Apesar de ter ido dormir tarde e tido uma péssima noite de sono por conta de seus sonhos, Alexandra Lehnsherr havia acordado com o sol, como sempre. Ser filha do deus do sol tinha suas vantagens, mas aquela com certeza não era uma. E ela sabia que seus irmãos concordavam, pois o chalé atrás de si zumbia com vida e murmúrios cansados enquanto o resto do acampamento ainda estava silencioso. O sol se erguia lentamente no horizonte, pintando o céu com uma cor alaranjada. E por mais que quisesse mais que tudo voltar a dormir, ela não conseguia não admirar a beleza do nascer do sol — e ponderava distraidamente se valia a pena uma ida a praia àquela hora.
A mulher soltou um forte suspiro, esticando as pernas sobre a escadas da varanda, o livro de matemática balançando precariamente no colo. Era a única do lado de fora, como sempre, e sabia que não estava na sua melhor forma, olheiras debaixo dos olhos, pele anormalmente pálida, ombros caídos e emanando exaustão. Mas simplesmente não conseguia viver sem seus momentos de quietude antes do dia começar de fato — por isso era sempre a primeira a sair do chalé quando o risco de ser atacado pelas harpias passava. Ou pelo menos era isso que achava, até ver alguém passar a sua frente, e ao não reconhecer de imediato, Alexandra falou: “Hey! Você tá bem?” era uma visão anormal, ver alguém ali aquela hora.
Aquela parecia ser mais uma noite sem dormir para o filho de Afrodite, mais uma de muitas. Desde a maldição de Hades, fazia já quase dois anos que o moreno não passava mais de dois ou três dias sem os pesadelos e terrores noturnos. Já se tinha acostumado a dormir pouco, afinal, quando acordava de algum pesadelo era difícil voltar a adormecer, às vezes conseguia com ajuda dos irmãos, mas hoje não era uma dessas noites. Saindo do chalé e tentando ao máximo passar despercebido, foi até à praia, levando consigo uma toalha um caderno e o lápis para desenhar. Esteve lá perto de duas horas, sempre de olho em alguma harpia de modo a não ser atacado, mas aproveitara para se descalçar, sentar na areia e terminar o desenho que havia começado há semanas atrás. Podia não conseguir dormir mas a verdade é que sempre tentava ser produtivo naquelas horas após os pesadelos. O que não esperava era que o tempo passasse tão depressa, afinal, quando deu por si, o sol já nascia no horizonte, talvez devesse aproveitar para tentar dormir um pouquinho antes dos treinos de arco e flecha. Com um pequeno suspiro, voltava para o chalé, quando ouviu a garota falar. “Hey!” Sorriu colocando a mão sobre a testa de modo a fazer alguma sombra nos olhos. “Está tudo bem só... Não conseguia dormir. E você?”




















