Não é amor, é vício. Ele desligou na cara dela. Não era obrigado a ouvir tanta idiotice, foi o que ele disse. Ela ligou pela oitava vez. Nada. Ele pode estar ocupado. Ocupado como ontem. Como anteontem, ela pensou. Não é amor, é vício. Ele finge não ver as ligações que ela recebe no meio da noite. Deve ser alguma amiga. Ela pode se ofender, caso ele pergunte. Ir a fundo na verdade dói demais. Deixa como está. Não é amor, é vício. Uma marca nas costas, resultado do chute que ele deu nela, na última noite, após uma briga por ciúme. Eu o irritei, não devia ter feito isso, ela falou pra uma amiga. Não é amor, é vício. Ambos excluíram todas as redes sociais, cortaram amizades próximas. Ela disse que era melhor assim. Muita amizade estraga namoro. Foi o que ele disse quando perguntaram o motivo do sumiço deles. Muita gente vivendo sozinha. Muita gente querendo alguém. Muita gente sem entender que o amor não é um fardo. Não é aperto no coração. Não é ficar dias esperando na janela. Isso é apego. É ter mais medo do fim que da dor. A gente se acostuma até com coisa ruim, infelizmente. Por amor a si, as vezes passar a página não adianta, é preciso trocar o livro. Tanta vida lá fora. Tantas vidas sem vida. Acompanhadas, só sobrevivendo. Sobrevivendo só.
A menina e o violão.
















