sobre ter sorte nessa vida brincalhona
eu abri caminho sem me preocupar em ser gentil. vai que eu perco de vista e não encontro mais? também parei e olhei ao redor um tanto agoniado, sem medo de parecer ansioso. eu já tinha perdido de vista, mas vai que eu acho novamente. subi nos bancos para ver mais do alto, nem aí para quem apontasse "ó praí que cabra ridículo". imagina se assim eu consigo.
achei.
entender a sorte que são alguns momentos às vezes demora. esbarrar naquela coisa única e impossível de imitar é sorte. ganhar um sorriso e um olhar, se deparar com a infinita simplicidade das tantas energias positivas, ter ao lado tanta inspiração emanando de um mesmo ser, tudo isso é sorte. não é mérito, não é karma, não é justiça divina. é sorte. e é lindo.
sorte é transformadora. na sua aleatoriedade reside a chance de repensar, de escolher melhor. por isso que a gente agarra, por isso que mesmo a sorte sendo injusta com quem de repente “merece mais”, a gente sai tirando todo mundo da frente no rebuliço de pessoas que é esse mundo gaiato para poder segurá-la pela mão e trazer pra perto do peito assim sem vírgula no aperreio. achado não é roubado.
não sei como entendi que aquele segundo, aquele brevíssimo segundo, era minha sorte dizendo "olá". só sei que quando eu a abracei meu sangue fluiu todo pro lado dela. no meio do abstrato daquela noite eu me transformei.



























