda não acredito e acho que nunca vou acreditar.
E agora a química do meu cérebro mudou, não sei pq mas a eu emocional tomou conta e agora eu me questiono se eu estou fazendo cada minimo detalhe certo pra não ser passível dessa acusação de novo, eu tentei ser melhor, mais amável, mais desejável, mais confiável e eu contínuo me ferindo nessa tentativa.
Hoje assistindo o final terrível da Belly, ela disse uma coisa que me fez pensar. A culpa me transformou em alguém diferente, alguém distante do erro e eu não odeio essa pessoa que me tornei, mas é uma pessoa frágil - quebrada pela mera desconfiança inconsistente, quando no fim, meu erro não era motivo suficiente pra eu abandonar quem eu era, alguém divertida, viva e que seguia o coração.
A solução brutal, não foi a solução completa, acho que nos entendemos e não tem mais pra onde seguir - nem sempre resolver significa que vamos encontrar o pote de ouro no fim do arco íris, mas a gente resolveu. Resta eu me resolver comigo, porque eu odeio me sentir assim, como se eu estivesse sob a mira e qualquer deslize eu mesma posso me punir.
E embora algo na minha cabeça tenha mudado (para o bem e para o mal) eu percebi um peso deixar meu corpo. Incrível que quando eu digo peso, eu me refiro a peso físico mesmo pq na hora eu até me levantei, como se eu vivesse punida como um cachorro ferido. Eu senti a garganta deixar o ar passar depois de tanto tempo. Eu me vi com mais compaixão, me vi de verdade pela primeira vez e eu era só uma menina.
Eu não sou mais aquela menina e não vou voltar a ser e doeu demais sentir que ele não pensava assim.
Essa semana de concerto foi drástica, eu chorei muito imaginando que o fim estava próximo, que ele não queria mais, que ele queria que eu acabasse com tudo. Eu não sei se esse sentimento vai embora pq ele sempre esteve aqui, só está mais aflorado, e tentando focar em me concertar mentalmente eu continuo tentando entender de onde vem esse medo todo de não ser suficiente.
O auto clean eu nem sei o que dizer. Eu tenho um trato comigo mesma de que se eu não estiver chorando eu preciso me aconselhar pra quando eu estiver, eu não sei bem o que dizer hoje, mas tratos feitos entre nós devem ser cumpridos!
Essa sou eu, cumprindo o trato de me tratar bem quando eu voltar aqui em necessidade, não esqueça - eu do futuro - os tratos que fizemos nesses dias de necessidade. Os limites, as lutas, o trabalho. A cabeça está uma bagunça e sempre vai estar, mas não existe trato mais importante do que aquele que fazemos com nós mesmas.