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Da inocência à falta dela
Faz mais de dez anos Que atiro ao papel Os meus pensamentos e insónias.
Desde a inocência Até à falta dela E parece, Por vezes, Que ainda não a deixei,
Com ela consigo Ver o bom, O curioso, Andas nas nuvens Sem precisar de atracar O meu navio Em qualquer porto.
Sem ela, Não há nuvens no céu, A claridade, A transparência, Mostra até o que não se quer ver.
Há mais que um porto, Mas nenhum porto dá prazer, Fica o navio à deriva E salve-se quem puder.
Quero voltar a confiar, Não sei se é por existir agora Um sexto sentido, Ou se acabou a inocência E se todo o sentido De bondade pessoal, Tivesse chegado ao fim, Não haveria retorno?
Há um cansaço em mim Que já não quer E não me deixa confiar.
Há uma certeza em mim, De insegurança alheia, Não me consegues amar Sem curiosidade E eu não sei como lidar Com todo esse sentimento omitido.
Fecho os olhos E desejo que consiga Seguir sem qualquer mágoa.
Hoje ser-se inocente É ter sentimentos e também Sabê-los E parece que não demonstrar Faz te importante E na verdade, Deixa-te reprimido.
As crianças são felizes Quando se sentem livres Para se expressarem.
Porque te achas superior Quando podes e não o fazes?
-PatriciJah (5/8/2023)
Intimidade
Era só isto, A leveza no olhar A calma de quem nos quer E um corpo que nos ama, Não só um corpo Pois cada corpo Transporta um fardo, Uma energia
Pudessemos levar a sério A sua carga, A sua força, Mas talvez por isso, As espectativas
Esmorecem entre as ondas, As ondas crescem, Pesam e depois, Caem sobre nós Como uma realidade destrutiva
Uma obra de arte É feita de desilusão E não pela felicidade, Como pode ser algo grande então, Fazer nos feliz?
Sorte ou destino Dos que encontram os tais, O companheirismo, A violência do respeito E não do "que pensas que é melhor para mim".
Conhecer mais do que um rosto, Mas uma história daquelas Que sempre ignoramos.
Pudessemos ao invés, Beber um café, Olhando nos olhos, Ao invés de te ter, De corpo nu na minha cama Quando a nudez Que precisava de sentir Era aquela que não me poderias dar.
Pois há uma beleza Que nem todos conseguimos ver Ou sentir, Mas desejamos sacear O quanto antes Da destruição
-PatriciJah 5/8/2023
Morrer & Renascer
Ontem à noite As lágrimas consumiram-me Como uma bala que perfura E suga à carne Deixando o sangue esvair-se Como a fonte dos desejos
Um peito em dor E um coração que esmoreceu Sem a brisa do mar,
Não sei como confortar Este estômago revoltado Se é que esta angústia, Não virá de outros lugares
Pensei tanto em suceder, Em ter tudo o que sempre quis, Mas porque é que quanto mais eu tenho, Mais me sinto infeliz?
Sonhei que em minha casa, Possuía uma arma preta polida e carregada, Concretizava a sua missão Libertar-me-ia de toda a mágoa, De tudo o que acredito ser E no final de contas nem ser tudo isso
Contudo, Hoje levantei-me para mais um dia De tudo querer e mais nada ter, Das portas que se foram fechando Ao longo do tempo, E de ter que um sorriso manter, Para não deitar nada a perder.
Mas talvez seja bom morrer, Mais uma vez, Para me dar a chance, De voltar a renascer. E tudo isto, Sem nunca realmente Deixar de viver.
-22/09/25
Energia
Energia que eleva, É a precisão das escolhas Feitas com o estômago Aquele pequeno mau feitio Que só gosta de beber E nunca dorme
Energia que emanas, Vai para além das palavras Muito além do que eu possa interpretar, Vejo-te como me sinto, E por mais que sejas tu, O meu peito contorce-se E diz me que tinhas razão Que não me queres na tua vida Lamento não lutar por ti, Mas a guerra já era grande, Mesmo antes de conhecer A tua energia.
Ou a minha, Hoje não a tenho, Não sei como ou onde a deixei, Terminei os meus afazeres, Conquistei um sorriso novo, E não atirei cadeiras à cabeça de ninguém, Pequenas conquistas, Deveriam subir o meu ego, Massajar o meu sistema energético, Mas por algum motivo, O vazio extenso paira sobre mim, Como uma neblina tensa Que me suga a energia.
Nos dias sol, Recordo-me das bênçãos Do que fazem os convites irrefutáveis, Com quem tem energia inesgotável De quem vê para além de si próprio No outro, Que o abraço aquece, O olhar toca A mente escuta O orgulho não quer guerra com ninguém, A personalidade aprende e melhora Energia que eleva.
-16Sept25

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Fadiga
Estou farta de me olhar ao espelho Estou farta da sociedade De ser menos ou mais que o outro Estou farta de pôr o batom vermelho Enquanto carrego a arma de guerra no coração Quantos mais morrerão Cada vez que me escolher?
Estou farta de limpar as lágrimas Enquanto empunho um relógio preto Que só me mostra às horas E não por mais quanto tempo Terei de me sentir assim.
Estou farta que me vejam vencer, E que num erro que desconheço Volta tudo ao inicio sem nada a perder Mais uma vez
Estou farta de ser quem quero Não podendo ter o que desejo Estou farta que me vejam por outros olhos Que não os do seu coração
Estou farta de me explicar Estou farta de um silêncio Que me obrigo a dar Para não te ver fraquejar
Estou farta deste ódio em mim, Que só tenho a mim para me culpar, Como o restante do meu mundo me faz Porque não aguentaria metade desta aflição
Estou farta que me olhes assim Não me olhes de todo Se não tiveres coragem de me conhecer
Estou farta de apertar um lenço perfumado Ao meu pescoço e de esse ser um esboço Que não reconheço ou de sentir Que não o mereço
Estou farta de fumar um cigarro Que me deixa sem ar Mas que me trás de volta à vida Enxugando as minhas lágrimas E fazendo o meu peso esmorecer Por entre o fumo quente
Estou farta de andar na corda bamba Reconhecê-lo e não saber como sair dela Estou farta de me esforçar Estou farta que esse esforço Seja visto como uma ameaça E não como realmente sou
Estou farta de um eu sem tu Mas que me faz sentir segura assim Um poder de liberdade Que um tu só poderia repudiar
Estou farta de querer saber Tanto coube que pouco soube E um copo cheio Um dia entorna ou parte-se
Estou farta de partir Sem querer voltar Quero me dar motivos Que já não me convencem
Estou farta desta fadiga A única que me olha nos olhos E me reconhece, Querendo me como um amor Verdadeiro e ardente
-Patri (26May25)
É na escuridão, Que encontro mais perguntas Para as minhas perguntas Como se quisesse alcançar Um ângulo diferente de abordagem
Se algum dia escrever A minha biografia Seria em Poesia Pois é o que rima Com a minha tipografia
Tanta filosofia Cabe num silêncio De uma noite De várias até Onde quererei eu chegar? Espero não tardar
Porque hei de eu me preocupar Com o tempo a passar? Em vez de me conciliar Com o rumo que tomar?
Serei eu humilde? Serei eu honesta? Quem serei eu? Quantos ‘eus’ caberão na verdade Em mim própria Sem ser menos eu?
Quantos mais sairão Do meu caminho Até eu me encontrar E encontrar a minha gente Com quem me quero à mesa sentar?
Como desejar uma normalidade Se tudo em mim Parece transcender a realidade? Não sou pior Nem tão pouco a melhor
Não me encaixo, Não sou a peça que falta Há em mim um puzzle completo Que precisa apenas De ser destruído E reconstruído
Há tanto medo Nem sei de quê ou de quem ao certo, Tudo parece incerto Ainda mais depois de conseguir
Talvez tenha de parar De procurar O que é realmente a verdade Mas como cessar tal vontade Se é comigo este desassossego?
Não quero um lugar Que não seja o meu, Não quero mais do que o meu nada! Pois a minha coroa já é pesada
Mais do que várias saídas, É uma entrada Que pode mudar todo um rumo
Esperando que a resposta Se encontre na ponta Do cigarro que fumo
-01/2025
Dá me Tudo
Ontem eras tu,
Hoje sou eu,
Queria o teu amor
Como a seca
Pede água da nascente
E tu,
Com todo o possível desdém,
Não sentias o mesmo,
Estive em negação
Sem aparente futuro
Mas não é não,
E senti me no escuro,
Mesmo com uma amizade prometida,
Não foi cumprida,
Mas o tempo passou
E tudo levou,
Fico feliz por existir um tempo entre nós,
Não sei como se passa de amiga,
A mãe dos teus filhos,
Mas não estou interessada,
Como pode toda essa atenção
Vir apenas porque pensaste em mim
E só por umas horas,
Enquanto dormes com outra mulher
A teu lado,
Pára de me ligar
De me destabilizar
Porque será ela menos capaz do que eu
Pois há anos que,
Sou eu a incapaz,
Pára de me enganar,
Se tens pensado tanto em me despir
Despe-te primeiro
Do que te prende,
E só depois,
Bem depois,
E se,
Eu quiser,
Poderás aparecer,
E tentar fazer me ceder,
E se o fizer,
Dá me tudo de ti.
Patricijah (7/1/2025)
Metamorfose
Vejo te no reflexo dos meus olhos Na minha alma gritas Como um socorro
Permites me enlouquecer Incoerente E cega de soluções
És tu, minha doce mulher Que não despe o corpo E muito menos a alma
E se desassossega Com a sua própria voz E o seu pensamento
Que não quer que lhe toquem A alma com os seus dedos sujos E duvidosos
Pudesses tu ter mais certezas Do que opiniões E madrugadas sem dormir
Se não te permites, Minha deusa, Ninguém te permite
Observa-te bem Com esse cabelo despenteado E esses olhos castanhos
Essa sinceridade que tens com os outros Mas não tens contigo Muitas incertezas
Consegues dizer que te amas Que te vais cuidar Que não temerás pôr os pés no chão
Ela és tu que te vês ao espelho Nesse reflexo Que já não reconheces
Como se parece uma transformação Dor ou libertação Nada temas
-PatriciJah (18July23, Turquia)
Nesta neblina pesada, Sinto a esperança Embora com uma fina camada De desilusão na ponta da lança Nesta espécie de caça a Dom Sebastião Que podemos renomeá-lo de amor Ardente e desejos loucos.
Desejo na terra O que Deus desejou Na sala de reuniões do Olimpo Mas ainda mais em segredo, A salvação das próprias vontades E da própria auto destruição
Tempos ímpios E sonhos quase que reais, De uma sombra que ganhou rosto E personalidade Mas que nada alcançou uma verdade Tangível Ou de oportunidade
Nos meus sonhos não cumpro ordens De ninguém, Tenho um companheiro na vida, Que carrega os meus segredos comigo E está protegido pelas minhas orações, Senti que encontrei, Mas voltei a perder
Talvez não fosse tempo, Apenas alento, E como tem passado lento, Para nos encontrarmos num novo momento.
Ninguém nos salva, Nós fazemos o nosso próprio julgamento, Não há Deus nem Allah Talvez um universo que se une Para nos permitir Escolhermos o nosso destino.
Beija-me intensamente, Nesta névoa, Se a solução apocalíptica É de facto um amor puro E desmedido
Encontra-me, Perdida no meu silêncio, E nos teus pensamentos, Apanha-me desprevenida Como se já não nos reconhecêssemos, Começaremos uma nova vida, Meu bem, Poderei ser eu a carregar os teus segredos E ser protegida pelas tuas orações.
Num amor que cura, Cada réstia de mágoa Que a vida nos trouxe.
-PatriciJah (25/05/2023,Canadá)

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Pequenos Versos de Insanidade
A lua desvaneceu Como uma alma que eloqueceu O meu sono não se sustenta e a mente já não tenta nem luta nem escuta.
O nivel de exigência subiu e a minha pessoa assentiu apesar das dificuldades e das pessoas das inverdades
Não posso me deixar cair no fundo nem para lá da estratosfera nem para debaixo da terra mas ser mais forte do que me tentar ao submundo
Ele não me ama e eu não sei se quero que ele me ame aparece nos meus sonhos e me chama, cola-se ao meu espirito como um imane
- PatriciJah (12/12/22)
Tides of Dummed
I remember when I look at the ocean, And realise no wave is the same, Some of them can touch you, Some of them can take you, Some of them can drag you, And you can surf on them Or you can let it take you,
This waves can be people, Or can be me Or you, But this ocean can also have it's secrets,
The same wave dragging you, Can take you to the bottom, But if you face the situation calmly, You can see it clearly, An almost unexplored beauty, Came back to surface, And realise maybe, That superficial is not for you,
There's more behind mastering furie, But if you choose to be dragged, All you see is chaos, Uncontrolled feelings, A present that leads you to no future, You, me, people, We are single pegeons upon the sea, Guess who will have to adapt, The sea or the pigeons? As a pigeon You can fly away from the ocean, You can move away, You can seat still floating, But the sea, The ocean baby, That deep soul is the situation, And situations as clean As we wish we had our oceans, Do not adapt to us, We as pigeons Only can choose what we see, And realities can come closer, Or tear us apart, But never the situations, And this is the moment, When I step away from the mirror, And look at my reflection, Could I, By mistake, Be an ocean to someone?
- Patri, in MUC.
Me Finding Mind
I woke up this morning My head hurting My heart crashing, My body didn’t want to leave bed, My soul wanted to go back in time
I guess all of me Is living in the smallest moments Of the past times, Of the past smiles
I miss them all And I lived them all
I want that man, Who made me surrender, For all the arguments And admit that fortunately I don’t know it all,
I want back those guys, Who made me drink Two bottles of Proceco And sing my favourite songs, While recording me And laughing out loud.
I want that Resort, Where I stayed for only ten hours, Two of them sleeping, Six of them dancing and swimming at the beach, Laughing joyfully, While smoking my cigarrette And having them my side in the sun,
I want to share my poetry again, And read more of it, While seated in the pick up to the airport, or in a remote hotel hobby, And sharing ideas in a random Munich About how life is supposed to be
I want my grandpa crying of joy again, All the time I would visit him, And cheers to his health, With his best wine, While my grandma was mocking us
I want to hear my phone ringing again To listen carefully to the words of my father, When he needed to share his feelings to me, And I would be strong to help him out.
I want my grandma’s cooking, When we used to reunite on Christmas Eve, And still feel on my face all the kisses, And all the smiles All the usual talking about boyfriends.
I want those flights, Where the passengers were enjoying to have us on board, when we sht chatted and play with each others, took care of each others, And in the end of the day, We wanted more of it, To live and die for it,
I want my house, Full of people I trust and love deeply, where we could be ourselves, And drink about it, no embarassment, no fear.
Today I came out of bed, With no hope, I feel tired, And I didn’t do much, Apart from working all night, Everything was fine, We went for food and coffee, Some peace, but the most I try, I don’t seem to find mine.
I want my cousin, To keep telling me He wants to travel the world, It’s what I do for living, And I hope one day, He can come with me,
I want to go to more places That show me How meaningless I am, How powerless I can be, When they almost die in my arms, And we run out of food, Watch everybody hungry, and not having food not even for the team, And realizing that reality is closer Then when they try to blind us, And yet we get stronger.
My headache doesn’t pass, I am crying for almost half an hour, I can’t tell what is wrong, If I need to grief, Or to get another shot to relief my pain, I know I am not the only one, And that makes me even more concerned.
I am concerned about the future, Not only for me, I wish our houses wouldn’t be a battlefield Upon our return in hope to see them again, And celebrate life
I wish our friendships wouldn’t be a battlefield When we express our thoughts or feelings, I wish our workplaces wouldn’t be a war zone, due to fear of not taking their deserved places.
Today I came out of bed, With no hope, I feel tired, And I didn’t do much, Apart from working all night, Everything was fine, We went for food and coffee, Some peace, but the most I try, I don’t seem to find mine.
- PatriciJah (20.06.2022), Bristol, UK
Hoje eu senti, Na ausência de um abraço, Um toque forte Que me segurou as lágrimas Um braço de água Que me lavou a mágoa,
Hoje eu soube, Que correr o mundo é um alívio, Mas compreende lo, É o verdadeiro desafio,
Para ti que me olhaste, Que me viste Segue o meu amor, Para ti que me ouviste, Que quiseste compreender, Segue o meu respeito,
Não sei o que será mais forte, Se a minha tristeza, Ou a fúria que me pulsa no peito, De não te poder abraçar mais uma vez.
Mas está presente, A vontade de ser diferente, Que Amsterdão guarde as nossas vontades, E contenha as nossas saudades!
Que Lisboa alivie o sofrimento, De quem nos quer e quis bem, E que o universo te cuide muito, E preserve as boas memórias,
Um até logo fica sempre melhor Em qualquer despedida, E prometo-te o melhor dos sorrisos, Quando acabar estes versos.
20.08.21⭐ Patrícia (em Amsterdam Centrum, the Netherlands) https://www.instagram.com/p/CS4KpRto81P2yA9NEAeuUztI5gsnG2J2jqc1Ag0/?utm_medium=tumblr
Da Esperança à Estupidez
Foi uma semana dos diabos, Penso e acredito Em tudo o que me passa pela mente, Mas ela mente-me, E tão bem...
Ainda penso em ti, Quando nos cruzámos E nos olhámos E conversámos, Mas nada de mais trocámos, Para nos voltarmos a encontrar...
Já disse ao meu coração, Para te deixar no sitio onde te encontrei, No avião no tempo onde te achei, Mas ele recusa-se, Como se uma força maior, Fizesse isto tornar-se amor.
Ridículo...
Passa se mais de um ano, E cá continuas tu meu cigano, A vender-me o impossível, E o indisponível, E a cegar-me de loucura...
Mas deixa-me dizer te, Que estas ideias que se me verte, Tornaram-se violentas, Corpulentas, E fizeram-me querer demais...
Desde o ter-te ao ter me a mim, E ao perder-me...
Por ti quis ir, Desde aos bombardeamentos no mar, Ao controlo dos segredos do ar, Conhecendo-os tão bem, Que sintonizava as estrelas, Para me resgatar, E para te voltar a ver... Cá estamos nós, Da esperança à estupidez...
Para mim, Ainda não decidi, Mas por ti soltava os demónios, E virava este mundo do avesso, Para o salvar das injustiças, Os povos oprimidos, Virava o tacho politico, E esvaía no chão, O caldo corrupto... Mas meu amor, Nenhuma história começa com a calma, E sim com a chama, Quando ela nos chama, Nos empurra, E nos come os olhos, Até voltarmos a ver... Ainda bem que não lês isto, Pelo feliz acaso de nos voltarmos a conhecer, Não fugires logo de mim (risos perturbados)...
- PatriciJah (15.06.2021)

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Protestante
Na vida, Na corrida, Da sociedade, Da tua cidade, És ensinado que para seres “alguém” Tens de estudar, Para te formares, Para depois começares a trabalhar, Conheces outra pessoa, Que estará a passo de igualdade, Com quem ganharás afinidade E casarás, Construirás uma família, Continuarás a trabalhar, Para quando te reformares, Te deixares De importar, ... Quem se importará? Viveste ou só passaste? Porque a mesma sociedade, Da tua cidade, Não é mais a mesma, Queres saber? Eles não, Afundaste te em mágoa E em sonhos que ficaram para trás? Mas isso, Na vida, Na corrida, Ninguém te ensinou! ...
Sou protestante meio a isso A que chamam eles de vida, Na corrida, Gosto do teu sorriso, Faz me feliz, Quero mais para ti, E também para mim, Que mais posso fazer por nós, Se no fim de tanto trabalho, Cuidados E suposto amor, Que sobrará de ti E não de nós, Porque por mais que estes ensinamentos Mudem, Mudaremos nós também? Onde ficará toda a gratidão? E o fim dela?
...
Protesto sobre ser contrariada E continuo contrariando A sociedade Da nossa cidade, E espero que ela, Minha doce escola, Não morra entediada, De tanta língua mal embrulhada, O que se espera de alguém Que quis mais para si E que acabou desacreditada, Incompreendida? Será que toda essa força Origina o protesto, Um protesto silencioso Ou um passar de testemunho Para os próximos filhos, Da sociedade, Da nossa cidade Na corrida Que esta vida Que eles nos ensinaram a viver?
...
Como vives tu meu povo? Que contas os teus trocos, Para os sonhos que vês na TV, Que desabafas os teus sentimentos, Para os teus amigos Que se preocupam Com as notas que não vem, E pelo o estatuto que não tens?
Como vives tu? Minha voz calada, Por uma mente perturbada Silenciada pela opressão Minuciosa e delicada, Que se quer vestir, Com o que considera melhor, E não se consegue integrar, Na sociedade, Da nossa cidade.
...
Pois bem, eu protesto! Contra ti, Minha puta ingrata, Que a tantos engata, Mas nem a certeza desengata, Viver melhor? Como pudeste magoar nosso povo? Negar conforto Aos pregados na sua cruz Negar a paz Aos bombardeados das suas granadas, És uma peste e eu não te suporto! A tua arrogância Deixa me ânsia para o seu final, A tua ganância desmedida, A fazer se passar por entendida, Deixa-me os nervos no aço! Espero que um dia chegues ao cansaço, Porque é o que o teu povo sente, Sociedade, Da minha cidade! - PatriciJah (11.06.2021)
A Intensidade do Olhar
Que te posso dizer quando me olhas assim? Nada me resta se não pensar que me vês, Que me queres compreender, Ou simplesmente que me desejas,
Levo-te assim, tão docemente, Na minha memória como a passagem de um livro que amei ler,
Os teus olhos contam-me tanto, Sem que eu me aperceba no momento, Dizem me segredos tão tenebrosos,
Que me pergunto, se será medo o que sentes, Pela minha reacção, ou pelo que aconteceu?
Confias em mim? Sussurra-me outro olhar, Aperta-me as mãos, Perde o controlo
Pudesse eu dançar contigo, na noite em que me olhaste, E me pensaste da maneira que fosse, Que voltasses a correr para me procurar
Romantismos que penso terem passado de moda, Mas que me sinto abraçada por outros poetas que ainda acreditam, Que nada que verdadeiramente nos pertença no coração, Realmente se perdeu.
Pudessem haver coincidências tão benévolas, como aquela que fez os nossos olhares se encontrarem
Não há toque mais profundo, Do que aquele que realmente não nos toca, Mas que nós sentimos, E de que maneira!
- PatriciJah (3.03.2021)