Criado em 7 de Julho de 2026
E a Negação da Existência e Sua Ascese ao Prazer
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Sabemos que a mente sempre deseja, e que o desejo quase sempre conduz ao vazio, ao sofrimento ou ao próprio tédio — que se manifesta quando o indivíduo, por não buscar nenhum de seus objetivos, é tragado pela apatia. A existência imbuída do tédio possui três formas schopenhauerianas. A Vontade é a força natural e impulsiva do mundo, o motor oculto por trás de todo movimento e o fundamento do próprio fenômeno; ela dita a condição geral que impulsiona o ser a procriar e o homem a caçar. O desejo, portanto, emerge desse núcleo volitivo e irracional que habita o indivíduo.A Representação, por sua vez, é a forma como percebemos a totalidade por meio do nosso intelecto e do nosso meio, estruturando tanto a dimensão interior quanto a exterior do sujeito. Para Arthur Schopenhauer, ela é a imagem que se descortina diante dos nossos olhos, definindo formas e contornos a partir do espaço, do tempo e da mudança projetados por nossa própria mente.Para além do tédio, o fato é que passamos os dias, a vida e os anos perseguindo metas a concluir. Quando fracassamos, somos arrastados ao sofrimento. O paradoxo do indivíduo reside aqui: seja por alcançar ou por falhar em seus objetivos, ele sofrerá pela privação ou pelo fardo de tê-los realizado. No centro dessa dinâmica, a consciência nos joga diante dessa engrenagem de dor, enquanto a razão tenta desesperadamente buscar uma causa e um ‘porquê’ para justificar toda essa existência.
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O sofrimento dentro do ‘Indivíduo’ ou ‘ser’ é de tamanha forma que sequer pode ser parado, apenas ‘Desviado’, apenas ‘enganado’. No dia a dia, os seres humanos sofrem apenas ao acordar, despertando a sua própria consciência e lembrando-se de seus problemas de ontem, que agora serão os seus problemas de hoje. Esse ‘Indivíduo’, apenas ‘entorpecido’ ou ‘enganado’ com suas ilusões e vontades impulsivas, engana o seu sofrimento temporariamente. Em formas gerais, acham que ‘perdem’ a capacidade de sofrer, mas estão apenas ‘anestesiados’ quanto à capacidade da ‘Dor’ Consciente. É a condição pela qual existem várias formas de desviar essa dor. As dores podem iniciar unicamente por um objetivo não concluído, pela falta ou pelo tédio; fora dessas formas, sempre são o ‘Padecimento’.
O sofrimento também pode sempre estar ligado ao ‘Prazer’, já que, para quem está sofrendo, o prazer também funciona como um gatilho para a ‘Ilusão’ ou para o ‘Entorpecimento’. Tudo o que possui o prazer sempre leva ao ‘Sofrimento’ depois. O prazer inicia um simples sistema de recompensa na própria mente, um sistema herdado da evolução, ativado quando você come ou corresponde a vários outros efeitos: comer, mijar, ver vídeos curtos, coisas ‘Gerais’ que sempre te recompensam com ‘Prazer imediato’ antes de você lembrar que está sofrendo ou em constante dor mental. Essa também é uma das formas ‘temporárias’ de anestesiar sua própria dor, como várias outras formas temporárias.
Não busco aqui sistematizar a dor, busco explicar o que é a dor e o prazer. A dor, como um todo da consciência e mente, é sempre algo que surge do nada se for casual, ou que tem um objetivo fixo vindo de algo que te feriu. De forma geral, é a dor que nunca pode ser curada, o sofrimento mental do ‘Indivíduo’ que sempre leva ao ‘Entorpecimento’ ou a ‘Ilusões’ para suportar essa condição, essa ‘falha’ Cognitiva.
Não só a mente, como o ‘Físico’, o corpo ou o da pele. Muitos evitam se machucar, outros superam essa barreira, que só ativa para avisar a mente que algo está errado. Para mim, isso é apenas uma prova dessa cognição, que é o sofrimento do ser — o sofrimento tanto físico quanto mental. As diferenças são pelas formas como são tratados: o mental apenas pode ser enganado; o físico também. Às vezes, tratada a dor, o corpo pode ser cicatrizado, mas, quando muito grande, a dor leva à própria morte ou, raramente, a estados como o coma profundo ou o desmaio. Ao que eu sei, quando o indivíduo está acordado, a dor extrema leva ao sofrimento e ele começa a delirar, como é o caso da ‘queimadura’ no corpo todo. Inclusive, a dor e o sofrimento não são a mesma coisa, mas sim interligam a mesma coisa quando a pessoa ou ‘indivíduo’ sofre. Apenas cito a dor física porque também ocorre como ‘sofrimento’, mas em si só falo da ‘dor’ ou ‘sofrimento’ da consciência. Digo isto para os que ‘dizem’ e falam para aceitarmos a ‘dor’ ou ‘sofrimento’: não existe esta aceitação, senão uma pessoa que foi carbonizada aceitaria de bom grado sua ‘dor’. Espero que tenham entendido.
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O ascetismo real é uma forma de negar todos os prazeres naturais da “vida” e da “existência”. Aqui, ele é visto como a negação da libido (ou impulso reprodutivo), de reduzir a Compulsão. O indivíduo comum não precisará negar a “si” as vontades necessárias para a sobrevivência, tampouco se autoflagelar; aqui, o indivíduo poderá comer quando sentir necessidade, atendendo principalmente às suas demandas comuns de sobrevivência.
Dentro do ascetismo do morimismo, há apenas a abnegação, a renúncia, a apatheia, a contemplação e o quietismo, que serão explicados mais adiante no texto. É uma forma árdua e nada simples de se seguir, mas na qual não se deve deixar abater.
As vontades ligadas ao prazer carnal e suas limitações concentram-se, aqui, apenas na continência sexual ou na castidade. Para seguir naturalmente o antinatalismo, o indivíduo deverá abrir mão apenas desses aspectos, que serão tratados nas páginas seguintes, após a explicação da visão da entropia.
Entropia Acidentalista e o Indiferente junto da Negação Da Existência
Para a dimensão cósmica Morimista, o universo é apenas indiferente. Não há finalidade, propósito ou destino pré-estabelecido; existem apenas objetos, fenômenos naturais e processos materiais que interagem em um universo caótico e hostil. Os acontecimentos decorrem da interação entre esses processos naturais e circunstâncias contingentes, sem obedecer a qualquer finalidade objetiva.
O que chamamos de acidente é o resultado da convergência de fenômenos naturais e condições imprevisíveis, e não a manifestação de um propósito oculto ou de uma vontade superior. O Acidentalismo Entrópico sustenta que a realidade se desenvolve por meio da desordem, da contingência e da transformação contínua, características inerentes à própria natureza do universo.
Essa é a base da Representação Morimista: um mundo material, indiferente, hostil e desprovido de finalidade intrínseca, no qual os acontecimentos não expressam um sentido oculto, mas apenas a dinâmica natural dos fenômenos que compõem a existência.
A Ética e a Contemplação Morimista
A ética morimista manifesta-se, como um todo, por meio da contemplação da arte. A música estabelece uma forma de ordem diante da desordem do universo natural, não como um concerto da realidade, mas como uma ordem contemplativa para a consciência do indivíduo. Seja a música produzida pela própria natureza — como o som das águas de um rio ou de uma cachoeira —, seja a música criada pelo ser humano, ambas podem servir como formas de descanso, repouso e contemplação. É por meio dessa contemplação que o indivíduo inicia sua ascese diante da vontade e do sofrimento.
A Apatia é a indiferença, é a imperturbabilidade do “Ser”. As coisas do mundo não o atingem mais — como o prazer, o materialismo e muito mais —, permitindo lidar com os impulsos biológicos e com as pressões sociais sem ser afetado por eles. As emoções já não turvam o julgamento racional.
O Quietismo seria um estado no qual o Indivíduo fica em silêncio e não julga. Fica apenas passivo diante de algumas coisas, não mudando ou agindo diante de certas coisas da vida; não julgar e não agir conforme o mesmo. É apenas a contemplação do mundo e sem desejos.
O Sopor e o Hipnos entram aqui como a suspensão da Vontade e o corte da dopamina em geral, onde o Indivíduo precisa dormir e entrar em repouso profundo.Meio de Dopamina e muito mais afetam nisso, principalmente vídeos curtos; é preciso cortar isso pela raiz através da desconexão e do sono pesado que desliga a mente. Já que qualquer meio de recompensa pequena se transforma também em um turbilhão de vícios e meios de prazeres maiores, o Indivíduo tem que se negar a tudo isso e, também, de maneira linear, negar o prazer sexual, recolhendo-se no sono como um refúgio intransponível contra o desgaste do mundo.
Inclusive, irei dormir neste momento, pois pensar em sistematizar filosofia é coisa de “Kant” e isso gastou metade do meu cérebro pensante.
Saindo da Ética e entrando dentro da Fisiologia realista do corpo humano
fisiologia humana no Morimismo
Como funciona o corpo humano na visão do Morimismo, com base na fisiologia e no organismo
Sob a perspectiva morimista, o ser humano é um organismo estritamente biológico e físico, composto por carne, ossos, órgãos e sistemas que atuam em conjunto para manter a vida.
A consciência, o pensamento, a memória, a linguagem e as emoções não existem separadamente do corpo, mas dependem diretamente do funcionamento do cérebro e dos demais órgãos essenciais.
Dentro do Morimismo a forma como Vemos o ser humano o coração é um dos órgãos essenciais para a manutenção da vida, pois bombeia o sangue por todo o organismo, aqui é utilizado para bombear o sangue, para veias sanguíneas e todo o organismo vivo e feito também para mantimento e preservação do corpo biológico, o coração também é responsável para levar sangue para o cérebro,e inclusive não é o centro das emoções; sua função biológica é bombear sangue para todo o organismo
Também feito para levar os Nutrientes para as células, resumidamente,sem o bombeamento do coração, o cérebro deixa de receber sangue oxigenado e nutrientes não correspondem ou vem a “falência” o corpo todo é mantido por funções essenciais que os órgãos têm que fazer, é como um sistema de computador, cada peça é essencial para cada função.
Sistema Endócrino - Sistema nervoso - Sistema reprodutor
Grande parte dos comportamentos relacionados ao prazer, à recompensa e à reprodução envolve a atuação conjunta desses três sistemas. Na visão do Morimismo, o ser humano tende naturalmente à busca pelo prazer. A redução dos prazeres reprodutivos e da autossatisfação sexual diminui a estimulação desses mecanismos biológicos, uma vez que esses sistemas participam da produção do desejo, da recompensa e da resposta sexual.
Negar-se ao prazer sexual também reduz naturalmente a atuação desses sistemas ou redireciona a busca por satisfação para outros meios que não dependem da atividade sexual ou da autossatisfação sexual. Assim, o indivíduo passa a buscar outras formas de prazer, como será explicado posteriormente na parte da Ética do Morimismo.
Nessa perspectiva, o indivíduo direciona sua busca para experiências como ouvir uma bela canção, assistir a um bom filme, acompanhar uma boa série ou até mesmo jogar, encontrando nessas atividades formas de satisfação que não dependem do prazer sexual nem da autossatisfação.
A vontade aqui é o mecanismo de prazer, reduzido apenas em “mecanismo de prazer satisfação, e algumas formas de manter o corpo humano vivo,mas aqui é apenas o prazer de auto satisfação.”
Somos organismos moldados para a sobrevivência por meio de necessidades biológicas. A fome, a sede, a necessidade de urinar e defecar, o desejo prazeroso e a busca por recompensa constituem mecanismos naturais desenvolvidos para preservar o organismo e garantir sua continuidade.
A Vontade manifesta-se justamente por meio desses impulsos biológicos. O indivíduo não escolhe nascer com eles; apenas os experimenta como parte de sua constituição fisiológica. A ascese morimista procura reduzir a influência desses impulsos sobre a consciência, sem negar a necessidade da manutenção do próprio organismo.
Negar completamente as necessidades básicas do corpo não conduz a qualquer elevação espiritual. Ao contrário, conduz apenas à falência do organismo, às disfunções fisiológicas e, por fim, à cessação definitiva da vida biológica ou, em alguns casos, à permanência de um organismo vivo, porém gravemente debilitado.
Dentro dessa perspectiva, o morimista busca apenas não ampliar o prazer proveniente do impulso sexual. A continência torna-se uma forma de negar a objetivação da vontade. Da mesma maneira, procura evitar o Mecanismo de Recompensa, compreendida como uma expressão desse mesmo mecanismo biológico de recompensa, buscando não se submeter a essa forma de prazer.
Lembrando, mais uma vez, que o ascetismo morimista não se fixa na negação das necessidades biológicas essenciais, mas na contenção dos mecanismos biológicos de prazer e recompensa, especialmente aqueles ligados ao impulso sexual e à autoestimulação. O Morimismo não conduz o indivíduo à negação de tudo o que é necessário à vida, nem ensina o autoflagelo ou a destruição do próprio corpo.
Sua ética ascética dirige-se apenas à moderação e à renúncia dos prazeres considerados expressões da vontade. Como dito anteriormente, o organismo necessita de alimento, repouso, hidratação e demais condições indispensáveis para manter o corpo saudável e os órgãos em pleno funcionamento. Negar essas necessidades não representa ascese, mas apenas compromete a própria vida biológica.
Além disso, se o leitor imaginar que negar todas as necessidades biológicas o conduzirá a uma forma superior de existência, engana-se. Ao fazê-lo, apenas aumentará o próprio sofrimento, pois o organismo humano depende dessas necessidades para manter seu funcionamento adequado. O cérebro necessita de boa alimentação, repouso e equilíbrio fisiológico para desempenhar plenamente suas funções cognitivas. Privar deliberadamente o corpo desses elementos não conduz à libertação da vontade, mas apenas à deterioração do organismo e ao agravamento do sofrimento.
O Morimismo, portanto, não é uma filosofia suicida nem uma defesa da autodestruição. Sua ascese limita-se à contenção dos prazeres que reforçam a Vontade, preservando sempre as condições essenciais para a manutenção da vida biológica. Caso o indivíduo enfrente dificuldades com vícios relacionados à autossatisfação sexual ou a outras formas de prazer compulsivo, recomenda-se simplesmente recomeçar a prática ascética. A recaída não representa um fracasso definitivo, mas uma manifestação da própria força da Vontade, que o morimista busca continuamente conter.
Sob a perspectiva morimista, o organismo humano não possui um sentido intrínseco de ordem metafísica. Sua única finalidade biológica é sobreviver e preservar a própria existência por meio dos mecanismos naturais desenvolvidos pela evolução. A fome, a sede, a dor, o medo e o desejo constituem expressões desse impulso de autopreservação. O que muitas vezes é interpretado como 'sentido da vida' não passa, para o Morimismo, da objetivação desses mecanismos biológicos,esta é a visão da filosofia sobre o organismo e o corpo humano.
Teologia Morimista com base na natureza humana
Se o termo 'Deus' puder ser empregado em algum sentido dentro do Morimismo, ele não designa um ser consciente, criador ou providente. Designa apenas a própria natureza: indiferente, impessoal e desprovida de qualquer intenção moral. A natureza não ama, não julga, não recompensa nem pune. Apenas existe e opera segundo seus próprios processos. A sobrevivência dos organismos decorre dessa dinâmica natural, não de um propósito divino.
Para o Morimismo, a natureza não se importa com o destino dos seres vivos; apenas impõe suas leis e seus processos. Rejeitar esse 'Deus' não significa combatê-lo — pois ele é inevitável —, mas recusar qualquer tentativa de venerá-lo, atribuir-lhe bondade ou encontrar nele um sentido para a existência.
A natureza, em sua totalidade, manifesta-se através dos impulsos, das emoções, dos pensamentos e da busca humana por significado. Esse conjunto constitui, no Morimismo, o 'Deus natural': não uma entidade consciente ou digna de adoração, mas a própria condição biológica que impulsiona o ser humano a buscar sentido para a existência. Contudo, sob a perspectiva morimista, a natureza não possui qualquer finalidade moral ou espiritual. Sua única finalidade é a sobrevivência do organismo. No fim, todos os seres vivos apenas procuram manter-se vivos, preservando sua própria existência diante de um universo indiferente e hostil. Não me refiro aqui à Vontade de Schopenhauer, mas à natureza biológica compreendida como uma força impessoal, indiferente e desprovida de intenção.
Antinatalismo Morimista e Individualista.
Dentro do Morimismo, o Antinatalismo não consiste apenas na negação da existência por meio da recusa em colaborar com sua continuidade, mas também na rejeição do sentido tradicionalmente atribuído à reprodução humana. A procriação deixa de ser compreendida como um fim natural ou um dever do indivíduo e passa a ser uma possibilidade conscientemente recusada. Trata-se, portanto, de uma escolha estritamente pessoal e individual, decorrente da ascese morimista. O antinatalista individual rompe simbolicamente com a continuidade de sua própria linhagem, recusando-se a perpetuá-la como se ela não devesse prosseguir por meio de si.
o Antinatalismo não só é seguido para a negação contra a “existência” como “colaborar” com o seguimento de uma linhagem, como também nega o sentido pelo qual é feito o ser humano como colaboração com o sentido essencial de “fazer filho” aqui o sentido é negado, como também é pessoal e individual.
Entretanto, reconhecer essa condição biológica não significa submeter-se passivamente a todos os impulsos que dela decorrem. O Morimismo distingue aquilo que o organismo naturalmente produz daquilo que o indivíduo escolhe cultivar em sua consciência. A natureza impulsiona; ela não determina um dever moral nem estabelece um sentido para a existência. A ascese morimista consiste justamente em reconhecer esses impulsos sem transformá-los em fundamento da própria vida, buscando reduzir a influência dos prazeres que reforçam a submissão da consciência às exigências biológicas. Assim, a sobrevivência permanece uma necessidade do organismo, enquanto a renúncia aos prazeres torna-se uma escolha filosófica do indivíduo.
Em síntese, o antinatalista individual apenas escolhe não ter filhos nem dar continuidade à própria descendência, por uma convicção filosófica e pessoal.
Dentro da Recessão Ontológica, o morimista busca desvincular-se das representações impostas pela cultura, pela religião, pelo otimismo e pelas moralidades alheias. Seu objetivo não é substituir um dogma por outro, mas afastar-se das concepções prontas sobre o mundo, recusando sentidos e obrigações herdados da sociedade. Ao romper com essas estruturas, o indivíduo busca contemplar a realidade por si mesmo, sem se prender às expectativas, crenças ou finalidades impostas pelos outros. Nesse processo, aceita tornar-se um "homem sem rumo", encontrando na contemplação — especialmente por meio da música e da arte — um espaço de repouso para a consciência.
Para o Morimismo, o mundo e a existência são naturalmente vazios de finalidade e propósito intrínsecos. Entretanto, essa ausência de sentido não é compreendida como um mal em si, mas como a libertação da necessidade de obedecer a um significado previamente estabelecido. O vazio deixa de ser uma condenação e torna-se a condição pela qual o indivíduo pode contemplar a realidade sem ilusões.
A Recessão Ontológica é o processo pelo qual o indivíduo recua das representações impostas pela sociedade. Trata-se de uma retirada existencial da cultura, dos dogmas, das moralidades e dos sentidos herdados, permitindo que a consciência contemple a realidade sem as estruturas previamente estabelecidas pelo outro.
rejeitar as estruturas os sentidos herdados,e culturais
O Morimista adota essa postura por compreender que a cultura frequentemente transmite uma visão otimista da existência. Ao distanciar-se dessa cultura, busca também romper com o otimismo herdado e com os sentidos que lhe foram impostos ao longo da vida. Ao rejeitar essas estruturas culturais, deixa de aceitar como obrigatórias as interpretações predominantes da sociedade, recusando a necessidade de enxergar o mundo segundo as expectativas, crenças e valores alheios.
Sem valores o Morimista segue como um “Homem sem Rumo” mas apenas não tocando a existência, mas a vendo como o mundo ou existência realmente é, dessa forma o Morimista arruma um objetivo intrínseco que é a contemplação da existência da forma que ela se deve ser, e não uma forma iludida, sem ao menos poder Toca-la.
No Morimismo, o sentido não é uma propriedade do universo, mas uma escolha do indivíduo. Para o morimista, esse sentido consiste na busca pelas ideias e pelo conhecimento.
Dogmas e Religião transição Iluminista.
Aqui, o Morimista também rompe com a religião e com os dogmas em geral, adotando uma perspectiva mais próxima do pensamento iluminista, fundamentada na razão e na investigação crítica da realidade. Ao afastar-se da religião, rompe igualmente com as explicações existenciais baseadas em interpretações divinas ou sobrenaturais da existência.
Da mesma forma, ao rejeitar o otimismo presente em diversas tradições religiosas, o Morimista preserva sua própria representação da vida, da existência e da sociedade, recusando a necessidade de fundamentar o mundo em promessas, finalidades transcendentes ou esperanças impostas pela fé. Para o Morimismo, a única forma legítima de compreender a realidade é por meio da investigação racional, baseada na observação, na análise crítica e naquilo que pode ser efetivamente constatado. A razão investigativa constitui o caminho para compreender a natureza do ser humano e do mundo, rejeitando explicações fundamentadas em elementos sobrenaturais ou em afirmações sem comprovação.
a Não-Existência do Indivíduo em Sociedade dentro do Morimismo
No Morimismo, "negar a existência" não significa negar a vida ou desejar a morte. Refere-se ao afastamento voluntário das estruturas sociais e das representações impostas pela sociedade. O indivíduo continua existindo biologicamente, mas busca viver sem fundamentar sua identidade nas expectativas, nos valores e no reconhecimento dos outros.
A Ilusão Por Trás da Alma Emoções é o'que mantém o humano Vivo
Dentro da Visão Morimista a alma não existe ou possui um significado presente, para o Morimista o ser humano é um conjunto de carne, e adaptação natural, junto do próprio cérebro como as partes responsáveis pelas emoções, já foi explicada lá em cima.
Alma como Responsável da: identidade
Dentro de algumas Religiões e visões a alma muitas vezes é vista como “Identidade” onde o Indivíduo só é o que é por sua “Alma” ou “Identidade” pois digo aqui que não é bem assim que funciona
A identidade do ser humano não é algo fixo ou imutável. Ela pode ser modificada, adaptada e construída ao longo da vida por meio das experiências, das ideias e das escolhas do próprio indivíduo. No Morimismo, identidade não se refere apenas à personalidade como uma descrição psicológica, mas àquilo que o indivíduo reconhece como sendo "si mesmo": os valores, convicções e concepções que adota, preserva, transforma ou rejeita ao longo da existência. Embora muitos desses elementos se consolidam durante a adolescência, eles não permanecem necessariamente inalterados, podendo ser continuamente revistos. Essa compreensão dialoga, em parte, com reflexões de Carl Jung sobre o desenvolvimento da identidade, embora o Morimismo lhes atribua sua própria interpretação
A identidade também é uma forma pela qual a consciência do indivíduo reconhece a si mesma. Ela manifesta-se naquilo que o próprio indivíduo identifica como sendo "ele": suas lembranças, preferências, valores, comportamentos e características que considera parte de quem é. Em alguns casos, esse reconhecimento pode estar associado a símbolos, cores, objetos ou outros elementos com os quais se identifica.
As mudanças na identidade não decorrem de algo sobrenatural ou ficcional, mas das experiências vividas, das escolhas realizadas, das transformações emocionais e da aceitação ou rejeição de determinadas ideias ao longo da vida. Nesse aspecto, essa compreensão dialoga parcialmente com as reflexões de Carl Jung sobre o desenvolvimento da identidade, embora o Morimismo lhes atribua uma interpretação própria.
Na concepção do Morimismo, a identidade é uma construção da própria consciência. Não existe uma alma que resume aquilo que o indivíduo é; existe um processo contínuo de formação baseado nas experiências, na memória, nas escolhas e na forma como cada pessoa compreende a si mesma. Por isso, cada indivíduo constrói uma representação de si, expressa em seus gostos, valores e na imagem que faz de sua própria existência.
Continuidade após a morte (céu, inferno, reencarnação etc.).
Para o Morimista, a morte faz parte da própria natureza e do naturalismo. Não há uma alma que deixe o corpo. Da mesma forma, a morte é um processo biológico que ocorre quando o organismo deixa de sustentar a consciência e a vida. Ela acontece quando o corpo sofre danos irreversíveis, como lesões graves no cérebro, comprometimento de órgãos vitais, perda excessiva de sangue ou outras condições que impossibilitam a continuidade da vida.
A morte, portanto, nada mais é do que um fenômeno natural, assim como o próprio tempo, que segue sempre adiante. Esse tema será desenvolvido com mais detalhes na parte do Moribundo.
O indivíduo morimista acredita que não existe Paraíso, Inferno ou qualquer forma de continuidade da consciência após a morte. Tudo o que compõe o ser é a sua identidade, construída ao longo da existência, e não uma alma. Quando esse ser perde definitivamente a consciência e sua identidade deixa de existir, resta apenas a matéria do corpo. Tudo o que poderá ser conhecido sobre esse indivíduo permanece apenas naquilo que ele deixou no mundo.
Assim, para o Morimismo, a morte conduz o indivíduo à inexistência: não como um lugar ou estado espiritual, mas como a ausência completa da consciência. Resta apenas a decomposição da matéria; além disso,restam apenas os fragmentos de sua passagem pelo mundo.
Não apenas isso, a natureza é algo comum ao ser humano. Ela é a representação da entropia e do acidentalismo. Representa o caos e a forma como o real acontece. A razão manifesta-se quando o indivíduo se depara com esse caos, sendo a morte a expressão da própria naturalidade do ser humano.
Como Schopenhauer uma vez disse, "a vontade de viver é cessada". A vontade de viver representa, aqui, o fim da vida para o ser. O que mantinha o indivíduo era apenas a sua própria "vontade", representada aqui como o "egoísmo da vida". Quando essa vontade cessa, também cessam suas lutas e suas aflições, que não passavam de obras do mundo e de sua vontade natural de sobrevivência e busca por sentido.
Emoções (em certas crenças) como uma forma de Alma
Na visão Morimista, as emoções não são a alma, mas sim mecanismos naturais da mente e do organismo para lidar com situações difíceis e complexas. A dúvida, por exemplo, diante de algo curioso e misterioso, pode levar o ser humano à reflexão, à formulação de ideias e à busca pelo conhecimento. Da mesma forma, experiências de caos, conflitos e dificuldades do cotidiano podem conduzir à tristeza ou a um profundo ressentimento.
Assim, as emoções não constituem uma "alma", mas fazem parte do funcionamento do sistema nervoso e de outros sistemas responsáveis pela defesa e pela autopreservação do organismo. O medo é um grande exemplo disso: trata-se de uma emoção que favorece a sobrevivência, embora, em algumas crenças e religiões, possa ser interpretado como uma manifestação da alma ou do espírito.
O sistema nervoso e o sistema endócrino atuam em conjunto, da produção e da regulação de grande parte das emoções, como o medo, a raiva, a alegria e a tristeza. Essas emoções são mecanismos naturais que contribuem para a sobrevivência do organismo e também para a comunicação entre os indivíduos, permitindo que percebamos rapidamente mudanças no estado emocional das outras pessoas.
A tristeza, por exemplo, pode funcionar como uma forma de adaptação diante de perdas ou do luto. Por isso, o choro não deve ser entendido como um sinal de fraqueza, mas como uma resposta natural do organismo. Reprimir constantemente as emoções pode dificultar a forma como o indivíduo lida com elas e também comprometer seus vínculos sociais e familiares.
Entretanto, o ponto central do Morimismo não é discutir a utilidade das emoções, mas afirmar que elas não constituem uma alma ou um espírito. Para essa filosofia, as emoções são apenas manifestações naturais do organismo humano, desenvolvidas como formas de adaptação à vida cotidiana.
Qualquer discussão sobre o Morimismo representar uma 'verdade sobre tudo' não passará de uma discussão. Não pretendo alterar minhas posições sobre ontologia, ascetismo, antinatalismo, materialismo e demais fundamentos da filosofia. Quem discordar é livre para desenvolver sua própria versão do Morimismo ou elaborar uma filosofia diferente, pois não é possível agradar a todos os leitores nem às suas diferentes visões e representações.
Como ocorreu com diferentes versões de outras filosofias, como o 'Pessimismo Radical' e o 'Pessimismo Heroico'. Ambos pertencem à tradição do pessimismo, mas um admite uma forma de redenção, enquanto o outro a rejeita.
Como ocorreu com diferentes versões de outras filosofias. Ambos pertencem à tradição do pessimismo, embora apresentem diferenças quanto à possibilidade de redenção.
Vertente Moribundista dentro do Morimismo,e a Uniformidade da Morte e a direção ao fim,e como o Morimista Encara Isso:
O morimista encara a morte como um acontecimento natural. Ao mesmo tempo, valoriza o aproveitamento de aspectos essenciais da vida, como a música, os filmes, as séries, os livros e os meios de conhecimento, compreendendo-os como formas de contemplação e de passagem do tempo. Assim, aceita a morte com naturalidade, da mesma forma que uma pessoa comum aceita um 'sim' ou um 'não'.
Para uma pessoa comum, a morte dificilmente é um pensamento positivo ou recorrente. Já o morimista compreende a vida como uma transição para a morte. A morte é apenas o reconhecimento de que não passamos de seres temporários no mundo e de que não somos eternos.
A simbologia do Moribundismo representa justamente essa não eternidade, ou o reconhecimento de que estamos constantemente caminhando para a morte. Dentro do Morimismo, trata-se de uma forma de reconhecimento da condição humana, e não de uma negação da vida.
Essa simbologia também representa a igualdade entre os indivíduos. Diante da morte, as diferenças de ego, posição ou prestígio perdem importância, permanecendo apenas a condição comum de todos os seres humanos: a finitude.
Paradoxalmente, essa perspectiva pode ser compreendida de maneira otimista, e não apenas pessimista. É justamente ao reconhecer que estamos destinados à morte que a vida passa a adquirir um certo valor, pois cada momento torna-se limitado e irrepetível
No meio disso, o indivíduo começa a valorizar o próprio tempo, buscando aquilo que lhe desperta interesse: apreciar uma boa refeição, ouvir uma bela música ou, como dizia Schopenhauer, "tocar uma flauta". Trata-se de um "otimismo" aparente, pois o verdadeiro sentido não surge da esperança de um futuro ideal, mas da busca por aquilo que ainda pode ser contemplado ou experimentado.
O mundo das ideias possui uma luz amarela fraca: uma luz que permanece acesa mesmo no interior do buraco escuro. Não se trata de vencer a escuridão, mas de aprender a habitar nela sem sucumbir, tornando-se resiliente diante de sua presença. É isso que significa ser um moribundo dentro do Morimismo
Ser pessimista não significa ser um homem deprimente. Como Nietzsche observa em Além do Bem e do Mal, o pessimismo não precisa ser confundido com fraqueza ou abatimento. No Morimismo, o moribundo é aquele que encara a vida e a si mesmo com realismo, reconhecendo a própria finitude sem abandonar a capacidade de contemplar aquilo que ainda possui valor.
“É sobre caminhar no abismo da sombra de si mesmo, sem se deixar abater diante do Caos e do padecimento, com a Existência em Decomposição ou em falsa regressão, possuindo em si a luz amarela meio fraca, mas que ilumina seus pés e o caminho à frente.”
"Se a vida é caótica, então caminhar pelo caos natural, sem ceder ao abismo e mantendo acesa a própria luz, é o verdadeiro motivo da contemplação.”
"Não viva como se quisesse morrer, mas sim como se estivesse morto; assim aprende a se colocar lado a lado aos que já se foram, e vive melhor da forma que puder entender.”
"Em nossa vida, podemos morrer três vezes; ainda assim, continuamos vivendo depois de cada uma delas.”
"Perder nossa fé, moral ou identidade é uma forma de entrarmos em luto e morrermos três vezes; o nascimento surge da forma essencial em que, ainda assim, decidimos viver.”
"A luz aqui não é uma forma de salvação ou asas para fora do abismo, mas sim um guia para caminhar dentro dele, sem cair na escuridão completa ou se perder no escuro.”
A Torre Pessoal, como Metáfora
Dentro do Morimismo, a Torre Solitária, ou Torre Pessoal, é a torre para a qual o Morimista — assim como o pessimista ou niilista — se recolhe. Nela, o indivíduo se afasta dos pensamentos comuns, das crenças e dos dogmas compartilhados, voltando-se para a contemplação. O indivíduo não sobe à Torre com facilidade; e, quando sobe, já não desce. Se desce, morre. A subida foi árdua demais para que haja retorno. O isolamento torna-se a forma pela qual o moribundo compreende que apenas ele, ou aqueles que alcançaram a mesma contemplação, podem compreender sua condição.
A Torre, coberta de espinhos, é o lugar para onde o intelecto do indivíduo se dirige em busca do próprio isolamento, dos próprios conhecimentos e das próprias ideias. Assim, o Morimista acaba naturalmente isolado em sua Torre Pessoal, preservando e fechando o seu mundo das ideias.
Os espinhos são como a morte do indivíduo, que sobe e se machuca em cada subida; suas ilusões são mortas uma por uma, até que compreenda o que significa a Torre, pois a Torre não se ergue sobre a terra, mas sobre a consciência. Seu habitante continua entre os homens, porém já não habita o mesmo mundo de ideias.
A Torre Solitária não é só uma metáfora literal, como a forma em que o indivíduo se isola dos demais na realidade, criando uma certa parede real, no caso. Viver é sair pra se divertir e viver de puro hedonismo, aqui o indivíduo cortar o “viver” e o “hedonismo” o indivíduo viver isolado na torre buscando uma forma de aprender e conhecer,negando o viver ou a “existência” das coisas que existem além da sua torre, ou além das suas muralhas, ignorando as coisas que existem lá fora, dentro da torre a única coisa que se difere é o'que existe dentro de sua torre,fora da torre já é “existir” não só isso, familiares dentro de sua não contam como algo que “interfere” no seu isolamento, mas sim pessoas com os quais não possui conexões, é como uma “área” e seus familiares já estavam ou moram nesta área antes.
A Torre funciona como uma contemplação também, um tipo de “castelo” pessoal, ou apenas algo que pertence à Consciência e também que funciona como um conforto ou área do indivíduo que o separa da “existência” ou “real”.
E isso também não quer dizer que eu seja alguém totalmente triste. Na realidade, ainda aproveito o ‘agora’, o presente; ainda estou presente. Não olho para o futuro, mas permaneço no agora.
Dentro da Torre as pessoa, no caso, “Famíliares” são apenas seus “Rivais” de Ideias ou de representação diferente da sua, e não seus inimigos, como um “otimista” e um “péssimista” e assim por diante,aprender a respeitar os ideais e formas e representações de outras pessoas é o'que representa um Morimista
Eles não são seus inimigos reais. Você não irá acabar com a forma como eles pensam apenas por acreditar que o mundo é aquilo que você considera ser. Se você acredita que o mundo é uma ‘ilusão’, tudo bem, você acredita nisso. Mas enfiar sua filosofia na goela de outras pessoas apenas irá igualá-lo à própria filosofia, transformando sua representação em dogma — justamente aquilo que você tanto reprime e detesta.
Digo isso pois na forma comum, dentro do Morimismo a responsabilidade por essa “visão” é não espalhar justamente ela como uma forma “ignorante” ou “arrogante” o Morimista apenas “observa” as coisas enquanto fica em silêncio,pois sabe que possuem suas diferenças e dinâmicas diferentes de si.
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