“Porque, se não fosse, não seria eu.” E estava ali, o que seus melhores amigos sempre diziam: Rylina, se você não fosse de outro mundo, com certeza seria da nova Wonderland. Não só pela inspiração de transformar suas palavras em charadas, mas o conjunto de toda obra. As roupas, os acessórios, a expansividade diretamente proporcional a timidez aterrorizada de dentro. Rylina, a caixinha cheia de surpresas! “O Coelhão. Tá certo com s, jovem. Eu acredito nesse Páscoa em dezembro.” Girou os olhos nas órbitas, o rosto numa expressão de quem não acreditava nada. Só que… Klaus não mudava aquele sorrisinho. A aprendiz arregalou os olhos. “Ele fez um pudim de cenoura? Klaus… Coelhão. Nosso Coelho da Páscoa. Tio Bunny. O que não- Ele cozinhou isso? Digo, ajudou a cozinhar isso??? É isso, hoje eu não saio mais do quarto.” Casita seria a única a protegê-la caso começasse a chover dentro do quarto, ou o castelo da Academia fosse invadido. Alguma coisa tinha acontecido, as fundações daquele mundo estavam comprometidas! O que era triste, porque a Tully tinha amado viver ali, no capítulo posterior aos Felizes Para Sempre. “E se eu colocar uma plaquinha do lado de fora? Ou fazer a porta… Já sei! Todos os dez da nossa família vão dizer se estou ocupada ou não, que tal?” Mesmo não tendo assistido o filme, a porta do quarto da ruiva seria os guardiões e seus aprendizes na pose clássica de família grande. Quando um estava de saco cheio e o outro queria fazer brincadeiras! Um empurrando o outro, duas pessoinhas se abraçando e risadas. Congelados no momento de ápice da confusão gostosa. Seria fácil deixá-los mexer um pouquinho, a Casita comunicando o real estado da ruiva para visitas. “Eu sei, eu sei, fofinho, mas é a triste realidade da única coisa que posso ‘esfregar’ na cada de vocês. Papai Noel e Coelhão tem um dia no ano, Jack Frost tem os dias de neve. Sandman precisa das pessoas dormindo. Toothiana? Seja quente como o Equador ou frio como Islândia, dentes vão cair. Vou perguntar para Toothie e Titio Noel se você pode vir comigo na próxima.” Esfregou o ombro do irmão com carinho, a cabeça deitando no ombro rapidamente só para mostrar que estava do seu lado… Que não queria dizer aquilo tudo, só brincadeira. Rylina fungou e deu de ombros. “Contraproposta: Você fala tudo dessa calda que você quer se lambuzar e eu conto minha história em detalhes. E você vai ter que dormir comigo!” Não permitindo uma nova proposta depois dessa, a Tully encerrou o assunto com um aceno definitivo de mão. “Se vocês se pegam, então não é- Oh!” Por que ainda insistia em começar a sessão comentarista antes de terminar tudo? Agora estava ali, piscando feito um besta, e sentindo o rosto esquentar cada vez mais. “Mas- É- Klaus- Hm- Legal. Cool cool cool cool cool. Me dá dois segundos.” Respirou profundamente duas vezes, zero efeitos sentidos. “O sexo é algo combinado ou coisa que apareceu? Tipo, foi Amizade Colorida? Justin e Mila combinando os termos de não- Você entendeu. Porque, independente, esclarecer pode ser o melhor? Porque pode ter a chancezinha de que ele pensa a mesma coisa e tem medo de você ser aquele que não quer nada a mais?” A voz esganiçava perto das palavras relacionadas ao ato, mas ganhava confiança no emocional. “E em algum momento isso vai ter que acontecer. Se aparecer outra pessoa? Se um de vocês arranjar um amorzinho? Você pode começar sondando o território, talvez? Comentar de sentimentos e relacionamento.” Tinha até esquecido da comida nesse meio tempo, o prato levado perto da boca para dar a primeira colherada. “Não, Klaus. Vai estragar a noite. Fala mais um pouco dele.”
Argumento da vitória, foi o Klaus pensou naquele momento, uma das coisas que fez com que o garoto confiasse na mulher facilmente, era exatamente o fato dela ser muito diferente dele. E sempre parecia uma novidade quando estava com ela, para alguém com um espírito caótico como ele, era até bom ter alguém imprevisível por perto. “Não acredita?” Brincou, do jeitinho pentelho dele de ser e fez uma careta. “Eu cozinhei, ele me ensinou a receita, cortou as cenouras e quebrou os ovos, foi isso” Ajuda é uma palavra forte para o velho coelho que ficou mais tempo reclamando do que realmente fazendo alguma coisa. “E tem o adendo dele ainda achar que sou uma criança, me deu facas de plástico e ele quem ligou o forno porque eu poderia me queimar…” Revirou os olhos, existiam duas extremidades naquela família, Bunnymund era o extremo do cuidado. “Foram duas horas tentando cortar uma cenoura, foi aí que eu desisti e entreguei pra ele a função” Suspirou.
“Está bem, eu quero esse sistema, espero que esteja falando sério” Quando era organizado, ficava mais fácil para o menino noel, ainda que se sentia inseguro com qualquer coisa relacionado a sua família, demorou alguns anos para começar a nomea-los dessa forma, ainda não conseguia ultrapassar o limite de entrar em quartos sem formalidades. “Tenta perguntar quando vocês forem pra Coreia” Soltou no ar como quem não queria nada, talvez aquela fosse a sua oportunidade de conhecer o país no qual ele havia nascido, mas que nunca mais colocou os seus pezinhos naquele lugar. Acariciou os cabelos dela de um jeitinho desajeitado, porque essa coisa de carinho era novo para ele ainda e não sabia como retribuir tais gestos. “Contraproposta aceita” Fazendo um gesto com a cabeça para reforçar a resposta, sentindo o rosto esquentando a medida que Rylina veio com os comentários e logo veio com perguntas, Klaus não teve muito tempo para falar, apenas murmurou que sim ou quase em alguns momentos, até que conseguisse a brecha necessária para poder responder.
“Certo” Quando a irmã pareceu se localizar naquela confusão que Klaus havia colocado sobre a bandeja, ele também precisou respirar fundo antes de falar. “Eu que trouxe o sexo pra relação, porque eu pedi… mais ou menos…” Murmurou o final da frase em voz baixa e desviou o olhar, lembrando-se da cena que foi. “Acho que intimei ele… é, esse termo combina mais. Enfim, eu queria que ele fosse a primeira pessoa que relacionasse comigo, então foi aí que começamos a transar. Mas não teve termos, eu só falei — Quero perder a minha virgindade com você — E ele aceitou, foi bom pra nós dois, então continuamos” Deu de ombros como se naturalizasse a ação, quer dizer, super normal um amigo pedir pra transar com o outro do nada. “Eu relutei um pouco pra me dar conta disso, mas…” Abaixou o olhar um pouco incerto. “Acho que foi ali que me apaixonei por ele e eu nunca falei nada porque… bem… impossível ele gostar de mim, sei lá” Sorriu sem jeito e suspirou com o segundo ponto, no qual a própria irmã havia tocado e até Klaus já tinha falado no vídeo que postou no spellgram sobre sua sexualidade. “O problema é que já existe um amorzinho, ao menos na minha parte… eu não gosto só dele e não penso só nele, é igual pros dois, não gosto mais de um do que do outro… mas o Maple é o mais seguro pra me arriscar e se ele disser que não me quer, acho que posso lidar melhor com isso, porque o outro…” Mordeu o lábio inferior, não conseguindo concluir aquela frase. “Eu não quero perder nenhum dos dois, mas o Maple tem mais experiência, é mais maduro, me conhece bem e eu confio nele, eu quero que ele seja o meu primeiro amor também”