Parabéns, CAMILLE BERGERON! Você recebeu uma carta de aceita no programa Una casa per 1 Euro e agora uma casa aos pedaços com uma vista bonita demais para desistir lhe espera em Monteluna. Seu registro diz que você tem 25 ANOS e veio de MARSELHA/FRANÇA. Seus antigos vizinhos dizem que você é alguém ATENCIOSA, mas também MARRENTA, talvez seja justamente isso que te trouxe até aqui. Por enquanto, tudo que sabemos é que você se parece muito com DANIELLA PERKINS, será que já podemos te chamar de MILLIE? Benvenuto a Monteluna!
Tranças bem cuidadas e cheias de joias, colares e brincos coloridos, desenhos infantis guardados por toda parte, perfume cítrico e gloss de cereja.
Camille nasceu em Marselha, não do lado bom e privilegiado, mas do lado trabalhador e pobre. Mas sua boa comunidade negra a ensinou algumas coisinhas que permearam sua vida; como amar a praia, como não deixar ninguém passar por cima de você e como sempre devemos apoiar nossa comunidade. Em casa, teve todo o esforço dos pais para que ela e os três irmãos estudassem, e se mantivessem bem longe dos problemas que assolavam aquelas terras. Ela podia sonhar com o mundo, mas nunca entrar em território de gangues.
Ser professora parecia um plano razoável para quem não sentia que havia encontrado um propósito de vida. Quer dizer, preenchia uma série de requisitos mínimos e lúdicos que Camille alimentava sobre o que realmente importava, sobre como fazer a vida valer a pena. Era uma forma de dar orgulho para o pai, — que sempre influenciou tanto que ela, e os irmãos, vencessem na vida através dos estudos. — E era algo que sabia como fazer. Seus primeiros salários vieram de ser babá das crianças de sua rua, e então, passaram a ser das aulas particulares que dava para os filhos dos vizinhos, e depois para os filhos dos chefes dos vizinhos.
E foi trabalhando bastante que Camille terminou a faculdade, pedagogia era o melhor que podia querer; era como ser uma influência positiva, e ainda ver valor no que fazia. Não pensava que sonhava muito alto, mas quando oportunidades apareciam, ela sabia que deveria apenas as aproveitar, antes que pudesse perder de vez. E foi assim que Monteluna apareceu em seus planos, uma indicação de sua antiga chefe, e um pedido pessoal.
Monteluna era uma pequena cidade rural, nada como ela conhecia, mas uma chance de deixar as ruas violentas de Marselha para trás, e seguir um caminho só seu. E ainda era apenas uma hora de Roma, caso sentisse saudade da agitação.
Terminou o ano de 2024 em Monteluna, se arrumando e preparando para o ano seguinte, e apesar de ver o valor do programa de um euro, não se imaginava comprando para si um problema tão grande. Menos ainda, ela, que ainda não tinha conseguido criar uma rede de apoio. Mas novamente, oportunidades não se perdem, e alguma coisa naquele sobrado negligenciado e esquecido chamou sua atenção. Não tinha nenhuma ideia do que fazer com ele, mas talvez, pudesse criar raízes em Monteluna, e ter um lugar para começar, não seria nada mal.
E afinal, por apenas um euro...