ꔠ 00 ! ִ ゙ Oliver ⎯⎯⎯
ܢ ̲͟ ̲͟ ̲͟ ̲͟ ̲͟ ̲͟ ̲͟ ̲͟ ̲͟ ̲͟ ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀𖥻1𝟠𝟠𝟠⠀ ╱
Inglaterra
Nascido em plena Era Vitoriana, no auge da Belle Époque e de toda sua maquinação a vapor, o jovem Klein não teve a sorte de vir em berço de ouro. Conheceu o mundo em meio à fumaça das fábricas, ao barulho metálico das engrenagens e ao cheiro constante de carvão queimado. Cresceu entre as vielas do subúrbio de Londres, onde a neblina se misturava à sujeira e a noite parecia sempre mais longa do que o dia. Sua infância foi moldada pela escuridão da época e pela violência explícita de um bairro pobre, um lugar onde compaixão era luxo.
Sem os pais, foi criado por tios irresponsáveis, dependentes de drogas e bebidas baratas, sempre entorpecidos demais para notar sua presença, ou irritados demais quando notavam. Não o tratavam como gente. Tratavam-no como incômodo. Como peso. Como algo que sobrou. Raramente havia comida suficiente, quase nunca havia cuidado. Gritos eram comuns, empurrões também. Castigos vinham por qualquer motivo ou por nenhum. Às vezes, apenas por ele estar ali.
Foi obrigado a conviver com adultos viciados, dois adolescentes revoltados e violentos, e três crianças moribundas, consumidas por doença e fome, todas acabaram morrendo cedo demais. Klein aprendeu ainda pequeno a reconhecer o som da abstinência, da fúria química, das promessas quebradas. Aprendeu a se esconder, a ficar em silêncio, a não reagir. Desde sempre, soube que a vida nunca iria sorrir para ele, e, se sorrisse, seria mostrando as presas para rasgá-lo.
A rua virou refúgio e ameaça ao mesmo tempo. Em uma tentativa de sobrevivência, viu-se obrigado a cometer crimes desde novo. Inicialmente, furtos leves, pão, moedas, peças esquecidas, que às vezes davam errado e lhe rendiam surras públicas, perseguições e humilhações. Era tratado como praga quando pego, invisível quando passava fome. Com o tempo, as necessidades ficaram mais severas, e os delitos também. Uma escolha errada puxava outra, depois outra, formando uma corrente impossível de romper. Sua vida virou uma engrenagem quebrada girando sem parar.
O italiano nunca teve medo da morte. Entre os miseráveis, viver era apenas um intervalo curto antes do fim. Muitos se atormentavam imaginando o que existia depois, vazio, julgamento ou dor, mas Klein nunca se prendeu a isso. O sofrimento em vida sempre pareceu mais concreto do que qualquer punição além dela.
Quando o karma bateu à sua porta e precisou pagar de maneira não justa por seus pecados, não houve surpresa, apenas confirmação. Seu fim foi brutal e solitário. Não houve despedida, nem mãos estendidas, nem arrependimentos ditos em voz alta. Mesmo na dor, aceitou o destino miserável com uma calma cansada, como quem já havia sido derrotado muito antes.
Morto de maneira violenta, o loiro aguardava aquela presença que nunca o amedrontou vir buscar sua alma sem salvação.
Lá estava ela, ou ele, não sabia, nem fez questão de saber. A presença não ofereceu consolo. Não fez perguntas. Não explicou nada. Apenas existia, esmagadora. Klein não implorou. Não negociou. Apenas aguardou, como sempre fizera diante de toda crueldade da vida. Então uma dor impossível invadiu seu peito, como se o fim estivesse sendo rasgado e refeito à força.
Palavras se gravaram em sua mente, profundas como ferro quente. Jamais as esqueceu.
A Morte divertia-se com sua desgraça e se agradava com sua petulância silenciosa. Maltratar sua alma não foi suficiente. Decidiu presenteá-lo com a desaprovação da Vida. Devolveu-o ao mundo da maneira mais dolorosa e sufocante possível.
O retorno foi um choque, ar que queimava, corpo que pesava, sentidos em colapso. Junto com o despertar vieram as inovações e a maldição. Levou dias para compreender o que havia recebido. Quando finalmente entendeu, percebeu que não era bênção, era fardo.
Sua habilidade principal era tomar e distribuir anos de vida, podendo aumentar ou diminuir a vitalidade das pessoas conforme sua vontade, limitado somente pela regra absoluta de jamais poder revelar a alguém quanto tempo lhe restava. Cada uso tinha consequências. Cada troca deixava marcas invisíveis.
Mas a Vida não gostou disso. Incapaz de impedir a decisão imprudente do outro eterno, a Morte, decidiu amaldiçoar a longa existência de Oliver.
O azar e a desgraça passaram a acompanhá-lo como se estivessem costurados em sua pele com linhas de aço. Onde ficava por muito tempo, algo ruía. Onde criava laços, algo se quebrava. Pessoas adoeciam, negócios falhavam, acidentes aconteciam. Sua presença era um presságio silencioso.
Os anos foram passando, e o rapaz aprendeu a usar suas habilidades com frieza e cálculo. Fundou um comércio oculto de tempo, um mercado clandestino onde anos de vida eram comprados e vendidos por valores altos. Nunca mostrava o rosto verdadeiro. Nunca dizia o nome real. Construía identidades como quem troca de luvas, sustentando uma vida forjada sobre uma juventude que não acabava, e um passado que nunca o deixou.
Long golden hair, deep blue eyes, a body worn by storms, a mind frayed with silence, and a soul forever starving — perhaps this is the strange alchemy required to outlive time itself
〆ㅤ( 𝐦-𝐨𝐫 ) 𝐟͟𝐢͟𝐧͟𝐚.ㅤㅤ︐ㅤㅤ𝐈𝐓𝐀𝐋𝐈𝐂;ㅤdead
Voz: https://drive.google.com/drive/folders/1LFYODOIdwF3maG7Fixzn29LnEWaOXRvu











