Romain respirou fundo antes de se aproximar de Benjamin. Estava determinado a tirar a dúvida que vinha o importunando, entretanto, ainda precisava reunir muita força para resistir ao impulso de ignorar os problemas. “Ben! E aí” começou, já denunciando no tem de voz e na postura arredia que já tinha um assunto em mente, um assunto incômodo. “Pergunta estranha, mas... Por acaso você ‘tá recebendo mensagens de um número desconhecido? Não o de sempre e não o da sua mãe... Umas coisas meio...” Ele fez uma pausa para encontrar a palavra certa. “Agressivas.” Não eram nem mesmo chantagens, pelo que havia interpretado, ou ligaria as ameaças diretamente a Eloise. Quem o detestava tanto assim?
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality
Anya is LIVE right now
FREE
Free to watch • No registration required • HD streaming
Estava pronta para dar partida no carro quando Romain apareceu em sua janela. Imediatamente Faheera parou o automóvel e saiu do carro, pronta para ouvir o que ele tinha dizer. Sempre estaria a postos para ouvir Romain. As palavras dele, no entanto, eram as últimas que esperava ouvir. “Um cara árabe?” Repetiu, o tom um tanto incrédulo. Poderia ser tanto Asjad, o filho de Afife, quanto Umar… No entanto, este último estava no Uzbequistão da última vez que soube. “Como ele era? Como falou com você?” Pediu por mais detalhes, ainda bastante intrigada pelo acontecido. Como sabiam do pen drive? Como sabiam que esteve em posse de Romain? Quem era a pessoa? Quanto mais pensava, menos sentido fazia.
A confusão de Faheera só fez com que Romain se tornasse subitamente apreensivo. Poderiam estar vigiando ele? Por quê? Por que ele? Não fazia sentido... talvez o pen drive tivesse um rastreador? Um que não funcionasse mais? Mas por que Faheera não saberia desse detalhe se o pen drive era dela? “A gente pode entrar no carro?” pediu, ao olhar por cima do ombro em busca do homem que havia o procurado. Não parecia perigoso, porém a situação toda era muito suspeita. “Ele devia ter uns trinta anos, barba curta, olho grande. Não era seu pai, não, já vi foto dele.” Poderia ser o noivo de Faheera? De repente, um vinco surgiu entre as sobrancelhas de Romain. Não gostava dele, mesmo sem conhecê-lo. “Eu achei que era onde você guardava trabalho da escola, alguma coisa assim, mas não é isso, né?” Fez uma pausa. “É... do seu casamento?”
Depois da discussão com Perrina, Geneviéve queria mais do que tudo ir para o quarto e ignorar todo mundo. A presença de Amelia agora não era mais o seu problema, aliás achava que as duas até se entenderiam bem por estarem no mesmo barco agora. Com certeza seria mais fácil olhar para ela do que para os amigos, os quais ela tentava ignorar ao máximo agora, tendo inclusive desligado o celular. Só não podia evitar que as pessoas lhe procurassem. Tinha se trancado no quarto e estava evitando todo o restante, inclusive Sebastian. Faria tudo de novo se pudesse, porque jamais colocaria ele em cheque se podia evitar, mas não queria lhe contar sobre isso porque o conhecia melhor do que ninguém e sabia que ia achar que era o culpado pela sua exposição. Ainda, não sabia o que ele ou os demais iam pensar da sua índole que sempre foi imaculada depois disso, por mais que o acontecido tenha sido distorcido. A batida ia ser completamente ignorada até que Viv ouvisse a voz de Romain. Hesitou atrás da porta; o amigo sabia o que era ter um segredo exposto e sofrer as consequências das pessoas que ele amava, pois algo muito semelhante havia acontecido com ele. Abriu-a e encarou as feições conhecidas, sem saber o que dizer. Só fez sinal para ele entrar. ❝ — Eu… Não sei o que dizer.❞ — foi a única coisa que conseguiu dizer, torcendo as mãos de forma nervosa.
🦝
flashback.
O olhar e a postura de Geneviéve pareciam transparecer vergonha. Era verdade então? Não conseguia imaginá-la fraudando algo para conseguir uma bolsa nem por quê uma d’Harcourt faria isso, afinal, ela já possuía uma vaga garantida na universidade. Ainda assim, decidiu não perguntar nada por enquanto. Se Geneviéve tivesse, de fato, feito algo que pudesse manchar sua reputação daquela forma, deveria ter sido por um bom motivo. Romain entrou no quarto e tomou a liberdade de sentar em uma das camas enquanto vasculhava a pochete pendurada em seu peito. Bingo! Uma barra de Kinder Bueno. Sempre carregava um doce consigo para situações de emergência, geralmente uma de suas crises de choro. “Não precisa falar” respondeu, tentando acalmá-la. E jogou o chocolate para ela. “Só.. você ‘tá bem?” Aquela sempre seria a pergunta mais importante depois de um ataque do anônimo.
“Ei, Fahe!” chamou, trotando na direção dela antes que desse a partida no carro amarelo inconfundível. “Acho que eu devia te falar. Um cara, acho que árabe, falou comigo hoje de manhã e me pediu seu pen drive. Eu falei que tinha te devolvido, mas depois achei esquisito ele pedir pra mim... Você ‘tá sabendo disso?” Ao verbalizar as palavras, notou mais inconsistências no ocorrido. Faheera era a única que sabia sobre o tal pen drive ter estado um dia em sua posse e pegara o item de volta no mesmo dia. Por que aquele homem pensaria que estava com ele? Não havia chegado a verificar o conteúdo, afinal, o que uma garota do ensino médio teria salvo senão tarefas escolares? Todavia, agora começava a suspeitar de que poderia ter se envolvido em algo maior.
Sozinho no quarto de hotel, deitado no colchão ortopédico, Romain sentia-se tudo menos relaxado ao tentar eliminar todas as notificações do celular. Embora não tivesse sido exposto na mensagem mais recente de -E, temia ser o próximo. Olhou rapidamente as mensagens do grupo da turma, os novos seguidores do Instagram, um aviso de atualização do sistema pendente, e-mails com anúncios de produtos e serviços... e, pela primeira vez em muito tempo, lhe ocorreu ver a caixa de mensagens rejeitadas automaticamente. Doze. Doze era o número que aparecia ao lado do nome “Número desconhecido”. O anônimo de Truffaut, foi seu primeiro pensamento. Quem mais poderia ser? Bem... Havia julgado precipitadamente a pessoa que havia contatado Benjamin no anonimato, talvez devesse ser mais cauteloso desta vez. Poderia ser alguém bem intencionado! Tentava pensar positivo, porém foi com as mãos trêmulas que abriu a conversa.
[📲 from Unknown number @ 00:02 03/01/2021]: Boa noite, Romain Geauxinue, filho de Cláudia e Pierre Geauxinue, aluno da Academie Internationale François Truffaut.
[📲 from Unknown number @ 00:12 03/01/2021]: Eu sei o que você faz quando ninguém está vendo.
[📲 from Unknown number @ 22:31 05/01/2021]: Vi sua foto nova do Instagram, é um belo par de óculos.
[📲 from Unknown number @ 21:45 10/01/2021]: Boa volta às aulas amanhã.
[📲 from Unknown number @ 21:45 10/01/2021]: E boa sorte mentindo para todo mundo.
[📲 from Unknown number @ 23:10 12/01/2021]: Sua namorada sabe quem você é?
[📲 from Unknown number @ 23:54 23/01/2021]: Brigou com seu amigo? Ele descobriu a verdade?
Não, aquela pessoa definitivamente não era -E.
[📲 from Unknown number @ 23:55 23/01/2021]: É o que vai acontecer quando souberem o tipo de pessoa que você é.
[📲 from Unknown number @ 00:04 24/01/2021]: Não tem medo nem de perder sua bolsa de estudos?
[📲 from Unknown number @ 00:24 14/02/2021]: Feliz dia dos namorados.
[📲 from Unknown number @ 00:30 14/02/2021]: Quanto tempo uma menina tão correta vai aguentar um mentiroso como você?
[📲 from Unknown number @ 06:21 08/03/2021]: Boa viagem. Aproveite enquanto pode.
O coração de Romain parecia prestes a saltar pela boca quando terminou de ler as mensagens. Quem era aquela pessoa? Por que estava fazendo aquilo? Não bastava um anônimo querendo expor todos os erros que já havia cometido? Logo agora que estava determinado a trilhar um caminho correto... Estava a caminho da terceira sessão de terapia, tomado pela euforia de um novo começo, da esperança de ser curado e nunca mais roubar um souvenir. Sentia-se próximo da estabilidade e do autoconhecimento pela primeira vez em muito tempo, agora tinha sua sanidade desafiada mais uma vez.
[📲 to amelie marchant thérapeute @ 19:31 12/03/2021]: boa noite, dra marchant, pode falar?
Pedir ajuda. Aquele era um hábito que estava tentando criar, em vez de chorar sozinho e esperar por um sinal divino. Infelizmente, outro conhecimento que vinha adquirindo era o de que seus amigos não poderiam ajudá-lo, ao menos não no nível em que precisava. Embora o tom da mensagem fosse calmo, lágrimas escorriam enquanto Romain soluçava compulsivamente. Sentia pânico ao pensar em tudo que tinha a perder caso seus segredos fossem expostos à direção da escola, aos pais dos amigos e à polícia. Faheera havia sido compreensiva, mas isso não significava que todos seriam. Sabia muito bem que alguns inevitavelmente o veriam como um marginal em vez de uma pessoa com um transtorno psicológico, afinal, se até mesmo Winona Ryder teve a vida destruída por anos, por que Romain Geauxinue não teria? Ele se deitou, com o peito dolorido, e olhou para cima, para a foto de Sebastian e Geneviéve que havia pendurado acima da cama. Quase tudo estava bem naquela semana, é claro que algo de terrível teria de acontecer. O ar parecia entrar cada vez com mais dificuldade em seus pulmões e não via nenhum sinal de resposta da psicóloga. `Precisava fazer alguma coisa.
As mãos de Romain suavam quando ele tomou o celular mais uma vez e digitou:
[📲 to Unknown number @ 19:36 12/03/2021]: o que você quer de mim?
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality
Anya is LIVE right now
FREE
Free to watch • No registration required • HD streaming
Sempre tão ativo nas redes sociais, Romain não poderia ter escolhido uma semana melhor para fazer um detox digital. A verdade era que nem havia cogitado a possibilidade de serem atormentados por -E durante a viagem de spring break — que tipo de monstro faria uma coisa dessas?! Estava bebericando um vinho caro e julgando silenciosamente o magret de canard servido no almoço quando notou, tarde demais, o clima tenso entre os poucos alunos que restavam à mesa. Onde estavam os outros? Perguntou a Faheera o que estava acontecendo com inocência, imaginando que poderia haver algum evento paralelo ou a tal fuga da foto em grupo que os professores mencionaram, porém recebeu um olhar nervoso e a sugestão de olhar o celular. Não. Entre centenas de notificações, o ícone incomum de mensagens por sms atraiu a atenção de Romain. Uma mensagem de -E. Citando Geneviéve. E Penélope. Nenhuma das acusações lhe parecia muito grave, entretanto, se sentiu obrigado a largar o almoço e procurá-las. “Viv?!” chamou algumas vezes, batendo na porta do quarto que ela dividia com Amelia, a Geneviéve de franja. “Você ‘tá aí? O que tá rolando?” Seu tom era de preocupação apenas. Fraudar uma bolsa não era uma atitude digna do linchamento que o anônimo parecia propor aos seus olhos.
“Eu tenho alergia a areia.” Proferiu a garota como um último recurso contra ir a praia. Claro, passar um tempo com Romain sempre era ótimo e o dia estava belíssimo, nenhuma nuvem no céu e o sol brilhando forte, contudo Faheera não era a maior fã de praia. Tampouco de piscinas. Estava de biquíni e uma saída por cima, no entanto pretendia apenas sentar-se à beira da água ainda no hotel e ler um pouco. Era seu plano até que Romain apareceu, todo sorridente e insistente. Mesmo receosa de que a situação com ele pudesse se tornar ruim novamente, a garota negou o primeiro pedido. E o segundo. O terceiro também. Até que resolveu soltar uma mentira, porém ambos ali sabiam que não se tratava da verdade. Faheera era uma péssima mentira e isso estava estampado em seu rosto, por isso baixou os ombros de forma pouco animada ao admitir a derrota. “Ok, não sou alérgica, mas não gosto da areia e a água do mar deve estar fria demais.” Choramingou com o rapaz, virando um pouco a cabeça ao encarar a face alheia, procurava ali qualquer sinal de que ele pudesse estar triste ou chateado. Definitivamente iria aceitar o convite caso isso significasse ver Romain feliz.
Embora dizer algo assim não fosse inesperado da parte de Faheera, Romain não pode evitar franzir o cenho diante de uma desculpa tão familiar. “Eu ‘tava namorando o Sebastian, cara” falou, mais para si mesmo do que para ela. Aquele pensamento era perturbador, no entanto, o ajudava a vender a narrativa de superação. Não queria que Faheera ficasse sentindo pena pelo término nem que os amigos e colegas o pintassem como... bem... gado. Se pretendia mantê-la em sua vida, teria de convencer os outros e a si mesmo de que estava pronto para seguir em frente, mesmo sem ter vontade de se envolver com outra pessoa tão cedo. Talvez aquilo o fizesse bem, poderia se concentrar em si mesmo, no tratamento psicológico, na escola, na faculdade... De qualquer forma, a viagem era a chave para fazer uma repaginada na sua imagem. “’Tá o maior sol, estamos em Saint Tropez, é o último spring break da escola, você vai pra praia sim” insistiu, com um sorriso travesso, e ajeitou os óculos escuros que insistiam em escorregar pelo nariz. Tinha um plano. Sem cerimônias, tomou Faheera nos braços e a jogou por cima dos ombros. “Você pode ler em Cannes.”
Chronk. O sorriso otimista, porém frágil, no rosto de Romain se desfez no momento em que ouviu o som da baguette do buffet de café da manhã do hotel. Havia investido tanto dinheiro do comitê de eventos para aquilo? Esperava ter um primeiro dia perfeito em Saint Tropez, acordando cedo para fazer um piquenique em boa companhia, mas aquele maldito pão poderia arruinar tudo! “Um hotel cinco estrelas francês e eles não conseguem assar um pão direito?” reclamou. Farinha demais, fermento de menos, muito tempo no fogo... poderiam dizer que estava mal acostumado, mas a vó Geauxinue jamais o deixaria cometer um erro de principiante daqueles. Sabia que a comida era a alma de qualquer evento e não seria diferente aquele dia, precisava de tudo perfeito para a última viagem que faria com os amigos da escola. “Foi mal, Viv. Um café da manhã sem um pão bom não é a mesma coisa.”
Parques de diversão estavam entre os lugares preferidos de Romain, afinal, eram um tipo de ambiente que reuniam todas as tribos, ricos, pobres, crianças, adultos, góticos, normais... E, além de tudo, afloravam seu lado competitivo em batalhas ferozes pela posse de um animal de pelúcia. Estava concentrado no prêmio, mirando uma pistola d’água na boca de um palhaço quando o proprietário da barraca anunciou a vitória de seu rival, um menino de de seis anos. Aquele pivete. Romain tentou não se estressar quando o mais novo mostrou a língua exibindo a conquista e se virou para Noëlle, esperando que ela não notasse o tamanho da decepção. “Nem era um brinquedo legal mesmo” cuspiu, encarando os pés.
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality
Anya is LIVE right now
FREE
Free to watch • No registration required • HD streaming
Se alguém perguntasse qual era a graça, Basile ia ter mais dificuldade do que o normal para conseguir explicar. Já faziam quinze minutos que gargalhava sem parar, mas não fazia ideia do porquê, apenas acompanhando a risada alheia. Precisou se concentrar em manter-se calmo, já começando a sentir a falta de ar. “É sério, porra. Como é que você disse mesmo?” Perguntou, novamente, depois que as risadas cessaram. Talvez tentar aprender outro idioma chapado não fosse a melhor ideia do mundo, mas o Dampierre sentia que era o momento em que mais conseguiria aprender alguma coisa, além de nem sempre estar disposto. “Carajos.” Tentou repetir o palavrão em português, se irritando por não conseguir chegar nem perto da pronuncia correta. “Você ‘tá falando isso errado, não é possível. Desisto. Português é difícil pra carajo.”
“Caralho” falou, com o sotaque um pouco melhor que o de Basile, enquanto ria. “Quer dizer ‘coisa ruim’.” Ao menos era o que Cláudia havia lhe dito anos antes, ao surpreender-se com o filho mais novo ouvindo um funk que mencionava o palavrão. Romain apreciava a música brasileira, se sentia mais conectado com o país de origem da mãe sempre que ouvia, no entanto, sentia dificuldade de entender algumas coisas pela falta de contato com jovens falantes de português. “Essa aqui é boa.” Ele suspirou, romântico, assim que o celular começou a reproduzir a música Que Foda Foi Essa, de DJ Lindão e Jessi. “É bonita demais, cara, o casal tá passando por uma situação complicada e tal... ‘foda’ é isso em português, só que eles se amam daí não se deixam abalar, seguem a vida, uma coisa bem carpe diem” explicou, afinal, segundo Cláudia, ‘gozar’ significava aproveitar.
Sorriu fraco, sem vontade alguma de continuar o debate sobre Domenico. Tinha tantas coisas as mais com as quais se preocupar! “Ainda bem, porque não quero me livrar de você.” Respondeu, feliz por Romain tê-la abraçado. Achava que isso significava que não tinha nada de complicado entre eles, que não havia mágoas. Não era assim que desejava que acabasse, mas não poderia mudar o passado. Gostava de Romain, mas não pensava em si mesma como apaixonada. Pensava em si própria apenas como chateada. Estava levemente arrependida de toda a encenação, porque agora possuía lembranças que jamais poderia esquecer e que poderiam se tornar um tanto dolorosas. Apertou o tronco do rapaz, sentindo o perfume dele por alguns segundos e então se afastou, limpando uma lágrima insistente em sua face. “Te digo o mesmo, não vai se livrar de mim fácil assim.” Faheera riu para Romain, desta vez de verdade. “Somos amigos.” Proferiu, sentia a necessidade de afirmar a sentença, de ter a certeza que mesmo após tudo, as coisas entre ambos não mudariam tanto, que ainda teriam seus momentos de brincadeira, seus instante de cumplicidade… Assim esperava. “Você sabe que pode me mandar mensagem ou ligar a hora que quiser, certo? Pode aparecer na minha casa a qualquer hora que desejar também. Nada va…” Ia dizer que nada mudaria, mas não seria uma verdade. “Eu vou estar sempre aqui para você, Romain. Sabe aquele problema? Vamos resolver juntos.” Faheera possuía uma expressão otimista no rosto, mas sabia que estava chegando o estranho momento no qual deveria se despedir de verdade.
Soltar de um abraço que poderia ser o último entre os dois, antes de possivelmente ter de evitar Faheera quando começasse a namorar Domenico, era difícil, mas mas difícil ainda era vê-la chorar. Não entendia o motivo, afinal, Romain sempre vira relacionamentos amorosos como preto e branco: ou você desejava estar em um ou não. Bem, Faheera era uma garota inteligente, profunda, talvez tivesse uma profundidade emocional que ele desconhecia... ou talvez fosse poligâmica, se lembrava de Wendy ter mencionado pessoas assim. De qualquer forma, precisava seguir em frente, parar de pensar no que poderia ter sido e focar no que seriam: apenas amigos. Mas podia se preocupar com uma amiga, não? Podia sentir o peito doer ao vê-la derramar lágrimas. Droga, havia prometido que não faria um escândalo de novo. “Sim... Vamos sim” falou, com a voz começando a embarga, sentia que se falasse mais alguma coisa logo estaria encharcando o casaco de Faheera com o próprio choro. Precisava ser forte alguma vez, forte por ela, pelos dois. “Eu... Eu tenho que ir, mas a gente se fala, tá?” Romain deu um beijo rápido na testa da ex-namorada e se virou logo em seguida, como se estivesse atrasado para algum compromisso. Um compromisso com uma pia para lavar o rosto.
o que mais a incomodava em toda aquela situação, era a sensação de ter deixado muita coisa passar. também pudera, além de ter sido consumida pela culpa de ter mentido e omitido certas informações em seu primeiro e único depoimento para a polícia… nöelle teve muito, para além das investigações, com o que se preocupar. só não a incomodava mais que a ingenuidade em, mesmo que por um breve momento, acreditar que o caso se encerraria com o reaparecimento de eloise girard-dampierre. porque estava óbvio que não. o corpo encontrado não era dela, fato, mas ainda existia um corpo e uma incógnita a ser solucionada. olhou para romain e balançou a cabeça em sinal negativo. — ❝ é muito estranho… ninguém nunca ter ouvido falar nela, ela ter estado na festa da passagem naquela noite e não ter sido vista por ninguém. ❞ — ponderou. lembrando-se de que, em seu depoimento, havia afirmado não ter prestado atenção em eloise naquela noite, talvez fosse isso. ninguém estava prestando atenção. — ❝ ela estava desaparecida, certo? será que foi por isso que ele se aliou ao anônimo? ❞ — um vinco se formou entre as sobrancelhas, gesto involuntário que ocorria sempre quando se colocava a pensar esforçadamente sobre determinado assunto. em seguida, revirou os olhos ao que pegava um pedaço do bolo. evitava falar sobre eloise com romain, porque, apesar de condenar as chantagens… não era uma pessoa imparcial, afinal, já tivera sentimentos pela outra. — ❝ se… isso fosse verdade… o que não é, porque essa ideia é ligeiramente absurda. para não dizer muito absurda. o que explicaria o desaparecimento da elo…ise? quero dizer, existe um laudo dizendo que ela chegou ao hospital ferida e sem memória. ❞ — murmurou. — ❝ de qualquer forma, me parece desleixo da polícia ter confundido corpos… ❞ — havia uma nota de indignação em sua voz enquanto sua mente divagava para o estado do irmão da garota, não cédric, bazz. — ❝ não são sósias, elas teriam o mesmo material genético segundo a justificativa para a falha na identificação dos corpos… o que nos leva à teoria, ou melhor, fato, de que as duas são irmãs… irmãs gêmeas. porque é a única possibilidade que a genética nos oferece. ❞ — comeu o pedaço de bolo que mantivera no garfo enquanto falava. arqueou as sobrancelhas. — ❝ ou você acha que a eloise possa ter criado um clone? ❞
Relembrando-se do estado em que se encontrava quando os convidados começaram a chegar na Festa de Passagem, não acharia tão estranho descobrir que havia confundido Eloise e a irmã de Cédric, até mesmo porque evitava contato visual com a primeira. Poucas pessoas pareciam sóbrias ou em qualquer condição de prestarem atenção aos detalhes. Sebastian, por exemplo, estava furioso naquele dia, enquanto Benjamin parecia um boneco de posto afogado em entorpecentes. “Sei lá, só acho estranho a Eloise não ter notado uma mina igual a ela, o resto tinha mais o que fazer do que prestar atenção naquela...” Pensou em uma lista de xingamentos que se aplicariam à garota, mas teve o cuidado de filtrar um que Noëlle não pudesse problematizar “pilantra.” E não importava o quanto ela tentasse fugir do assunto, Romain sempre se esforçava para lembrar os amigos de quem era aquela cobra, de tudo que ela poderia fazer para passar por cima dos outros. Eloise era uma safada sem escrúpulos que nunca pisaria no reino dos céus. “É estranho mesmo essa história da polícia, não dar atenção pro caso de uma mina branca milionária. Ou vai ver era esse o interesse da família mesmo” ponderou, cogitando aquela possibilidade pela primeira vez. Embora fosse lento e desatento com frequência, Romain estava longe de ser burro, ligar os pontos seria inevitável, ainda mais com os sentimentos ruins que possuía em relação às forças policiais. “Irmãs? Será que venderam uma? Ou... vai ver é um clone mesmo?!” Àquela altura, não duvidava mais nada vindo da classe mais alta da sociedade. Pensava que clones eram algo de ficção científica, contudo, também pensara o mesmo sobre animais que brilhavam no escuro... até se deparar com um perdido no Semiramis. “Por que eles fariam um clone? Será que é que nem aquele filme da menina que doa órgão pra irmã?”
( bash ➝ 📲 ) é viagem do guaxi, né? pq se for real vou ter que ser internado por ter um AVC
( bash ➝ 📲 ) pera, sua mãe tá te mandando mensagens se fazendo se passar por outra pessoa e te stalkeando, sua mãe tem dupla personalidade ou vc tem duas mães? n entendi
( benjamin ➝ 📲 ) claro que é viagem dele
( benjamin ➝ 📲 ) a esmée não é o E
( benjamin ➝ 📲 ) minha mãe, minha genitora, a pessoa que me carregou por alguns meses, o que vocês quiserem chamar, estava me mandando mensagem
( benjamin ➝ 📲 ) ela queria me dizer que fui adotado, só não teve tanta coragem de dizer isso rápido ou diretamente
( guaxi ➝ 📲 ) caralho que susto
( guaxi ➝ 📲 ) pera aí a tia esmee te adotou então?
Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
✓ Live Streaming✓ Interactive Chat✓ Private Shows✓ HD Quality
Anya is LIVE right now
FREE
Free to watch • No registration required • HD streaming
( benjamin ➝ 📲 ) ‘tô comentando sobre o que mencionei no grupo geral aqui em privado já que ninguém tem nada a ver com meus problemas, mas deixo aqui o pedido para manterem segredo sobre o assunto, porque não tive cabeça pra resolver as coisas direito desde que a notícia chegou no meu colo.
( benjamin ➝ 📲 ) de preferência, nem comentem com as mães de vocês. é realmente uma situação complicada, por enquanto, e prefiro deixar meus pais fora do radar enquanto penso no que fazer sobre tudo, beleza?
( benjamin ➝ 📲 ) tenho recebido umas mensagens estranhas em anônimo. não o habitual, é uma outra pessoa. nunca entendi direito o porquê dessa pessoa parecer me conhecer ou gostar tanto de mim, então acabei ignorando todas as tentativas de contato.
( benjamin ➝ 📲 ) bom, parece que a pessoa me conhece assim tão bem porque me deu à luz há uns dezoito anos, mas ninguém pensou em me contar isso antes que eu descobrisse dessa forma esquisita. é por isso que a minha mãe está tão desesperada para falar comigo.
Era verdade, Romain havia se exaltado como Faheera nunca havia visto. Domenico também. Tinha sido um pesadelo repleto de mal entendidos no qual a garota estivera no meio sem saber muito bem como fazer ou agir. Entendia os dois lados, mas jamais conseguiria estar com um e ficar contra o outro. Adorava os dois, de forma diferentes, mas adorava. Sequer conseguia entender como se sentia, apenas que estava em um estado melancólico. “Você aceitou porque é um cara bom demais.” Elogiou, porque era a verdade, afinal duvidava que mais alguém fosse dar ideia ao seu plano maluco e aceitar um acordo mais maluco ainda. Nunca tinha pensando em sua relação com Romain como amizade colorida, pois faziam tudo o que namorados faziam… A única diferença era que ambos possuíam a consciência de que havia uma data para acabar. Quase tinha sido um namoro de verdade, quase. Faheera havia verdadeiramente se apegado ao Romain e aprendido a apreciar todas as características do rapaz. “Por que você está falando assim?” Aquela história de desejar felicidade e blá blá blá era tão desconfortável para Faheera, fazendo com que se lembrasse de seu último término, desenterrando lembranças infelizes. “Não é como se eu estivesse apaixonada e fosse correr para os braços de Domenico, Romain.” Explicou ela, tentando manter seu tom tranquilo e baixo. Tinha a impressão de que Romain tinha entendido tudo errado. “Não é isso.” Certificou-se em dizer, afirmar que não trairia a confiança dele. “Você me faz feliz, não quero perder sua amizade, mas vou entender se não quiser, de verdade.” Proferiu um pouco estranha, porque sua voz e expressão demonstrava todo o medo que possuía de perder o amigo. “Mas… você poderia me dar um abraço?” Pediu, um tanto triste, pensando que talvez fosse a última vez que pudesse ter a oportunidade de sentir o abraço quentinho de Romain.
Não tão crédulo das palavras de Faheera, Romain balançou a cabeça com um sorriso fraco. Enquanto reconhecia ter um rosto bastante simétrico com traços esteticamente agradáveis, não pensava ter uma personalidade nada excepcional, sempre dava muito peso aos erros que cometia, fossem ações ou somente pensamentos. Com certeza não era uma pessoa tão boa quanto os amigos. Além disso, também não acreditava que demoraria para Faheera e Domenico se envolverem romanticamente após o término. Se fosse ele, meio balé bastaria para desenvolver sentimentos. “Bom, de qualquer forma, com ou sem paixão” falou, esperando que o assunto se encerrasse ali. Não desejava saber mais nada de Domenico, se pudesse esquecer da existência do ex-amigo estaria feliz. Lembrava-se vagamente de ouvi-lo ofender Faheera durante a briga e torcia para que os dois não voltassem a ter contato, mas duvidava muito que apenas algumas palavras ríspidas ditas em meio à bebedeira fossem separar jovens apaixonados. A solução seria evitá-los quando estivessem juntos. “Você não vai se livrar de mim tão fácil.” Se for isso que você quer, pensava. Depois de todos os bons momentos que haviam passado juntos, mesmo que por pouco tempo, Romain desejava ter Faheera em sua vida, de qualquer forma que fosse. Sem pensar duas vezes, envolveu-a em um abraço, sentindo falta do jeito como o corpo pequeno dela se encaixava no dele, com o queixo apoiado logo acima da cascata de cabelos escuros da garota. Sentiria falta daquele perfume também. E de todo o resto.