“porque eu pensei que você, entre todas as pessoas, entenderia que eu tinha de fazer isso pela minha família.”, respondeu, baixinho, ainda que sua vontade fosse de gritar. ele sabia que ela tinha ido à seleção para pagar a dívida que ameaçava o seu pai de morte. “eu não poderia deixar ele morrer e você sabe que nada do que eu fizesse, ia quitar a dívida tão rápido.”, falou, olhando para os lados para ter certeza que ninguém escutaria. “ele não é muito, mas ainda é o meu pai. eu não podia deixá-lo.”, a última sentença saiu mais calma, após ter respirado fundo antes de respondê-lo. philippe sabia o quanto rae o amava, mas ela achava que ele entenderia os seus motivos. a selecionada balançou a cabeça positivamente, um pouco mais calma depois de ter dito tudo o que queria, desde que haviam acabado. “podemos.”, confirmou. a elite… deus, como ainda era um mistério que ela estivesse ali. rae endireitou a postura. “sim.”, respondeu, monossilábica. o príncipe deve ter visto algo nela como merecedora daquele papel. não sabia como. “eu não imaginava que chegaria tão longe.”, confessou, desviando o seu olhar do rapaz. afinal, por mais que tivesse escondido sobre o seu ex, não era muito difícil de ver que rhaella ainda tinha sentimentos por ele e, talvez por isso, o seu bloqueio era tanto para com o príncipe. gostaria de arrancar isso do peito, se fosse possível. agora que estava na elite, gostaria de agradar um pouco mais o príncipe. a resposta do mais velho sobre sua irmã a fez franzir o cenho, sem entender. “amy está em whites.”, era possível ver o exato momento em que sua linguagem corporal a entregara em saber que aquele à sua frente não era o seu ex: as sobrancelhas relaxaram, enquanto um olhar mais frio tomou conta de seus olhos, o encarando diretamente nas orbes alheias. “a minha irmã…”, continuou. lembrava-se bem que o seu ex tinha um irmão gêmeo, mas os contatos com ele foram muito escassos, uma vez que philippe permanecia em whites, enquanto o seu gêmeo constantemente viajava. era isso, não era? o seu ex saberia que não tinha como procurar amy ali, a menos que ele tivesse confundido-a com amelia. mas se, de fato, não era ele, rae não entenderia o motivo que o fez se passar pelo irmão. gostaria de uma explicação, no mínimo. “você não é ele, não é?”, perguntou, esperando que ele se entregasse. “dunstan?”
Eu entenderia. Deixou as palavras engasgarem em sua garganta, se ele soubesse antes todos os motivos teria brigado com o irmão, teria o obrigado a lutar por Rhaella, diria o quão tolo ele era, mas agora só conseguia pensar que ela merecia algo melhor do que alguém que não a entendesse. Nem deveria deixa-lo, fez o que precisava fazer, mesmo que isso significasse sacrificar algo que era tão importante pra você. Ele podia ver o quanto aquilo ainda a afetava, ele poderia não entender muito, mas se seus irmãos precisassem que ele desistisse de tudo, ele também o faria sem pensar duas vezes. Como Philippe poderia guarda ódio de alguém como ela? Eu não deveria ter te deixado. Ele não deveria tê-la deixado. Sussurrou desejando que aquilo fosse o certo a ser dito, era o que ele diria se fosse o irmão, Rhaella fazia parte da família. Não importa o que aconteça daqui pra frente, eu preciso que você saiba que, vou estar do seu lado, sempre. Agora ele falava por si mesmo, Dunstan, ela poderia não ter muito apoia ali, mas não viraria as costas como Philippe, não parecia certo. Como não? Disse quase descrente. Você é uma mulher incrível Rae, é gentil, doce, sensível, parece sempre trazer alegria por onde passa e só o fato de estar aqui diz tanto sobre o quanto você merece um conto de fadas, com todas as coisas bregas que tiver direito. Manteve o tom bem humorado falando por si mesmo, ela sempre se importava tanto com os outros que esquecia de si mesma, era o oposto de Dunstan, mas tinha beleza nisso. Uou sua irmã. Franziu o cenho e contraiu os olhos, uma careta ao constatar a gafe em seu papel, com certeza ele não tinha o talento de Franny para atuar e agora toda a magica tinha se tornado em vaias, um desejo desesperado em seu peito de fugir. Não, não sou ele. Confessou em um ar pesado, aquele ponto tinha noção que talvez invejasse o irmão por conseguir manter um laço com alguém que durasse mesmo com a distancia, ele nunca tinha chegado perto disso. Eu sinto muito. Podia jurar que seu coração o mataria aquele instante, como poderia explicar o porque tinha feito aquilo sendo que nem ele mesmo sabia a resposta para seus atos. Qual desculpa usaria? Que queria saber os motivos do fim do termino do namoro dela com o irmão? Quando poderia apenas perguntar diretamente, não fazia sentido. Poderia dizer que era um jogo baixo para faze-la sofrer por ter magoado o irmão? Não era tão baixo e se importava demais com ela. A resposta era um que não queria aceitar ou dizer em voz alta, então apenas esperou que ela pudesse ver a sinceridade em seu olhar e de alguma forma o perdoasse por aquilo. Desculpa, eu tenho que ir. Covarde e fugindo como sempre.