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@o-connellguy

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Sua mente nublada mal permitia que um pensamento se formasse, os dedos em seu interior lhe conheciam muito bem para saber cada ponto sensível seu e sempre usar e abusar deles. Ele tinha o total controle sobre seu corpo e em cada toque era confirmado deixando a alternativa de apenas gemer perante cada novo estímulo. Pela primeira vez fazia questão deste cuidado que antecedia, nunca fora um menino frágil, gostava de sexo bruto e que seu parceiro metesse forte e fundo enquanto se engasgava com os próprios gemidos. Mas não naquele momento, queria continuar com aquele carinho, se sentir ser cuidado e que alguém se importava de verdade com seu bem estar, queria sentir o calor da expectativa para depois ser preenchido pelos sentimentos que aquele ato representara. Por mais que fosse “apenas sexo”, e já houvesse feito mais vezes do que poderia contar e com mais parceiros que pudesse se lembrar, seria diferente. Dessa vez não era apenas prazer em jogo e nem puramente a saciedade de seus desejos que comandava, havia coisas por trás, havia mais entre ele e o amigo que apenas aquela sensação de desejo. Não era apenas carnal, não com Bryon, nunca seria apenas carnal com ele. Seu coração ainda gritava pelo ex-corvino por mais que tentasse esconder e se conformar que apenas não daria certo e de que não era recíproco ainda podia sentir acelerar todas as vezes que estavam perto ou que recebia um sorriso dele. Chinwa tinha ciúmes e no fundo entendia por que, talvez fosse a diferença com que seu olhar recaía sobre Bryon devia ser palpável, talvez estivesse sendo machucado da mesma forma que seu amor o machucava. Podia parecer doentio, mas em sua mente fazia sentido. A questão era que não queria mais ser machucado, não queria aceitar a dor que ele lhe oferecia. Na ultima noite fora a pior delas, a dor emocional que ele lhe causara fora demais para suportar, estava quebrado e sabia que o único que conseguiria lhe consertar e só ele poderia fazer com que a dor não fosse grande. Bryon já havia lhe machucado, mas ele mesmo era o remédio que precisava. Em certo momento, os dedos roçaram em seu ponto doce fazendo com que arqueasse as costas e soltasse um gemido esganiçado, estava tão sensível que os mínimos toques lhe levariam ao paraíso sem muito esforço. Quando sentiu o britânico se afastar soltou um muxoxo descontentado observando enquanto ele se despia e se protegia com a camisinha. Separou as pernas deixando com que ele se encaixasse entre elas entrelaçando seus dedos nos cabelos castanhos e bem cuidados enquanto era penetrado. Gemeu em um misto de satisfação e dor apertando os dedos nos fios buscando se acostumar. — Bryon… — Chamou aliviando o aperto nos fios e deixando que ele lhe fitasse. — Vá devagar, por favor.
Moveu os quadris na primeira estocada, lenta, profunda... Os olhos verdes se fecharam com as sensações que se apossaram de seu corpo, era tão prazeroso, nenhum dos poucos homens com os quais se envolvera conseguiram tirá-lo de órbita com o pouco que haviam feito. Mas sempre era assim com Junie, era especial, intenso, ele fora seu primeiro e seu coração desejava que fosse o último, para sempre. Queria poder acordar de manhã e encher o rosto delicado de beijos, imaginava um futuro para ambos com tanta convicção que doía, conseguia se ver no altar com ele, a primeira vez que adotariam um filho, como se amariam loucamente nas noites frias e também nas quentes. Era absurda a vontade que possuía de tê-lo para o resto da eternidade. E nesse pensamento, afogado na nuvem de amor que os rondava, que Bryon sentiu as primeiras lágrimas abandonarem seus olhos. Tinha a cabeça na curva do pescoço dele, gemendo rente a seu ouvido, mordiscando a pele imaculada próxima a seu pomo de Adão, viu a gotinha que abandonara sua face, pingar no maxilar alheio. Seus dedos apertaram os lençóis abaixos de si e ele estocou mais uma vez no interior apertado, um gemido embargado pelo choro abandonando seus lábios. A dor era palpável, o arrependimento de não tê-lo amado como deveria, de ter perdido a única coisa que importava. O queria de volta mais do que jamais desejara algo. -Eu te amo, eu te amo- murmurou, a face molhada enquanto encarava as orbes castanhas do asiático, sentia o membro duro dele esmagado contra seus abdômens, as feições doces estavam contorcidas em deleite, as bochechas coradas e o cabelo grudado em sua testa com o suor. Tão lindo, tão seu. -Volta pra mim, Junie -pediu em meio a um soluço -Fique comigo -tomou-lhe os lábios num beijo afoito, sentindo cada um dos, poucos, pelos seus arrepiar. O gosto salgado das lágrimas se misturava ao ósculo intenso, enquanto movimentava os quadris, indo mais fundo a cada segundo, sentindo-se tremer enquanto seu ápice se aproximava.
Se algo naquilo era errado apenas não pensaria naquele momento. Era tão mal assim querer apenas aquele pequeno pedaço de céu que encontrara sempre no amigo? Porra, tinha direito em alguma felicidade certo? Havia tomado uma surra na noite anterior e isto nem era a pior parte de seu dia, queria se dar o direito de ser amado e escolher quais marcas teria. Talvez fosse uma pequena vingança, uma forma de internamente avisar ao namorado que não importa quanto o machucasse nunca estaria sozinho. Mesmo sabendo que era cruel, em especial com Bryon, ainda sim a ideia rondava sua mente e mais queria ser marcado por ele. Gemeu entre o beijo sentindo a pressão sobre seus glúteos o que fez seu membro fisgar de imediato, ainda não estava duro, mas sabia que logo estaria. Levou as mão novamente o pescoço alheio segurando os cabelos negros entre os dedos novamente e permitindo com que ele se acomodasse entre suas pernas. A pressão sobre seu membro estava deliciosa, todo seu corpo correspondia aos toques e a medida que o tempo passava sentia o calor aumentar. Sua respiração completamente descompassada apenas parou por alguns segundos ao fitar os olhos verdes do amigo, podia se perder neles sem muita dificuldades,eram tantas lembranças. Haviam se conhecido no hospital e desde aquele dia nunca mais largaram um do outro, e como tudo, o tempo apenas lapidou o relacionamento que tinham. Logo eram confidentes fieis, fora para Bryon que contara a maior parta das besteiras que fez em festas, além de ser ele quem consolara as várias vezes que tivera o coração quebrado. Podiam confiar um no outro infinitamente, e esta confiança se estendeu de inúmeras formas. Ainda se lembrava da primeira vez que transaram, apenas queria que o amigo visse o quão bom podia ser e fez questão de não poupar esforços para isso. Depois desta vieram muitas outras até que pararam um dia, ainda não sabiam o por que, simplesmente foi um acordo mudo, ninguém mais tentou ou tocou no assunto, apenas levaram a vida como estava. Não haviam perdido a amizade continuavam sendo sempre o porto seguro um do outro, o amigo esteve em grandes momentos de sua vida e independente do que acontecesse gostaria de fazer o mesmo por ele. Movia seu quadril para frente contra o do moreno tentando aumentar o contato, o desejo já lhe consumia, mal permitindo que seus olhos permanecessem abertos, quando os beijos começaram e junto a eles os elogios. Sentiu o coração se aquecer ao mesmo tempo que não se sentia digno daquilo tudo. Não teve o que responder a princípio, sua mente não permitiu. Gemeu mais alto com os lábios do britânico em seu mamilo arfando logo após. Sua mão continuava nos cabelos dele apertando os fios. — Byron… Eu quero você.
Os gemidos não eram contidos, muito menos baixos, a melodia ecoando pelo apartamento pequeno fazia com que os pelos do corpo de Bryon se arrepiassem um por um, porém ele não se demorou no mamilo alheio, descendo com os lábios pelo abdômen magro porém definido, sugando a pele, deixando chupões espalhados por tudo, marcando seu território tal qual um adolescente cheio de hormônios faria, queria que Junie lembrasse, que nos próximos três dias ao se olhar em sua nudez, pudesse ver como o britânico tinha aquele sentimento de posse sobre ele. Por fim alcançou o quadril dele, enroscando seus dedos no elástico da calça usada, logo o mais velho era despido devagar, o membro rosado e inchado saltando ao estar livre dos tecidos. A vestimenta voou pelo cômodo enquanto o cacheado esticava o corpo até sua mesa de cabeceira, tirando da gaveta o tubo de lubrificante e a caixa de camisinhas. Ajoelhado entre as pernas do menor, o inglês permitiu seus olhos a passearem por todo o corpo alheio, ao mesmo tempo em que lambuzava seus dedos com o conteúdo do tubinho, sentindo-os melar, levando a mão livre até os joelhos do rapaz, separando-os, deixando a entrada dele exposta aos seus toques. Levou o indicador até o orifício, penetrando devagar, deslizando para dentro e fora algumas vezes antes de colocar o segundo dedo. Não podia negar que estava com pressa, apesar do receio em machuca-lo, seu desejo também falava alto, e apenas se limitou em mover a mão rapidamente, explorando seu interior e alargando, assistindo as reações extremas que apenas suas falanges podiam causar naquele homem. Era palpável o controle que tinha sobre ele, a forma como, mesmo após tantos anos, conseguia acertar seus pontos fracos, sabia as formas de levá-lo as nuvens, gritar e delirar abaixo de si, porém o controle era recíproco, Junie era capaz de arrancar sua sanidade apenas existindo e tinha consciência de que ele possuía um conhecimento pleno sobre isso. Fechou os olhos, um barulho molhado quando finalmente achou que ele estava pronto e saiu de perto, somente o suficiente para tirar as peças de roupa restantes em si, esticando o braço em seguida para alcançar os preservativos. A embalagem prateada foi parar no chão enquanto vestia toda sua extensão com o látex, o aperto desconfortável, porém necessário, ao terminar de cobrir-se, utilizando do lubrificante em seu membro, o jovem se encaixou entre as coxas alheias, o olhar capturando o dele. -Eu vou devagar -murmurou, usando da mão para guiar o pau até a entrada. Um suspiro leve já lhe escapou no início, apenas com a glande, e o prazer apenas multiplicava a medida que terminava de se colocar ali. -Tão bom... -gemeu baixo, o aperto gostoso lhe fazendo revirar os olhos enquanto aguardava.
Sempre os braços de Bryon lhe traziam conforto, não importava a situação, era sempre ele a quem voltava no final. Mesmo que o mundo estivesse contra si sabia que o amigo não estaria e isso lhe tranquilizava até certo ponto. Não seria julgado e isso era o mais importante, ele nunca faria nada contra si. Toda a confiança que Bryon lhe passava fazia com que sentisse livre de se entregar sem medo tudo o que sentia por ele, talvez pela falta de medo tivesse tomado a iniciativa de beija-lo, mesmo sabendo que era errado. Tinha um compromisso com Chinwa e mesmo assim estava beijando seu melhor amigo, por mais que uma parte de si sentisse nojo de si mesmo com essa atitude, a parte que vencia era a que queria desesperadamente continuar com aquele toque. Seu corpo se arrepiava a cada movimento, redescobrindo com a língua uma boca já conhecida, aqueles toque tão familiares que faziam todo seu corpo se render. Céus, estava tão sensível com tão pouco. As mão sobre suas costas enquanto as suas subiam de forma tímida pelo tronco alheio, como se fosse a primeira vez que fazia algo assim. De certa forma, era como se aquele beijo lhe restaurasse certa pureza, que não se lembrava quando ao certo tinha perdido, se fora a meses atrás ou na noite passada. Neste exato momento podia sentir que estava mesmo vivo, mesmo que seu coração parasse poderia dizer que não teria morrido, antes porém estava um pouco menos vivo. Aos poucos seus barcos subiram rodeando o pescoço do amigo, enquanto os dedos se embrenharam naqueles cabelos negros. Era tão errado e tão certo, se sentia tão bem ao mesmo tempo que sabia estar culpado por trair Chinwa desta forma. Mesmo assim não parou, seu corpo colou ao do britânico ainda mais, aprofundando o desejo que sentia por aqueles toque carinhosos. Era difícil demais resistir ao que lhe era entregue e tudo que conseguia fazer era se dar mais ainda, apenas não podia parar, seu mundo estava rodando em volta daquele momento e se parasse talvez fosse um desastre.Talvez….
Não era como se não tivesse imaginado aquela cena repetidas vezes em sua mente, pois ele tinha. Havia criado um leque de possibilidades para aquele momento, em todos os lugares, em todos os horários, o dia de Bryon era recheado com seu cérebro criando as mais diversas situações, porém todas tinham um final parecido: estava com Junie. Não apenas em companhia, isso faziam sempre, mas sim em parceria, algo amoroso. O amava, essa era conclusão óbvia. O que viveram na adolescência não podia ser deixado para trás, apesar de nunca, de fato, terem assumido um namoro, viviam como em um, se amavam tal qual, porém as coisas esfriaram, o britânico se deixou levar pelo medo, pela insegurança, e acabou por permitir que uma das coisas mais preciosas que tinha escapasse de suas mãos. Seus dedos deslizaram por todo o tronco alheio, encaixando nas nádegas durinhas, nas quais deixou um aperto singelo, soltando um grunhido baixo entre o ósculo, erguendo a camiseta do outro, as unhas deslizando de forma suave por toda a lombar, Bryon precisava de mais. Por isso se virou, agora Junie tinha as costas contra o colchão, o caçula dobrou uma de suas pernas, tornando a superfície de contato melhor para quando se encaixou contra ele, havia uma ereção marcando sua calça de moletom ao finalmente permitir que os quadris se friccionassem, sentindo o aperto em seu pau e suspirando baixo ao se mover repetidamente. Os olhos verdes procuraram os dele, e mesmo no escuro podia enxergar o brilho nas orbes castanhas e sua mente deu uma volta, retornando há apenas alguns anos, na data em que pertenceram um ao outro pela primeira vez. O inglês era apenas um adolescente curioso e cheio de receios, se lembrava da forma como o amigo havia se disposto a mostrá-lo que não existiam razões para se ter medo, conseguia, até os dias atuais, se lembrar dos toques suaves, a forma como Junie o olhava, podia até mesmo senti-lo dentro de si ainda, movendo-se de maneira rápida, levando embora toda a pureza de seu corpo, tomando para si uma das coisas as quais Bryon havia guardado entre sete chaves, fora definitivamente um momento mágico, e queria que aquilo se repetisse. Seus lábios curvaram em um sorriso carinhoso, e o cacheado deslizou as mãos entre os fios negros do cabelo alheio, excitado, porém apaixonado acima de tudo, beijou-lhe mais uma vez, tornando a mover as ancas de forma ritmada, sentindo o próprio amigo endurecer abaixo de si. -Você é lindo - sussurrou, beijando o maxilar bem marcado -É doce, gentil... -sugou o lóbulo de sua orelha -Tem um corpo que me enlouquece, porém não é apenas isso que me atrai em você -agora seus lábios estavam no pescoço, mordiscando e puxando a pele sem a intenção de marcar -É uma das melhores coisas que aconteceram na minha vida -passou então a intercalar as palavras aos beijos na tez pálida -É inteligente- um selar -É talentoso - outro -Tem um coração puro e sincero -mais um. -Você merece o mundo, Junie. Merece todo o amor existente nele também -deixou um selinho na boca rosa e inchada antes de mais uma vez erguer a camiseta que ele usava, beijando seu peitoral, e por fim envolvendo seu mamilo com os lábios, utilizando da língua para estimula-lo.
O peito queimava de dor acima de tudo, cada lugar onde o namorado encostara queimava e sentia repulsa de si mesmo por ter deixado aquilo tudo acontecer. Não sabia como parar e muito menos o que deveria fazer. Estava desesperado, apenas sentia a dor prevalecer o medo também e tudo que podia fazer era chorar nos braços de Bryon. Nem mesmo era capaz de responder os questionamentos dele, queria contar, pedir por carinho e ajuda mas estava tudo entalado em sua garganta de forma que não conseguia tirar. Tudo parecia apenas desespero até que sentiu os lábios do britânico contra os seus, foram os breves segundos que tudo pareceu sumir e o mundo de alguma forma se encaixou. Seu coração estava acelerado e não podia controla-lo, ainda demorou algum tempo para associar o que havia acontecido. Apenas aquele selar superficial parecia ter mais significado do que qualquer coisa que viesse de Chinwa a qualquer momento de sua vida e nem mesmo isso foi capaz de cessarem as lágrimas. —E-eu… Eu apenas estou cansado … — Disse afundando o rosto no peitoral do mais novo e inalando o cheiro dele, porra, ele era tão bom de tantas formas diferentes. Era tão familiar quanto na época em que eram apenas dois adolescentes bobos, se lembrava de quando estava apaixonado perdidamente pelo melhor amigo, apenas vê-lo com outros fazia com que sentisse seu coração se despedaçar, mas nunca da forma com que estava agora. — Está doendo tanto, eu não sei mais o que fazer. Sou tão burro Bryon, tão burro. — Mesmo que não fosse o que queria contar o fato de saber que tinha alguém que confiava escutando as merdas que saiam de sua boca era reconfortante, era alguma proteção, como se nesse momento nada pudesse lhe atingir. Quase que em um ato desesperado ergueu o olhar podendo agora fitar os olhos azuis dele e se perdendo por alguns instantes naquela zona. Ainda sem pensar usou as mãos como impulso selando os lábios novamente, mas dessa vez sem intenção de se afastar.
Não sabia bem como reagir ao momento a que fora exposto, os soluços doloridos, cortados, eram de partir o coração. Pelo menos o de Bryon, aquele jovem perdidamente apaixonado que se jogaria na frente de um trem pela pessoa amada, queria tomar as dores de Junie para si, segura-lo em seus braços até que todos os receios e medos desaparecessem e eles pudessem ser felizes juntos. -Meu anjo... Não chora -implorou num sussurro entrecortado pelas próprias lágrimas -Merda Junie, eu odeio te ver chorar -ser empático era uma das qualidades do britânico, levava jeito para a profissão que escolhera e outros trabalhos envolvendo pessoas exatamente por esta característica, porém, quando se tratava do melhor amigo, ia além da empatia, era como se as dores dele fossem as suas, pequenas ou grandes, compartilhavam daquilo, mesml quê nao soubesse a razão, no caso, para o sofrimento. -Você não é burro, meu bem... Pode ter feito escolhas erradas, mas todos fazemos, não pode se martirizar assim. Ainda da tempo de mudar o que quer que seja -suspirou. Conseguia sentir a mentira rondando as declarações de cansaço, sabia não ser apenas aquilo, algo o machucava, era notável. Porém, antes mesmo de conseguir conversar de forma coerente sobre os motivos daquela crise de choro repentina, seus olhares se encontraram, e de alguma forma o cacheado previu o que estava prestes a acontecer, erguendo minimamente a cabeça e inclinando para poder encaixar os lábios aos dele, era perfeita a forma que se completavam, como peças de um quebra-cabeça, o corpo pequeno de Junie parecia, em sua integridade, moldado para se encaixar ao de Bryon, este que levou as mãos até a cintura dele, colando mais os troncos antes de aprofundar o beijo, as línguas se entrelaçando numa sincronia perfeita, enviando arrepios por seu organismo e sua alma, era maravilhoso tê-lo.

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Era admirável a forma com que o amigo conseguia fazer com que sorrisse apenas com algumas palavras, não era novidade que o britânico tinha um sério problema com os talheres coreanos e sempre usava isso como algum tipo de provocação amigável assim como ele lhe chamava de japonês. Esse tipo de brincadeira que nunca mudava entre eles era algo que apaziguava seu coração, como se de alguma forma nada fosse mudar e esse pequeno pedaço de sua vida com grande significado seria eterno. Mesmo que soubesse o quão frágil podia ser o que tinha com Bryon comparado ao eterno sequer ousava pensar que algum dia estaria sem ele, era apavorante essa realidade. — Ah claro, por que fazer uma cirurgia é bem mais fácil. — Respondeu andando com o amigo e logo sentando na cadeira frente a ele e começando a se servir, não queria comer muito, mas estava com fome por não ter tomado seus desjejum. Mesmo sentindo-se culpado colocou uma quantidade generosa de comida. — Apenas… Apenas cantei muito ontem do show, nada demais. — Nem mesmo havia percebido que estava quieto demais , apenas não podia evitar, sua mente estava uma bagunça. Gostaria de esquecer o que havia acontecido, mas não seria capaz tão facilmente. — A oferta é tentadora, mas mal tenho tempo para mim. Eu prometo que te ajudo a achar donos para eles. — Disse sorrindo para o amigo. Pegou os hashis separando e logo começando a comer, não sabia que estava com tanta forme até começar a comer, de fato mesmo faminto. Sequer tivera tempo de comer depois do show e pela manhã estava completamente acabado para pensar em algo. Mesmo que fosse tanto estranho estar quieto não pode evitar, Bryon acabava falando mais enquanto apenas respondia ou sorria para ele. Incrivelmente isto estava ajudando e muito. Finalmente ao terminarem de comer ajudou o amigo a arrumar toda bagunça que haviam feito a foram deitar, chegou a pensar a dormir no sofá, mas sabia que Bryon não aceitaria e que estava cansado demais para discutir ou não ter um sono merecido. Sequer mencionou a possibilidade de não ir deitar-se com ele na cama apenas deitou-se abraçando o corpo do amigo e recostando o rosto em seu peitoral. A medida que sentia seu corpo relaxar os sentimentos voltavam, os mesmos pensamentos intrusivos sobre a noite voltaram a sua mente. Antes mesmo que pudesse controlar algumas lágrimas já molhavam seu rosto, não havia chorado até então e agora estava impossível de controlar.
Era impossível controlar as batidas de seu coração, desenfreadas, pareciam a bateria do show de rock mais agitado que existia, tudo pelo simples fato de estar próximo ao amigo. Sentarem sozinhos ali naquela mesinha lhe recordava dos tempos em que eram simples adolescentes, quando a relação deles não havia alcançado um patamar mais elevado, brincavam de flertar um com o outro, faziam planos de casar e montar uma família numa inocência absurda, sem sequer imaginar que um dia se envolveriam de fato, que iriam além dos abraços e beijos na bochecha e nada fora cogitado sobre acabarem ambos com os corações partidos. Bryon tinha noção da própria culpa, sabia ser o culpado pelo próprio sofrimento, se tivesse sido capaz de apenas deixar seus medos de lado talvez não estivessem daquela forma, apesar de confortáveis na presença um do outro havia a falta de toques e carinhos, queria os lábios dele nos seus e sabia que ele tinha plena consciência de seus desejos. Deixou um suspiro cansado escapar ao finalizar a refeição, sentindo-se descaradamente enjoado, apenas ajudaram-se a recolher as coisas e fizeram as higienes antes de caírem sobre o colchão. Emprestara ao coreano uma de suas roupas, as quais ficavam adoravelmente grandes nele, e vestindo nada mais que uma simples calça de moletom, o cacheado deitou ao seu lado, sentindo os músculos doerem com o cansaço, seu corpo pedia arrego, andava se esgotando demais. Aproximou o corpo do dele, sentindo Jasmine se aconchegar aos seus pés, um de seus braços o envolveu num aperto singelo, como de praxe e já sentia os olhos pesados quando os soluços ecoaram pelo apartamento pequeno. -Junie... -sussurrou, baixando o olhar para encarar o rosto bonito úmido pelas lágrimas, estas que refletiam na iluminação fraca da rua. -Meu amor... O que está acontecendo? -sentiu a própria voz embargar -Por favor, Jun... Me fale, eu quero te ajudar. Eu não aguento mais te ver dessa forma -enxugou suas bochechas, tocando-as de forma carinhosa antes de, num gesto impensado, inclinar o rosto para selar seus lábios aos dele, nada além de um simples roçar, este que se espalhou pela face alheia, beijando o caminho de seu pranto, murmurando palavras de conforto. O amava perdidamente e cada vez que o via chorar era como se infinitas facas estivessem atravessando seu peito. -Me fale, por favor.
Conhecia o amigo bem o suficiente para saber que não era apenas canseira, mas mesmo assim não questionou, apenas acenou a cabeça positivamente com um sorriso. Eram anos de convivência que fazia com que um lesse o outro melhor que eles mesmos e que confiassem incondicionalmente um no outro. Era essa relação especial que tinham, não podia ser apenas amizade passara desse ponto fazia algum tempo, não tinham um relacionamento romântico também, até chegou uma vez a se declarar para o amigo, mas não dera o melhor dos resultados. Hoje via aquilo como um ato precipitado seu, ou ao menos pensava assim como uma forma de amenizar o que sentira ao seu chutado e o que secretamente ainda existia em seu coração. Ainda amava Bryon, mas estava cego demais para ver, tinha medo de perde-lo e isso fazia com que fingisse que tudo estava apenas bem. — Não muita. — Respondeu como de costume, sabia que seria obrigado a comer mesmo que não quisesse. Ao que pareciam o britânico tinha uma opinião bem parecida com a de sua mãe com alimentação, ambos achavam que comia pouco demais. Observou o trajeto até a cama e sequer foi preciso muito para sentar ao lado dele permitindo-se ser aconchegado e acalentado estando mais perto. Houve um tempo que as feições do moreno eram tão infantis quanto as suas, mas agora era diferente, Bryon era um homem com uma feição diferente, apesar de magro seu corpo estava pouco mais definido, o rosto mais masculino mesmo com os cabelos grandes. Ele estava mesmo diferente, mas com a mesma doçura de antes. — Que tal pedirmos comida japonesa? Podemos pedir, uma porção de sushi, dois temakes e sunomono de complemento. Que tal? — Não gostava quando o amigo pagava coisas para si, ele poderia precisar do dinheiro mais tarde, mas não usaria questionar essa escolha dele. Ele logo fez o pedido que provavelmente não demoraria a ser entregue. — Me empresta seu celular? Ainda preciso avisar minha mãe que estou aqui e estou sem o meu. — Foi preciso apenas uma mensagem, que logo fora respondida. Não se sentia na obrigação de dizer ao namorado onde estava, queria evitar mais uma briga. Sabia o quanto ele era ciumento e não queria arriscar que ele acabasse aparecendo ali. Estava magoado e acima de tudo machucado, não queria pensar no que acontecera na noite anterior, mas ainda sentia dor. Tentando afastar os pensamentos ruins empurrou o amigo na cama e deitou-se ao seu lado. — Bryon… Eu estoy completamente sem assunto. — Disse olhando para o lado e sorrindo. Não ligaria de ficar toda noite apenas falando besteiras ou apenas deitado ao lado dele. Depois de algum pouco tempo ouviram o interfone tocar anunciando a comida e enquanto Bryon cuidava de pegar tudo arrumou a mesa na sala para comerem. — Espero que já saiba comer de “pauzinhos”.
Apenas observou enquanto o amigo mexia em seu celular, não era como se sentisse sua privacidade ser invadida, deixaria o coreano fuçar em absolutamente tudo se ele quisesse, apesar de saber bem que não o faria. Assim que teve o aparelho de volta em mãos, deixou-o de lado, encarando o outro jovem, não reclamando quando seu corpo foi puxado, deitou ao lado dele, em silêncio, virando-se para poder olhar em seus olhos, levando a mão direita até a bochecha alheia e iniciando um leve carinho ali, por vezes seus dedos longos se infiltravam nos cabelos lisos, também não sabia sobre o que poderiam conversar, portanto, se limitou a sorrir, aproximando o rosto do dele e esfregando os narizes de forma suave, num beijo de esquimó delicado. Estar ali, em silêncio, junto a ele, parecia ser tudo o que sua mente precisava, pois aos poucos os problemas que vinham o perseguindo iam sumindo, e apenas existia Junie e a forma intensa como o amava. Queria beija-lo, gritar aos quatro ventos que o amava, mas não podia, o rapaz agora era comprometido, portanto Bryon achava melhor guardar tudo para si até que não fosse mais possível se segurar. Soltou um suspiro pesado quando o interfone tocou, estourando a pequena bolha que havia se formado entre eles dois -Já volto -foi a única coisa que disse antes de levantar e pegar a carteira em sua mochila, descendo as escadas devagar até encontrar o motoboy na porta do prédio, usou as últimas notas que tinha para pagar a refeição, sorrindo para o funcionário antes de entrar novamente, dessa vez subindo os degraus de dois em dois. Colocou as sacolas sobre a mesinha, sorrindo com o comentário alheio -Escuta aqui seu japonês de meia tigela -riu, se aproximando -Eu como muito bem de garfo e faca, obrigado. Minhas habilidades manuais se limitam a segurar um bisturi, pauzinhos são demais pro meu cérebro -riu, segurando as mãos dele entre as suas enquanto o puxava até as cadeiras, convidando-o a se sentar. -Você está tão quietinho, to me sentindo até estranho por estar falando mais que tu. -comentou distraidamente, enquanto abria as embalagens e colocava sobre a madeira, Jasmine desceu da cama e veio se esfregar nas pernas do dono, miando -Mas olha que vagabunda interesseira, sentiu o cheiro do peixe e... -bufou -O que vou fazer com sete gatinhos, Junie? Me diz -arregalou os olhos ao olhar pro amigo -Essa piranha tá esperando sete piranhazinhos e eu não tenho pra quem doar esses vira latas -riu, o amigo havia sido o primeiro a saber da prenhez da mascote, inclusive auxiliara nas despesas do veterinário -Não quer uns dois pra você? Gatinhos para um gatinho.
@o-connellguy
Sentia o corpo todo doer, estava acabado mentalmente, mais uma discussão sem sentido onde era arrastado para um canto e ouvia ChinWa gritar sobre as mesmas coisas de sempre, quase nunca conseguia abrir a boca para revisar então em grande parte apenas escutava dizendo a si mesmo que não deveria dar continuidade a algo bobo como aquilo. Daquela vez havia sido sobre a apresentação, coreografias sexy eram normais para o grupo e o namorado sabia muito bem disso, mas quando um fan acabou por passar a mão em si o ciúmes do namorado ferveu. Tentou até explicar, mas os gritos eram sempre maiores, não havia o que fazer em sua mente, apenas escutava os gritos dentro do camarim. Com alguns minutos sentiu algumas lágrimas formarem em seu olhos, odiava chorar frente a qualquer pessoa em especial a ChinWa, até tentava segurar, mas de alguma forma não conseguia, de certa forma estava cansado dessa situação. — Chega Chinwa. Eu nem sei quem é o garoto, isso acontece todo tempo, é um menino aleatório seu idiota. — Disse sem pensar se arrependendo de imediato ao ver a feição de descontentamento do mais velho. “O que disse Park JungHo?” Ouviu a voz do namorado e mais uma vez as lágrimas voltaram sentiu o aperto em seu braço e um puxão forte enquanto mais gritos encheram o ambiente, a medida que a fúria de ChinWa parecia aumentar a dor em seu braço aumentar e por mais que pedisse para que ele parasse. Tentava se soltar do aperto se contorcendo cada vez mais, mesmo com a força bem maior que a sua por alguns segundos de esperança viu-se livre da mão alheia, entretanto sua felicidade não durou muito logo sentiu um tapa atingir o lado direito de seu rosto. O corpo cambaleou para trás e sentiu-se ser segurado novamente pelo braço ao mesmo tempo que sentiu outro tapa atingir seu corpo, e assim sucedeu-se mais alguns até mais fortes, em regões como costelas. Não sabia dizer quando aquilo terminou apenas estava sendo arrastado um carro em meio as lágrimas. Sua mente estava confusa e não fez menção em resistir sentou-se no banco do passageiro e esperando enquanto ele entrava pelo outro lado. “Vamos dormir no meu apartamento hoje.” Sentiu a mão dele sobre sua coxa enquanto ligava o carro e seu corpo tremeu, mas nada disse, apenas queria poder tomar um banho para esquecer tudo que havia acontecido. Passou o trajeto em silencio sem coragem para dizer mais nada apenas quando chegaram ao destino avisou que iria tomar banho se adiantando para pegar a toalha e entrar no banheiro. Tirou a roupa com certa dificuldade pelas dores no corpo logo indo para debaixo do chuveiro. A água batia em seu corpo o fazendo relaxar e aos poucos esquecer os acontecimentos voltando apenas a pensar em dormir. Estava tão distraído com seu pequeno momento de relaxamento que sequer percebeu quando o namorado entrara no banheiro, apenas percebeu quando ele já havia se juntado a si no box do banheiro. Sentiu o tórax do namorado colar nas suas costas. “Hey baby está tão bonito.” A voz rouca em seu ouvido a as mãos grandes passando por seu corpo era um claro sinal que não queria acatar. — Hoje não amor, estou cansado. — Disse segurando as mãos carinhosamente e afastando de seu corpo, não estava no clima para nada alem de dormir por longas horas. Diferente do que esperava o mais velho não se afastou apenas continuou da mesma forma que antes, tentou afasta-lo novamente, mas dessa vez foi surpreendido com a mão dele prendendo as suas acima de sua cabeça contra o vidro do box e novamente os corpos colados. Soltou mais alguns protestos enquanto ele beijava suas costas e passava a mão por suas nádegas apertando com força. “Não faça assim Junie, até parece que não gosta.” Ouviu a risada dele contra seu ouvido e tentou se soltar mais uma vez e foi prensado mais força ainda acabado com qualquer chanace de se soltar. O falo duro esfregava entre suas nádegas e mesmo com mais um pedido para que não continuasse sentiu-se ser invadido e a dor se alastrar por seu corpo e mesmo assim não foi capaz de derramar uma lágrima. Ouvia os gemidos atrás de si e quando acabou apenas viu ele se afastar. Ainda demorou mais algum tempo para sair do banho para depois deitar se na cama. Não chegou a dormir naquela noite, mas manteve os olhos fechados ao sentir ChinWa levantar e sair de casa por volta das sete da manhã. Assim que a porta fechou levantou-se colocando uma roupa larga e logo aparatando para um apartamento conhecido. Apenas de chegar ao apartamento sentiu o coração acelerar e o corpo mais leve significativamente, bateu na porta algumas vezes e quando viu o olho mágico ser aberto olhou para a porta mais aliviado, ele sempre seria seu porto seguro. — Bryon, posso entrar?
Sentir os braços lhe rodeando era, de longe, a melhor coisa a acontecer consigo naquele dia, portanto, não levou muito para retribuir ao gesto, abraçando o corpo pequeno e se aconchegando a ele, buscando em Junie todo tipo de solução para as aflições dentro de si. Era ele seu maior calmante, um porto seguro infinito. -Estava pensando... -umedeceu os lábios -Em como senti sua falta nesses últimos dias -optou pela sinceridade, beijando-lhe o couro cabeludo, sentindo o perfume de seu shampoo, misturado ao aroma natural exalado pelo corpo, o cheiro de JungHo o fazia sentir-se em casa. Os olhos verdes pousaram nos castanhos dele, um sorriso singelo brincando nos lábios rosados enquanto o coração martelava dentro do tórax de maneira exagerada, estando com o estômago revirado, como se milhares de borboletas estivessem ali. Típico. As reações em seu organismo, causadas pelo Park, seriam sempre as mesmas, mesmo depois de anos, mesmo com todas as situações cotidianas que os cercavam, no fundo ainda era um adolescente bobo, apaixonado pelo melhor amigo da escola. Muitas noites se pegava desejando que o passado tivesse sido diferente, que não tivessem se afastado de forma mesmo que mínima, as vezes seu desejo era congelar-se aos dezoito anos, juntamente do melhor amigo, quando pareciam inatingíveis pela peripécias da vida. -Estou bem, pequeno -respondeu baixinho, a voz esbanjando tranquilidade apesar de estar uma bagunça -Ando bem cansado, sabe? -tentou sorrir com sinceridade, apesar de saber que ele não acreditaria em si. Aquele lado do cômodo era iluminado apenas pelo abajur no criado mudo e a luz do banheiro que entrava por uma fresta da porta entreaberta, mesmo ali, Bryon pode ver as feições cansadas do amigo, a forma como os olhos pequenos estavam sem o brilho de sempre, e aquela marca na bochecha dele... Sentiu o peito apertar, imaginando as inúmeras situações que teriam causado aquilo, apesar de já poder pensar em uma específica, a qual fazia seu corpo borbulhar. Queria perguntar, mas sabia que seria cortado e o asiático mudaria o assunto, então resolveu enrolar mais um pouco. -Está com fome? -se afastou sorrindo, indo até o pequeno espaço que deveria ser considerado uma cozinha, se resumia em uma pequena geladeira, um microondas, um fogão eletrico de duas bocas e uma cafeteira velha, que surpreendentemente era o objeto mais usado. -Eu tenho... -abriu a geladeira, vendo ali um queijo mofado, duas garrafas de água e uma maçã murcha -Nada, eu tenho nada -riu, sem jeito -Preciso reabastecer, mas nunca fico em casa então... -pegando o celular sobre a mesa de dois lugares, ele andou até a cama e se jogou na mesma, incomodando Jasmine que miou frustrada e se afastou, indo deitar nos travesseiros, segurou a mão do amigo, indicando para que sentasse ao seu lado enquanto abria um aplicativo de entregas -Vamos pedir algo, ok? Eu pago. -sorriu, passando o braço ao redor dos ombros magros e o aconchegando contra si e respirando fundo, seu coração a mil. -Pode escolher, pequeno.
@o-connellguy
Sentia o corpo todo doer, estava acabado mentalmente, mais uma discussão sem sentido onde era arrastado para um canto e ouvia ChinWa gritar sobre as mesmas coisas de sempre, quase nunca conseguia abrir a boca para revisar então em grande parte apenas escutava dizendo a si mesmo que não deveria dar continuidade a algo bobo como aquilo. Daquela vez havia sido sobre a apresentação, coreografias sexy eram normais para o grupo e o namorado sabia muito bem disso, mas quando um fan acabou por passar a mão em si o ciúmes do namorado ferveu. Tentou até explicar, mas os gritos eram sempre maiores, não havia o que fazer em sua mente, apenas escutava os gritos dentro do camarim. Com alguns minutos sentiu algumas lágrimas formarem em seu olhos, odiava chorar frente a qualquer pessoa em especial a ChinWa, até tentava segurar, mas de alguma forma não conseguia, de certa forma estava cansado dessa situação. — Chega Chinwa. Eu nem sei quem é o garoto, isso acontece todo tempo, é um menino aleatório seu idiota. — Disse sem pensar se arrependendo de imediato ao ver a feição de descontentamento do mais velho. “O que disse Park JungHo?” Ouviu a voz do namorado e mais uma vez as lágrimas voltaram sentiu o aperto em seu braço e um puxão forte enquanto mais gritos encheram o ambiente, a medida que a fúria de ChinWa parecia aumentar a dor em seu braço aumentar e por mais que pedisse para que ele parasse. Tentava se soltar do aperto se contorcendo cada vez mais, mesmo com a força bem maior que a sua por alguns segundos de esperança viu-se livre da mão alheia, entretanto sua felicidade não durou muito logo sentiu um tapa atingir o lado direito de seu rosto. O corpo cambaleou para trás e sentiu-se ser segurado novamente pelo braço ao mesmo tempo que sentiu outro tapa atingir seu corpo, e assim sucedeu-se mais alguns até mais fortes, em regões como costelas. Não sabia dizer quando aquilo terminou apenas estava sendo arrastado um carro em meio as lágrimas. Sua mente estava confusa e não fez menção em resistir sentou-se no banco do passageiro e esperando enquanto ele entrava pelo outro lado. “Vamos dormir no meu apartamento hoje.” Sentiu a mão dele sobre sua coxa enquanto ligava o carro e seu corpo tremeu, mas nada disse, apenas queria poder tomar um banho para esquecer tudo que havia acontecido. Passou o trajeto em silencio sem coragem para dizer mais nada apenas quando chegaram ao destino avisou que iria tomar banho se adiantando para pegar a toalha e entrar no banheiro. Tirou a roupa com certa dificuldade pelas dores no corpo logo indo para debaixo do chuveiro. A água batia em seu corpo o fazendo relaxar e aos poucos esquecer os acontecimentos voltando apenas a pensar em dormir. Estava tão distraído com seu pequeno momento de relaxamento que sequer percebeu quando o namorado entrara no banheiro, apenas percebeu quando ele já havia se juntado a si no box do banheiro. Sentiu o tórax do namorado colar nas suas costas. “Hey baby está tão bonito.” A voz rouca em seu ouvido a as mãos grandes passando por seu corpo era um claro sinal que não queria acatar. — Hoje não amor, estou cansado. — Disse segurando as mãos carinhosamente e afastando de seu corpo, não estava no clima para nada alem de dormir por longas horas. Diferente do que esperava o mais velho não se afastou apenas continuou da mesma forma que antes, tentou afasta-lo novamente, mas dessa vez foi surpreendido com a mão dele prendendo as suas acima de sua cabeça contra o vidro do box e novamente os corpos colados. Soltou mais alguns protestos enquanto ele beijava suas costas e passava a mão por suas nádegas apertando com força. “Não faça assim Junie, até parece que não gosta.” Ouviu a risada dele contra seu ouvido e tentou se soltar mais uma vez e foi prensado mais força ainda acabado com qualquer chanace de se soltar. O falo duro esfregava entre suas nádegas e mesmo com mais um pedido para que não continuasse sentiu-se ser invadido e a dor se alastrar por seu corpo e mesmo assim não foi capaz de derramar uma lágrima. Ouvia os gemidos atrás de si e quando acabou apenas viu ele se afastar. Ainda demorou mais algum tempo para sair do banho para depois deitar se na cama. Não chegou a dormir naquela noite, mas manteve os olhos fechados ao sentir ChinWa levantar e sair de casa por volta das sete da manhã. Assim que a porta fechou levantou-se colocando uma roupa larga e logo aparatando para um apartamento conhecido. Apenas de chegar ao apartamento sentiu o coração acelerar e o corpo mais leve significativamente, bateu na porta algumas vezes e quando viu o olho mágico ser aberto olhou para a porta mais aliviado, ele sempre seria seu porto seguro. — Bryon, posso entrar?
Estava particularmente cansado naquele dia, a chegada do inverno rigoroso exigiu, juntamente de uma oscilação absurda em sua imunidade, uma mudança brusca nas doses de seus remédios, e tinha de admitir que as últimas semanas não vinham sendo as melhores com tudo aquilo, além de todos os outros fatores que pareciam estar virando sua vida de ponta cabeça. Eram nove da noite quando entrou em casa, jogou a mochila em um canto qualquer antes de correr até o banheiro, despejando no vaso sanitário todo o conteúdo de seu estômago e um pouco mais, sentindo a barriga doer e o corpo estremecer, suando frio, lágrimas desceram por suas bochechas enquanto fungava, sentado no piso gelado, a cabeça encostada na parede tentando ao máximo recuperar o fôlego perdido. Fechou os olhos por alguns segundos, se fosse alguns meses atrás sua mãe estaria ali, ao seu lado, acariciando sua cabeça e dizendo palavras de conforto, mas naquele momento estava sozinho, o apartamento se encontrava num silêncio mortal, este sendo quebrado apenas pela respiração pesada do jovem. Tudo acontecera muito rápido, desde a piora no quadro da doença de Emily, a vida do jovem Bryon estava numa ladeira sem fim, se sentia perdido, o impacto da morte de sua mãe ainda o assombrava nas noites vazias onde enxarcava o travesseiro com suas lágrimas desesperadas, sendo a saudade mais forte que qualquer outra coisa, até mesmo que a solidão, não estava sendo nem perto de fácil, aos vinte e três anos era obrigado a contar seus centavos para comer e pagar o aluguel, dividir seu tempo entre uma faculdade que exigia o máximo de si e um emprego mal remunerado como balconista em uma confeitaria qualquer, tinha medo do rumo que tudo tomava, era assustador pensar nas possibilidades de tudo que aquela situação poderia lhe causar, cada dia mais ansioso e apreensivo, temia um dia não ser mais capaz de dar conta das coisas ao seu redor. Soltou um suspiro, levantando devagar e entrando debaixo do chuveiro, deixando a água lavar seu cansaço e suas mágoas, precisava de um abraço, e pensou nisso enquanto escovava os dentes, no quanto seria bom ter uma companhia, braços para correr no final do dia, alguém para lhe trazer conforto e amor. E como numa piada sem graça do destino, ouviu alguém bater na porta, encarou o horário no ecrã de seu celular, confuso sobre quem poderia ser, teria chutado ser o síndico trazendo Jasmine de volta para si se a gata não estivesse deitada sobre sua cama de forma preguiçosa, a barriga saliente deixando clara a sua prenhez, ela não havia saído de casa desde que voltara grávida de um gato qualquer da vizinhança. -Estou indo!- respondeu para a porta, vestindo desajeitadamente uma calça de moletom e um suéter velho, os cachos castanhos e úmidos lhe caindo pelos ombros enquanto olhava pelo olho mágico, não hesitando em abrir ao constatar quem era seu visitante inesperado. -Hey Jun -um sorriso largo apareceu em sua face, gesto corriqueiro ao ver o melhor amigo, mesmo que estivesse cansado e abatido -Sabe que não precisa perguntar -completou, dando espaço para ele passar -Esqueceu sua chave? -questionou baixinho, se aproximando e deixando um selar carinhoso em sua testa -Estava pensando em você agora.
Interview || Emily&Sook
@parkjuniee
Os cabelos longos presos em um coque apertado e o rosto levemente maquiado com os produtos que emprestara de uma das senhoras da igreja, usava uma camisa social branca, esta estava comida por traças na barra, a qual fez questão de esconder dentro da saia grafite desgastada, não tinha saltos, apenas sapatilhas que lhe foram doadas recentemente, apertou uma mão na outra, nervosa, queria seu filho ali para lhe abraçar e dizer que tudo ficaria bem, como sempre. Suspirou pegando sua bolsa sobre o sofá e verificando se todos os documentos estavam em ordem, logo abandonando o apartamento. O caminho até o centro de Londres não era longo, o metrô chegava de forma rápida e logo andava nas calçadas da capital, o corpo magro encolhido dentro das roupas velhas e a cabeça baixa, Emily O'Connell era apenas mais uma das pessoas apresentadas a realidade cruel do mundo. Em meio aos milhares de londrinos, a mulher era apenas uma vítima da sociedade, injustiçada antes mesmo de conhecer a vida, de sequer entender o funcionamento de todas as coisas, órfã, mãe solteira, doente, entendia a pena no olhar dos outros, apesar de não se sentir digna dela. Suas mãos tremeram quando a mulher parou em frente ao prédio, encarou toda a magnitude do mesmo e soltou um suspiro pesado, acalmando os nervos, ela.subiu as escadas que levariam ao hall de entrada. -Tenho uma entrevista marcada às dez e meia-murmurou para o atendente, este lhe entregou um cartão e ultrapassando as catracas ela se pôs a caminho do sétimo andar. conversou com outra mulher, a qual lhe indicou que apenas aguardasse ser chamada, e batucando os pés, ela o fez, encarando o ambiente luxuoso ao seu redor, piscou atordoada, sentindo o estômago doer, deveria ter se alimentado mesmo que minimamente antes de sair. Respirou fundo mais uma vez e pousou a bolsa sobre o colo, as mãos entrelaçadas uma na outra, sentiu o celular vibrar no bolso da frente. “Vai lá e arrasa, tu consegue, mostre a mulher incrível que você é. Eu te amo, mãe” sorriu minimamente, sentindo os olhos marejarem, estava morrendo de saudades do seu anjinho. Encarou o teto, piscando repetidamente, tentando espantar as lágrimas e por fim ficou ali, encarando seu plano de fundo, uma foto sua e do seu garoto, até ser tirada de seus devaneios ouvindo seu nome.
Tudo estava em seu perfeito estado de organização, desde as canetas até as cortinas e os livros na estante, não que ela mesma tivesse organizado isso, longe de si algo tão bem feito. Mas era uma exigência de sua posição, a CEO de uma grande empresa não podia ter um escritório menos que perfeito, pelo menos na visão dos demais. Francamente, não ligava muito para isso considerando que em raros momentos estava nele, preferia estar sempre a par da situação da empresa e para isso precisava não estar em uma sala isolava e sim nas entrevistas, shows, programas, gravações, enfim, precisava estar perto de onde tudo acontecia. Entretanto haviam os dias em que os trabalhos maçantes lhe caiam nos ombros e devia faze-los, assinar contratos e mediar outras coisas eram de suma importância, claro que a palavra final sempre era sua por isso tinha de cuidar e revisar cada papel que passava por sua sala precisando de sua autorização. Cuidava também de cada entrevista que deveria ser feita, sempre sendo sua a palavra final se a pessoa entraria ou não para a sua equipe de colaboradores. Eram cuidados que sentia a necessidade de tomar, por isso estava presa ao escritório nas últimas horas entrevistando cada uma das candidatas a assistente. Estava cansa de ler currículos e ver as mulheres que concorriam a vaga, mas anda havia uma que seria as três. Poderia muito bem dispensa-la dizendo já ter tomado sua decisão, mas seu senso de moral impedia isso, não seria justo com ela se nem mesmo havia dado uma oportunidade. Levantou-se da cadeira ajeitando melhor a roupa antes de pedir a secretária que deixasse a entrevistada entrar. O último currículo de sua mesa em suas mãos e abriu a pequena pasta onde havia arquivado, não podia dizer que era dos melhores currículos que já recebera, sem nenhuma formação superior, mas haviam ao que parecia boas experiências. Não demorou a ouvir a porta ser aberta e levantou-se sorrindo ao estender a mão para cumprimentar a mulher. — Muito prazer sou Park Sook, pode se sentar fique a vontade Senhorita Emily. Espero que não tenha esperado demais. — Sentou-se também dessa vez olhando para a mulher. Podia notar a expressão cansada e podia jurar que ela estava com fome, algo lhe dizia que ela era uma mulher que sofrera muito. — Bom, vi que teve até uma quantidade boa de antigas experiências porque não começa me falando mais sobre elas?
Os olhos verdes estavam fixos e a pele arrepiada com o nervosismo ao adentrar aquela sala, se achou o hall luxuoso pensou não poder esperar algo a mais da diretoria, obviamente estava enganada, por fim seu olhar caiu na mulher que vinha em sua direção, eram mais ou menos da mesma altura, mas as semelhanças paravam por aí. Ao contrário de si, a oriental tinha as roupas perfeitamente passadas, conseguia reconhecer serem de marcas caras, afinal, trabalhara muito tempo lavando e passando vestimentas como aquelas para as senhoras da alta sociedade, os tecidos pareciam ter sido moldados para se encaixar no corpo dela, a maquiagem perfeita, nenhum fio de cabelo fora do lugar, o rosto era jovial e muito mais conservado do que o da própria Emily, esta que tinha certeza da patroa ser mais velha que si. As bochechas coraram com a vergonha de sentir-se tão desarrumada -Muito prazer -respondeu e apertou sem muita força a mão da mulher, e novamente o oposto da sua calejada e áspera, as de Park Sook eram bem hidratadas e macias. Umedeceu os lábios em nervosismo, sentando em frente a mesa enorme que ocupava o escritório, pousando a bolsa sobre o colo e mantendo a coluna ereta, observou-a folhear o seu currículo e agradeceu a Deus pela senhora ser inexpressiva, afinal já estava acostumada com as expressões de decepção. Suspirou e organizou os pensamentos, pensando no discurso que tinha ensaiado -Comecei a trabalhar muito cedo, ainda sem nenhum registro em carteira eu era ajudante de empregada em uma residência de uma socialite, realizava funções na cozinha, como era pequena ficava responsável por polir taças e coisas mais delicadas -piscou, tinha apenas catorze anos -Ameaçaram minha patroa por exploração infantil, então fui demitida, e agora já com dezesseis eu podia trabalhar oficialmente, então comecei na limpeza de um restaurante e depois subi o cargo para atendente de balcão, fui garçonete e até mesmo trabalhei na cozinha algumas vezes. Não tenho experiência na área administrativa ou secretariado oficialmente, mas sei lidar com papeladas e números muito bem, por vezes ajudava o gerente com as contas dos lucros e prejuízo do dia na lanchonete -batucou os dedos sobre a bolsa - E cerca de um ano atrás eu iniciei como caixa em um supermercado, infelizmente o restaurante que eu trabalhava teve de fechar e mandaram quase todos embora, tive de me afastar do mercado por alguns problemas familiares e de saúde, mas agora que tudo se resolveu estou a procura de algo novo. -terminou a narrativa, rezando para não ter falado demais, apenas fora sincera sobre sua carreira, não tinha motivos para mentir. Só esperava que sua sinceridade não lhe trouxesse problemas como em várias outras entrevistas pelas quais passara.

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Interview || Emily&Sook
@parkjuniee
Os cabelos longos presos em um coque apertado e o rosto levemente maquiado com os produtos que emprestara de uma das senhoras da igreja, usava uma camisa social branca, esta estava comida por traças na barra, a qual fez questão de esconder dentro da saia grafite desgastada, não tinha saltos, apenas sapatilhas que lhe foram doadas recentemente, apertou uma mão na outra, nervosa, queria seu filho ali para lhe abraçar e dizer que tudo ficaria bem, como sempre. Suspirou pegando sua bolsa sobre o sofá e verificando se todos os documentos estavam em ordem, logo abandonando o apartamento. O caminho até o centro de Londres não era longo, o metrô chegava de forma rápida e logo andava nas calçadas da capital, o corpo magro encolhido dentro das roupas velhas e a cabeça baixa, Emily O'Connell era apenas mais uma das pessoas apresentadas a realidade cruel do mundo. Em meio aos milhares de londrinos, a mulher era apenas uma vítima da sociedade, injustiçada antes mesmo de conhecer a vida, de sequer entender o funcionamento de todas as coisas, órfã, mãe solteira, doente, entendia a pena no olhar dos outros, apesar de não se sentir digna dela. Suas mãos tremeram quando a mulher parou em frente ao prédio, encarou toda a magnitude do mesmo e soltou um suspiro pesado, acalmando os nervos, ela.subiu as escadas que levariam ao hall de entrada. -Tenho uma entrevista marcada às dez e meia-murmurou para o atendente, este lhe entregou um cartão e ultrapassando as catracas ela se pôs a caminho do sétimo andar. conversou com outra mulher, a qual lhe indicou que apenas aguardasse ser chamada, e batucando os pés, ela o fez, encarando o ambiente luxuoso ao seu redor, piscou atordoada, sentindo o estômago doer, deveria ter se alimentado mesmo que minimamente antes de sair. Respirou fundo mais uma vez e pousou a bolsa sobre o colo, as mãos entrelaçadas uma na outra, sentiu o celular vibrar no bolso da frente. "Vai lá e arrasa, tu consegue, mostre a mulher incrível que você é. Eu te amo, mãe" sorriu minimamente, sentindo os olhos marejarem, estava morrendo de saudades do seu anjinho. Encarou o teto, piscando repetidamente, tentando espantar as lágrimas e por fim ficou ali, encarando seu plano de fundo, uma foto sua e do seu garoto, até ser tirada de seus devaneios ouvindo seu nome.
Agora, mais que em qualquer outro momento, sentia-se completo ao lado do britânico. — Algum momento pensou que eu iria deixar você sair? — Perguntou em tom brincalhão puxando o corpo dele contra o seu apertando-o de uma forma que não machucasse, não deixaria Bryon ir, especialmente voltando para o lugar onde ele morava. Sabia que teria de convencer ele ainda a não voltar, mas faria, tinha que fazer, nem que para isso tivesse que recorrer a Emily. Não achava justo deixar ela lá, mas seria provisório, pelo menos enquanto não havia dito nada a sua mãe. Certamente ela poderia dar um jeito com os muitos contatos que tinha, apenas precisava pedir. —Você é todo meu, e eu sou todo seu. Isso soa legal para mim. — Sorriu com a ideia, nunca havia pensando que isso realmente se concretizaria, sempre pensou que ele gostava de outra pessoa pois nunca vira brechas nele para tentar algo mais que amizade. Agora sabia por que, a realidade que conhecera apenas explicava muito sobre ele. Todas as vezes que ele chegava em Hogwarts vários quilos mais magros, os desvios de certos assuntos e até as recusas de ir para a sua casa em algum feriado. E mesmo assim ainda se lembrava do amigo sorrir constantemente pelos corredores da escola, ele era forte, era a pessoa mais forte que conhecia. — Bryon você é melhor pessoa que eu poderia ter me apaixonado, eu te amo tanto… — Confessou mais uma vez acariciando os fios negros depois de ter afrouxado o abraço, ainda com os corpos colados. Podia ver de relance as marcas nele, os dedos de outra pessoa, mas não ligava, aquilo passaria, cuidaria para que fosse curado. — Está com fome? Já passou a hora do café da manhã. Porque não toma outro banho enquanto eu aviso que vamos descer para tomar café. O que quer comer? Eu peço para a cozinheira fazer o que quiser.
Seus olhos varreram o rosto dele como se procurasse o mínimo sinal de que aquilo era uma mentira, de que Junie estaria apenas brincando consigo. Mas encarando as orbes castanhas, Bryon enxergava a mais completa sinceridade, e tal fato lhe arrancou outro sorriso -Eu também amo você -retrucou e fechou os olhos ao sentir as carícias em seus cabelos, era sempre assim: Jun conhecia absolutamente todos seus pontos fracos. Ele sabia que o britânico se derretia por completo apenas com um cafuné, ou como adorava quando o puxavam pela cintura com certa brutalidade, o coreano sabia o fato de adorar abraços apertados com possessividade. Junie conhecia cada detalhe de si, agora ainda mais considerando que sua vida já não era mais um segredo entre eles dois. Ressonou baixinho com a carícia -Não estou com fome, hyung -respondeu baixinho, ainda de olhos fechados por mais alguns segundos até finalmente abri-los para encarar a face bonita mais uma vez -Eu só quero tomar um banho daqueles bem demorados e então podemos ficar deitados juntos o resto do dia, pode ser assim? Eu quero muitos beijos seus daqui pra frente.
o-connellguy :
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Ouvir o choro de Junie fez seu coração se partir em milhares de pedaços, era sua culpa ele estar aos prantos, sentiu-se horrível por aquilo, por fazer mais uma pessoa chorar graças a sua vida nojenta. As vezes achava que era melhor guardar para si, manter aquele sofrimento apenas consigo, não compartilhava a dor nem mesmo com sua mãe, aquela que se mostrou sua melhor amiga durante os anos, que fez o possível e o impossível para lhe arrancar sorrisos, tentou tornar aquele processo menos doloroso, e quando Bryon não aguentava mais, era ela que o abraçava e fazia o menino sentir o mínimo de segurança. Estava se sentindo terrível até ouvir as outras palavras do menor, o fazendo soluçar majs forte, dessa vez de alívio. Junie não sentia nojo de si, uma pequena chama de esperança se acendeu no corpo do caçula, talvez nem tudo estivesse perdido. -Obrigado -murmurou, a voz abafada e embargada -Você é uma das pessoas mais maravilhosas que eu conheço, hyung -estava sendo sincero. Quando criança, Bryon era tímido, além de doente e pobre, não conseguia muitos amigos, em Hogwarts, na sua adolescência, foi muito mais fácil socializar, tinha colegas de classe e dormitório, não precisava se encaixar em nenhuma classe social, era igual a todos. Então conheceu Junie, eram duas crianças mas se entenderam rapidamente, a foi amizade a primeira vista, e logo não se desgrudavam mais. O coreano tornava seus dias melhores, fazia sua vida mais suportável, na companhia dele, o de olhos azuis conseguia esquecer seus sofrimentos, não pensava quase nada em tudo o que vivia em casa. Junie era capaz de lhe tirar da realidade, ele tornava sua vida melhor, um ser humano melhor, era alguém que Bryon não abriria mão por nada no mundo -Deve ser por isso que eu me apaixonei tanto -ele falou distraidamente, na verdade, pensou em voz alta, sem sequer ter noção de sua revelação por alguns segundos antes de arregalar os olhos -Junie eu… -levantou o rosto para encara-lo, o pânico tomando seu ser.
— Bryon, você não sabe o que está dizendo… — Respondeu passando os dedos de leve pelos fios negros que tampavam a visão daqueles olhos azuis. Mesmo depois de tento afastado a franja continuou acariciando os fios negros. — Duvido que eu seja a pessoa mais maravilhosa que conhece… Aposto que conhece pessoas melhores. Mas é engraçado porque eu realmente te considero uma pessoa maravilhosa. Sabe é meu primeiro amigo que não se aproximou de mim pela condição financeira de meus pais, ou porque eles são relativamente famosos. — Ainda fitava o mais novo deixando um sorriso lhe brotar nos lábios com a confissão que fazia. Sempre pensou que nesse momento estaria nervoso tremendo nas próprias bases, mas estava estranhamente tranquilo com uma sensação de felicidade lhe infestando por dentro. — Você é a pessoa mais doce e bondosa que conheço, merece tudo de bom no mundo. Sabe e agora eu ainda sei que apesar de estar sempre com esse sorriso lindo ainda sim passou por muita coisa. — Por alguns segundos seu olhar triste fez-se presente, não considerava o que o amigo estava passando algo fácil de superar. — Nem imagina o quanto sou apaixonado por você. — Não esperou uma resposta selando os lábios do britânico novamente. Seu coração pulava no peito em animação, apenas queria mais daqueles lábios contra o seu. Poderia viver daquele beijo se dependesse de sua vontade, o seu corpo formigava a cada toque do amigo e sua mente apenas permanecia naquele mundo como se nunca pudesse sair. O amava e tinha certeza disso e pela primeira vez era mais reconfortante do que desesperador constatar isso.
Os olhos azuis se arregalaram ainda mais com a confissão que escapou dos lábios do asiático, e antes mesmo que pudesse ter alguma mínima reação como sorrir, sua boca já estava colada na dele em um beijo quente, lento e cheio de sentimentos, era a primeira vez que Bryon sentia uma euforia como aquela, a felicidade de ser correspondido, de saber que ainda existia amor no mundo e que era capaz de recebê-lo. Havia visto coisas horríveis em sua vida, lidado com coisas ruins, conviveu com a pobreza, a fome, teve contato com todo tipo de gente, de todas as classes sociais, era terrível lembrar o que presenciara algumas vezes, o mundo como ele realmente é, para aqueles como Junie, a realidade nunca os atingiria a não ser que tivessem alguém como Bryon na vida, a realidade era cruel, fria e nao tinha pena de ninguém, e o britânico sentiu na pele tamanha crueldade. Estar com o asiático era como atingir o nirvana, era estar feliz, amar e ser amado, entender a pureza dos sentimentos bons. -Agora que eu não vou deixar você sair de perto mesmo -riu, escondendo o rosto no peitoral alheio e aspirando o perfume maravilhoso -Você é meu, Junie, e eu sou seu. Não vamos esquecer disso nunca, né? -sussurrou erguendo o olhar e acariciando sia bochecha -A melhor coisa que eu tenho na minha vida é você, é seu amor. Prometo tentar fazer jus a ele. -depositou um selinho rápido em seus lábios, era incrível como em meio a tanta dor poderia haver sempre aquela pequena chama de felicidade.
o-connellguy :
Novamente estava sendo carregado, mais uma vez se entregou ao menor, deixando ele cuidar de si como nunca fora cuidado por alguém além de sua mãe. Naquele momento Bryon era como porcelana, nunca pareceu frágil, nunca se deixou abater por coisas simples ou até as mais graves, esteve cara a cara com a morte mais de uma vez e mesmo assim um sorriso sempre habitava o rosto daquele rapaz, mas uma hora tudo tende a se fragilizar, ele não podia ser forte para sempre, lutar contra os próprios monstros para o resto da vida, por isso se entregou, deitado junto a Junie, outra vez, naquela cama, deixou que as mágoas fluíssem, chorou o que não conseguira chorar no dia anterior. E não sabia quanto tempo permaneceu daquela forma agarrado ao menoe, mas as lágrimas secaram e os soluços cessaram e ele permaneceu em silêncio, ouvindo as batidas do coração do amigo, raciocinando, se permitindo recompor. -Meus avós morreram quando minha mãe tinha doze anos -iniciou a narrativa, sem se mover e sabia que estava sendo escutado e que não seria interrompido, por isso aproveitou seu surto de coragem para desatar a falar -Mandaram ela morar com uma tia mas pelo que ouvi a mulher era um monstro, batia em mamãe e fazia com que ela fosse uma espécie de escrava, então ela fugiu, tinha medo de que a assistência social encontrasse ela e mandasse ela para um orfanato. -fungou, a voz ainda tremida pelo choro recente -Mamãe passou cerca de dois meses na rua, se escondendo e vivendo de esmolas, ela passava fome e frio até um dia conhecer uma menina um pouco mais velha que ofereceu pra ela um lugar para ficar e, tadinha, ela estava em condições deploráveis, estava desesperada então aceitou. -umedeceu os lábios, soltando um suspiro -O tal lugar era um prostíbulo -disse baixo, os dedos brincando com os lençóis -Um homem chamado Jasper tinha dezenas de crianças e adolescentes trabalhando com serviços sexuais, tinham algumas adultas também. Sabe… O lugar era ilegal, então eles viviam em segredo absoluto. Mamãe começou a vender o corpo dela, era o que a mantinha alimentada e aquecida, porque o chefe nunca dava nada para os “funcionários” dele, apenas pedia, sempre dinheiro, uma parte do qua ganhavam nos programas ia para ele. Quando mamãe tinha quatorze anos, ela engravidou a primeira vez, ela não tinha ideia do que eram métodos contraceptivos, nunca tinha visto uma camisinha, não teve tempo de ter educação sexual na escola e em casa… Jasper obrigou ela a ir numa clínica clandestina e abortar, não que ela quisesse o filho, apenas foi traumatizante pois bem… Esses lugares são terríveis, Junie. -mordeu o lábio com força -Depois disso umas moças majs velhas ensinaram ela a se proteger e foi o que ela fez durante dois anos, e foi quando eu vim… Dessa vez ela não se permitiu tirar a criança, ela jurou para si mesma que daria um jeito, e deu. Ela passava fome para guardar dinheiro para ter com o que pagar minhas roupas e fraldas no futuro, ela ficou anêmica na gravidez e quando eu nasci, eu pesava cerca de dois quilos só e era muito pequeno, todos achavam que eu ia morrer. Eu nasci num hospital, mas todo o acompanhamento durante a gestação, mamãe não fez… Ela só descobriu a AIDS porque detectaram o vírus em mim, se ela tivesse tido um pré natal decente eu poderia ser saudável, mas… -hesitou, não dava mais para voltar atrás. -Por incrível que pareça eu ter dezoito anos agora é muito mais do que qualquer médico algum dia previu para mim. Mas as despesas aumentaram, uma criança que vivia constantemente doente, eu usava roupas dela porque muitas vezes não tínhamos dinheiro ou as doações da igreja acabavam. Nós morávamos no bordel e minha cama era a banheira de nosso quarto, porque ela me trancava no banheiro todas as noites, as vezes recebia três ou quatro homens em uma madrugada e mesmo assim nunca era o suficiente -as lágrimas voltaram a correr por sua face -Eu passei fome, Junie, real mesmo, com dez anos eu pesava o que uma criança de seis deveria pesar, eu… As coisas nunca foram fáceis para nós e receber minha carta de Hogwarts de certa forma me salvou, nunca na vida tive mais do que duas opções de coisas para comer, recuperei muito minha saúde lá, vitaminas que me faltavam, foi quando eu comecei a crescer de verdade, ganhar peso, me curei da anemia. Eu nunca tinha tido uma cama só pra mim, sabia? -sorriu lembrando da primeira noite sua no castelo, trancou-se no banheiro e se beliscou várias vezes achando estar sonhando -Mas quando eu voltava para casa era a mesma coisa, sem comida, sem remédios. Eu nunca escolhi essa vida, mas mamãe precisava de ajuda e Jasper nunca permitiria que eu morasse no motel sem dar dinheiro para ele. -fez uma pausa longa, pensando bem nas palavras -Eu tinha dez anos quando ele me obrigou a fazer meu primeiro programa -estremeceu com as lembranças -Desde então, com meu dinheiro as coisas melhoraram um tanto, até conseguimos comprar mais coisas apesar de as vezes faltar. Não me orgulho disso, eu tenho tanto nojo de mim, eu perdi a conta de quantas pessoas diferentes me tocaram, Junie -soluçou -Meu corpo é sujo, minha alma também. Mas é o que eu tenho, é por causa disso que eu consigo comer as vezes, porque tem dias que eu fico sem por nada na boca por ter acabado todo o dinheiro. Eu não queria essa vida, e eu vou entender se tiver nojo de mim, eu sei que vender sexo é algo completamente… Indigno. Não tive escolha, eu nunca tive escolha -apertou mais o corpo do amigo -Não se afaste de mim por isso, por favor.
Estavam deitados novamente passando as mãos pela coluna de Bryon tentando o acalmar, sabia que por mais que ele odiasse ajuda demais ou que fosse tradado como frágil e entendia isso muito bem. Entretanto podia entender que ele estava completamente quebrado por dentro, não precisava de ver as lágrimas escorrendo para saber que algo muito ruim acontecera, o olhar já denunciava tudo. Já reconhecia cada expressão corporal dele, sabia quando deveria o consolar e abraçar ou quando deveria apenas sentar ao seu lado e dizer besteiras. Conhecia ele melhor que a si mesmo, pelo menos as partes que deixou que descobrisse e a que ainda não havia respeitava. Mesmo com os lábios coçando de vontade de perguntar algo manteve o controle, podia sentir as lágrimas molhando seu pijama e ouvir o choro. Apenas esperava o momento que ele dormisse novamente, não estava preparado para o que iria ouvir. Não esperava que ele começasse a contar nada e ao que parecia nada tinha a respeito do incidente que presenciara, mas não interrompeu apenas escutando o que era dito com calma e atenção. Já com os primeiros fatos sentiu o peito arder, imaginava o que Emily havia passado, a cada novo fato apenas sentia que não podia piorar tento a confirmação que novamente acontecia. Não viu o ponto que as lágrimas começaram a cair, mas antes mesmo de saber da “profissão” dele já chorava. Agora tudo parecia se encaixar, fora um dos clientes que o amarrara daquela forma e acabara tanto com o corpo do amigo. Seu peito queimava em raiva de saber que a pessoa por qual estava completamente apaixonado passava por tudo aquilo e nunca soube de nada. Poderia ter ajudado de alguma forma, na verdade, deveria ter. Sabia que aquilo não era uma vida, viver com medo e sendo forçado não era algo que conseguia associar. Não sabia o que dizer, apenas continuou calado por alguns segundos ainda com o corpo magro contra o seu o protegendo. — Bryon… Você não é sujo, é a melhor pessoa que eu conheço. — Respondeu com a voz trêmula pelo choro. Não admitiria que alguém bom como ele pensasse em algo assim de si mesmo, sujos eram os que o obrigava a passar por isso. Tinha ódio do homem que havia tornado a vida do britânico o tormento que era. — Eu nunca vou me afastar, céus. Por que pensou isso? — Apertou ainda mais o corpo dele contra o seu como se tivesse algum medo de que conseguisse escapar. — Bryon você não vai voltar para lá, eu não vou deixar, não pode. Tem que se cuidar, deixa eu continuar cuidando de você por favor.
Ouvir o choro de Junie fez seu coração se partir em milhares de pedaços, era sua culpa ele estar aos prantos, sentiu-se horrível por aquilo, por fazer mais uma pessoa chorar graças a sua vida nojenta. As vezes achava que era melhor guardar para si, manter aquele sofrimento apenas consigo, não compartilhava a dor nem mesmo com sua mãe, aquela que se mostrou sua melhor amiga durante os anos, que fez o possível e o impossível para lhe arrancar sorrisos, tentou tornar aquele processo menos doloroso, e quando Bryon não aguentava mais, era ela que o abraçava e fazia o menino sentir o mínimo de segurança. Estava se sentindo terrível até ouvir as outras palavras do menor, o fazendo soluçar majs forte, dessa vez de alívio. Junie não sentia nojo de si, uma pequena chama de esperança se acendeu no corpo do caçula, talvez nem tudo estivesse perdido. -Obrigado -murmurou, a voz abafada e embargada -Você é uma das pessoas mais maravilhosas que eu conheço, hyung -estava sendo sincero. Quando criança, Bryon era tímido, além de doente e pobre, não conseguia muitos amigos, em Hogwarts, na sua adolescência, foi muito mais fácil socializar, tinha colegas de classe e dormitório, não precisava se encaixar em nenhuma classe social, era igual a todos. Então conheceu Junie, eram duas crianças mas se entenderam rapidamente, a foi amizade a primeira vista, e logo não se desgrudavam mais. O coreano tornava seus dias melhores, fazia sua vida mais suportável, na companhia dele, o de olhos azuis conseguia esquecer seus sofrimentos, não pensava quase nada em tudo o que vivia em casa. Junie era capaz de lhe tirar da realidade, ele tornava sua vida melhor, um ser humano melhor, era alguém que Bryon não abriria mão por nada no mundo -Deve ser por isso que eu me apaixonei tanto -ele falou distraidamente, na verdade, pensou em voz alta, sem sequer ter noção de sua revelação por alguns segundos antes de arregalar os olhos -Junie eu... -levantou o rosto para encara-lo, o pânico tomando seu ser.

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Novamente estava sendo carregado, mais uma vez se entregou ao menor, deixando ele cuidar de si como nunca fora cuidado por alguém além de sua mãe. Naquele momento Bryon era como porcelana, nunca pareceu frágil, nunca se deixou abater por coisas simples ou até as mais graves, esteve cara a cara com a morte mais de uma vez e mesmo assim um sorriso sempre habitava o rosto daquele rapaz, mas uma hora tudo tende a se fragilizar, ele não podia ser forte para sempre, lutar contra os próprios monstros para o resto da vida, por isso se entregou, deitado junto a Junie, outra vez, naquela cama, deixou que as mágoas fluíssem, chorou o que não conseguira chorar no dia anterior. E não sabia quanto tempo permaneceu daquela forma agarrado ao menoe, mas as lágrimas secaram e os soluços cessaram e ele permaneceu em silêncio, ouvindo as batidas do coração do amigo, raciocinando, se permitindo recompor. -Meus avós morreram quando minha mãe tinha doze anos -iniciou a narrativa, sem se mover e sabia que estava sendo escutado e que não seria interrompido, por isso aproveitou seu surto de coragem para desatar a falar -Mandaram ela morar com uma tia mas pelo que ouvi a mulher era um monstro, batia em mamãe e fazia com que ela fosse uma espécie de escrava, então ela fugiu, tinha medo de que a assistência social encontrasse ela e mandasse ela para um orfanato. -fungou, a voz ainda tremida pelo choro recente -Mamãe passou cerca de dois meses na rua, se escondendo e vivendo de esmolas, ela passava fome e frio até um dia conhecer uma menina um pouco mais velha que ofereceu pra ela um lugar para ficar e, tadinha, ela estava em condições deploráveis, estava desesperada então aceitou. -umedeceu os lábios, soltando um suspiro -O tal lugar era um prostíbulo -disse baixo, os dedos brincando com os lençóis -Um homem chamado Jasper tinha dezenas de crianças e adolescentes trabalhando com serviços sexuais, tinham algumas adultas também. Sabe... O lugar era ilegal, então eles viviam em segredo absoluto. Mamãe começou a vender o corpo dela, era o que a mantinha alimentada e aquecida, porque o chefe nunca dava nada para os "funcionários" dele, apenas pedia, sempre dinheiro, uma parte do qua ganhavam nos programas ia para ele. Quando mamãe tinha quatorze anos, ela engravidou a primeira vez, ela não tinha ideia do que eram métodos contraceptivos, nunca tinha visto uma camisinha, não teve tempo de ter educação sexual na escola e em casa... Jasper obrigou ela a ir numa clínica clandestina e abortar, não que ela quisesse o filho, apenas foi traumatizante pois bem... Esses lugares são terríveis, Junie. -mordeu o lábio com força -Depois disso umas moças majs velhas ensinaram ela a se proteger e foi o que ela fez durante dois anos, e foi quando eu vim... Dessa vez ela não se permitiu tirar a criança, ela jurou para si mesma que daria um jeito, e deu. Ela passava fome para guardar dinheiro para ter com o que pagar minhas roupas e fraldas no futuro, ela ficou anêmica na gravidez e quando eu nasci, eu pesava cerca de dois quilos só e era muito pequeno, todos achavam que eu ia morrer. Eu nasci num hospital, mas todo o acompanhamento durante a gestação, mamãe não fez... Ela só descobriu a AIDS porque detectaram o vírus em mim, se ela tivesse tido um pré natal decente eu poderia ser saudável, mas... -hesitou, não dava mais para voltar atrás. -Por incrível que pareça eu ter dezoito anos agora é muito mais do que qualquer médico algum dia previu para mim. Mas as despesas aumentaram, uma criança que vivia constantemente doente, eu usava roupas dela porque muitas vezes não tínhamos dinheiro ou as doações da igreja acabavam. Nós morávamos no bordel e minha cama era a banheira de nosso quarto, porque ela me trancava no banheiro todas as noites, as vezes recebia três ou quatro homens em uma madrugada e mesmo assim nunca era o suficiente -as lágrimas voltaram a correr por sua face -Eu passei fome, Junie, real mesmo, com dez anos eu pesava o que uma criança de seis deveria pesar, eu... As coisas nunca foram fáceis para nós e receber minha carta de Hogwarts de certa forma me salvou, nunca na vida tive mais do que duas opções de coisas para comer, recuperei muito minha saúde lá, vitaminas que me faltavam, foi quando eu comecei a crescer de verdade, ganhar peso, me curei da anemia. Eu nunca tinha tido uma cama só pra mim, sabia? -sorriu lembrando da primeira noite sua no castelo, trancou-se no banheiro e se beliscou várias vezes achando estar sonhando -Mas quando eu voltava para casa era a mesma coisa, sem comida, sem remédios. Eu nunca escolhi essa vida, mas mamãe precisava de ajuda e Jasper nunca permitiria que eu morasse no motel sem dar dinheiro para ele. -fez uma pausa longa, pensando bem nas palavras -Eu tinha dez anos quando ele me obrigou a fazer meu primeiro programa -estremeceu com as lembranças -Desde então, com meu dinheiro as coisas melhoraram um tanto, até conseguimos comprar mais coisas apesar de as vezes faltar. Não me orgulho disso, eu tenho tanto nojo de mim, eu perdi a conta de quantas pessoas diferentes me tocaram, Junie -soluçou -Meu corpo é sujo, minha alma também. Mas é o que eu tenho, é por causa disso que eu consigo comer as vezes, porque tem dias que eu fico sem por nada na boca por ter acabado todo o dinheiro. Eu não queria essa vida, e eu vou entender se tiver nojo de mim, eu sei que vender sexo é algo completamente... Indigno. Não tive escolha, eu nunca tive escolha -apertou mais o corpo do amigo -Não se afaste de mim por isso, por favor.