franespace ;; ( the one I love / hate the most ) 。
a expressão neutra lentamente se transforma em uma de divertimento, um sorriso fechado se desenhando nos lábios grossos. ele não estava esperando uma recepção calorosa, após tudo que fizera e a maneira como desaparecera — conhecia Kris bem o suficiente para não alimentar esse tipo de tolice. ainda assim, ele esperava algo mais raivoso, e não simplesmente… melancólico. não deixou de reparar na garrafa de vinho e no cheiro opressor de tabaco. conseguia sentir o cansaço emanando da voz do antigo parceiro.
inconscientemente, ele toca o próprio peito, onde o nome se encontrava. parando pra pensar, era irônico como tudo que ele jamais teve a perder se encontrava, no momento, no mesmíssimo lugar. não, não que ele teve a perder. que ele perdeu.
a lembrança da promessa o fizera rir — um riso soprado, sem muita graça. ele havia, de fato, prometido que não voltaria ( apesar de que, a esse ponto, imaginou que sua palavra já não valia mais de nada ). e, no fim das contas, não era realmente por Kris que Nicholas estava ali. ‘ não se preocupe, eu não voltei. ’ estava apenas de passagem, e sua estadia não seria mais prolongada que o estritamente necessário. nunca havia julgado necessário revisitar o próprio passado — mas, após deixar um rastro de destruição atrás de si, olhar para o que havia a frente se tornava difícil. impossível, quase. o sangue já não cobria somente suas mãos, estava coberto dele. vermelho era tudo que via.
a pergunta que lhe é dirigida o tira da própria cabeça, e ele olha nos olhos tão similares aos próprios. ‘ o que normalmente se faz em cemitérios, ’ ele vira o rosto na direção dos túmulos dos pais. ‘ visitando quem já partiu. ’ ele responde, como se fosse o óbvio, visto que o próprio estava agachado em frente a um túmulo. era tudo menos óbvio, todavia. ambos os mafiosos nunca expressaram dores relacionadas ao passado — estava tudo muito bem enterrado. talvez fosse a hora de arregaçar as mangas e cavar.
‘ eu só tenho mais uma parada a fazer. ’ o próximo ponto de parada teria sido a casa de infância, se não houvesse sido tão inesperadamente interrompido. ‘ e depois, te asseguro que nunca mais me verá. ’
mesmo que ainda se forçasse a manter a expressão séria no rosto, os olhos se arregalavam subitamente ao notar onde o homem tocava, por um momento quase levando-o a engasgar com a fumaça do cigarro, cujo segurava em seu pulmão juntamente da respiração, como se isso o ajudasse a conter suas próprias reações perante o inesperado. quase de imediato, franziu o cenho em frustração, abaixando o olhar para o próprio peito, onde supostamente estaria o nome embaixo das roupas. engoliu em seco, voltando seu atenção ao dono do nome marcado em seu corpo. aé, aquela bobagem sobre alma gêmeas ainda o assombrava, afinal.
Nicholas se pronunciou e Kris relaxou os ombros, enfim soltando, pelo nariz, a respiração e o resto de fumaça que decidia deixar seus pulmões, parecendo até decepcionado com as palavras alheias, de certa forma. agia esquisito, o punho e a mandíbula cerrados como se usasse de todo o seu auto-controle para não perder a postura. de fato, seu orgulho era tão grande que chegava a ser um fardo.
Kris voltou a fumar, dessa vez evitando o olhar do mais baixo, finalmente parecendo mais irritado. enterrava uma das mãos no bolso de seu blazer, apoiando-se sobre uma lápide mais alta que a de seu falecido pai, e o criminoso bufava um ‘tsc’ ao ouvir as últimas palavras do assassino, aborrecido mais consigo mesmo do que com quem deveria de fato. por Nicholas, deveria sentir apenas ódio, mas só sentia aquela maldita saudade.
travado em um adeus, o homem manteou-se em silêncio, de olhos presos ao chão, fumando seu cigarro enquanto sua inquietude refletia no balançar incessante de uma das pernas. todo aquele show de fazê-lo prometer não voltar, para que não tivesse que se despedir novamente. sabia que não conseguiria; havia usado a adrenalina do momento para deixá-lo ir na primeira vez. — não era pra isso acontecer — murmurou no tom melancólico e angustiado que se contradizia com sua expressão frustrada, puxando o ar e entreabrindo os lábios para continuar sua sentença. — eu não- — interrompia-se no momento que seus olhos alcançavam os alheios. seus lábios se crispavam em seguida, desviando os olhos mais uma vez e negando com a cabeça, desistente. era mesmo um covarde.





















