Thaianara, hoje é a última vez que escrevo ou falo sobre você.
Você talvez nunca saiba, mas me encontrou quando eu ainda estava quebrado, carregando pedaços meus que mal reconhecia. E, mesmo assim, você me levantou como ninguém jamais fez. Você cuidou de mim, me acolheu, me fez sentir amado de um jeito que eu não acreditava mais ser possível.
Mas depois vieram os erros. Vieram as falhas que me derrubaram de novo. E mesmo assim você lutou, e eu lutei — lutei muito — para seguir com você. Só que, no meio de tudo, o que sempre me machucou mais nunca foram os atos em si, mas as mentiras.
Ah… as mentiras.
Elas abriram rachaduras no meu peito que nem você percebeu.
Elas me fizeram duvidar se eu realmente conhecia quem estava ao meu lado.
Eu sentia medo de descobrir que a pessoa que eu mais amava não era quem eu acreditava ser: alguém incrível, imperfeito, mas verdadeiro nas imperfeições que eu conhecia e sabia lidar.
No fim, eu — que sempre escolhi te ouvir — tentei entender até os seus erros. E, muitas vezes, me culpei quando você dizia que algo acontecia por “falta de atenção minha”.
Mas a verdade é que eu nunca tive a oportunidade de ser ouvido, nunca tive respostas.
O que eu recebi de você foi silêncio.
Silêncio, desprezo e uma repulsa que eu não compreendia — e que ainda hoje pesa dentro de mim.
E nada disso me preparou para o momento em que me deparei com você mentindo de novo. Desta vez sem motivo, sem eu perguntar, sem qualquer pressão.
Você simplesmente escolheu me dizer que iria para uma confraternização, mas de um jeito diferente do que realmente foi, com pessoas diferentes das que você mencionou.
E isso me feriu.
Não por você ter ido — sua vida sempre foi sua.
Mas por você ter mentido mais uma vez, como se, no fundo, existisse em você uma vontade inconsciente de me machucar. E conseguiu.
Eu tinha prometido a mim mesmo que não falaria nada depois de descobrir. Mas na emoção, no peso de tudo, perdi o controle. Enviei a mensagem no fim do dia, tentando entender, tentando ouvir de você o motivo.
Sempre foi isso que eu quis: o motivo.
Só isso.
Então veio a pergunta que me destrói por dentro até agora:
Será que eu sou uma pessoa tão ruim para você agir assim comigo?
Será que eu não sou digno de amor, de cuidado, de respeito, de sinceridade?
Hoje estou aqui anestesiado. Não sinto raiva, nem tristeza — só um vazio profundo. Cheio de dúvidas sobre quem eu sou e por que preciso passar por isso. E de uma forma tão pior do que qualquer uma que já vivi antes.
A esperança de uma mensagem sua, de você querer conversar, de você escolher jogar limpo… já foi embora.
A visão de um futuro ao seu lado também se apagou.
Um reencontro? Hoje isso é só uma miragem distante.
Porque, no fim, além de tudo, virei o vilão da história. Recebi ameaças. E percebi que você segue por caminhos que eu orei tanto para que não seguisse. Orei para que você não precisasse bater a cabeça até perceber que não se importa — não comigo, não com o que me causaria.
Você não se importa se me machuca.
Você não sente mais nada por mim.
E talvez eu tenha me tornado apenas uma lembrança ruim.
Hoje estou em pedaços. Em silêncio. Vazio.
De volta a um ponto que achei que nunca revisitaria.
Por causa de alguém que eu jamais imaginei que pudesse me ferir desse jeito — e seguir como se nada fosse.
Mas sigo.
Em quietude.
Em silêncio.
Tocando minha vida.
Eu vou evoluir, vou crescer, vou conhecer outras pessoas. E não vou permitir de novo que alguém faça comigo o que você fez. Não desejo seu mal. Oro para que você pare de tomar decisões tolas, que encontre um caminho justo, menos fútil, menos impulsivo.
Já não cabe a mim dizer que te amo.
Nem sei mais o que sinto.
Nem sei se ainda sou capaz de sentir isso por alguém que não seja minha família direta.
Fica aqui minha despedida.
Minha decisão de não procurar, não pensar, não falar mais sobre você.
E ficam aqui palavras que, mesmo assim, não chegam nem perto de descrever o que está acontecendo dentro do meu coração.