Por que estamos falando baixinho?
É que algumas pessoas não podem ouvir?
Não, na verdade é que a morte tem suas exigências:
Abrace, lamente, saia. Fale baixo, chore, não olhe demais, não fique pouco tempo, tome chá.
E enfim, a sua casa não é mais sua, encherão ela de pessoas, pessoas que nunca falaram, mas não são mudas, que nunca ouviram mas não eram surdas, que nunca olharam, mesmo sem serem cegos. Nunca fizeram questão.
Mas o mais importante, meus melhores amigos estão aqui, minha familia que apesar das diferenças, apesar das intrigas, hoje unidos. A morte faz muito mais do que tirar uma vida.
Além de sermos apenas um grão de areia comparados ao tamanho do universo, somos uma massa fria e funebre. Dentro de uma caixa de madeira. Cheio de enfeites tecidos em ouro, flores já mortas antes mesmo de serem flores. E agora? Pegam nos seus talheres, suas colheres, seus copos, mechem nas suas taças, pegam as suas roupas, mudam os seus móveis, gastam sua energia, comem da sua comida e levam apenas a lembrança de um corpo vazio.
A morte, é um pouco mais bonita do que isso que as pessoas veem. Mas a morte nos leva algo que as vezes vale um pouco. Pelo menos é sempre o que achamos, que ela não vale nada, até percebermos que não conseguimos mais respirar, e enfim, aqui estamos, falando baixinho primeiro porque ninguém pode nos ver, mas o real motivo é sempre pela educação. Sim a morte tem suas exigências. E não mais nada a acrescentar. Seria muito rude, veja bem, ela fala muito bem sendo só.
Gabriele Almeida


















