Why don't you take your heart out, instead of living in your head? @parkinson cousins
Todos os jantares entre os membros da família Parkinson acabavam em desgraça, ou melhor, em uma grande confusão. Troca de farpas, indiretas e claro que uma depreciação direcionada ao pai de Caitlin. Não importava quanto tempo passasse, eles pareciam ainda querer pontuar o quão inútil ele era pra eles, assim como também o quão vergonho era ter um membro da família que se quer possuía o dom da magia. Ainda que ele tivesse sangue mágico correndo em suas veias, ainda que ele tivesse tido dois filhos bruxos, que tinham frequentado Hogwarts. Eles não aceitavam o fato de ter alguém tão entregue a cultura trouxa, no meio de uma tão pura e tradicional família bruxa.
A ruiva estava tão cansada daquilo quanto sua prima mais velha, fazendo com que ambas deixassem a mesa de jantar antes de terminarem de comer. Qualquer apetite que havia existido, tinha sido perdido no meio daquela discussão sem fim. Mas com aquilo, vinha a vontade de tentar esquecer tudo e principalmente diminuir o volume da conversa que vinha da sala de jantar e nada melhor do que álcool para isso. Mesmo depois de anos, a ex-lufana ainda não era boa em lidar com bebidas. Não ficava mais embriagada com tanta facilidade quanto antes, mas seu nível alcoólico nunca subiu tanto, Cait bebia com pouca frequência e apenas em situações como aquela ou quando Becky decidia que aquele era um ótimo dia para que elas tomassem um porre após um péssimo dia de trabalho ou uma semana. E havia sido de fato uma péssima noite e parecia o melhor a se fazer ali e por isso, a ruiva fazia as vezes da melhor amiga, em influenciar alguém a beber junto dela. Com certa quantidade de álcool em seu sangue, já não ouviria mais a conversa tão alta e esqueceria toda aquela loucura.
“É talvez eu tenha sorte de não ser obrigada a me casar com alguém, mas aqui estou eu com vinte e cincos anos e encalhada. Parece que todos os homens decente do Reino Unido estão noivos ou casados, só sobraram os piores. E sendo assim, é melhor ficar encalhada do que tentar mais uma vez um namoro que não vai dar em nada além de um coração partido ou nem isso.” Disse dando de ombros e pegando a garrafa de volta, tomando um gole generoso da bebida mais uma vez. “Você lembra, né? Antes do seu quase casamento, eu namorava e terminei porque não tinha futuro algum. Queria poder dizer que me senti mal com o fim, mas nem isso eu senti.” A ruiva estava sendo totalmente sincera sobre o fim de seu último relacionamento, ela se quer gostava do homem tanto assim para que quisesse que aquilo se fosse levado para outro nível e sabia que ele não queria aquilo, sendo assim a melhor coisa a se fazer havia sido terminar. Sendo assim, a primeira e única vez que Caitlin teve o coração partido, havia sido graças ao melhor amigo de sua prima, Philippe Zhèng, o maldito sino-francês que a loira insistia em dizer coisas boas sobre ele o tempo todo, coisas que a mais nova desconhecia. Mas mesmo depois de dez anos do acontecimento, Rosalie não fazia ideia do que havia acontecido naquela mesma casa onde elas estavam, bem debaixo do nariz dela. “De qualquer forma, você está muito melhor sem o Raymond ou qualquer outro homem idiota em sua vida. Ou melhor, nós estamos.” Disse abrindo um sorriso pra prima, antes de beber mais uma vez um gole da bebida e dessa vez fazer uma careta, sem saber exatamente se era pela fala alheia ou pelo gosto amargo da bebida. Mas não pode deixar de soltar uma risa sarcástica com a fala da prima sobre o gigante francês. “Zhèng encomendando o fim de alguém? Eu deveria era ter encomendado o fim dele há anos atrás, isso sim. Mas eu sou uma boa pessoa, então deixei ele vivo, se arrependimento matasse…” Soltou aquilo sem se quer pensar, se arrependendo no segundo seguinte quando se deu conta do que havia falado. Estendeu o braço com a bebida na direção da prima e esperava que ela não desse muita atenção para aquela fala.
Chegava a ser engraçado, na visão de Rosalie, como depois de vários anos evitando contato com Caitlin, ver que agora, ficava centenas de vezes mais confortável com a ruiva do que com qualquer parente próximo. Poderia falar sobre qualquer coisa com a prima, sabendo que o que falasse ali não seria colocado contra ela quando surgisse a oportunidade e, muitas vezes, mesmo sóbria, a loira se pegava perguntando como seriam a relação das duas se ela não tivesse colocado seu orgulho de lado anos atrás. Às vezes, mesmo que não admitisse, Rosalie sentia inveja da vida que a outra levava, sem toda aquela responsabilidade de dar um herdeiro puro para a família e ter que fingir uma postura perfeita diante de todos, se preocupando com cada palavra dita de forma duvidosa e com a imagem que passaria. Avida no mundo trouxa parecia infinitamente mais fácil e tranquila, ainda com suas desavenças.
Um riso abafado escapou pelos lábios da mais velha. “Vinte e cinco anos e encalhada”, a Parkinson nem conseguia lembrar a sensação exata de ter esse pensamento. Vinte e sete anos e encalhada, essa era sua realidade, a realidade que ela nunca pensou que viveria, afinal seus sonhos não eram assim tão exuberantes para a realidade em que foi criada e ainda assim ela não conseguiu conquista-los. O álcool em seu corpo já não a deixava ficar tão melancólica em pensar sobre isso, pelo contrário, evidenciava o pensamento de que estava melhor assim, sem Raymond ou qualquer outro, mesmo que não fosse a verdade. – Noivos, casados, ou não estão procurando por nada. – Completou suspirando firme e encostando as costas no balcão. – Se quer minha opinião, você terminou na hora certa. – Murmurou num tom confiante, arqueando as sobrancelhas e assentindo com um leve aceno de cabeça. Infelizmente, Rosalie não conhecia tanto da vida pessoal de Caitilin como gostaria, ainda que fossem próximas, vivessem próximas, haviam coisas em suas vidas que não poderiam andar juntas e esse conhecimento era um deles e Rosie entendia o motivo para que a maioria não se sentisse confortável com sua presença e evitava se fazer presente quando via a prima com os amigos.
-- Yeah, we are. – Confirmou num tom mais elevado do que o anterior, abrindo um sorriso convincente até para si. Umedeceu os lábios, sentindo faltado gosto da bebida e da sensação do álcool descendo pela garganta, quando ouviu o comentário de Caitlin e, automaticamente, seu cenho se franziu. Nunca ouvira a ruiva falando de arrependimento em nome de Philippe, apenas xingamentos e palavras de ódio eram proferidas em relação ao sino-francês. E, julgando pela feição e tom que usara, o tal arrependimento era muito mais do que uma simples briga. Rosalie a encarou por um momento, antes de pegar a garrafa e dar um gole longo, colocando o recipiente ao lado do corpo e se aproximando, sem aviso algum, da outra, de forma que a encarasse mais de perto. – Arrependimento por? – Questionou, pressionando os lábios ansiosa para a resposta, um riso involuntário fora proferido, pelo efeito do álcool em seu organismo e pelas centenas de respostas que aquela pergunta poderia ter.
















