Apontar dedos, construir narrativas, justificar a dor com alguma lógica que me salvasse. Mas a verdade é simples e difícil ao mesmo tempo: ela não teve culpa.
A forma como tudo aconteceu, a maneira como a informação chegou até ela, o choque...foi um impacto grande demais pra um coração que sempre me amou.
E às vezes basta uma fissura pra que o resto desabe.
Mas é inegável que eu nunca quis me ausentar, principalmente no primeiro ano. Mas amor nenhum é blindado contra o medo do outro.
O nosso amor foi reduzido?
Não, mas algo desalinhou.
Senti o “nós” escorregar para o “eu”. Senti que alguma coisa tinha quebrado e que eu estava tentando segurar os cacos com a mão. A primeira porrada:
Não no corpo, no vínculo.
Enquanto eu tentava entender o que estava acontecendo, o destino escolheu o pior momento possível pra me golpear. Tudo parece que aconteceu ontem.
Eu estava num evento familiar. Risos em volta. Conversas aleatórias. Gente celebrando alguma coisa que naquele instante perdeu todo sentido.
Dali pra frente, tudo foi declive.
Distância emocional travestida de “estou ocupada”. Até que veio o golpe final.
E ele foi covarde na forma como aconteceu.
Você se despediu como sempre:
Parecia que íamos recomeçar…
Parecia que ainda tínhamos chão…Mas o amanhã veio sem você. Sem explicação. Sem aviso. Você estava em outro estado. Mais longe de mim do que qualquer mapa poderia medir. E não era nem de corpos, e sim de relacionamento, vida, dia-a-dia.
Primeiro veio a preocupação.
Por último… a dor de perceber que ficar longe de mim virou uma decisão boa para você.
E o pior? Meses depois, de tanto eu insistir, você voltou. Não para ficar. Mas para lembrar que não era recomeço.