11 Palavrinhas que toda garota deveria aprender
Homens interrompem mulheres, cortam enquanto estão falando e descreditam suas contribuiçÔes com uma frequencia impressionante. à assim que as mulheres poderiam reagir.
âPare de me interromper.â
âAcabei de dizer isso.â
âNĂŁo preciso explicar.â
Na quinta sĂ©rie, ganhei o prĂȘmio de gentileza da escola. Em outras palavras, ganhei por ser educada. Meu irmĂŁo, em oposição, era considerado o palhaço da turma. NĂłs fomos socializados como os tĂpicos "mocinha" e "moleque sendo um moleque". De modo global, as liçÔes de boas maneiras na infĂąncia sĂŁo assimĂ©tricas quanto aos gĂȘneros. Socializamos meninas para esperarem sua vez, ouvirem atentamente, nĂŁo falar palavrĂ”es, e aguentar interrupçÔes de maneiras que nĂŁo esperamos dos meninos. Colocando de outra forma, nĂłs geralmente ensinamos Ă s meninas hĂĄbitos subservientes e aos meninos a exercitar a dominĂąncia.
Costumeiramente me encontro em ambientes de gĂȘneros mistos (a vida) quando homens me interrompem. Agora que decidi tentar manter registro, sĂł por curiosidade, Ă© impressionante a frequĂȘncia com que isso ocorre. Ă particularmente comum quando hĂĄ outros homens em volta.
Esta realidade desagradĂĄvel Ă© acompanhada por outra - homens que nĂŁo fazem contato visual. Por exemplo, um garçom que dirige as informaçÔes e perguntas apenas aos homens da mesa, ou o homem que semana passada simplesmente fingiu que eu nĂŁo estava em um cĂrculo de cinco pessoas (eu era a Ășnica mulher). Nunca havĂamos nos encontrado, mal trocamos 10 palavras, entĂŁo nĂŁo pode ter sido minhas opiniĂ”es nem-tĂŁo-mocinha-comportada.
Essas duas formas de estabelecer dominĂąncia em uma conversa, frequentemente baseadas em gĂȘnero, andam juntas com esta Ășltima: Uma mulher, falando claramente e em volume adequado, pode falar algo que ninguĂ©m parece ouvir, pra daqui a pouco um homem repetir o mesmo, Ă s vezes alguns segundos depois, ao que todos ouvem e discutem em grupo.
Depois que escrevi sobre o abismo de autoconfiança que hĂĄ entre os gĂȘneros, dos 10 itens na lista, o que teve mais ressonĂąncia foi a questĂŁo da fala de quem era considerada importante. Concordando com o que escrevi, uma pessoa no Twitter me mandou uns quadrinhos em que uma mulher e cinco homens estavam sentados em volta de uma mesa de conferĂȘncia. O texto dizia: "Ă uma sugestĂŁo excelente, Srta Triggs. Talvez um dos homens aqui goste de sugerĂ-la." NĂŁo acho que exista uma mulher viva a quem isso nĂŁo tenha acontecido.
Os quadrinhos podem parecer engraçadinhos, atĂ© que vocĂȘ note que isso acontece, a sĂ©rio, frequentemente. E  - como nos casos de Elizabeth Warren, ou, digamos, Brooksley Born, qual Ă© o tamanho do estrago causado. Quando vocĂȘ soma uma raça e classe Ă equação, a incidĂȘncia dessa marginalização Ă© ainda maior.
Esse silenciamento das mulheres, caso vocĂȘ esteja se perguntando o que a Srta Triggs estava vestindo ou bebendo ou poderia ter dito para provocar essa reação, Ă© exatamente a voz do sexismo.
Esses comportamentos, a interrupção e falar ao mesmo tempo, tambĂ©m sĂŁo resultado da diferença em status, mas o gĂȘnero impera. Por exemplo, mĂ©dicos homens invariavelmente interrompem pacientes quando falam, especialmente pacientes mulheres, mas pacientes raramente interrompem os mĂ©dicos quando estes falam. A nĂŁo ser que a mĂ©dica seja mulher. Quando Ă© o caso, ela interrompe muito menos e Ă© muito mais interrompida. Isto tambĂ©m acontece para cargos gerenciais no local de trabalho. Gestores nĂŁo sĂŁo alvo de fala simultĂąnea ou sĂŁo interrompidos por seus subordinados, especialmente se estas sĂŁo mulheres; gestoras, no entanto, sĂŁo normalmente interrompidas por seus subordinados homens. Essa preferĂȘncia pelo que homens tĂȘm a dizer, apoiada tanto por homens e mulheres, deriva do "mansplaining". A palavra surgiu de um artigo de Rebecca Solnit, que explicava que a tendĂȘncia que alguns homens tĂȘm, de dar mais importĂąncia ao que falam do que ao que uma mulher perfeitamente competente fala, nĂŁo Ă© uma caracterĂstica masculina universal, mas a "interseção entre excesso de autoconfiança e falta de noção, nos quais alguns membros do gĂȘnero ficam atolados."
A experiĂȘncia de gota dÂŽĂĄgua de Solnit realmente ganhou o prĂȘmio. Ela estava conversando com um homem em uma balada e ele perguntou o que ela fazia. Ela respondeu que escrevia livros, e descreveu o mais recente: "Rio de Sombras: Edward Muybridge e o Faroeste TecnolĂłgico. O homem a interrompeu assim que ela disse a palavra Muybridge e perguntou: "E vocĂȘ jĂĄ ouviu falar sobre aquele livro muito importante sobre o Muybridge que saiu esse ano?" E ele continuou falando, baseado na sua leitura de uma reportagem sobre o livro, nem era sobre o livro em si, atĂ© que finalmente uma amiga disse: "Ela que escreveu o livro." Ele ignorou a amiga e ela teve que dizer mais umas trĂȘs vezes, antes que o cara ficar pĂĄlido e sair de perto. Se vocĂȘ nĂŁo Ă© uma mulher, pergunte a qualquer mulher como ela se sente com isso, porque nĂŁo Ă© divertido e acontece com todas nĂłs.
Na controvĂ©rsia ocorrida no velĂłrio de Larry Summers, sobre "Mulheres nĂŁo entendem matemĂĄtica", hĂĄ uns anos atrĂĄs, o cientista Ben Barres narrou publicamente suas experiĂȘncias, inicialmente como mulher e, posteriormente, como homem. Como uma estudante mulher no MIT, Barbara Barres ouviu de um professor, apĂłs resolver um problema matemĂĄtico particularmente difĂcil, "Seu namorado deve ter resolvido isso pra vocĂȘ". Quando, anos depois, como Ben Barres, fez uma palestra cientĂfica muito bem recebida, ouviu um membro da plateia comentar: "O trabalho dele Ă© muito melhor que o da irmĂŁ dele."
Notavelmente, ele concluiu que uma das maiores vantagens de ser homem era que agora ele podia "até terminar uma frase sem ser interrompido por um homem."
JĂĄ vi garotos adolescentes, de maneira irritada mas histĂ©rica, dar como desculpa a "falta de compreensĂŁo" pra [minha] "loucura da juventude".  Semana passada eu estava em um cafĂ©, um homem de uns 60 anos parou para me perguntar o que eu estava escrevendo. Eu disse: "um livro sobre gĂȘneros e a mĂdia" e ele disse "Fui a uma conferĂȘncia em que alguĂ©m falou sobre isso hĂĄ uns anos atrĂĄs. Li um artigo sobre isso hĂĄ uns anos atrĂĄs. VocĂȘ sabia que os fabricantes de carros usam imagens ligeiramente denegritivas de mulheres para vender carros? Eu adoraria poder te ajudar." Depois que eu sugeri a ele, sorrindo alegremente, que as imagens nĂŁo eram denegritivas, eram com certeza ofensivas Ă dignidade feminina, ao livre discurso e Ă paridade na cultura, ele se foi. NĂŁo Ă© difĂcil supor por quĂȘ tantos homens tendem a achar que sĂŁo incrĂveis e que o que tĂȘm a dizer Ă© mais legĂtimo. Começa na infĂąncia e nĂŁo acaba nunca. Os pais interrompem garotas duas vezes mais e as obrigam a obedecer regras de educação mais duras. Professores envolvem os garotos, que corretamente enxergam as intromissĂ”es como um marcador de masculinidade dominante, com mais frequencia e mais dinamicamente do que as garotas.
Quando adultos, o discurso feminino recebe menos autoridade. NĂŁo pensam em nĂłs como crĂticas capazes, ou como engraçadas. Homens falam mais, mais frequentemente, e por mais tempo que mulheres em grupos mistos, turmas de escola, salas de debate, corpos legislativos, comentĂĄrios de especialistas na mĂdia e, por razĂ”es Ăłbvias, instituiçÔes religiosas. De fato, em grupos de soluçÔes de problemas de maioria masculina, incluindo paineis, comitĂȘs e legislaturas, os homens falam 75% a mais que as mulheres, com efeitos negativos nas decisĂ”es alcançadas. Ă por isso que, como os pesquisadores concluĂram, "Ter uma cadeira Ă mesa nĂŁo Ă© o mesmo que ter uma voz."
Mesmo em filmes e na TV, atores masculinos se envolvem em diĂĄlogos mais "intrometidos" e angariam duas vezes mais tempo de texto e de tela do que suas colegas mulheres. E isso nĂŁo Ă© de maneira nenhuma limitado Ă histĂłria antiga ou velhas mĂdias, mas tambĂ©m acontece online. Os tĂłpicos do Listserve [N.T.: um servidor em que os colaboradores sĂŁo escolhidos aleatoriamente para a publicação de textos] escritos por homens tĂȘm uma taxa muito maior de resposta e no Twitter, as pessoas retuĂtam textos de homens duas vezes mais do que de mulheres.
A melhor parte, no entanto, Ă© que somos socializados para pensar que as mulheres falam mais. O prĂ©-julgamento do ouvinte resulta na maioria das pessoas pensar que as mulheres estĂŁo dando um baile quando na verdade os homens estĂŁo dominando. Linguistas concluĂram que muito do que Ă© popularmente visto como homens e mulheres sendo de planetas diferentes, verbalmente, mistura a "linguagem feminina" a "linguagem sem poder".
HĂĄ, Ă© claro, exceçÔes que ilustram o papel de gĂȘnero e nĂŁo o sexo. Eu, por exemplo, tenho uma criança muito engraçada que vez por outra se envolve em fala simultĂąnea, interrompe e aleatoreamente muda de assunto. Se vocĂȘ lesse um roteiro baseado em uma de nossas conversas, vocĂȘ provavelmente acharia que ela Ă© um menino, baseado no fato de que seus hĂĄbitos de conversa sĂŁo o que consideramos "masculinos". Ela fica mais confortĂĄvel com demonstraçÔes claras de assertividade e confiança do que a maioria das garotas. Ă difĂcil equilibrar entre se certificar de que ela mantenha essa confiança com ensinar a ela a ser educada. No entanto, as regras de educação excessiva para garotas, na expectativa de servir de exemplo para os meninos, tem impacto real em mulheres que deveriam, como sempre vemos, esquecer toda sua socialização durante a infĂąncia e aprender a falar como homens para ter sucesso (aprender a negociar, exigir maiores salĂĄrios, etc)
As pessoas normalmente me perguntam o quĂȘ ensinar para as meninas e o quĂȘ elas mesmas podem fazer. "O que posso fazer quando me deparar com sexismo? Ă difĂcil dizer alguma coisa, ainda mais na escola" Eu digo a elas, pratiquem essas palavrinhas, todo dia: "Pare de me interromper", "Eu acabei de dizer isso" e "NĂŁo preciso explicar".
Isso irĂĄ trazer um mundo de benefĂcios para meninos e meninas.
http://www.rolereboot.org/culture-and-politics/details/2014-05-10-simple-words-every-girl-learn/