A doença que eu tenho vai me matando aos poucos.
Tenho vontade de viver,
de fazer,
de acontecer.
Mas tenho medo.
Coragem, quase sempre, só quando bebo.
Sóbria, às vezes não caminho dez minutos sozinha.
Alguém explica esse cérebro?
Já chamei Deus,
já chamei todos os santos possíveis.
E, de verdade, nunca entendi o que acontece dentro da minha cabeça.
A psicologia explica.
Freud também tentou explicar.
Engraçado pensar que ele faz aniversário no mesmo dia que eu.
Será que ele era tão perdido quanto eu?
Tão confuso?
Tão cansado de lutar contra si mesmo?
Porque o medo é uma coisa estranha.
Ele não tira a vida de uma vez.
Vai diminuindo ela aos poucos.
E talvez a pior parte seja essa:
o medo de viver é uma morte em vida.










