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O cuidado já virou um vicio... Preciso de mais *-*
Terminei de ler o segundo capítulo agora e já tô apaixonada por sua obra. Pode ter certeza que quando você publicar esse livro, eu serei uma das primeiras á comprar! Por favor, continue escrevendo.
A malícia de Tiago e a pureza de Aurora, ah, combinação perfeita.
Ah cara, muito bom isso. Maravilhoso, mas o que me incomodou mesmo foram os erros de português (por exemplo extinto em vez de instinto). Parabéns.
Ah, é porque ainda falta corrigir muita coisa. Só posto o rascunho mesmo. E também o corretor do Word não ajuda, hahahah! Mas valeu, e sei muito bem a diferença de “extinto” e “instinto”. Obrigado!Se não for pedir muito, pode mostrar os estão os erros, que eu os corrijo. Passa muita coisa despercebido, hahaha!

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Capítulo – 08 / Nos braços de Tiago
Tiago se apressou antes que Aurora mudasse de ideia e foi correndo chamar a médica.
- Drª Luciana, por favor. – disse para a enfermeira que estava acabando de entrar na sala dos médicos. - Só um minuto. – enfermeira. – Posso saber do que se trata? - Paciente Aurora Carvalho. É sobre a alta dela. - Ah, claro. – confirmou. Não demorou muito e a médica saiu. - Aconteceu algo, rapaz? – perguntou, enquanto colocava suas mãos nos bolsos. - Sim, a Aurora não quer mais ficar aqui... Ela decidiu que vai pra casa, comigo. E queria saber se a Drª não pode apressar as coisas, caso ela mude de ideia. - Pode deixar, rapaz... Vou buscar a ficha dela e o papel da alta. Vou te receitar uns remédios caso ela sinta dor... A pancada na cabeça foi muito forte e pode acontecer dela sentir dores pela noite. – disse a médica, que logo entrou na sala, novamente.
Não demorou, e médica já estava de volta. Com os papéis em mãos, ela os entregou à Tiago. Ele assinou a alta de Aurora com ansiedade... Estava apressado para sair daquele lugar. - Aqui. – disse a médica, entregando a receita médica para Tiago. – Tem remédios meio caros... Mas fiz a gentileza de disponibilizar alguns que estão no estoque do hospital. Pegue essa receita, vá até o almoxarifado e entregue isso à Francisca. Ela vai saber o que fazer. - Muito obrigado, Drª Luciana... Não sei como agradecer, ando meio “apertado”, sabe? – disse, sem jeito. - Não tem problemas, Tiago... Cuide bem da sua amada. – sorriu. - Amada? – perguntou surpreso. – Não, não é amada... É só uma amiga. – Sorriu com os olhos. Luciana sorriu, segurou no braço de Tiago e falou: - Com todo esse cuidado, fica difícil acreditar que seja só uma amizade. Tiago ficou sem jeito, olhou para baixo e não pôde esconder o quanto aquilo mexia com ele. - Não sei... Ainda estou para descobrir. – disse Tiago, que continuou. - Não tomando muito o seu tempo, Drª... Mas tem algo que eu deva dar mais atenção em relação à Aurora? Alguma dor específica, ou algo do tipo? Nunca cuidei de pessoas acidentadas. - Bom... O que mais me preocupa, são as dores de cabeça dela, pois a batida foi muito forte. Mas já fizemos os exames, e não há sequelas. Vai doer por um bom tempo, mas não é nada de grave. Se caso começar a doer muito, algo insuportável, aí sim, você deve se preocupar. Ligue pra emergência e a interne logo, ouviu, Tiago? - Sim, não se preocupe. Não quero que mais nada de ruim aconteça com ela. – sereno. - E trate de não errar os horários dos remédios. Eles são muito importantes! E quanto às pernas dela, sempre faça massagens, pra não atrofiar mais rápido do que o normal. Fique atento, se ela sentir dores na coluna, vire-a de bruços e comece com uma massagem de leve. Ah, e se der pra pagar alguém para fazer fisioterapia nela, seria ótimo. – explicou tudo, seriamente. Tiago limpou a garganta com algumas tossidas, e tentou absorver tudo em sua cabeça. - Fisioterapia? Será que funciona? - Tiago, você não pode de acreditar. Mostre-a segurança. Tiago se preocupou, já estava meio sem dinheiro. Fez uns cálculos rápidos em sua cabeça, e viu que tinha sobrado muito pouco. - Drª, você conhece alguém possa fazer isso? Quer dizer, num preço legal? Porque estou meio sem dinheiro, não estou podendo gastar muito. Luciana cruzou os braços e começou a pensar. Não demorou muito, e logo deu uma resposta: Acho que conheço sim... Dou aula numa faculdade, e estou formando novos profissionais da saúde. Se não me engano, há uma turma de fisioterapia que está pra se formar. Vou procurar saber se tem alguma aluna interessada, está bem? Tiago se animou com a ideia... Achou uma boa, e com certeza, iria sair bem mais barato. - Mas como vamos fazer pra que ela entre contato comigo? Telefone? - Sim... – disse a médica. – Me passe o seu número do celular, aí faço a tal pessoa entrar em contato contigo. Pode ser? - Claro! – animado. - Não vai ser difícil de encontrar, porque a fisioterapia da Aurora é bem simples. Tiago passou seu número para Luciana, e estava ficando mais animado, pois estava tudo dando “certo”. Ficou curioso pra saber o porquê da Drª está o ajudando tanto. Tão curioso que quase chegou a perguntar... Só não perguntou, porque achou antiético. Luciana interrompeu os pensamentos de Tiago, como se estivesse lendo-os: - Pela sua expressão, você deve estar se perguntando o porquê de tanta ajuda da minha parte, não é? – sorriu. Tiago se assustou com a pergunta, pois soou assustador. Parecia que Luciana tinha lido sua mente. - Sim... – assentiu com a cabeça. – Desculpe ter que perguntar isso, sei que é antiético... Mas por que está me ajudando tanto? - É o meu trabalho, Tiago. Sinto prazer em ajudar as pessoas... - Ah... Você é uma boa pessoa. – disse Tiago. Luciana quase o interrompeu: - Mas vi algo de diferente em você. Tiago fez uma cara de quem estava curioso. E realmente, ele estava. - Diferente...? Como assim? – perguntou. Luciana sorriu, mas dessa fez foi diferente... Ela sorriu com a alma. - Venha comigo, rapaz. Tiago ficou sem entender nada, mas mesmo assim, acompanhou Luciana. Os dois entraram em algumas portas e logo estavam num corredor. Tiago reconheceu o lugar, era o corredor das pessoas que estavam no coma. A moça de branco seguiu na frente. No meio do corredor, ela levantou suavemente o braço e começou a apontar para os leitos. - Está vendo todos esses leitos com pessoas...? – perguntou Luciana. Tiago ainda sem entender nada, respondeu: - Sim. - Já reparou que quase todos estão ocupados? - Sim, reparei. - Tiago, passo por aqui todos os dias... Todos os dias, mesmo! E sabe, fico muito triste em ver as pessoas sozinhas. É raro de ver algum familiar por aqui... É tão desumano. Desacreditam. – respirou fundo, e continuou: - Na semana que sua amiga estava no coma, passei por aqui todos os dias, sem falta. E em todos os dias, te vi por aqui. O cuidado que você tem por essa moça é bem especial. Fico feliz por saber que existem pessoas assim como você no mundo em que vivemos. Eu particularmente gostei de você. Não te conheço, não mesmo... Mas por suas atitudes, vi que é uma boa pessoa. Você seria um ótimo médico... – sorriu carinhosamente. Luciana sentou numa das cadeiras de espera. Olhou para Tiago, e por educação, ele também sentou. A moça deu uma olhada rápida em seu relógio, e viu que tinha alguns minutos sobrando e relaxou um pouco. Tiago não sabia como agir, e tentou continuar com a conversa: - É estranho... Não tem nem um mês que conheço a Aurora, e parece que já estou apaixonado por ela. Tudo aconteceu tão depressa. Estou encantado por ela e também meio culpado... Luciana olhou para Tiago, e curiosa perguntou: - Culpado? Por quê? - Se ela não tivesse ido pra minha casa naquela noite, Aurora estaria bem. E ao invés de estarmos num hospital, ambos estariam em suas respectivas casas. - Mas você não tem culpa de nada... Tudo acontece por um acaso. – disse Luciana séria. - Está aí uma coisa que estou tentando por na minha cabeça. “Tudo foi por um acaso”. – disse Tiago, já de cabeça baixa. Luciana olhou para seu relógio de novo, viu o que seu tempo estava se esgotando e se apressou: - Meu jovem, preciso ir. Tenho que ir trabalhar e você também, não é?! – sorriu. Tiago também se apressou em se levantar da cadeira. - Ah, sim! Drª, nem sei como te agradecer... Você me ajudou muito. - Nem precisa agradecer. Apenas seja sempre assim, simples e bonito. Tiago ficou sem jeito. - Você já tem tudo em mãos. Vá ao almoxarifado pegue os remédios e leve a sua amada pra casa. – disse Luciana, estendendo a mão. Tiago estendeu a mão também, e a segurou firme. – Muito obrigado, Luciana. De verdade! - Já disse que não precisa agradecer. Vou conseguir uma fisioterapeuta pra sua amiga. Pode ficar tranquilo, tem a minha palavra. – olhou para o relógio, de novo. – Agora tenho que ir mesmo. Se cuide Tiago, se acontecer algo de grave, corra pra cá. Tchau. – deu as costas. - Tchau... Luciana se apressou, estava um pouco atrasada, mas nada arrependida de gasto seu tempo com o rapaz. Tiago já estava no fim do corredor, indo em direção ao almoxarifado. Antes de entrar no outro corredor, Luciana olhou para atrás e viu Tiago dobrando a esquerda. Parou um pouco, sorriu sozinha e pensou: - Bonito.
Louco para sair daquele hospital, e com os remédios em mãos, Tiago foi até o quarto de Aurora. Abriu a porta devagar, com sutileza. Adentrou no quarto e deu alguns passos até à cama dela. Aurora estava olhando para janela, que ficava do outro lado da porta. Pensativa e distraída, encarava a luz do sol. Ela não aguentava mais ficar naquele lugar. Não demonstrava, mas estava quase desesperada pra sair daquele quarto. - Psiu. – Tiago. Aurora virou a cabeça, assustada, pois estava distraída e não tinha visto Tiago. - Você demorou. – disse Aurora. - Pensei que você não estivesse tão afoita pra sair daqui. - Corta essa, Tiago. Odeio hospitais, não me traz boas recordações. - Então que tal sairmos o mais rápido possível daqui? - Quero ir pra minha casa... Mas não posso, não é? – perguntou Aurora, com tom melancólico e com uma pequena esperança de Tiago mudar de ideia. - Ainda não. Primeiro você vai ficar na minha casa... Depois, você se decide. Esse foi o acordo. - É, eu sei. – fazendo bico sem perceber. Aurora viu Tiago segurando uns papeis, e perguntou: - Meus exames? Tiago ficou sem entender, mas logo assimilou tudo. Mostrou depressa os papéis e confirmou: - Sim, seus exames. E a sua alta. Na outra mão, ele segurava uma bolsa, cheia de remédios. - E aqui nessa bolsa, são seus remédios. – mostrou. - Nossa... Tantos assim? – surpresa com a quantidade. - Não... A médica foi generosa comigo. Além de me doar os remédios - que são caríssimos - ela me deu numa quantidade a mais. Aurora lembrou que quem estava pagando tudo era Tiago. - De hoje em diante, eu pago tudo. – disse Aurora com seriedade. Foi com tanta firmeza, que Tiago nem ao menos teve a coragem de dizer “não se preocupe”. – Vou te recompensar por tudo que já fez por mim. - Você sabe que não precisa... – sendo generoso, como sempre. - Calado! – Aurora, firme. – Eu pago tudo, você não vai gastar mais nada do seu bolso, isso agora faz parte do acordo. Por um lado, Tiago se despreocupou em relação à dinheiro, pois já estava ficando sem. Por outro, ele se sentiu reprimido, por Aurora não deixa-lo ser generoso, que sempre foi da natureza dele. - Está bem... Como quiser. – tímido. – Tenho que ir em casa, arrumar umas coisas por lá. Trouxe umas roupas da Stephanie pra você, e também, já falei com a enfermeira pra te dar um banho. Será que você pode se comportar até eu voltar? Não vou demorar... Acho que volto daqui a duas horas. E volto já pra te levar. - Tudo bem. – disse Aurora. Preocupada com algo bem pessoal, perguntou: - Tiago... Como pretende me tirar daqui? - Como assim? – sem entender nada. - Como pretende me levar daqui... Até a sua casa. De carro? – preocupada. - Ué, claro... De carro. – sorriu, pois achou a pergunta retórica e engraçada. – Se eu fosse o Peter Pan, te levaria voando, mas não sou. – continuou rindo. - Putz. – extremamente preocupada. - É, eu sei... Piadinha sem graça. - Não, não é isso... É que eu não ando de carro. Não como passageira. - Por quê? – perguntou Tiago, que se arrependeu no mesmo instante em ver como Aurora ficou incomodada com a pergunta. - Não estou com paciência para explicar isso. Mas é um trauma meu. Não sinto confiança nas pessoas, não com elas dirigindo. Preocupado, Tiago pensou numa solução, e não teve êxito. - Não se preocupe... Vou dar um jeito. Tiro você daqui nem que seja te carregando nos braços. – ousando em passar a mão nos cabelos de Aurora. “- Espero que dê um jeito. Isso me preocupa muito.” – pensou Aurora. - Bem... Vou indo, mas antes vou passar na enfermaria e avisar a enfermeira pra te dar um banho. Volto daqui a pouco. Se comporte, por favor.
No caminho pra casa, Tiago começou a bolar uma estratégia de limpeza. Ele tinha que limpar e organizar tudo. Afastar os móveis e deixar a casa mais espaçosa. Chegando em casa, e com a estratégia já em prática, ele fez tudo o que tinha pra fazer. Varreu o chão, limpou a cozinha e banheiro. Por último, foi limpar o seu quarto, pois era o lugar mais importante. Aurora ficaria ali, em sua cama. Organizou seus desenhos que estavam espalhados pela mesa. Limpou embaixo da cama e tirou algumas roupas do seu guarda-roupa, pra dar espaços para as de Aurora. Trocou as cobertas, parou e olhou para os lugares, procurando algo para limpar. Viu que estava tudo limpo e foi direto pro banho. No banho, Tiago pensou em várias possibilidades e perguntas: “Como ela vai se comportar aqui? Como vou reagir? Será mesmo que estou apaixonado? Vou conseguir?”. A preocupação de Tiago em relação a dinheiro, tinha a acabado. Ele estava preocupado como iria cuidar de Aurora, já que nunca tinha cuidado de alguém sem os movimentos das pernas e depressiva. Fez o seu percurso até o quarto e trocou de roupa. Antes de sair de casa, abriu todas as janelas, pra entrar um vento, e o cheiro forte de tinta sair de casa. Casa de pintor é assim mesmo. Com menos de duas horas, Tiago já estava de volta ao hospital. “- Até que fim darei ‘tchau’ para esse lugar.” – pensou. Foi até onde Aurora estava, e ao abrir a ponta, sentiu o doce aroma vindo de dentro do quarto. Provavelmente, Aurora já havia tomado o seu banho. - E aí, cheirosa. Está pronta? - A enfermeira parecia que queria tirar o meu couro de tanto me esfregar. Estou toda vermelha de tanto ela passar a escova em mim. Tiago sorriu. - E sim, estou pronta. E espero que você tenha conseguido uma solução para o meu tal probleminha lá. - A do carro? Sim, consegui. – disse Tiago, se aproximando de Aurora. - Que bom. Mas mesmo assim, estou com receio. Não sei o que me espera. - Não se preocupe – sorriu com os olhos. – Confie em mim. Tiago foi até a janela fechou a persiana. - Bom, é hora de ir embora. O que acha? Aurora olhou para Tiago, que estava exalando segurança, e com um tom meloso, disse: - Me tira daqui. Tiago se aproximou da cama, colocou um dos braços sobre as costas de Aurora, e o outro por baixo das pernas e a ergueu. Aurora achou aquela situação meio estranha, mas adorou a segurança que Tiago a passou. “- Sinto como se nunca fosse cair. Gosto disso.” – pensou Aurora, enquanto estava nos braços de Tiago. - Segure firme. – disse Tiago. Aurora se apressou para se segurar firme, mas ela sabia que jamais Tiago a derrubaria. Seus braços entrelaçaram o pescoço do rapaz. - Não vou te deixar cair. - Eu sei... – sussurrou Aurora. – Eu sei.
Os olhos de Aurora são verdes... Assim como uma Aurora Boreal.
De tanto olhar pra Aurora, Tiago memorizou todos os seus traços faciais. Com isso, Tiago consegue desenha-la perfeitamente sem ter ao menos uma referência ao seu lado. Ele também, consegue imaginar várias expressões ao rosto dela.
Aurora tem dificuldade pra dormir... Sofre de insônia desde o dia do acidente de seus pais. Na temporada que ela estava na casa de Tiago, ela aproveitava essa dificuldade pra ficar olhando Tiago, enquanto ele dormia. Ele nunca soube disso, mas Aurora confessa pra si mesma, que era um dos seus melhores passatempos.
Já li todos os capítulos. Estou gostando, de verdade, continue escrevendo!

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To esperando ansiosa o próximo capitulo! Vazia tempo que eu não lia algo assim...tão bom. Parabéns (:
Aurora é totalmente destruída pela saudade que sente dos pais. Não há um dia se quer que Aurora não pense neles. Seus pais, foi o que a fez acreditar no amor verdadeiro. O amor dos dois era de se admirar de tão bonito.
Tiago não tem pais, assim como Aurora. Ele foi criado pelos tios, e quando completou 18 anos, foi morar só, onde se virou muito bem.
Capítulo – 07 / “Não quero ficar só.”
Já era de tarde e a médica conversava com Aurora no quarto. Sentada ao lado da paciente, sem ética profissional, ela explicava tudo: - Pelos meus conhecimentos, você não poderá mais andar, infelizmente.
- Por favor, não diz isso. Não serei feliz sem as minhas pernas, Drª. – com o rosto cheio de lágrimas. - Eu sinto muito, Aurora. Você tem que ser forte... Pois você ainda está com vida. – disse a médica. – Acho que acabamos por aqui, certo? Aurora assentiu com a cabeça. - Tenho outros pacientes... Depois passo por aqui pra saber como você está. Não deixe de tomar os seus remédios. – brigou, mas com um sorriso no rosto. – Vou chamar o seu primo pra ficar aqui com você... - Primo? Que primo?! - Aquele rapaz que está no corredor... Tiago, se não me engano. - Ele não é meu primo. - Não?! – curiosa. - Não... Ele é só um... Ah, nem sei o que ele é! - Pensei que fosse alguém da sua família, ou até mesmo um namorado. Enfim, não é da minha conta. Não deixe de tomar os seus remédios, ok? - Ok... Agora quero ficar sozinha, por favor. – triste. - Como quiser. Luciana saiu do quarto e foi falar com Tiago. - Você não era primo dela? - Desculpe, Drª, mas precisava ficar perto dela. Posso te garantir que não sou nenhum estranho. Só queria verificar que tudo ficaria bem. - Não... Não vou brigar contigo. Ela tem sorte por ter você. Já vi paciente dormir sozinho, porque nem os familiares queriam dormir por aqui. Tiago soltou um pequeno sorriso. - Que bom que não vai brigar comigo. – aliviado. - Agora vou atender todos os pacientes... Não a deixe sozinha, tá bom, rapaz? - Tudo bem... Pode deixar. O dia acabou, e Aurora continuou triste, sem querer falar com ninguém. Tiago já não dormia no quarto e sim no corredor, sem nenhum conforto. Um, dois, três... Vários dias se passaram, e a cada dia que se passava, Aurora ficava mais triste. As vezes chegava até rejeitar sua comida. Muitas vezes os remédios, também. Logo foi diagnosticada com depressão. Aurora tinha perdido a vontade de viver, de realizar seus sonhos... Não sorria mais. Tiago não sabia mais o que fazer... Pois Aurora o rejeitava, também. Tentou conversar com ela várias vezes, mas sempre o expulsava do quarto. Tudo estava difícil. Tanto na vida de Aurora, quanto na vida de Tiago. A falta de dinheiro e o desprezo o estressava muito. Cansado de tudo, resolveu conversar com Aurora mais uma vez, mesmo que ela não ligasse, ele tentaria conversar. Era uma madrugada de sábado pra domingo. O silêncio predominava o recinto. Aurora não sentia vontade de dormir... Por isso estava acordada. Tiago entrou de cabeça baixa, já esperando pelo pior. Jogou sua mochila na poltrona e foi até a janela, que ficava no fim do quarto. Olhou a vista, se virou pra Aurora e apoiou seu quadril na janela. Aurora notou uma presença de quarto e reclamou: - Quem é? - Tiago. - Já falei que não quero falar com ninguém. Quero ficar sozinha. - Foda-se se você não quer falar com ninguém. Eu quero falar contigo e você vai me ouvir. Aurora se espantou com o tom da voz de Tiago. E mesmo quieta, resolveu dar atenção ao rapaz. - O que você quer...? – perguntou Aurora. - Eu quero que você converse comigo. – falou sério. Estava fazendo um silêncio tão grande, mas tão grande que acho que era possível ouvir o barulho de uma agulha caindo no chão. Aurora ouviu a voz de Tiago estremecer em sua cabeça. - Não tenho nada o que conversar. - Aurora... Eu estou ficando sem dinheiro. Não posso te manter aqui por mais tempo. Aurora olhou para Tiago e ficou curiosa. Queria saber do que Tiago estava falando. - Dinheiro...? – sussurrou. - É, dinheiro. O meu dinheiro está acabando. - E o que isso tem a ver? - Você está num hospital particular e eu sou o seu responsável. Então significa... - ...Que você está pagando tudo pra mim? – interrompeu e perguntou, agora surpresa. - Foi o que pude fazer. - Não precisava ter feito isso... Eu mesma pagava. - É?! Como, se você estava em coma?! Não pude te deixar sozinha, por isso fiquei aqui com você. E outra... Você não tem ninguém, seu único familiar mora em outro país. - É... Eu sei. - respirou fundo. - E o que pretende fazer? - Pretendo ficar por aqui mesmo. Não se preocupe, eu pago tudo do hoje a diante. - Não... Você não pode ficar aqui, ainda mais desse jeito, depressiva e sozinha. - Não estou depressiva, Tiago. – afirmou, com a voz trêmula. - Está sim! Você perdeu a vontade de viver... E isso é depressão. - Só quero minhas pernas de volta. - Isso infelizmente eu não posso te dar. Sinto muito. Tiago, que estava com os braços cruzados e pensativo, foi até a poltrona e sentou. Aurora lhe deu as costas e se isolou. O silêncio, por alguns minutos, reinou no quarto mais uma vez. - Você não pode se isolar assim... – disse Tiago, depois de vários minutos em silêncio. Continuou: - Não pode mesmo. Olha, acredito que você está passando por uma barra, deve ser muito difícil, mesmo. Mas poxa... Você ainda está viva... Ainda pode sorrir, se quiser. - Não sei se quero mais sorrir. – disse Aurora. “- Eu te faço sorrir, Aurora.” – pensou. – Está bem, então. Já tem três dias que você recebeu alta... Tem certeza que não quer ir pra casa? - Tenho. – disse triste. Tiago levantou da poltrona e explodiu: - Porra, Aurora! Não quero te deixar aqui sozinha, nesse estado! Ela se assustou, mas não perdeu a calma. - Soube que você dormiu aqui todos os dias, desde o acidente. – disse, lentamente. – Por que fez isso? - Porque sim. Fiquei preocupado. – disse Tiago, que já estava em pé, ao lado da cama. Aurora se virou rapidamente e deu de cara com Tiago em pé, bem próximo à ela. Olhou em seus olhos e perguntou em um tom alto: - Por que se preocupa tanto?! - Porque eu me sinto culpado! – gritou. Respirou fundo, se lamentou pra si mesmo e continuou: - Porque eu me sinto culpado por você estar assim. – dessa vez mais calmo. Aurora começou a chorar... E Tiago não resistiu... Desceu seu corpo até Aurora, que estava deitada. Segurou sua mão, olhos nos olhos tristes de Aurora e disse: - Aurora... Sei que vai ser muito difícil pra você, mas por favor, compartilhe essa dor comigo. Eu sofro junto... Não precisa sofrer sozinha. Vamos sofrer juntos, mas também vamos melhorar juntos. Aurora se desabava em lágrimas, tentou desviar o olhar algumas vezes, mas Tiago não deixou. - Não... Olha pra mim. – dizia ele. - Você não tem culpa, Tiago. – soluçando. - Sim, eu tenho. Me sinto culpado e isso não vai sair da minha cabeça nem tão fácil. Você não pode ficar sozinha aqui, eu não vou deixar. Tiago acariciou o rosto de Aurora. Por extinto, Aurora colocou sua mão sobre a mão dele. Hipnotizada com o olhar sincero de Tiago, não conseguiu falar mais nada, a não ser ouvir. Parecia que a voz do rapaz estava dentro de sua cabeça, de tão grave que o seu tom estava. Não conseguia tirar seu olhos dos olhos escuros de Tiago, que eram tão delicados e mortos. O rapaz do olhar escuro como a noite, continuou a falar: - Não precisa ser assim, Aurora. Já falei, se você quiser, sofro junto com você. Na verdade, estou te pedindo isso. Por favor. - Está falando sério, Tiago? - Sim, muito sério. O que eu posso fazer por você, Aurora? É só me dizer. - Quero as minhas pernas de volta. - Já disse que isso não posso te dar... Infelizmente. Mas... - Mas...? – interrompeu. - Mas posso te fazer uma promessa, se você quiser. – sorriu, colocando a outra mão sobre o rosto de Aurora. Aurora não parava de olhar fixamente para Tiago. Suas palavras sinceras a tocaram profundamente. Ele estava fazendo um bem imenso para Aurora, somente com palavras. Em sua vida, Aurora nunca tinha sentindo o que estava sentindo naquele momento. E olha que ela estava em depressão, triste e paraplégica. Mas mesmo assim, foi profundo. Seu coração estava acelerado. Até parecia que algo que muito importante viria junto com essa promessa. Só não sabia que seria uma declaração. A mais linda e importante de sua vida, até agora. Aurora, agora curiosa, só assentiu com a cabeça, e então Tiago começou a falar: - Posso te prometer que vou cuidar de você. Que terei mais paciência contigo, do que com os outros. Que vou ficar contigo até você não precisar mais de mim. Foi a menor e mais importante declaração que Aurora já tinha recebido de alguém. Não quis mais pensar em nada, só queria curtir o que estava sentindo, que era novo. - O que você acha...? – perguntou Tiago. Aurora, sem expressão, com a voz trêmula, perguntou: - O que você quis dizer com isso? - Aurora... Quero que você venha morar comigo. Vou cuidar de você. - Como assim, ir morar com você? – perguntou Aurora, surpresa. Tiago sentado na cama, continuou: - Sim, morar comigo. Você vai precisar de cuidados especiais até se adaptar. - Não quero... – disse Aurora. - Mas você precisa de alguém, pelo menos no começo. Eu posso cuidar de ti, caramba! Aurora baixou sua cabeça, mas não largou a mão de Tiago, que a segurava. Pensou um pouco, e não podia aceitar. Ela seria um fardo enorme na rotina do Tiago. - Pelo menos o primeiro mês, Aurora. Não vou ficar tranquilo com você aqui, sozinha. - Não tem problema... Eu posso ir pra minha casa e pagar alguém pra cuidar de mim. – disse, com cabeça ainda baixa. - Ah, pode? Então me pague! Me pague e eu cuido de você! – disse olhando nos olhos de Aurora, que agora já estava de cabeça erguida. - Não... Você tem o seu trabalho, e eu estragaria toda a sua rotina. Como iria trabalhar, comigo na sua casa, precisando de você o tempo todo? – perguntou com uma esperança nos olhos. Aurora agora já queria ir pra casa do Tiago, mesmo triste. De alguma maneira, Aurora confiava em Tiago. Lembrou de todo aquele cuidado que Tiago tinha por Stephanie. - Eu trabalho em casa... Pinto quadros em casa. Recebo encomendas pela empresa que sou contratado e pinto em casa, mesmo. Por isso quero que você vá pra lá, entendeu? - Entendi. – sussurrou. – Mas Tiago... Eu... - Você já aceitou. – interrompeu. – No fundo você já aceitou... Só falta admitir. Qual é, Aurora, o que custa?! Vamos, vou cuidar de ti. Confie em mim. - Eu confio, Tiago. Mas não tenho vontade de fazer nada. Quero ficar aqui nessa cama, por um bom tempo. Aqui e sozinha. – disse Aurora, que logo começou a chorar. - Não! Não vou te deixar aqui sozinha. Vai desistir agora, caramba?! Você está viva, e pode muito bem voltar a sorrir novamente. – Tiago, que já estava em pé, falando seriamente em direção a Aurora. – Me deixa te ajudar, Aurora. Não faz assim... Olha, segura a minha mão. – Tiago sentou na cama, de novo. Olhou nos olhos verdes de Aurora e começou a falar: - Você já recebeu alta. Hoje mesmo eu vou em casa, arrumo tudo e preparo a casa pra você. Entro em contato com uma fisioterapeuta, pois você vai precisar. Eu podia fazer isso pra você, mas não entendo nada de fisioterapia... Acho melhor uma profissional. Tiago pensou o quanto isso o custaria em relação à dinheiro. Não tinha quase dinheiro pra se sustentar direito e agora teria duas bocas pra alimentar. A dele e a de Aurora. - Eu não sei... Não tenho ânimo. – disse Aurora. – Não tenho ânimo pra nada... E também não quero ninguém tocando em mim. - Assim fica difícil! Fica difícil. – disse Tiago, com a voz quase falhando - Me deixa aqui... Vai viver a tua vida. Não nasci pra ser um fardo na vida das pessoas. - Eu não vou embora... Se for preciso, até me mudo pra cá. Venho te visitar todos os dias. – determinado. Aurora se irritou um pouco... – Isso é chantagem? Está agindo feito um moleque. – concluiu. - Sim, é chantagem, sim! Estou vendo que esse é o único jeito de mexer contigo. E eu não sou um moleque, Aurora. – falou um pouco alto e com seriedade. – Eu não sou moleque! Quem está agindo como uma pirralha, é você. Aurora ficou pasma, com a firmeza de Tiago. - Vamos fazer o seguinte... – disse Tiago mais calmo, que logo continuou: - Eu vou em casa, organizo tudo pra você ficar hospedada por lá. Aí você me dá só uma semana, só uma... Se não gostar de ficar em minha casa, você vai poder ir pra sua, e não vou impedir. O que acha? Ela pensou direito, e concluiu que era uma boa. No fundo, Aurora não queria ficar sozinha. Estava sendo muito difícil pra ela aceitar todos aqueles fatos que estavam acontecendo em sua vida. Mesmo com muito dinheiro, era limitada em forma física. - E aí, o que acha? – insistiu Tiago. Aurora estava olhando pro nada, pensativa. Se assustou com o tom grave da voz de Tiago, olhou para ele e relaxou o corpo. Deu uma boa olhada no quarto onde estava e suspirou: - Não quero ficar só. Me tira daqui.
Capítulo – 06 / O despertar
Não dormiu ansioso. Passou a madrugada inteira admirando Aurora, como todos os outros dias. Com os seus fones no ouvido, viajava nas letras das músicas. Viajou tanto que até chegou a imaginar algumas situações junto com Aurora. “- Será que estou mesmo apaixonado?” – pensou com um sorriso bobo no rosto. Aurora, as vezes, respirava forte. Tiago ficava atento, esperando ela acordar... Mas não dava em nada. Amanheceu e ele caiu no sono. A poltrona era confortável demais... E fez muito bem para suas costas travadas. O vento soprava muito forte fora do hospital. O quarto estava gelado e silencioso. Um música baixa dava pra se ouvir, que vinha dos fones de Tiago que estavam super altos. Aos poucos, Aurora foi abrindo os olhos. Não enxergava direito, pois sua visão estava toda embaçada. “- Onde estou...? Que frio é esse...? Pai, mãe?” – pensou. Aurora estava acordando aos poucos. “- Que lugar é esse...? Quem é esse que está sentando ali? Deus... Mas que dor de cabeça. Que sono... Preciso dormir...” – e caiu no sono, de novo. Nesse dia, Aurora sonhou com algo bom e triste. Foram várias lembranças de família. Seu pai tocando violão na varanda... Sua mãe cozinhando... O velho a carregando no colo.Os três indo pra Disney... Seu pai sendo um chato com seu primeiro namorado. Sonhou com a lembrança de seu pai e sua mãe dançando na sala, tarde da noite. Todos brincando na piscina. Foram várias lembranças boas, e tristes ao mesmo tempo. Aurora acordou novamente, no começo da manhã. A luz do sol atravessava a janela do quarto, o que deixava bem claro. “- Hm... Minha cabeça ainda dói. Estou num hospital? Cadê os meus pais...?” – já com os olhos abertos. Olhou tudo ao seu redor e viu um rapaz sentando ao seu lado. O susto foi instantâneo. “- Quem é...? É o Tiago? Sim, é ele. O que ele está fazendo aqui? Quero levantar dessa cama.” Ela tentou levantar da cama... Fez força, mas não conseguiu. Ao perceber que havia algo de errado, gritou e começou a chorar. Lembrou que tinha acontecido... Lembrou do acidente e que sim, ela estava num hospital, depois de tudo. Tiago acordou assustado e quase pulou pra cima de Aurora. - Aurora, o que houve?! – perguntou, sem entender nada. Tiago correu e foi chamar uma enfermeira. Aurora ficou sozinha no quarto, não parava de gritar e chorar desesperada. Ela estava lembrando de tudo, aos poucos. A enfermeiro veio depressa. Segurou Aurora e perguntou se ela estava sentindo dor. Aurora não conseguia falar nada... A ficha ainda estava caindo. Tiago tentou acalmar Aurora, dizendo que estava tudo bem. Sentou o seu lado e a abraçou. Ela nem se quer se mexeu... Estava em choque. Tiago já sabia o que era. Depois de alguns minutos dela chorando sem parar, finalmente ela se acalmou um pouco. - Tiago... – disse baixinho, que quase não deu pra ouvir. - Calma, Aurora. Não se desespere. – Tiago. - Tiago... Eu... – soluçou, com o rosto todo molhado de lágrimas. – Eu... Não sinto mais as minhas pernas. Aurora estava um pouco mais calma. Pensou que era outro sonho, na verdade, quis acreditar que era mais um sonho... Mas na verdade, não era. Tiago estava tentando acalma-la mais, abraçando-a. - Aurora... Calma, não adianta se desesperar... Não vai te fazer bem. - Eu não sinto mais as minhas pernas! Não posso mais andar! – disse, chorando nos ombros de Tiago. - Estou tentando entender... Mas não sei como é. Imagino que essa sensação seja horrível. Mas por favor, Aurora, se acalme. Aurora se irritou do nada, e o desespero caiu pesando toneladas. Explodiu com Tiago: - Sai daqui! Sai daqui você e essa mulher! Me deixem em paz, não quero ninguém aqui perto de mim! Sai, agora! – gritou, empurrando Tiago. Tiago resistiu, e mesmo assim ainda quis tentar acalma-la... Mas não deu muito certo. Aurora começou a bater em Tiago. - Me deixem sozinha! – gritou com todos. O rapaz meio assustado e preocupado com toda aquela situação, recuou. Pegou a sua mochila que estava no chão, ao lado da poltrona e saiu do quarto. A enfermeira verificou se Aurora estava bem, e depois de um tempo, também saiu do quarto. Aurora ficou só, calada e chorando muito. Tiago a observava pela janela da porta e Aurora estava séria, chorando e olhando para um só lugar. Talvez pensando na vida, ou no resto dela. Lembrou de ligar pra Stephanie. Pegou seu celular, viu que era muito cedo e quase desistiu de ligar. - Stephanie... A Aurora acordou. E acordou desesperada... Ela já sabe que não vai mais poder andar. – disse. - Quando, faz muito tempo? – disse Stephanie, enquanto levantava e sentava em sua cama. - Não... Tem uns quinze minutos. Ela pediu pra ficar sozinha. Tá aqui no quarto, chorando muito e não para de olhar pra janela. - Tá certo, Tiago. Vou me arrumar e chego já por aí. - Sem pressa... Só não deixe de vir. Deixa ela pensar um pouco... Deve estar precisando. Vou ficar por aqui, quase aconteça algo inesperado. – se despediu e desligou. Tiago procurou algum lugar pra se sentar e achou logo ao seu lado. Sentou na cadeira de espera e ficou esperando por Stephanie. Muito preocupado com a situação de Aurora, tentou pensar em algo que pudesse ajuda-la, mas não veio nada em sua cabeça. No começo da manhã, Stephanie já estava caminhando pelo corredor do hospital. Avistou Tiago sentado, pensativo e correu até ele. - E aí, como ela está? - Olha ali pela janela... Agora ela tá na sala vinte e oito. Stephanie foi até a porta e olhou. A moça dos olhos verdes estava cabisbaixa, sem os eu seus brilhos nos olhos. Sté olhou para Tiago e perguntou: - Será que eu entro e converso um pouco com ela? Pelo menos tento? - Não sei, Sté. Ela deve estar em choque, ainda. Mas se quiser tentar a sorte... - Eu vou sim... Ela precisa de mim, Ti. Tadinha. – disse Sté, que olhava de novo pela janela da porta. Stephanie respirou fundo e pensou em algo nada embaraçoso pra falar. Segurou na fechadura e a abriu com a maior delicadeza. Ao abrir, Aurora ouviu o barulho da porta se abrindo e lançou: - Não quero conversar com ninguém... Sai daqui. Me deixe sozinha. Sté ficou espantada com a reação e deu um passo pra trás. Ela não queria deixa-la mais triste. Pensou em voltar para o corredor, mas sentiu em coração que sua amiga precisava dela. - Amiga... Não faz assim. Deixa eu te dar um abraço... Estou muito preocupada. – disse Stephanie, se aproximando. Aurora não tinha visto que era Sté na porta, por isso agiu daquela forma. Sabendo que era sua amiga, não resistiu e suspendeu os braços para abraça-la. Sté jogou sua bolsa na poltrona e correu para abraçar Aurora. Foram vários minutos de choros e soluços. Isso de ambas as partes. Depois de muito choro, as duas se acalmaram mais. Aurora enxugou suas lágrimas com o seu pijama e Sté foi buscar um lenço, em sua bolsa. - Amiga... Como se sente? Eu sei que uma pergunta idiota... Mas eu não sei o que te perguntar. - Como eu me sinto, Stephanie...? Me sinto limitada. – disse triste. – Pensei em tudo nesse tempo que estou acordada, e me sinto limitada. Acordei num hospital, com a cabeça estourando, sentindo dores pelo corpo, com um estranho no quarto... E ainda por cima, sem as minhas pernas. Sté, eu gosto das minhas pernas. Eu as quero de volta... Preciso falar com a médica... Cadê? Onde ela está?! – perguntou, já se desesperando, por estar curiosa se ainda vai voltar a andar. - Aurora, minha amiga... Eu sinto muito, mesmo. Mas... – interrompeu. - É sério, Sté... Não vou mais poder andar? – fez uma expressão como se fosse chorar. - Não chora, amiga. Não aguento te ver assim. E é sério... Você está paraplégica. Sinto muito. - Não pode ser... Não pode ser! – exclamou. – Eu quero ouvir isso da boca da médica! Chama ela aqui, agora, Sté! – exaltada. - Aurora, calma. Tiago já foi procura-la, mas ela ainda não está em seu horário de trabalho. Tente manter a calma, minha linda. – disse, calmamente, passando as mãos nos cabelos longos de Aurora. - E o Tiago... O que ele faz aqui? Por que quando acordei, ele estava aqui? - Me desculpa, amiga... Mas não pude ficar todo o tempo com você. Eu tenho a faculdade, família e trabalho. Só dava pra eu te visitar pela manhã, bem antes de começar a trabalhar. - Então o Tiago ficou aqui, comigo? – falou com mais tranquilidade, dessa vez. - Sim... Ele fez questão de dormir todos os dias aqui. Todos os dias, mesmo. Ficou responsável por você. – disse Sté, olhando a porta pra você se alguém aparecia. - Responsável por mim? Mas eu sou maior de idade. - Sim, maior de idade... Mas não quando se está em coma induzido. – disse com severidade. - Quando tempo eu dormi, Sté? - Você ficou em coma durante uma semana... E demorou um dia pra acordar, depois de pararem com os sedativos. - Ainda assim quero falar com a médica. – pôs sua cabeça sobre o travesseiro e olhou pro lado, pra pensar. – Agora sai... Vai embora, me deixa só. – disse. - Mas Aurora... - Stephanie... Vai embora. Quero ficar sozinha. – interrompeu. - Está bem... Eu vou, mas volto. Levantou da cama, pegou sua bolsa. Foi até a porta do quarto, olhou para Aurora e sentiu que tudo dali pra frente seria muito difícil. Suspirou e saiu do quarto. Tiago estava no mesmo lugar, sentado, olhando para o chão. - Ti, tá tudo bem? - Oi! – se pegou distraído. – Ah, sim, Sté... Está tudo bem. Só meio preocupado com Aurora. Afinal, como ela está? - Ainda já aceitando o fato que não vai mais andar. Isso é foda. – cruzou os braços. - Deve ser difícil, mesmo. – levantou para alongar as costas. - O que vamos fazer com ela, já que Aurora não tem ninguém? - Eu não sei, Ti. Você pensou em algo? - Pensei... Mas acho que ela não vai aceitar. Não vai mesmo. Sté perguntou do que se tratava. Os dois conversamos a manhã inteira, e já que era final de semana, Sté tinha mais um pouco de tempo pra ficar por lá. - Bom, não custa tentar... – disse Sté, que já estava sentada ao lado de Tiago. - Melhor esperar a ficha dela cair. Depois vou e tento conversar com ela. - Acho melhor esperar, também. – aconselhou. – Bom, Tiago... Tenho que ir. Hoje tem aula extra na faculdade e não posso faltar. Você vai ficar por aqui? - Tudo bem, vai lá, estudo é importante. Pode deixar, eu fico aqui com ela. - Fico mais tranquila assim. Quando acabar a aula, venho correndo pra cá. - Sem pressa... Não vou sair daqui. - afirmou Tiago. Sté se levantou e foi até a porta, olhou pela janela e Aurora estava no mesmo jeito de antes. Deitada e olhando pra um só lugar. Bateu duas vezes na porta e então Aurora olhou. Acenou, avisando que já ia embora. Nenhum afeto foi tirado de Aurora. Com a expressão estampada em seu rosto, assim permaneceu.

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Capítulo – 05 / Descobrindo a paixão
A sala era bem no fim do corredor. Não tinha ninguém por perto... O silêncio era assustador. Lembrou de algumas histórias sobre hospitais e até chegou a ficar com um pouco de medo. Riu de si mesmo, e tudo voltou ao normal. Seu coração estava acelerado... Mas por quê? Será que Aurora o deixava assim? Bom, isso só ele sabe. No fim do corredor, a sala estava. Tiago olhou pela pequena janela e viu uma moça deitada, que provavelmente seria Aurora. Respirou fundo e abriu a porta. Entrou no quarto e o ar gelado do ar-condicionado o encarou de frente. Estava frio, muito frio. Correu pra diminuir a temperatura. Olhou pra Aurora e a viu deitada, toda coberta. A expressão de Aurora era de como ela estivesse num sonho bom. Seu rosto estava machucado... Braços também. Levantou a coberta para ver o resto do corpo e viu sua perna totalmente enfaixada. Sua cabeça também estava enfaixada. “- Impressionante... Mesmo nesse estado, ela ainda continua linda.” – pensou. Cobriu Aurora de novo e sentou numa cadeira bem confortável, que ficava ao lado da cama. Analisou os aparelhos, não entendeu nada, e deixou pra lá. “- Será que ela precisa de tantos aparelhos assim? Nossa.” Sentado, colocou sua mochila no chão e ficou confortável na cadeira. Tiago não conseguia parar de olhar Aurora, talvez já estivesse apaixonado... Olhando-a, ele acabou adormecendo. Dizem que mesmo em coma, as pessoas sonham. Sonham os mais profundos sonhos, talvez os mais terríveis. Aurora estava com seus pais, dentro do carro. A família estava cantando suas músicas de viagem, todos felizes, indo à casa de praia. Era fim de tarde, já estava ficando escuro. Por um descuido, o pai de Aurora perdeu a direção do carro, que acabou caindo estrada a baixo. O carro capotou oito vezes até ser parado por uma árvore gigante. O impacto foi tão grande que os pais de Aurora morrem ali mesmo, sem ao menos sentir a pancada. Aurora foi a única sobrevivente. Ainda consciente, tirou o cinto de segurança e foi ajudar os pais. Nada podia ser feito, os pais já estavam mortos. A cena foi feia. Ao se deparar com os corpos de seus pais, Aurora tentou ir até a estrada pedir ajuda. Viu que o carro estava longe da estrada e que não ia ser nada fácil chegar até lá. Mesmo assim, tentou. Segurando em galhos e mais galhos, com muito esforço, conseguiu chegar até a beira da estrada. Por um descuido, Aurora pisou em algo escorregadio e caiu de cabeça no chão. Fraca e nervosa como estava, apagou. Um dia depois, a jovem acordou numa cama de hospital. Não lembrava de quase nada... Só lembrava da imagem de seus pais mortos. Pulou da cama, e foi impedida por uma enfermeira que estava do seu lado. A enfermeira tentou acalma-la, mas não deu muito certo. Aurora entrou em desespero e começou a se agitar. Com eficiência, a enfermeira lhe deu uma anestesia geral, e logo, Aurora desabou na cama. Ninguém sabia o que fazer com a menina órfã... E então ligaram para o conselho tutelar. No fim das costas, Aurora foi emancipada aos dezesseis anos. Com isso, herdou toda a fortuna de seus pais, que não era pouca. Várias casas, apartamentos, fazendas e pontos comercias. Aurora era uma jovem rica, depressiva e sozinha. Não tinha ninguém... Nenhum familiar. O único tio, morava na França. Ele até chegou a convida-la para morar com ele... Mas ela não aceitou... Gostava do Brasil. Filha única e totalmente sozinha nesse mundo. Não sabia mais o que fazer. Passou quase dois anos em tratamento, por causa da sua depressão. Quando ficou melhor, mais disposta para fazer as coisas... Voltou a estudar. Terminou o colegial e ingressou na faculdade. Desistiu de vários cursos até encontrar algo que lhe agradasse. Artes. Se apaixonou pelo curso de artes, e assim a sua vida social voltou à tona. Aurora não era a mesma de antes... Não mais aquela pessoa depressiva que não tinha vontade de fazer nada. Mais feliz com sua rotina, era uma pessoa mais disposta. Sua vida ia indo bem. No dia seguinte, Tiago despertou ouvindo um choro no quarto. Era Stephanie, que chorava muito em ver sua amiga naquela situação. Despertando, Tiago levantou. Procurou as horas, e só achou em seu celular. “- Preciso comprar um relógio.” – pensou, guardando seu celular no bolso. Tiago foi abraçar Sté, e depois foi até o banheiro geral escovar os dentes. Voltou e Sté estava mais tranquila. - Como conseguiu entrar aqui? – perguntou Tiago. - Horário de visita matinal. – mais calma e sentada. - Triste vê-la assim, também fiquei bem sentido. Toda machucada e ainda assim continua linda... Né, Sté? - É mesmo, Ti. Ela parece que está sonhando com algo bom. – sorriu de leve. - A médica disse que ia dar o resultado do exame final pela tarde. Vou ficar aqui e esperar. - É...? Tomara que não dê nada de grave e que ela não fique com nenhuma sequela. - Você não vai estudar...? Não tem faculdade? - É só pela noite, esqueceu?! Tonto! - Ah é... Esqueci. Bom, fica aí com ela? Tenho que ir tomar café da manhã. - Eu trouxe pra você. – disse Sté, apontando aonde estava a comida. - Poxa, Sté... Valeu. Será que pode comer aqui? Ah, que se dane! A fome tá falando mais alto. Comeu e a manhã passou bem rápida banhada pela uma boa companhia. Era começo de tarde, e a Stephanie teve que dar uma passadinha em casa. Tiago estava sentado, ouvindo música em seu celular. De cabeça baixa, viu quase que um vulto andando pelo quarto. Era a Drª Luciana. - Boa tarde, rapaz... Vim ver como ela está. Parece estar tudo bem, na medida do possível. – disse, examinando-a. - Oi Drª, boa tarde. Poxa, que bom... Espero que continue assim. E o resultado do exame, já tem em mãos? - Já sim... E não tenho boas notícias. Está preparado? Tiago ficou assustado com a expressão séria da médica. Seu coração disparou... Respirou fundo e tentou se acalmar. A médica disse tudo o que se passava com Aurora, e Tiago ouviu tudo calado, lamentando. A médica foi direta, não quis enrolar. Tiago achou melhor assim. - Quando vão tira-la do coma? - Daqui a seis dias... Isso depende muito de sua recuperação. Eu acredito nela. E você? - Claro que acredito... Quero que ela fique bem. Luciana entregou todos os exames à Tiago e o deixou sozinho com Aurora. Ele foi até Aurora e colocou a mão em seu rosto, acariciando. - Li uma vez que, as pessoas mesmo em coma, conseguem nos ouvir. Bom, só quero que saiba que estou aqui por você. Espero que ouça isso. – disse Tiago, baixinho, perto de seu ouvido. Tiago fez questão de dormir todos os dias no hospital. Stephanie não podia dormir por lá, mas sempre passava pelas manhãs, só para visita-la. Os dias eram de espera e tediosos. Tiago não tinha muita coisa pra fazer, a não ser ouvir música e desenhar um pouco. Fez vários desenhos de Aurora pelas madrugadas que passou em claro, só pra passar o tempo e decorar seus lindos traços faciais. Leu trechos do livro “As crônicas de Nárnia” para Aurora, já que ela gostava muito. Alguns suspiros repentinos de Aurora deixavam as noites mais esperançosas. Tiago esperava que Aurora acordasse a qualquer hora. Seis dias se passaram, e o dia de acorda-la chegou. A levaram para uma sala, onde tiraram todos os seus curativos e deram mais um banho. Agora sem curativos e com a perna engessada, Aurora estava pronta para acordar do coma. A médica parou com os sedativos e então a levou para outra sala, mas confortável. Dentro do outro quarto, onde Aurora agora estava, Tiago e a médica conversavam. - Agora é só esperar ela acordar. Já paramos com os sedativos. – disse a médica. - Está bem... Ela pode acordar a qualquer hora, certo? - Não... Provavelmente ela só acordará amanhã. - Hm, entendi. Tudo bem. Ela vai acordar calma? - Sim, sempre acordam desorientados. Se ela acordar e você estiver por perto, chame uma enfermeira, está bem? - Tudo bem, Drª Luciana. Obrigado. A médica saiu do quarto e os dois ficaram a sós. Ela agora estava mais bonita sem os curativos. Seu cabelo longo e solto, do jeito que Tiago achava bonito. Alguns pontos no rosto, mas nada muito notável. Parecia uma criança dormindo. Tiago chegou até suspirar ao admirar aquilo. Sentou numa poltrona muito mais confortável do que a cadeira do outro quarto. Reclamou das coisas e relaxou. - Agora é só esperar você acordar. – falou pra si mesmo.
Capítulo – 04 / Más notícias
Passaram-se horas, e nada de notícias. Tiago estava um pouco sujo de sangue e precisava de um banho. Pensou em ir em casa tomar um banho, mas viu que Stephanie iria ficar sozinha esperando, e então desistiu. Stephanie estava meio que em choque. Não parava de chorar. Tiago a consolava. A cena que eles viram foi traumática. Muito sangue e ossos quebrados. Pessoas curiosas e muita gritaria. Algumas pessoas passaram correndo pra dentro da porta. Ao passar uma médica saiu de dentro. - Aurora? – perguntou a médica para algumas pessoas que estavam sentadas, esperando. Tiago levantou-se rápido e seguiu na direção da médica. - Eu, Drª. Pode me dizer. - Como se chama, rapaz? - Tiago, Drª. Temos notícias ruins? - Infelizmente, Tiago. O que a Aurora é sua? - Prima... E por favor, me diga como ela está. – disse Tiago, preocupado. - Olha... Aurora perdeu muito sangue, quebrou algumas costelas, teve um leve traumatismo craniano e quebrou uma pena. – tossiu e prosseguiu. – É só isso que eu posso te falar agora, de certeza. A colocamos em coma induzido, para o seu próprio bem. Vamos acordá-la daqui há uma semana, ou talvez duas. Isso vai depender de sua melhora. Estamos tirando um raio-x geral de seu corpo, pra verificar se houve mais alguma fratura. - Mas Drª... Ela vai ficar bem, não vai? - Ainda não sabemos. Ela está muito fraca... Muito mesmo. Você é “O” negativo? - Sim... Ela tá precisando de sangue desse tipo? - Está sim... Você seria um doar? - Sem dúvidas. – falou sem pensar duas vezes. - Muito bem, Tiago. Venha comigo. A Drª guiou Tiago até uma sala, onde ele doaria um pouco de sangue. Stephanie ficou esperando sentada, tentando manter a calma. Demorou muito, então Stephanie ligou para Tiago. - Onde você tá? - Tô numa sala aqui, doando sangue. Antes que pergunte mais alguma coisa... Tem como perguntar para as pessoas que estão esperando, se alguma delas é o tipo “O” negativo? - Sim, pergunto. Sté se levantou, pediu licença, explicou o que havia acontecido e então perguntou para as pessoas. Haviam umas dez pessoa e duas com o tipo de sangue escolhido. - Tiago, tem dois caras aqui que querem doar. Onde fica a sala? - Hm... Esqueci, Sté. Pergunta pra alguma enfermeira, tá bem? E mais uma coisa... Esse hospital é particular e parece que vão cobrar todo o seu tempo de coma induzido. Procura saber o valor, está bem? Espero que não seja tão caro assim. - Mesmo?! Tá bem, Ti. Vou procurar saber de tudo. Estou te esperando aqui, beijos. Os dois rapazes foram doar o sangue... E no caminho, Tiago os encontrou. - Muito obrigado, cara! E você também, muito obrigado, mesmo. – disse Tiago pegando nas mãos dos rapazes. Os dois rapazes foram super educados e disseram: - Por nada, só queremos ajudar! Tiago seguiu até as cadeiras de espera. Encontrou Stephanie por lá. Sentou meio exausto. Normal, ele tira doado mais sangue do que o normal. - Procurou saber o preço? - Sim, e é bem caro, viu? Pelo menos eu achei. – disse Sté. - Caro...? Quanto? - Uma semana de coma induzido custa oito mil reais... Tiago pensou e pensou. Ele tinha quase esse dinheiro em sua conta no banco, mas não podia gastar. Era o dinheiro pra ele se manter caso ele ficasse desempregado, de novo. Lembrou que estava empregado... E ficou menos preocupado com isso. Sté não podia pagar, pois não trabalhava e era sustentada pelos pais. Então... Ele era o único que podia ajudá-la. “- Uma vida não tem preço.” – pensou. – Sté, eu pago. – disse. - Como assim, você paga? - Eu tenho quase esse dinheiro no banco... Só preciso ir em casa e buscar o resto. Tenho que ir agora, senão não vai dar mais tempo. - Não quer pensar mais sobre isso, Tiago? – segurando o braço de Tiago que já estava se evadindo. - Já está pensado. Vou pagar. – falou olhando a hora em seu celular. – Putz... Já são cinco da tarde. Tenho que correr! Fica aqui, esperando alguma notícia. Quando eu voltar, você vai poder ir pra casa, ok? - Mas... - Ok?! – insistiu. - Tá bem... Me dá um abraço. Obrigada. Os dois se abraçaram: - Por nada Sté... Volto logo. Tchau. “- Bom... Vou até em casa, tomo um banho, como algo e pego umas coisas. Depois vou até o banco, saco todo o dinheiro e volto pro hospital pra pagar. Pago pelo menos a maioria da parte. Acho que eles vão aceitar. Negócio como vou pegar o resto que falta. Dou o meu jeito, sempre dei!” Saiu e fez tudo o que pensou. Foi até o banco e voltou com quase todo o dinheiro. O medo de ser roubado era grande, mas ele tomou muito cuidado em relação à isso. Chegou no hospital e foi conversar com a moça do caixa. Já era noite e por sorte, a moça era bem compreensiva. - Boa noite. – disse Tiago. - Boa noite, em que posso ajudá-lo? - Eu... Eu... Eu preciso pagar uma conta que acabei de fazer. - Em seu nome? - Não, não... Em nome de outra pessoa. Eu não sei o nome completo dela. Dá pra esperar fazer uma ligação? - Fica à vontade. – sorriu a moça simpática. Tiago pegou seu celular e ligou para Stephanie. - Sté, já estou no hospital... Aqui no caixa. Preciso do nome completo da Aurora... E aí? - Oi... – falou com uma voz triste. – O nome dela é Aurora Carvalho. - Hm, está bem. Só isso mesmo. Chego já por aí. – desligou. Tiago se virou pra moça do caixa e sorriu sem jeito. - Moça... O nome dela é Aurora Carvalho. A moça começou a digitar no computador, procurando a paciente. - Vejamos... Aurora Carvalho... Sala 21... Coma induzido... Uma semana de coma. No total, ela tem oito mil reais em dívidas aqui. - É, tô sabendo. Posso explicar a minha situação? - Pode, claro. - Eu tenho quase todo o dinheiro aqui comigo. Quase, mas não todo. Queria saber se não tem um jeito de parcelar o resto que vai faltar pra eu pagar. Tem ou não tem? - Quanto você tem aí contigo? - Exatos seis mil. – disse, segurando firme o papelote de dinheiro. - Vou ver o que posso fazer aqui. Só um minuto! Tiago assentiu com a cabeça e começou a esperar. A moça se levantou de sua cadeira e foi falar com algum superior. Pegou seu celular e ligou de novo pra Stephanie. - Stephanie, alguma notícia? – agora mais calmo. - Ainda não... O resultado de todos os exames sai amanhã, disse a médica. Tô preocupada, Tiago. - Eu também estou... O acidente foi grave. Mas não se preocupe, Deus sabe o que faz. - Sim... Eu sei. Mas e aí... E as contas? - Então... Conversei com a mulher aqui... Estamos negociando tudo. Está indo tudo bem. Quando eu acabar aqui, vou direto aí. Está bem? - Sem pressa... Está bem. Odeio hospitais. - Eu também. É muito sofrimento para um só lugar. Olha, a moça voltou... Vou resolver aqui. - Tá bom... Tô esperando aqui. – desligou Stephanie. A moça sentou em sua cadeira, olhou o computador e Tiago a observou. - Podemos fazer algo por você. Você dá os seis mil e o resto que faltar, nós parcelamos em duas vezes. Está bom pra você? “- Bom não está... Mas não posso fazer nada.” – pensou. – Claro, pode ser. Obrigado. - Por nada, rapaz. Aguarda aí que vou fazer um carnê pra você. Tiago pegou o envelope e o entregou para a moça. Foi rápido. Os mercenários são rápidos quando se tratam de dinheiro. Tiago, com o carnê em mãos e mais tranquilo, foi ao encontro de Stephanie. Já era um pouco tarde... Quase nove da noite. Ainda haviam muitas pessoas esperando notícias de seus familiares ou amigos. Sté estava sentando entre eles, triste e chorando. Tiago se aproximou dela e se ajoelhou em seus pés. - Não chora. Não podemos fazer mais nada... Só pedir à Deus, mesmo. – disse pegando no rosto de Sté. - Eu sei, Ti. – soluçou- É minha amiga, não consigo não chorar. – enxugou as lágrimas. - Eu entendo. Também estaria no mesmo estado que você, se o acidente fosse contigo. – disse. Levantou e sentou ao lado de Sté. – Pode ir pra casa. Eu fico por aqui. Se acontecer alguma coisa, eu te ligo. - Está tudo bem pra você...? - Claro, fico de olho na sua amiga. Não se preocupe, trouxe tudo o que preciso aqui na mochila. Pode ir, tranquila. Juro que te ligo se acontecer alguma coisa. - Tá bom, Ti. Mas olha... Amanhã logo cedo estou por aqui, ok? - Ok. Pode ir. Stephanie foi embora, mas logo voltaria, pela manhã. Tiago pensou mais um pouco na vida e como iria pagar o resto da dívida do hospital. Não sabia mesmo como iria pagar, mas tentou não se preocupar tanto com isso. O importante era que iam cuidar bem da Aurora. “- Fique bem, Aurora. Ainda temos muito o que conversar... Esqueceu?” – Tiago, pensando. Acabou cochilando sentado, e a madrugada chegou com tudo. O hospital estava mais silencioso e calmo. Alguém se aproximou de Tiago, e o chamou. - Ei... Ei... – disse uma voz feminina, bem calma. Tiago acordou atordoado e demorou até reconhecê-la. - Ah... Oi, Drª. – disse, sentando de uma forma formal na cadeira. - Ainda por aqui, rapaz? Tiago, certo? - Sim... Disse a minha amiga que ia ficar por aqui, esperando notícias. E você, tá de plantão? - Meu turno acabou agorinha. Estava indo me arrumar pra ir embora. Passei por aqui e acabei te vendo dormindo sozinho. - Pois é, Drª... O dia foi cansativo e eu não tinha dormindo direito. - Não quer ir ficar na sala junto com sua prima? - Posso? – perguntou com um sorriso besta em seu rosto. - Não pode... Mas vou ver o que posso fazer por você. Vem, vamos até o corredor. Tiago se levantou e seguiu a médica. Chegaram em um corredor enorme e cheio de salas. - Aguarda um momento aí, vou falar com a enfermeira chefe. A linda médica saiu e entrou numa sala onde se encontravam vários funcionários da saúde. Lá dentro, estava a enfermeira chefe. Deu pra ver as duas conversando e concordando com tudo. Acabando a conversa, ela saiu da sala e o chamou: - Tiago, aqui! – acenou. Tiago, distraído, encostado na parede do corredor, ouviu seu nome e foi até a médica. - Olha... falei com ela, tá? Pode ir. É a sala 21. Se alguém querer tirar satisfações, você fala que a Ana permitiu que você ficasse de olho em sua prima. Está bem? - Está bem... – Tiago ficou curioso para saber o nome da médica. Procurou em seu janelo viu seu nome bordado no peito. – Muito obrigado, Drª Luciana. Posso ir? - Claro... Segredo nosso. E não vejo problema nenhum com isso, já que você é da família. – disse simpática. – Amanhã pela tarde estarei por aqui com o exame final dela. Cuide-se. – tocou nos ombros de Tiago e saiu caminhando pelo corredor.