Espelho
Quer me conhecer? Veja minhas reflexões, filosofias, poesias e infortúnios no Tumblr. Veja meus republicados no TikTok e como sou simples de dar risada. Me adiciona no Twitter, que é quase que meu corpo do avesso, mas com uma carga bem sarcástica.
Mas, ainda assim, isso tudo não vai ser suficiente.
Porque me conhecer não é só percorrer o que eu deixo visível, organizado em palavras bonitas ou vídeos de poucos segundos. Me conhecer é entender o que fica nas entrelinhas, o que eu não posto, o que eu apago antes de publicar, o que eu sinto e não sei nomear.
É perceber que minhas reflexões não surgem do nada; elas nascem de dias confusos, de noites silenciosas, de pensamentos que me atravessam sem pedir licença. Cada filosofia que escrevo é uma tentativa de organizar o caos dentro de mim, como se eu pudesse transformar dúvida em sentido, ou pelo menos em algo que pareça suportável.
Minhas poesias não são só estética. São fragmentos. Às vezes são gritos disfarçados de metáfora. Outras vezes, são só uma forma bonita de dizer que doeu, e ainda dói. E meus infortúnios… esses não precisam de muita explicação. Eles aparecem nos detalhes, nos excessos, nas ausências, nas vezes em que eu me perdi tentando ser algo que não sei se sou.
No TikTok, você talvez veja leveza. Risadas fáceis. Um lado meu que gosta do simples, do espontâneo, do agora. E isso também sou eu. Não é máscara, é só uma versão menos pesada, uma pausa entre pensamentos densos. Porque, apesar de tudo, eu ainda sei rir. E gosto disso em mim.
Já no Twitter, ali talvez você chegue mais perto. Não de tudo, mas de algo mais cru. O sarcasmo não é só humor, é defesa, é filtro, é jeito de dizer verdades sem me expor completamente. É onde eu deixo escapar o que penso rápido demais, o que sinto sem muito cuidado, o que às vezes nem eu mesma entendo.
Mas quer mesmo me conhecer?
Então entenda que sou contradição. Que posso ser profunda e superficial no mesmo dia. Que posso falar sobre o sentido da vida e, minutos depois, rir de algo completamente bobo. Que nem sempre o que eu mostro corresponde ao que eu sinto, mas também não é mentira.
Sou feita de camadas. Algumas acessíveis, outras nem eu mesma alcancei ainda.
Me conhecer é ter paciência com meus silêncios. É não exigir respostas prontas. É aceitar que, às vezes, eu vou me afastar um pouco só pra me reorganizar por dentro. É entender que intensidade não é exagero, é só a forma que eu existo.
E, acima de tudo, me conhecer é não tentar me reduzir.
Porque eu não sou só minhas redes, nem meus textos, nem meus momentos bons ou ruins. Eu sou o conjunto de tudo isso, e também do que nunca vai ser dito em lugar nenhum.
Então sim, quer me conhecer? Começa por lá.
Mas fica, se quiser descobrir o resto.














