a whole new world.
adelenaoâ:
O sorriso colocado no rosto se desfez para um sorriso genuĂno de afeto junto do abraço de Rapha, havia sentido tanto sua falta, depois do retorno a França, o casamento e os filhos a vida dela estava se tornando caĂłtica em formas que ela precisava de um momento de descanso, mesmo que esse descanso viesse na forma de escutar qual era o problema com o filho de Rapha no momento. Afinal, ela estava lĂĄ para ele, apenas uma ligação de distĂąncia.Â
â Esses sĂŁo Hercule e Dafne e- â Sua fala havia sido interrompida ao notar Hercule escapando do carrinho para segurar seu sobretudo, ato fora de personagem, mas ele havia sido praticamente arrancado de sua casa quando definitivamente nĂŁo era a hora adequada para sair, era um milagre Dafne ainda nĂŁo ter se pronunciado sobre a perturbação â e eles estĂŁo atrasados para a hora da soneca, â disse mais para o filho do que Raphael enquanto fazia seu caminho para dentro.Â
Ela começou a tirar Dafne do carrinho com cuidado para nĂŁo atrapalhar ainda mais, mas ela congelou no processo de levĂĄ-la ao colo ao ouvir a descrição do acontecido de Raphael. NĂŁo podia ser. Simplesmente nĂŁo podia ser. Era absurdo demais para ser o que AdĂšle estava pensando ser, quais seriam as chances de logo o filho de Rapha tambĂ©m serâŠ? NĂŁo podia ser.Â
Ela nĂŁo pensou duas vezes ao praticamente colocar a filha contra o peito de Raphael, confiando que ele a seguraria, bom se aquele era o momento da personalidade de Dafne fazer uma visita seria adequado para distrair Raphael do que quer que seja que estava acontecendo com seu filho. AdĂšle sĂł aprendeu com o nascimento de Dafne Angelique que nĂŁo havia nada mais eficiente para te fazer esquecer outros problemas do que um bebĂȘ gritando no seu ouvido. Ela agradecia que Hercule havia sido mais calmo, apesar de mais grudado nela.Â
Ela foi para o quarto de Baby, mas parou antes da porta para conseguir se acalmar, ela nĂŁo queria assustar o bebĂȘ e deixar a casa ainda mais bagunçada, entĂŁo ela removeu o sobre tudo e abriu a porta com cuidado, prestando atenção com a quantidade de barulho que fazia e decidiu por deixĂĄ-la semi aberta depois que passou, ela foi atĂ© o berço de Baby e travou em seus passos.Â
Quais seriam as chances de que logo Raphael, de todos os no-majs existentes, seria pai de nĂŁo apenas um bruxo, mas um metamorfomago acima disso tudo? Quais seriam as chances? AdĂšle sentiu todo o peso de seu prĂłprio mundo cair de seus ombros, pois aquilo era um segredo â e um muito grande â que ela finalmente poderia revelar para Raphael, afinal nĂŁo havia mais qualquer opção, ele havia acabado de ser exposto a magia de uma forma inegĂĄvel. Ela queria entender um pouco mais sobre como era para no-majs terem filhos bruxos, todo o conhecimento dela vinha de uma base de famĂlias puro sangue distintas por todos os lados. Mas ela tinha certeza que nĂŁo podia ser tĂŁo diferente assim.Â
Ela apoiou os braços assistindo o bebĂȘ, aquilo era a coisa mais adorĂĄvel que ela tinha presenciado â uma das, claro, ela poderia listar de cor centenas de momentos de seus filhos que tambĂ©m a deixavam completamente fraca apenas de assistir â, nĂŁo havia muitos metamorfos nos cĂrculos de puro sangues, e os que havia AdĂšle nĂŁo havia tido muito contato e simplesmente aquilo era a experiĂȘncia toda da maravilha que era uma criança metamorfa. Baby riu para ela e era isso. Esse era o fim de AdĂšle, quando os cabelos da criança se tornaram o mesmo tom de loiro do seu e os olhos ficaram azuis ela jĂĄ estava em lĂĄgrimas e pegou o menino no colo o abraçando firme enquanto girava pelo quarto. â Raphael! Isso Ă© fantĂĄstico, maravilhoso, soberbo, mĂĄgico, Raphael, isso Ă© mĂĄgico! â Ela deixou a risada escapar dos lĂĄbios e tentou secar suas bochechas sem afrouxar o abraço em Baby.Â
â NĂłs temos tanto o que conversar agora mesmo.Â
Seu olhar estava preso em AdĂšle desde que ela entrou em sua casa. NĂŁo por causa de seus sentimentos por ela ou por causa de sua aparĂȘncia, mas porque ela era literalmente seu porto seguro no momento. Raphael se sentia perdendo sua mente -de novo- e AdĂšle seria a pessoa a lhe confirmar se estava mesmo ficando louco ou se tinha algo de errado com seu filho. E, naquele momento, Rapha nĂŁo sabia qual ele preferia que fosse a resposta. Por mais que odiasse a ideia de perder controle de sua mente novamente, soava ainda mais assustador a ideia de que Baby podia ter alguma doença⊠NĂŁo que Rapha conhecesse alguma doença que fazia crescer cabelos azuis e focinhos de cĂŁo.Â
Ă, ele provavelmente estava perdendo sua mente.Â
Segurou a pequena filha de AdĂšle, Dafne. Rapha sabia da existĂȘncia dela pela Ășltima conversa que tivera com a amiga, mas sua mente estava incapaz de processar o fato de que ela estava grande jĂĄ, provavelmente quase tinha a ideia de Gabriel. Observou AdĂšle sumir no quarto de seu filho enquanto embalava a filha dela em seus braços. Pensamentos que ele evitava surgiram em sua mente: aquela poderia ser uma cena comum, se nĂŁo tivesse destruĂdo o relacionamento deles.Â
Suspirou e, ignorando o coração acelerado (nĂŁo por causa de AdĂšle e do que poderiam ter sido, mas pela ansiedade pela resposta dela ao analisar Gabriel. Rapha precisava saber o que estava acontecendo naquele quarto, mas, ao mesmo tempo, nĂŁo queria saber). --âDesculpe ter feito a mamĂŁe de vocĂȘs vir aqui Ă essa hora. Se quiser deitar no sofĂĄ ou na cama daquele quarto pode ir, Herculeâ-- disse ao menino, sorrindo amigavelmente. Ajeitou-se para fazer a garotinha mais confortĂĄvel em seu colo e, apesar da seriedade dela, Rapha sorriu para ela antes de mover-se para nina-la. Entendia porque ambas as crianças estavam quietas, ele tambĂ©m nĂŁo gostaria de perder sua hora de dormir para ir a casa de um desconhecido (isso Ă©, se ele dormisse regularmente, coisa que ele nĂŁo fazia a algum tempo, desde que começara a cuidar de Baby).
Ninar a garotinha em seu colo -que parecia nĂŁo querer se render e estar lutando com o sono sĂł para continuar com aquela carinha emburrada que honestamente era adorĂĄvel- era uma forma de se acalmar enquanto AdĂšle nĂŁo voltava. No estado que estava, a Ășltima coisa que conseguia era ficar parado.Â
Para ser honesto, ele primeiro ouviu a reação dela, o que o fez ir novamente atĂ© o quarto de Gabriel, com Dafne ainda em seu colo, sĂł para entĂŁo encontrar a amiga chorando enquanto girava Baby pelo quarto. Pela segunda vez em minutos, Raphael sentiu aquele aperto no peito do arrependimento. Entretanto, o sonho de que eles eram uma famĂlia estava, no momento, ofuscado pela confusĂŁo dele, certamente estampada em seu rosto. De todas as reaçÔes possĂveis, a que AdĂšle estava tendo nĂŁo era nem uma das opçÔes na mente do homem. Parecia que tinha entrado em algum universo alternativo.
--âMĂĄgico?â-- repetiu ainda mais confuso. Francamente, ele nĂŁo estava entendendo nada. Aparentemente, Dafne tambĂ©m nĂŁo, porque quando olhou para ela buscando alguma explicação, a criança sĂł o olhou de volta com os mesmo olhos cansados e irritados. --âNĂłs definitivamente temos muito o que conversas. Porque eu nĂŁo estou entendendo nadinha de nada, ma vie.â-- o antigo apelido saiu antes que ele pudesse evitar, todos os seus neurĂŽnios estavam ocupados demais tentando entender. --âEu nĂŁo estou ficando louco?â-- apesar da pergunta, Rapha nĂŁo conseguiu esconder o sorriso bobo ao ouvir Baby rindo novamente.Â











