o puxão em seu braço lhe assustou de primeira, porém ao constatar a presença de victor, a sua expressão se aliviou. e dessa vez nem era só porque o garoto era uma pessoa bacana e simpática… e sim porque era seu irmão. como diabos isso foi acontecer, ainda permanecia um mistério para ambos. tinha certeza que não era a única quando pensava que um inofensivo projeto de biologia poderia causar aquela reviravolta na vida de duas pessoas. o pior de tudo foi que avery nem ao menos conseguiu confrontar colette sobre o assunto… se é que ela sabia. mesmo se não soubesse, a ruiva decidiu que estava na hora de parar de ficar no escuro quanto ao homem que lhe deu metade da vida e genes. tinha uma pequena suspeita de que o morrow tinha mais informações sobre o homem, porém tinha medo de perguntar e o loiro era respeitável o suficiente para não pressioná-la (ou talvez só não estivesse muito orgulhoso, não é mesmo? afinal, quem abandona duas mulheres e crianças?). não se sentia pronta o suficiente. “não tem problema” disse com um sorriso fraco. ela observou o envelope já conhecido na mão doirmão e assentiu. “às vezes uma metáfora é tudo que precisamos. afinal, a fênix renasce para uma nova vida das cinzas” comentou, de forma enigmática, uma pequena risada já lhe escapando aos lábios. “i’m with you… bro” disse, colocando sua mão sobre o ombro alheio.
(flashback)
— Era curioso como a vida podia ser engraçada ao oferecer as coisas que tanto se desejava. Quando criança o Morrow nunca entendeu o motivo de não poder ter um irmão (ou irmã) já que todos os coleguinhas de escola tinham. Diversas vezes pedira para a mãe ter outro bebê, e as vezes pedia até para o pai - isso é, antes de ele desaparecer de sua vida e ser apenas uma memória ruim para o garoto. Durante a infância seu desejo nunca fora atendido e cresceu como filho único. Quem poderia saber entretanto que ele descobriria só no final de sua adolescência que seu sonho de ser irmão mais velho seria realizado de uma forma nada convencional? Era impossível odiar Avery mesmo sabendo que ela, pela idade que tinha, era fruto de uma traição de seu pai para com sua mãe. Como poderia, quando ela sempre fora tão gentil e bondosa com ele? Apesar de tudo, ela era a irmãzinha que ele sempre quisera ter. De forma nada convencional e em um momento não esperado, mas ainda suficiente para satisfazer sua vontade de criança. A mão em seu ombro fez ele sorrir, passando a própria destra pela cintura da ruiva. “Apesar de tudo, eu estou feliz de ter conhecido Rhodes.” Confessou. “Let’s do this.” Rasgou o envelope ao meio, entregando metade para ela e ficando com metade para si. “No três nos jogamos no fogo ok? Um, dois...” Respirou fundo, fazendo uma pausa. “Três.” Fechou os olhos e atirou o papel no fogo, abrindo o olho direito para ver o mesmo começando a pegar fogo. Aquilo realmente funcionava, seu coração estava mais leve.














