Chegada ao anoitecer
Já passava de meia noite e era de se esperar que isso fosse agradável, afinal o escuro sempre foi meu lar. Porém nem os deuses me permitiriam um momento de felicidade. Talvez não fosse justo da minha parte exigir tudo isso. Além da minha rara beleza e a maciez do pelo das minhas pernas caprinas, desejar ainda por cima estar cercado de paz durante um período histórico de caos seria no mínimo egoísta. Sim, caos. Os monstros e animais na noite comentavam sobre uma guerra envolvendo os semideuses e os mortais durante o dia comentavam (entre comentários sobre dietas e escritórios) sobre desastres naturais inexplicáveis acontecendo consecutivamente no país. Não demorou muito para ligar uma coisa na outra e encontrar meu destino em Long Island.
— Acampamento meio Sangue… — Eu sussurrei para mim mesmo.
Fechei os olhos e deixei que meus poderes trabalhassem. Com minha habilidade sensorial, explorei de longe por segurança e vi que havia centenas deles… semideuses. A natureza estava exuberante lá dentro, florescendo e germinando, inspirada por uma aura mística fortíssima. A maioria estava reunida numa área só, mas eu pude sentir vida emanando do Pinheiro no alto da colina. Andei até la, um pouco hesitante. Afinal, um sátiro gótico aparecendo ao luar durante uma guerra não deveria ser a visão mais agradável para adolescentes guerreiros assustados. Não que eu tivesse outra opção.
Sendo responsável pela patrulha, Moussaieff estava em alerta total. Suas íris acastanhadas bem treinadas vagavam em busca de alguma irregularidade no perímetro em que encontrava-se responsável. O semideus de Plutão adorava as rondas noturnas, as sombras lhe seguiam sem que ele fizesse esforço, podia esticar a mão e de qualquer lugar arrastar a escuridão consigo, se precisasse; algo que, de dia, não podia realizar.
Para não mencionar, obviamente, o silêncio. O romano desfrutava da tranquilidade do acampamento grego em seu aspecto quase deserto já que a maioria dos campistas estavam em seus chalés muito bem protegidos das Harpias. Apenas os que faziam rondas eram livres para transitar pelo local após o horário de dormir. As Harpias eram rigorosas quanto a isso e Mozzie definitivamente não tinha tentado descobrir se eram ou não verdade todos os boatos sobre semideuses virando comida das mesmas.
Não queria testar a sorte que não tinha, afinal.
Seus passos calmos foram interrompidos quando avistou um figura desconhecida mais adiante. O arco subindo para mirar a flecha no estranho. Um fauno. Já não confiava em faunos conhecidos, em desconhecidos ainda mais? ' — Quem em nome de Plutão é você? Identifique-se! E não dê um passo!' ameaçou, puxando a corda do arco. Não iria atirar se o outro não lhe parecesse uma ameaça.




















