Geneviève estava uma bagunça ambulante; não dormia direito desde aquele dia em que descobriu Sebastian em um hospital em Provença. Ficava grata de ter o encontrado a tempo e não conseguia imaginar o que seria dele (ou de si) se não tivesse sido assim, porém as imagens que presenciou no hospital assombravam o seu sono à noite. Isso tudo foi acumulado com a antecipação das consequências da última exposição do anônimo e do fato da mãe ter lhe chamado para conversar na próxima semana, mais ter que continuar mantendo a frequência e notas altas e… Bom, Viv sobrevivia à base de café e tinha noção que sua aparência era de morta viva.
Morrendo de sono em Física III, a d’Harcourt pediu licença ao professor com o pretexto de ir ao banheiro, mas a verdade era que pretendia ir até o carro tirar um cochilo. No meio do caminho acabou encontrando Sebastian de costas no corredor, pensando em se aproximar dele; mal conseguia vê-lo daquela forma porque sabia que lhe frustrava a imobilidade e dor. Prova disso foi o seu soco no armário e desabafo em forma de grito que a loira presenciou. ❝ — Bash!❞ — exclamou, apressando-se em sua direção. Suas palavras não eram um surto, davam voz à uma dor que o inglês não sabia expor de outra forma. Por isso a agressividade não lhe assustou, e também porque o conhecia melhor do que ninguém. Fechou a cara para ele. ❝ — Eu lá me importo com um par de armários? Foda-se os armários! E a sua mão? Acha que vai voltar a arremessar alguma coisa tão cedo se tiver o objetivo de socar todos os armários do prédio?❞ — ralhou, não acreditando na impulsividade dele, mesmo que fosse característica predominante de sua personalidade do Chadwick. Não conseguia ficar brava com ele, principalmente naquela situação, então suavizou a expressão e o tom. ❝ — Machucou?❞ — perguntou, pegando a mão dele com delicadeza para examinar.
Assim que terminou seu esbravejo, Sebastian sentiu-se culpado por estar desabafando grosseiramente com um estranho desavisado. Para sua sorte, era Geneviève. Ele virou sua atenção para a jovem e escorou-se desajeitadamente sobre os armários que antes havia socado. Estava exausto. ❝ ━━ Não. Quer dizer, nem sei. ‘Tô tomando tanto analgésico que se essa porra tiver quebrado meu dedo, vou saber só em uns 15 dias.❞ balançou a cabeça negativamente e notou a vermelhidão surgindo nas junções de seus dedos. ❝ ━━ Tanto faz, Viv. Posso socar todos os armários do prédio ou não, ‘tô fora da temporada. Meu pé só se recupera totalmente em oito semanas e eu também fodi com meu ombro esquerdo.❞ era dolorido demais admitir aquilo, era como uma grande derrota. Ele engoliu seco, talvez chorasse quando não estivesse sobre efeito de tantos remédios para dor. ❝ ━━ O médico disse que eu posso nunca mais poder jogar na vida e o treinador resolveu me colocar no banco. É um prêmio de consolação ridículo para não ser rude e me tirar do time.❞ finalmente tomou tempo para observar as feições da namorada e preocupou-se ao notar o quão cansada ela parecia estar. Responsabilidade dele e ele sabia bem disso. Havia causado preocupações demais nos últimos dias. ❝ ━━ Como você ‘tá? Parece cansada, não devia ter vindo hoje. Deveria estar em casa descansando, sei que te preocupei muito nos últimos dias.❞
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O corpo de Sebastian ainda estava tomado por diversas escoriações e arranhões, sentia dores e estava ainda sob efeitos de analgésicos. Mesmo assim, um dia após de ser liberado do hospital em Paris - o qual havia sido transferido um dia após o acidente, Sebastian fez questão de ir a escola. Ele sequer estava trajado com seu uniforme, estava usando muletas, uma imobilizadora e havia alguns em seu rosto. Não se importava com sua aparência, fora com dificuldade até lá para ter uma reunião com o técnico do time de basquete. As notícias não eram animadoras. Por mais que tivesse tentado esconder toda a gravidade de seu acidente e lesões, sua família havia entrado em contato com a escola e a notícia já havia se espalhado. Ele estava fora do time titular de basquete por tempo indeterminado, sequer sabia se iria poder voltar a jogar um dia.
Seu coração estava quebrado. Seria daquele jeito que seria última temporada de sua vida? Não se preocupava com o maldito anônimo, problemas familiares ou o que quer que fosse. Estava tomado pela frustação, por essa razão socou um dos armários do corredor e por pouco não caiu no chão. ❝ ━━ Puta que pariu!❞ gritou ao notar que aquela havia sido uma decisão equivocada. Ao ouvir a aproximação de alguém, ele respirou fundo. ❝ ━━ Se quiser me dedurar para os monitores do corredor não estou nem aí. Essa merda nem amassou e se amasse eu pagava. Eu posso pagar todos esses armários, posso comprar essa escola toda! Foda-se tudo isso!❞
Algumas vezes Sebastian sentia que o mundo decidia despencar de uma vez só. Não bastando seus problemas em Cannes, tudo parecia estar dando errado em Paris. Seu pai havia finalmente voltado da China, Guadalupe estava atônita ao rever o marido após a separação de corpos e todos os herdeiros Hayek Chadwick foram requisitados. Passagens, jatinhos e helicópteros foram enviados para todos, menos a Sebastian. Tudo bem, ele ainda podia comprar um voo comercial e chegaria em Paris em poucas horas. Fora o que pensara até seus cartões de crédito serem recusados diversas vezes no site de compras, frustrado telefonou ao banco. Seus cartões haviam sido bloqueados pelo titular da conta. O titular da conta sendo James Chadwick.
Bash estava para lá de irado, havia decidido que não iria para reunião nenhuma. Sequer comentou com os amigos sobre o acontecido, não queria ajuda de ninguém pois não desejava resolver nada. Entretanto, a vida acontecia e sua presença em Paris se tornou primordial quando Henri adoeceu. Félicie disse que ele havia sido diagnosticado com bronquite e precisaria passar a noite no hospital, Sebastian não pensou duas vezes antes de sacar os poucos euros que tinha em sua conta e adentrar em seu carro em direção a Paris. Eram horas na estrada, sabia que seria cansativo, mas era o necessário.
Fazia certa de duas horas que estava na estrada, estava perto de anoitecer e ele estava começando a se sentir sozinho. Buscando manter seus olhos na estrada, Sebastian tentou usar a conexão bluetooth do celular no carro e a mesma falhou. Repetiu a tentativa durante cinco vezes até que finalmente desistiu, pegou o celular que estava no banco do carona e dividiu sua atenção entre a tela e a estrada deserta. Seus dedos ágeis logo encontraram o contato que desejava, o de Geneviève, e ele apertou o botão de chamada. Com apenas uma mão no volante, posicionou o celular a orelha e escutou o toque de chamada se repetir diversas vezes. O número que você chamou está programado para não receber chamadas, deixe seu recado ou tente novamente mais tarde. ❝ ━━ Que porra é essa?❞ resmungou antes de retornar a chamar o número da namorada. Novamente não fora atendido e retornou a tentar, até finalmente perceber que provavelmente o celular de Viv estava fora de área o desligado. Permitiu-se cair na caixa postal, afinal não tinha possibilidade de digitar qualquer mensagem a loira naquele momento. ❝ ━━ Rainha, desculpa ter te ligado essa porrada de vezes. Não estou morto, ninguém morreu!❞ ele riu baixo imaginando o estranhamento que Geneviève teria. ❝ ━━ Eu ‘tô no carro agora indo ‘pra Paris. Deu tudo errado, cara. Meu pai voltou de viagem, bloqueou todos os meus cartões e eu ‘tô sem um puto no bolso.❞ disse com a indignação nítida em sua voz. Ele ergueu o ombro para que pudesse segurar o telefone e colocou a mão que o segurava de volta ao volante. ❝ ━━ Ele decidiu fazer uma reunião com todos os filhos, enviou jatinho, helicóptero e o caralho a quatro ‘pra buscar meus irmãos e eu que me foda. O velhote me odeia, sério. Só isso justifica essa putaria. Eu sei que podia ter te pedido grana emprestada, mas não queria dar esse gostinho ‘pra ele. Se você quer saber, eu nem ia naquela merda de reunião.❞ ainda estava com um enorme contragosto, porém precisava enfrentar James hora ou outra e Henri precisava que fizesse isso. Sua herança já não era apenas sua. ❝ ━━ E como a desgraça não pode ser pouca, Henri foi diagnosticado com bronquite e vai ficar essa noite em observação no hospital. Quero ficar com ele ‘pra Félicie poder descansar e eu poder cuidar do meu garoto.❞ sentia seu coração apertar ao imaginar o estado do filho, não era nada muito grave, mas ainda assim o preocupava muito. Sentia-se aliviado por aquele breve desabafo, sabia que seria melhor se pudesse escutar conselhos da francesa, porém a ideia de que ela o escutaria já era boa o suficiente.
Ele respirou profundamente tentando conter o misto de irritação, mágoa e preocupação que sentia. ❝ ━━ Eu ‘tô mal, cara. É pepino atrás de pepino...❞ sua voz morreu por alguns segundos e o rapaz pigarreou. ❝ ━━ Só queria te ligar ‘pra não te preocupar. Conheço uns caras que sumiram por horas assim e quase ficaram solteiros ou viúvos, não quero isso. Ah, e fala ‘pro Ben que eu vou ir e voltar de Paris de carro. Sem chofer loira de meio metro!❞ riu baixo de sua própria piada, sabia que o amigo havia tido motivos, mas estava tentando o fazer ressignificar aquele dia como podia. ❝ ━━ É isso, te liguei para te dizer que eu te...❞ quando Sebastian estava prestes a completa a frase, o celular deslizou devido a forma desajeitada que o segurava com o ombro e acabou indo parar no vão entre o câmbio e o banco do passageiro. ❝ ━━ Eu só me fodo, impressionante.❞ o rapaz esbravejou alto antes de prestar atenção a pista a sua frente. A via estava deserta e era um caminho reto, não haviam curvas. Questionou-se por alguns segundos e finalmente decidiu que não faria muito mal rapidamente se esgueirar e pegar o celular. Sebastian se abaixou tirando a atenção da estrada e uma das mãos no volante, definitivamente estava arrependido de não ter um Tesla. Ele procurou pelo telefone com a mão enquanto intercalava o olhar entre o espaço e a via, não obteve sucesso e passou a dedicar sua total atenção pela busca. Após alguns segundos ou quiçá minutos, que pareciam horas, Sebastian finalmente conseguiu recuperar o aparelho com um sorriso vitorioso em seus lábios.
Assim que levantou seu corpo e se colocou de volta a posição anterior, seus olhos castanhos se arregalaram e ele sequer teve tempo para reagir. Uma van desgovernada veio em total velocidade em direção ao carro de Chadwick e ambos se checaram. A memória seguinte de Sebastian é do carro girar por diversas vezes até finalmente se chocar com a pista e sua visão escurecer. Tudo estava preto.
Onde: Hotel Pan Dei Palais, Saint-Tropez — Restaurante do hotel
Quando: Dez de março de dois mil e vinte um, por volta das 08:30 da manhã
Quem: Sebastian && @ludcvic
Mal humorado era eufemismo para Sebastian aquela manhã. Sabia que dividir o quarto com Charles seria desafiador, só não esperava ter que lidar com uma atitude tão infantil do rapaz. Assim que havia chego ao quarto na noite anterior, Bash deparou-se com um castelo de areia em sua cama e tinha certeza de quem se tratava o autor daquela pegadinha. Assim que chegou ao restaurante do hotel, viu a figura de Ludovic e aproximou-se do rapaz. ❝ ━━ Cara, me fala uma parada aqui. Seja sincero, só estamos nós dois aqui. O pessoal de Notre-Dame gostava mesmo do Charles?❞ questionou Ludovic, quem acreditava ser o mais neutro para responder aquela questão. Embora no fundo não buscasse neutralidade, mas sim alguém que no mínimo não enchesse o outro de adjetivos positivos. ❝ ━━ O cara é um vacilão, insuportável e infantil. Não entendo como ele pode ter todo esse... Fandom.❞ bufou e sentou-se ao lado de Dupont. ❝ ━━ Desculpa por não te dar nem um bom dia, é só que eu ‘tô putasso com uma parada que ele fez.❞
Onde: Hotel Pan Dei Palais, Saint-Tropez — Próximo a piscina
Quando: Doze de março de dois mil e vinte um, após o plot drop
Quem: Sebastian && @mzbel
❝ ━━ Bebel!❞ exclamou Bash assim que reconheceu a figura de Mabel, aproximou-se da amiga em passos rápidos. ❝ ━━ Você ‘tá bem? Eu não li tudo que o filha da puta mandou, se ele falou alguma coisa de você... Sinto muito, de coração. Você é super firmeza e não merece ser exposta. Você sabe que pode contar comigo se acontecer alguma coisa, sempre quis ter uma irmã.❞ disse apreensivo, sabia que Geneviève havia sido afetada e após ler o nome da namorada - ou o que quer que fosse - não prestou atenção em qualquer outra informação divulgada na mensagem. Não era de sua conta e preferia não saber. ❝ ━━ Eu queria saber se você viu a Viv, não consigo achar ela em lugar nenhum e queria ter certeza de que ela ‘tá bem.❞ pediu auxílio, embora duvidasse que Mabel soubesse onde a loira estava. Aparentemente ninguém sabia.
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Onde: Hotel Pan Dei Palais, Saint-Tropez — Sem lugar definido
Quando: Doze de março de dois mil e vinte um, pela manhã
Quem: Sebastian && @not-inthebox
Horas após a mensagem desastrosa de E, a cabeça de Sebastian já estava mais tranquila e o rapaz finalmente tomou um tempo para ler todo o corpo do texto. Se surpreendeu com algumas mensagens ali, mas havia decidido não julgar ninguém - apenas Gaspard e Casper, já que não gostava de ambos. A informação sobre Penélope fez com que o inglês se preocupasse, sabia o quanto o noivado havia afetado o emocional da morena e aquela exposição certamente a magoaria. Não se importava com o fato de Penny ter ou não um caso com um homem comprometido, afinal, quem era ele para julgar traições? Além disso, havia criado um certo cuidado e afeto devido o problema que enfrentaram juntos, estava disposto a prestar solidariedade e apoio. Assim que viu a morena, se aproximou dela. ❝ ━━ Bom dia, P. Como ‘cê tá?❞ a cumprimentou com um sorriso de canto. ❝ ━━ Só li aquela merda de mensagem hoje, sei que não somos os melhores amigos do mundo, mas ‘tu sabe que me importo contigo desde o noivado. Se alguém te falar alguma merda, pode me chamar.❞ se prontificou a defendê-la, embora não acreditasse que a inglesa iria aceitar sua defesa. Ela era independente. ❝ ━━ Não ‘tô nem aí ‘pra comentário de ninguém. Já ‘tô cancelado mesmo, então vou defender os meus e foda-se o resto.❞
Tirando Romain que foi diretamente até seu quarto lhe procurar logo após o acontecimento no churrasco e Perrina que não perdeu a chance de lhe irritar em um momento de fuga, Geneviève se certificou de se isolar da maioria das pessoas até que se sentisse pronta para encarar as coisas, e isso incluía também Sebastian. Claro, ela já sabia que isso estava vindo quando recebeu a mensagem mais cedo do anônimo lhe dizendo que tinha a chance de salvar o ex-namorado de uma exposição; entretanto, não sabia o que -E tinha à respeito dela e o conto foi uma surpresa, principalmente porque a informação foi completamente distorcida por ele. Se sentiu mal, especialmente porque só podia imaginar o que seus amigos e o que o Chadwick estavam pensando dela, porém não se arrependia. Salvaria ele e qualquer uma das pessoas que lhe importavam sem hesitar. Ainda mais porque suspeitava que o anônimo tinha segredos familiares do garoto nas mãos e aquilo seria muito pior do que uma bolsa para a qual ela não se importava mais.
Sentiu que o clima no hotel havia desfalecido e duvidava que as pessoas estivessem fesando igual nos demais dias. Rezou para estar certa quando bateu à porta de Bash, ansiosa e nervosa enquanto esperava ele atender. Sabia que dividia o quarto com Charles, só que a d’Harcourt não estava nem aí; o papa poderia estar ali, ou a rainha da Inglaterra, ela só queria estar na presença dele. O coração acelerou e sentiu que estava passando mal quando ele atendeu. ❝ — Bash… Posso entrar, por favor?❞ — falou, mordendo o lábio inferior. ❝ — Não me importo se ele tá aí. Eu só quero companhia. Se você quiser, quer dizer…❞ — e sentiu a fraqueza na sua voz, porque não ia saber o que fazer se ele não quisesse olhar para sua cara, ou que lhe dissesse que estava decepcionado.
Havia sido ingênuo ao pensar que E os deixaria em paz naquela viagem. Não fazia ideia de quem aquela maldita pessoa poderia ser, mas aquele sociopata certamente não os deixaria em paz tão fácil. Quando a mensagem expositora chegou, imediatamente o inglês focou-se apenas em encontrar Geneviève e consola-la da forma que podia. Entretanto, isso não fora possível já que a loira não parecia estar em lugar algum. Ela havia se afastado de todos e Bash entendeu o recado. Teve uma conversa com Mabel e decidiu ir para o seu quarto, esperaria o contato de Viviane e não iria invadir o espaço da mesma.
Passou o resto do dia recluso, não havia mais clima de festa e Sebastian estava preocupado demais com Geneviève para sair - havia até pago uma das recepcionistas para que avisasse a ele caso a loira saísse do hotel, se questionou se havia passado um pouco dos limites. Já a noite, pediu um bocado de comida mediterrânea e decidiu que jantaria por ali, se Charles o importunasse ele o mandaria à puta que pariu. Estava degustando de sua comida sentado no chão quando escutou as batidas na porta, não esperava por ninguém e não se deu ao trabalho de se levantar. Se fosse Charles ou qualquer um de seus amigos, ele não poderia se importar menos e não estava com bom humor para ser educado. Ao ouvir a melódica e conhecida voz de Viv, o rapaz levantou-se rapidamente e caminhou até a porta sem respondê-la. Quando abriu a porta e viu a figura amada da loira, um sorriso largo tomou os lábios de Chadwick. ❝ ━━ Viviane.❞ disse antes de envolvê-la em um abraço apertado. ❝ ━━ Não seja otária, rainha, você sabe que eu sempre quero sua companhia. E se o idiota do Charles estivesse aqui, nós chutaríamos ele para fora.❞ continuou em tom jocoso, embora não tivesse problema algum em de fato chutar Charles Lennox. ❝ ━━ Você chegou na hora certa, nada melhor que uma boa companhia e uma boa comida mediterrânea.❞ desfez o abraço e voltou para dentro do quarto esperando que a outra o seguisse. Sentou-se novamente no chão e decidiu “retirar o elefante” que estava naquele quarto. ❝ ━━ Quer falar sobre o que o filho da puta falou hoje cedo? ‘Cê sabe que eu não ligo, né? ‘Tô pouco me fodendo para todas as merdas que ele falou, se for ser sincero mal li aquela merda. Acho que ninguém se importou muito, já ‘tá todo mundo de saco cheio das... Como que as meninas falam mesmo? Fandom? Não! Fanfic! ‘Tá todo mundo de saco cheio das fanfics dele.❞ buscava retirar qualquer vergonha que a loira pudesse estar sentido e no fundo não se importava com o que havia lido. Todos erravam, ele havia errado tantas vezes. ❝ ━━ Foi vacilo, mas se todo mundo deixasse de se relacionar com quem vacila, eu não teria ninguém na minha vida.❞
must be 𝓵𝓸𝓿𝓮 on the brain
that's got me f e e l i n g this ʷᵃʸ
it 𝔟𝔢𝔞𝔱𝔰 me black and blue
but it 𝔣𝔲𝔠𝔨𝔰 me s o g o o d
and I can't get enough
must be 𝓵𝓸𝓿𝓮 on the brain, yeah
seu maior comprometimento, até que terminasse de planejar sua semana, era passar o menor tempo possível no quarto que dividiria com eloise. havia superado a fase de evitar a garota, mas ainda inexistia a inclinação de se torturar a ponto de passar demasiado tempo com a ex. na verdade, não fosse pela pressão por parte das amigas, provavelmente estaria em seu quarto na companhia de seu exemplar de “o feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras” e velas aromáticas. estava na posse do exemplar, mas não em seu quarto e muito menos cercada por velas aromáticas. ao invés disso, caminhava em direção à área da piscina, vestindo uma blusa de linho bege de manga curta em contraste com o biquíni preto, na cabeça um bucket e nos pés slides da adidas. acreditava que ninguém estaria na piscina quando estavam em uma cidade costeira famosa por suas praias. percebeu estar enganada quando ouviu a voz de sebastian, e até pensou em dar meia volta. mas desistiu ao perceber o teor da ligação, ele estava falando com o filho e se sentiu tocada pela natureza adorável da interação. — ❝ javier! ❞ — cumprimentou com um aceno de cabeça, de forma despojada. como se não tivesse qualquer ressalva ou ressentimento quanto ao garoto, o que era uma mentira. bom… até a divulgação dos vídeos da capsula do tempo. chacoalhou a cabeça enquanto uma risada genuína se fazia audível mediante o otimismo alheio. — ❝ vamos lutar pra isso. o henri não merece crescer e descobrir que o pai já foi presidiário por ter atentado contra a vida da realeza. ❞ — brincou revirando os olhos, antes de esboçar um sorriso mais afetuoso. algo comum nas interações dos dois antes de sebastian se transformar em um completo babaca. — ❝ como ele está? eu… uh, meio que escutei parte da sua conversa. parece ser um garoto esperto, o que não me surpreende! ❞ — mordeu o lábio inferior. — ❝ ah, aquilo… relaxa! você e o benjamin estavam, claramente, com a razão. minha vozinha sempre diz que se você não puder ser a mão que ajuda, não deve se tornar a pedra que atrapalha. acho que se encaixa bem com o que o domenico fez com vocês. espero que vocês consigam resolver tudo na reunião. ❞
❝ ━━ Ele é francês, vai ver pode se orgulhar do meu feito.❞ respondeu também em tom zombeteiro. Era nostálgico uma conversa leve como aquela com Noelle, ele não se lembrava muito bem o porquê de terem se afastado tanto. Tudo que Sebastian podia apontar era que ambos começaram a discutir excessivamente e ficara nítido para ambos que já não eram mais amigos. ❝ ━━ ‘Tá ótimo! Aprendeu a engatinhar semana passada e ‘tá deixando a mãe e os avós completamente loucos. Um Chadwick de verdade.❞ novamente o rapaz sorriu largamente, podia passar horas falando sobre o filho. Havia se tornado um daqueles pais babões que adoravam contar os feitos de seus filhos como se fossem únicos, mesmo que eles fossem completamente normais para uma criança saudável. Assentiu, ele concordava com a metáfora de Noelle e acreditava que aquilo se encaixava com Domenico como um todo. ❝ ━━ Sem querer ser pessimista, mas eu duvido que isso vá acontecer. O Domenico... Ah, sei lá qual é a daquele cara. Às vezes eu tenho a impressão que ele quer causar a todo momento, que ele quer o caos. Você viu, ele não tinha necessidade de falar aquilo no grupo da turma, mas ele escolheu fazer isso. Acho que ele fez de propósito porque ele sabia que o Ben e eu ficaríamos putos.❞ sua voz já entregava a indignação e chateação que sentia quando Domenico era parte de qualquer assunto. ❝ ━━ Sabe o que é pior? Ele não era assim. Desde que começou a mexer com parada errada virou o maior otário e eu mal consigo me lembrar de quando éramos amigos. Ele era um dos caras mais importantes ‘pra mim e hoje é um completo estranho.❞ não percebeu que estava desabafando sobre seus sentimentos com Noelle, estava absorto e confortável demais para notar o quão atípico era aquilo.
Geneviève se sentia exausta de toda aquela situação que passavam há meses. Odiava se sentir impotente diante do anônimo e não proteger as pessoas que amava, odiava que ele já tinha tanto para usar contra eles e o quanto já causou dor em todos. Fechou os olhos ao sentir o toque de Sebastian; agradecia a presença dele, o fato de que os dois pelo menos estavam juntos já era de grande ajuda. Abriu os olhos e viu a sua dúvida e desespero refletidos no rosto dele. ❝ — Não podemos contar sobre o penhasco, é tarde demais. E… Camille não estava lá. Tudo bem que ela e Eloise são parecidas, mas alguém notaria a diferença, certo? Eu teria notado! Ou então, alguém notaria que haviam duas dela lá em cima. Não, eu sinto muito pela Camille, pelo Cédric… Mas falar sobre o penhasco não vai ajudar ninguém, só terminar de cavar a nossa cova.❞ — respondeu e então suspirou. Ficou refletindo sobre as palavras de Bash; por mais cansada que estivesse de tudo, ainda não podia lutar contra seus instintos que estavam sempre buscando uma solução. Balançou a cabeça com a menção dos pais. ❝ — Não… Eu não sei você, mas acho que colocar meus pais no meio só ia piorar as coisas.❞ — disse, pensando que chamá-los para resolver isso ia querer dizer parecer de novo uma criança sob o olhar deles, principalmente de seu pai. A d’Harcourt voltou a mirar o rosto do Chadwick, mordendo a bochecha interna com preocupação. ❝ — Precisamos coordenar nossas histórias com perfeição e esperar pelo menos pior. E esperar que a gente descubra a verdade ou quem é o anônimo antes de tudo ficar irreversível, porque acho que esse é o único jeito de sair dessa.❞ — refletiu, o pé esquerdo batendo no chão enquanto o pensamento passeava pelas mensagens esquisitas trocadas com o número desconhecido e a lista de nomes que possuía nas fotos do celular. Tinha guardado aquilo de muita gente e, agora que o assunto havia surgido e que o momento era propício, Viv resolveu que não haveria oportunidade melhor para falar sobre aquilo com alguém. ❝ — Bash…❞ — chamou ela, o cenho ainda franzido com a preocupação, procurando a mão dele com a sua. ❝ — Tem… Tem uma coisa que eu venho guardando e acho que… Acho que não posso guardar isso de você. Tanto porque dissemos que não haveriam mais segredos, quanto porque preciso que alguém me ajude a pensar sobre isso, me diga que eu não estou louca.❞ — comentou, mordendo o lábio inferior com ansiedade, sabendo que aquela frase poderia ser um pouco desesperadora sem mais explicações.
Ele assentiu, não tinha como não terem notado a presença de uma estranha. Sebastian estava bêbado, mas não a ponto de confundir Eloise com outra pessoa. ❝ ━━ Você tem razão, eu só queria ter certeza. Nós não podemos contar o que aconteceu, é.❞ continuou balançando a cabeça positivamente, aquela fala era retórica do que qualquer outra coisa. ❝ ━━ É, os meus pais também piorariam tudo. Minha mãe iria surtar e ela não está muito bem nos últimos tempos, o Avery disse que ela pediu licença da empresa. E o meu pai... Faz duas semanas que foi para o Marrocos e apenas liga para dizer que está vivo.❞ ele revirou os olhos, odiava todo o sofrimento que James estava fazendo Guadalupe passar. Se ele estava o odiando tanto, simplesmente deveria removê-lo de seu testamento e não fazer com que a esposa sofresse com a sua distância. Ás vezes cogitava as razões serem outras, mas preferia ignorar aquela voz que ressoava em sua cabeça. ❝ ━━ Tudo bem. Você tem ideia do que fazer para a gente descobrir isso? Porque assim, aquele garoto lá, Casper, é foda nessas coisas de computador e até agora não parece saber quem é.❞ se Bash se lembrava bem, o rapaz citado havia sido exposto por E algumas vezes. A mudança de tom de Geneviève preocupou Sebastian, tudo que menos queria era outra preocupação, porém não deixaria a loira aflita sozinha. ❝ ━━ Pode falar, eu prometo não surtar e te ajudar da maneira que eu conseguir.❞ apertou levemente o ombro alheio e sorriu sem mostrar os dentes, estava fazendo o possível para mascara a tensão.
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Onde: Hotel Pan Dei Palais, Saint-Tropez — Área da piscina
Quando: Oito de março de dois mil e vinte um, por volta das 10:30 da manhã
Quem: Sebastian && @houssie
❝ ━━ O papai vai ter que desligar agora, mas vou te ligar todos os dias ‘pra gente conversar bastante. Tá legal?❞ Sebastian dizia com um sorriso abobalhado enquanto mirava a tela de seu celular. A imagem de um sorridente Henri estava ali, o bebê estava no colo de sua mãe enquanto “conversava” com o pai por meio de uma chamada de vídeo. Um gritinho de animação fora dado pelo infante e seus progenitores riram baixo, Bash lançou um beijo para o menino. ❝ ━━ Beijo, te amo! Beijo Licie, se cuidem.❞ ele se despediu de ambos e desligou, ainda havia um sorriso largo em seus lábios, algo comum quando interagia com o filho. Notou que havia companhia e repousou seus olhos sobre quem parecia ter chego a pouco tempo. ❝ ━━ Fala aí, Odessa.❞ cumprimentou com certa animação em seu tom, algo que não existia antes de chegarem até Saint-Tropez. Também não costumava falar com Noelle daquela forma, sabia que não era uma das pessoas favoritas da jovem naqueles últimos anos. ❝ ━━ Eu ‘tava achando que essa viagem ia ser uma merda. Ter que dividir quarto com o Charles por uma semana e ter que aturar o deboche do Domenico, mas aqui é tão bonito. Talvez não seja tão ruim assim, talvez eu nem vá preso.❞ disse esperançoso, queria estar certo e ter uma boa semana em seu spring break. Havia sonhado com aquela semana durante todo seu ensino médio, não podia simplesmente permitir que terceiros estragassem tudo. ❝ ━━ Aliás, valeu pela força naquele dia no grupo. Parece que ás pessoas não entendem muito bem o porquê do Ben e eu ficarmos putos com o Domenico, ás vezes é como se ninguém visse.❞
A ficha de Geneviève não havia caído por completo ainda quando Chiff deixou-a no batente da porta com a carta de intimação. O seu momento a sós com Sebastian antes de receber a notícia lhe blindou de outras emoções externas, mas, agora que via o garoto reagindo ao papel, tudo parecia mais real. Então era isso, mais um depoimento. Tudo bem que já estivera esperando desde a manchete no Nice-Matin, porém ao ver aquilo penetrar na sua bolha de felicidade das últimas semanas, Viv sentiu-se duplamente frustrada. Encontrou conforto na presença de Bash ali, pelo menos podia contar com ele. A loira assentiu diante da pergunta dele, precisando se sentar no sofá. ❝ — Eu sei que a gente já estava esperando, mas de alguma forma isso ainda me impactou.❞ — confessou, porque sabia que com ele, principalmente agora que não existiam mais segredos, a d’Harcourt não precisava fingir ser forte. Sabia que iam pensar em algo e que quando precisarem testemunhar no caso de Eloise foi pior, entretanto Geneviève sabia que precisava liberar suas reações antes. ❝ — O que vamos fazer agora?❞ — disse suspirando, era mais uma exclamação do que uma verdadeira pergunta. Precisava clarear a mente e pensar estrategicamente, mas estava tão cansada. ❝ — Estou exausta desse jogo de gato e rato, polícia e ladrão.❞ — confessou, sentindo uma pontada de ódio daquele anônimo, quem Viv imaginava ter grande responsabilidade no caso todo.
Sebastian passou ambas as mãos na face, algo que sempre fazia quando ficava muito nervoso. A intimação era esperada, mas isso não fazia daquela situação mais tragável. Ele sentou-se do lado de Geneviève e passou um dos braços pelas costas da loira, passado a acariciar o antebraço alheio. ❝ ━━ Eu também estou... Assustado?❞ disse incerto sobre o sentimento que o tomava. Ele sentia um certo pânico, algo que não era comum que assumisse facilmente a ninguém. ❝ ━━ Ás coisas pioraram agora, não é? Eu não entendo porra nenhuma desses bagulhos de investigação, mas agora tem aquela garota que morreu e a Eloise...❞ o rapaz disse um pouco exasperado. Sebastian não queria desesperar a francesa, mas era difícil agir como se tivesse alguma ideia do que deveriam fazer em seguida. Ele ficou calado por alguns segundos buscando uma resposta contundente para a fala de Geneviève que fora compreendida pelo mesmo como uma indagação. ❝ ━━ Nós vamos ter que mentir novamente. Nós não podemos simplesmente contar a verdade, isso destruiria nossas vidas, ‘né? Tipo, se eles soubesse que nós estávamos brigando no penhasco provavelmente vão achar que fizemos alguma coisa com aquela menina e daí fodeu muito!❞ o rapaz fitou Geneviève buscando a confirmação em seus olhos. A verdade seria caótica e os colocaria no olho do furacão. ❝ ━━ Eu... eu não sei o que fazer.❞ atestou Bash em tom derrotado. Ele queria cumprir o papel masculino que sua família sempre dizia competer ao homem, de ser o provedor e defensor, mas naquele momento ele não fazia ideia de como cumpri-lo. ❝ ━━ Contamos a verdade para os nossos pais? Pedimos ajuda? Porra... Eu não sei.❞
Conhecendo bem o amigo, o pedido de desculpas foi uma surpresa para Romain. Não fazia questão daquilo; aliás, nem mesmo tinha certeza de que Sebastian havia cometido algum erro na briga, ele tinha razão para estar bravo. Chegou a sentir os olhos um pouco úmidos, a visão levemente turva, de emoção e abraçou o amigo, sem sequer perceber que havia raspado um pouco do queijo no cabelo dele. Não se importava com o que havia acontecido, contanto que pudessem voltar a ser como eram antes. Seria uma tragédia perder tantos anos de amizade por causa de um deslize. “Tudo bem, cara, o que passou passou” respondeu, dando alguns tapinhas nas costas dele. “Você é um bom amigo, sempre foi.” E eu tô precisando disso, pensou, antes de soltar o abraço. “Falando nela… Ela anda felizinha, né?” Fazia meses que Romain observava o comportamento de Geneviéve quando Sebastian estava por perto e, pela primeira vez em muito tempo, havia reparado que o pequeno vinco entre as sobrancelhas dela desapareceu. Além disso, todos pareciam perceber o bom humor generalizado. Ele gostava de imaginar que Cédric não teria nada a ver com isso, apesar de vê-los juntos na escola vez ou outra.
O abraço de Romain fez com que uma risada baixa de alívio escapasse os lábios de Bash. Eles estavam bem. Sebastian e Romain estavam bem, como sempre encontravam uma forma de estar. Depois de algum tempo para refletir, compreender os sentimentos e frustrações, Sebastian notou que havia despejado no amigo sentimentos que não tinham em nada a ver com o que havia acontecido entre eles. Era como se Romain fosse o alvo mais fácil para soltar todos seus demônios. ❝ ━━ É sério, cara. Tem muita merda acontecendo e eu acabei descontando em você. Eu fiquei puto e com ciúmes, é claro. Fiquei pensando um bando de coisa sobre você, e depois de um tempo eu percebi que nada era verdade. Era só a raiva falando.❞ foi sincero, sempre sentia vergonha da sua falta de ponderação quando estava chateado. Era algo que buscava melhorar sempre. ❝ ━━ Você não faz ideia de como estão as coisas lá em casa...❞ disse e balançou a cabeça, como se quisesse espantar aqueles pensamentos para longe. A menção a felicidade de Viv fez com que novamente Bash risse baixo, ele deu de ombros. Haviam combinado manter a discrição e a calma naquela retomada da relação, buscariam encontrar o ritmo deles antes de expor o namoro - ou que quer que fosse - ao grupo. ❝ ━━ Está? Não tinha reparado. Nós reatamos a amizade, estamos nos dando melhor.❞ disse sem entrar em muitos detalhes, não era o melhor em mentiras e não queria mentir para Romain. ❝ ━━ Fiquei sabendo do seu término com a Faheera, meus pêsames, cara. Eu via como você era parado na dela.❞
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( benjamin ➝ 📲 ) ‘tô comentando sobre o que mencionei no grupo geral aqui em privado já que ninguém tem nada a ver com meus problemas, mas deixo aqui o pedido para manterem segredo sobre o assunto, porque não tive cabeça pra resolver as coisas direito desde que a notícia chegou no meu colo.
( benjamin ➝ 📲 ) de preferência, nem comentem com as mães de vocês. é realmente uma situação complicada, por enquanto, e prefiro deixar meus pais fora do radar enquanto penso no que fazer sobre tudo, beleza?
( benjamin ➝ 📲 ) tenho recebido umas mensagens estranhas em anônimo. não o habitual, é uma outra pessoa. nunca entendi direito o porquê dessa pessoa parecer me conhecer ou gostar tanto de mim, então acabei ignorando todas as tentativas de contato.
( benjamin ➝ 📲 ) bom, parece que a pessoa me conhece assim tão bem porque me deu à luz há uns dezoito anos, mas ninguém pensou em me contar isso antes que eu descobrisse dessa forma esquisita. é por isso que a minha mãe está tão desesperada para falar comigo.
( bash ➝ 📲 ) é viagem do guaxi, né? pq se for real vou ter que ser internado por ter um AVC
( bash ➝ 📲 ) pera, sua mãe tá te mandando mensagens se fazendo se passar por outra pessoa e te stalkeando, sua mãe tem dupla personalidade ou vc tem duas mães? n entendi
Sua chamada está sendo encaminhada para caixa de mensagem e estará sujeita a cobrança após o sinal. Sebastian soltou um baixo grunhido de irritação, não era do feitio de Guadalupe Chadwick não atender telefonemas de seus filhos. Não importava o quão ocupada Lupita estava, ela sempre dava um jeito de responder as ligações dos mesmos ou ao menos avisava que os ligaria depois. Havia algo de errado com a mulher e isso assustava Sebastian, pois ele sabia de algo que poderia despertar uma reação como aquela em sua mãe. Para piorar, mais cedo sua tia havia o ligado diretamente da Cidade do México para perguntar a ele o porque de sua mãe não aparecer na empresa há mais de uma semana. Seu irmão mais velho, Christopher, estava a substituindo, porém não se encontrava nada contente e não parecia muito preocupado com a mudança de estado da mãe. ❝ ━━ As mulheres são assim, Bash, mudam de humor o tempo todo. Semana passada a Caroline passou a semana sem falar direito comigo e depois me pediu desculpas porque estava de TPM. Mamãe logo vai estar bem de novo, deve estar com saudade do papai.❞ disse o Christopher despreocupado na ligação que partilhara com Sebastian. Por mais que Bash desejasse confiar nas palavras do mais velho, algo ainda dizia que aquela mudança não era comum.
Antes que pudesse continuar divagando em sua mente sobre a mudança de humor de Guadalupe, fora chamado para depor. Por alguns minutos havia se esquecido do inferno que estava presenciando novamente, estivera tão focado em contatar sua mãe que mente o levou para longe da delegacia de Cannes, lugar onde estava corporalmente. Levantou-se de contragosto e adentrou a sala, dentro da mesma havia uma mesma retangular larga, uma câmera e dois detetives o fitavam. Cena semelhante com a primeira experiência que teve meses antes. Cumprimentos educados ocorreram e Sebastian sentou-se na cadeira designada a si, sentia suas palmas úmidas de suor devido o nervoso que o tomara no momento. Um dos policiais logo ligou a câmera o depoimento se iniciou.
❝ ━━ Boa tarde, sr, obrigada por comparecer. Sabemos que não é divertido prestar depoimento à polícia, mas agradecemos a sua compreensão e cooperação com o caso. Em primeiro lugar, gostaria que olhasse para a câmera e respondesse olhando para ela a todo momento, tudo bem? Diga seu nome completo, sua idade, sua data de nascimento e sua ocupação.❞ Sebastian mirou a câmera citada e pigarreou antes de iniciar sua falar. ❝ ━━ Sou Sebastian Javier Hayek Chadwick, tenho 19 anos, nasci dia 23 de julho de 2001 e estudo na L’Academie International François Truffaut.❞ respondeu buscando não soar rabugento, Geneviève e ele haviam conversado bastante para que ele se mantivesse calmo durante o depoimento. Ele deveria parece solicito, embora não quisesse estar ali ou ajudar minimamente naquela investigação.
A mulher, Lucille, assentiu e colocou um pedaço de papel sobre a mesma. ❝ ━━ Obrigada. Agora.. ❞ ela arrastou o papel para frente fazendo com que a imagem impressa se tornasse visível para Bash. A imagem de Camille Martin ocupava a fotografia, Sebastian não pode deixar de compará-la com Eloise naquele momento. De fato eram parecidas. ❝ ━━ Essa é Camille Martin, 18 anos. Estava desaparecida desde o dia 4 de julho de 2020. Você consegue pensar em alguma informação para nos ceder sobre essa garota? Você a conhece? Se lembra de a ter visto em qualquer parte da cidade?❞ não havia motivos para mentiras, Sebastian logo respondeu. ❝ ━━ Não, não sei de nada diferente do que vocês já sabem. Fiquei sabendo que ela desapareceu tem um tempinho, irmã mais nova do Cédric lá da sala. Também nunca vi ela pela cidade.❞ não pensou muito na resposta ou no tom usado, tudo fora bastante natural. ❝ ━━ “Cédric lá da sala”? Foi por ele que ficou sabendo do desaparecimento?❞ indagou novamente a policial. O rapaz balançou a cabeça em sinal positivo e franziu o cenho, eles não sabiam que Camille tinha um irmão e que ele estudava em Truffaut? ❝ ━━ Sim?! Cédric Martin, irmão da Camille. Ele estuda lá na sala tem um tempinho, entrou um pouco depois do início do ano letivo. Ele não me disse nada, não somos amigos, mas todo mundo ficou comentando sobre isso no colégio.❞ o rapaz completou não entendo o caminho que aquilo parecia tomar, certamente lembrar-se-ia daquilo e contaria para Viviane mais tarde.
❝ ━━ Como aluno da François Truffaut, sabe dizer se a festa de Passagem que é realizada todos os anos pelos alunos do último ano era destinada apenas aos estudantes ou se pessoas de fora também compareciam ou podiam comparecer?❞ Não, pensou em responder de imediato. Era destinada apenas para quem o comitê achava de bom tom e isso não incluía os recém-transferidos de Notre Dame. Ás vezes Sebastian pensava o que teria acontecido de diferente naquela noite se apenas tivessem dado aos outros os benditos dos convites, talvez Eloise não tivesse caído do penhasco e Camille... Bom, ele não sabia o que pensar sobre Camille. ❝ ━━ Sim. Eu faço parte do Comitê que organizou essa festa e ela sempre é destinada para todos os estudantes, eu diria exclusiva aos estudantes. Não chamamos ninguém de fora e não é comum que chamem.❞ de fato ele não sabia como Camille havia chego a Ilha. Fazia sentido que os titãs tivessem descoberto sobre a festa e encontrado uma maneira de chegar até a ilha, a maioria deles tinha dinheiro sobrando para uma viagem de barco de último hora. Já Camille, pelo pouco que Sebastian sabia sobre a mesma, vinha de uma família humilde e dificilmente conseguiria entrar de penetra sem ter sido convidada por absolutamente ninguém. ❝ ━━ Então, apenas confirmando, sobre a festa de Passagem ocorrida no dia 4 de julho e os eventos ocorridos lá, o senhor estava lá naquela noite? Se sim, pode citar alguns nomes de pessoas que se lembra de ter visto? Sabe dizer se essa garota esteve lá ou se a viu conversando com alguém?❞ perguntas repetitivas tendiam a irritar Bash, porém ele lembrou-se das palavras de Geneviève e assentiu um tanto quanto cansado. ❝ ━━ Eu estava na festa. É um pouco difícil citar o nome de todo mundo, posso acabar esquecendo de alguém, mas garanto que a turma toda estava lá. Vocês provavelmente já tem a lista da minha turma e foram esses que vi na festa. Tirando Cédric, Ludovic e Minerva, é claro. Eles entraram no colégio depois e consequentemente não foram convidados. Não vi Camille em momento algum, eu estava muito focado nas minhas próprias coisas, mas me lembraria se visse alguém estranho.❞ novamente não possuía razões para mentir completamente, ele de fato não acreditava que havia visto Camille naquela noite. Tudo bem que havia bebido um pouco e estava irado a maior parte do tempo, mas um rosto estranho o chamaria a atenção. ❝ ━━ Onde o sr estava no dia 5 de julho à meia noite, quando a polícia foi acionada e informada que o corpo até então acreditado ser de Eloise Girard-Dampierre havia caído do penhasco? ❞ Sebastian precisa se concentrar ao máximo para repetir tudo que havia combinado com os amigos, palavra por palavra sem hesitar. Precisava ser racional, o contrário da grande bola de passionalidade que sabia ser. ❝ ━━ Eu não sei exatamente a hora que sai da festa, mas sei que foi bem antes disso. Eu tinha brigado bastante com a minha ex-namorada, Geneviève, naquela noite. Nós acabamos terminando e eu ‘tava cansado de brigar, sabe? Passei a festa inteira chateado, tentando ir atrás dela para nos acertamos, mas não adiantou muito. Eu percebi que ‘tava irritando ela ainda mais e acabando com a noite dos meus amigos, Benjamin e Romain, também. Daí eu decidi ir embora, eu não ‘tava exatamente sóbrio, por isso não lembro a hora que começamos a ir embora. Só sei que depois a Geneviève me ligou, disse que o Jun estava machucado e pediu minha ajuda. Foi a única vez que vi as horas no meu celular, eram umas onze e vinte mais ou menos. Benjamin e Romain voltaram comigo, nós ajudamos a Geneviève com o Jun e fomos todos ‘pro hospital.❞ narrou sua versão dos fatos, omitindo e trocando ordem de parte dos acontecimentos daquela noite. Seu tom havia sido convincente, havia sido capaz de mascarar todo nervoso que sentia. ❝ ━━ Sabe como Jun Ho se machucou?❞ a pergunta fez com que Sebastian engolisse seco, ele deu de ombros buscando disfarçar o desconforto. ❝ ━━ Ele caiu na trilha. O Jun não é exatamente o cara mais atlético que eu conheço, ele é meio magrela e sempre foi desajeitado. ‘Tava todo mundo bebendo naquela noite, certeza que ele só agiu como um bêbado.❞ esperava que a resposta tivesse sido boa o suficiente para encerrar aquela parte da conversa e não levantar suspeitas à respeito do amigo. Pela contentamento dos polícias, havia obtido êxito. ❝ ━━ O sr esteve no penhasco no dia 4 de julho ou na madrugada do dia 5 de julho? Viu algo que chamasse a sua atenção nesse dia ou fora do comum para uma festa, como a presença de pessoas estranhas ou brigas?❞ Sebastian espremeu os lábios enquanto uma falsa expressão reflexiva tomou sua face, estava replicando seu comportamento quando mentia para Guadalupe. ❝ ━━ Não, como eu já falei, fui embora com minha ex-namorada, o irmão dela e meus melhores amigos. Não subi em lugar nenhum, não tava com cabeça ‘pra esse tipo de coisa. Eu ‘tava preocupado com meu relacionamento, não fiquei prestando atenção nas conversas ou brigas alheias. Não vi nada não.❞ novamente sua resposta pareceu contentar os policiais e Sebastian podia sentir o desconforto em seu estômago diminuir, logo aquilo teria acabado.
❝ ━━ O sr saberia dizer por que as pessoas pensaram que Eloise era o corpo encontrado sobre as pedras? Se não, consegue dar um palpite o que levou as pessoas pensarem nisso?❞ que tipo de pergunta era aquela? Sebastian questionava em sua mente. O que esperavam que ele dissesse? Se nem a própria polícia fazia ideia da existência da “doppelgänger”¹ de Eloise, porque eles deveriam saber? Conte até dez, sempre conte até dez. A doce voz de sua mãe ecoou em sua cabeça o fazendo acalmar seus ânimos. Ele deu de ombros e permaneceu em silêncio por alguns segundos. ❝ ━━ Não sei, provavelmente não encontraram a Eloise e ligaram os pontos. Sei lá, elas duas se parecem e ninguém sabia da existência da outra. Deve ter sido por isso, vocês devem saber melhor que eu.❞ Não conseguiu conter-se e uma alfinetada escapou por seus lábios. ❝ ━━ Obrigado pelas suas respostas e honestidade. Vamos manter contato caso precisemos de mais esclarecimentos da sua parte. Está dispensado/a.❞ o homem disse por último e Bash sentiu como se mais de cem quilos fossem retirados de suas costas. Ele despediu-se educadamente dos policiais e caminhou para fora da delegacia em passos ligeiros. Esperava nunca mais ter de pisar naquele lugar, mas parte de sua intuição dizia que o surgimento de Camille iria complicar ainda mais as coisas, se é que aquilo era possível. Trouble is a friend², pensou. Ao chegar ao lado de fora, retornou a ligar para Guadalupe e novamente não fora atendido. Havia apenas uma coisa que deveria fazer naquele momento: ir a Paris.