a melanie klein diz que todo mundo é atravessado por uma pulsão de morte no nascimento, alguns mais que outros, mas que não há como escapar disso, que se determina unicamente por questões genéticas. embora o winnicott diga que o maior erro dela foi criar tal conceito e defenda que tudo é sempre desenvolvido pelo meio, eu não consigo conceber um meio capaz de me atravessar tão violentamente a ponto de criar tamanha pulsão. tamanha necessidade de se reduzir ao ponto de atingir um estado de inanimamento, de fazer caminho inverso ao crescimento, de se agarrar a caminhos que levam ao próprio fim, apesar do tanto que eu tento me agarrar a ideia de que viver é bom, de que a pulsão de vida existe em mim também. a pulsão de morte e vida trabalham juntos, numa repetição infindável, afinal, para que haja o nascimento, é necessário a morte do útero. para que haja o caminhar, a morte do seio. para que haja novas significações, é necessário a perda de objetos outrora indispensáveis. pra ter vida, é necessário ter morte. mas aqui dentro sempre parece ser pulsão de morte sem o respectivo contraponto, como o simples desejo de destruir, sem seu complemento, nunca permitindo o germinar de algo novo nos escombros do antigo e do defasado.











