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@maxpond

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We need to talk â Victoire & Maxwell
Encostou-se na parede ao lado dele, escutando com atenção. A curiosidade para ouvir sua resposta se confundindo com a curiosidade sobre o que estava o incomodando. Provavelmente nĂŁo era algo tĂŁo simples como a preocupação de que uma garota gostava dele, e ainda debatia se deveria questionĂĄ-lo ou simplesmente deixĂĄ-lo em paz. Afinal, nĂŁo era todo mundo que gostava das pessoas se intrometendo em seus assuntos. No entanto, Max era seu amigo, nĂŁo era? Se ele podia ajuda-la, era apenas justo da parte dela oferecer ajuda tambĂ©m. âVocĂȘ estĂĄ bem, nĂŁo estĂĄ?â perguntou, notando que podia soar rude ao quase cortĂĄ-lo. Arqueou uma sobrancelha a certeza com que ele afirmava que Adam gostava dela, mas logo viu a mentira na frase seguinte. Adam tinha uma ex. Evans, uma ruiva da Gryffindor, que Victoire nĂŁo conseguia parar de pensar que era muito melhor que ela mesma. NĂŁo sabia porque terminaram, mas sabia que continuavam amigos. âBem, ele realmente gagueja muito.â Murmurou, um sorriso pequeno nos lĂĄbios. Ela nĂŁo se importava, mas nĂŁo podia negar que o problema de dicção do garoto era grande.
âEu sei que ele nĂŁo me odeia, ou algo do tipo, masâŠâ Mas queria que fosse mais. NĂŁo queria que fosse algo rĂĄpido, que ficassem algumas vezes e entĂŁo continuassem sendo sĂł amigos. Realmente gostava dele, de uma forma que nunca gostara de ninguĂ©m antes. JĂĄ tivera interesse por outros garotos, Ă© claro, mas nĂŁo assim. AtĂ© mesmo seus irmĂŁos perceberam. âEnfim. Obrigada.â
A conversa com Victoire, apesar de absolutamente sem sentido, serviu para Max se distrair das prĂłprias preocupaçÔes. Focava-se agora nas da colega de casa visivelmente apaixonada por um de seus melhores amigos. Wright, porĂ©m, parecia ter percebido que havia algo de errado em seu comportamento, visto que o analisava com certa curiosidade. NĂŁo demorou muito tempo depois de seu pequeno monĂłlogo para que a questĂŁo viesse. Havia sido interrompido por causa de uma pergunta cuja resposta certamente seria artificial. Max nĂŁo respondeu. Arqueou uma sobrancelha para a ruiva de olhos azuis e permaneceu em silĂȘncio. Responderia afirmativamente mesmo se nĂŁo estivesse, mas a Ășltima coisa que desejava era conversar a respeito de si prĂłprio.
A ravenclaw era insegura demais, nĂŁo parecia tĂŁo satisfeita com as palavras que havia dito a respeito do que pensava de Adam. â Sim, ele gagueja â concordou, e viu o primeiro sorriso de Vic. Talvez ela tivesse entendido o que Max queria dizer desde o inĂcio. Balançou a cabeça em sinal afirmativo quando ela continuou a falar, mas a frase nĂŁo fora concluĂda. â... Mas? â encorajou curioso. O que a garota temia? Ela ainda nĂŁo parecia satisfeita, e ele nĂŁo queria deixĂĄ-la ir com a dĂșvida. Por todos os fundadores, Adam parecia gostar mesmo dela. Perguntou-se por alguns instantes se deveria se oferecer para conversar com o amigo para fazĂȘ-lo abrir os olhos ou qualquer coisa parecida. â Victoire, espere â chamou soltando a respiração atravĂ©s dos lĂĄbios quando a garota agradeceu e fez menção de se retirar. â Eu acho que a nossa conversa nĂŁo terminou â desencostou-se da parede de pedra e descruzou os braços. Sabia que a atitude lhe custaria algo â talvez uma confissĂŁo sua â, mas nĂŁo queria que a amiga fosse embora tĂŁo receosa quanto antes.
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Abriu a boca, a fechando logo em seguida. As palavras lhe foram engolidas, e ela percebeu que se tornara exatamente o tipo de garota que nĂŁo queria ser. NĂŁo queria ser o tipo de garota que dĂĄ gritinhos e fica nas nuvens o resto do dia apenas porque um garoto lembrou de lhe dar oi, mas estava começando a ficar assim. Ali estava ela, perseguindo o melhor amigo de Adam para perguntar sobre ele, sem nem sequer se importar em perguntar a Max como ele mesmo estava. NĂŁo precisaria perguntar para perceber que algo estava errado, e teve que morder a lĂngua para nĂŁo questionĂĄ-lo. Embora nĂŁo eram extremamente prĂłximos, ela se preocupava com o rapaz, e iria tentar arrancar algo dele assim que falasse o que queria. Se arrependeu de ter começado o assunto antes mesmo de perguntar sobre o seu bem estar, mas nĂŁo podia voltar atrĂĄs agora e parecer mais patĂ©tica do que jĂĄ estava. âAcha⊠Acha que ele gosta de mim?â perguntou, encostando-se na parede tambĂ©m, querendo ter a certeza. Sabia que Adam jĂĄ namorara a ruiva da GrifinĂłria, e nĂŁo podia evitar a pequena insegurança que sentia de nĂŁo ser tĂŁo boa quanto ela.
Talvez ele nem sequer gostava dela. Só era demasiadamente gentil para dispenså-la. Ele era inteligente demais comparado a ela, e provavelmente devia se irritar com ter que explicar tudo para ela. Além de tudo, ela o deixava desconfortåvel, a gagueira provava isso.
Ainda antes de a ravenclaw inquirir a respeito do seu amigo e colega de quarto, jĂĄ sabia qual seria a indagação. E a resposta. Talvez fosse aquilo o que precisasse naquele momento, distrair-se dos prĂłprios pensamentos e se focar em algo mais leve, mais simples. Como o inĂcio do relacionamento entre Victoire e Adam. Balançou a cabeça para cima e para baixo, encorajando a garota que parecia titubear a seguir com a dĂșvida. A pergunta por fim foi proferida, uma pergunta Ăłbvia com resposta igualmente previsĂvel. NĂŁo queria ser grosso ou rude com Wright, que parecia verdadeiramente temer o que quer que saĂsse atravĂ©s dos lĂĄbios de Max. â Claro que sim, Victoire â foi direto, balançando os ombros. Caminhou atĂ© a parede para que pudesse encostar as costas, cruzando os braços em seguida.
Talvez ela precisasse ouvir mais alguma coisa.
â Veja bem â franziu o cenho tentando colocar o que pensava em palavras. â Eu nunca vi Adam conversando ou saindo com uma garota por tanto tempo... â errado, Max. Tentou novamente. â ... Quer dizer, ele parece gostar da sua presença. Ele gagueja mais do que o normal quando perguntamos sobre vocĂȘ no dormitĂłrio â disse como se fosse algo bom. E era, afinal, nĂŁo era? Quando estĂŁo gostando de alguĂ©m, as pessoas costumam se comportar de maneira estranha. â Acho que vocĂȘ nĂŁo deveria se preocupar com isso. Ele nĂŁo estaria saindo com vocĂȘ se nĂŁo gostasse â referia-se ao dia em que ambos sumiram misteriosamente, com Adam aparecendo horas depois exibindo um sorriso bobo e uma expressĂŁo â surpreendentemente â aĂ©rea.
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Odiava que os garotos tinham as pernas tĂŁo longas e tanta facilidade para andar rĂĄpido mesmo sem tentar. Precisou correr para alcança-lo, e agradeceu aos cĂ©us por Maxwell estar sozinho. NĂŁo que nĂŁo gostasse da companhia de Adam, muito longe disso, mas precisava tirar algumas dĂșvidas e manter sua dignidade o mais intacta possĂvel. E ninguĂ©m melhor para pegar informação com do que o melhor amigo do tal garoto. SĂł esperava que Pond nĂŁo abrisse a boca e contasse sobre sua tentativa quase que desesperada de contato.
Desistiu de segui-lo em movimento, percebendo que era praticamente impossĂvel manter o passo e parou no meio do corredor. âPond!â gritou, um pouco mais alto que necessĂĄrio, encolhendo os ombros em um pedido de desculpas silencioso, e começou a andar novamente quando viu que ele havia parado. Finalmente, chegou perto o suficiente para ser ouvida sem precisar que todos os alunos ao seu redor tambĂ©m escutassem sua conversa. âEu⊠Preciso falar com vocĂȘ.â JĂĄ pode sentir o rubor aparecendo em suas bochechas, e se odiou mentalmente por isso. Raramente sentia vergonha, mas era sĂł pensar em falar sobre o que sentia por Adam em voz alta que ficava parecendo um tomate. âSobre o Adam.â
Corria, sem parar um minuto sequer. Corria tanto que não podia mais observar as coisas como observava antes. Não corria de verdade, é claro, mas sentia como se o fizesse. Desde o dia em que Vincent Williams o procurou, Maxwell Pond não tem tido muito talento para lidar com o que adviera. Se erguesse a mão e tocasse a pele agora intacta, poderia sentir o calor que emanava naquele local devido o toque do melhor amigo. E justamente por isso, seu cérebro tornou-se uma verdadeira maratona. Porque se não corresse, pensaria demais. E se pensasse... Rowena, ele não poderia.
Foi preciso alguns segundos para notar que estava sendo chamado. Max achava, honestamente, que aquilo estava se tornando um hĂĄbito entre os estudantes; gritar por seu nome no meio dos corredores. Parou, contudo, procurando pela dona da voz que havia gritado seu sobrenome, percebendo logo que era Victoire. â Hey â parou, enquanto esperava a menina inĂșmeros centĂmetros menor se aproximar. NĂŁo fazia ideia do que ela queria, nem fazia tanto tempo que conversaram pela primeira vez. O assunto da conversa nĂŁo o espantou, porĂ©m, tampouco a cor escarlate que combinava com os cabelos. NĂŁo lhe era segredo que existia algo entre a seeker do time de quadribol e o cara mais inteligente e irritante que conhecia. â Pode dizer, sou todo ouvidos â deu de ombros encostando-se na parede. A corrida em sua mente perdendo a velocidade. Precisava daquilo, concluiu, um desvio de foco.
But if I could change your mind. Maxâs Point of View.
VocĂȘ jĂĄ estava exaurido em ouvir sobre o herdeiro da tradicional famĂlia Williams, o mocinho gentil, educado e Ășnico filho de um dos melhores amigos dos seus pais. AlĂ©m de possuir o mesmo nome de um dos maiores artistas que jĂĄ viveu, parecia tambĂ©m ser dotado do mesmo dom de Van Gogh, o de enxergar a vida de um modo sĂł dele. O ârapazinho adorĂĄvelâ que tomou para si o coração de sua mĂŁe e talvez de todos aqueles que jĂĄ tiveram o privilĂ©gio de conhecer, te fez compreender a razĂŁo de ser tĂŁo querido. Na primeira vez em que o viu, admitiu que ele pudesse ser realmente uma boa pessoa, mas isso nĂŁo te impediu de ficar emburrado quando foi obrigado a dividir a mesa com ele na sua prĂłpria festa de aniversĂĄrio. VocĂȘ apreciava o silĂȘncio, e aquela invasĂŁo abrupta de onde vocĂȘ julgava ser seu espaço pessoal trouxe consigo o barulho incessante das palavras que saĂam em disparada dos lĂĄbios alheios. Demorou sete anos para que vocĂȘs se conhecessem, e mais quatro meses para que Vincent lhe arrancasse um sorriso. O primeiro de outros raros, mas cheios de significados.
Inconscientemente, vocĂȘ começou a chamĂĄ-lo de melhor amigo. Mas talvez ele fosse seu Ășnico amigo. A personalidade que seu pai moldou nĂŁo permitia a aproximação de outras pessoas. VocĂȘ os repelia, e ele, mesmo com tantos amigos e sendo o principal alvo de seu tratamento imerecido, nunca pareceu se importar com isso. Ao contrĂĄrio, te dava uma atenção especial, essa que vocĂȘ reconhecia nĂŁo ter direito. Ele te irritava determinadas vezes, e vocĂȘ o tratava mal sem qualquer razĂŁo. InĂșmeras foram as ocasiĂ”es que vocĂȘ foi grosso ou indolente. VocĂȘ sabia como o magoava, mas precisava agir daquele jeito para provar a si mesmo que ele nĂŁo poderia te desarmar. No entanto, ele jĂĄ tinha o feito desde que vocĂȘ sorriu para ele pela primeira vez.
Com o tempo, cada um aprendeu a respeitar espaço e os costumes do outro, cuja personalidade e o modo de lidar com a vida eram completamente distintos. Seu sorriso jĂĄ nĂŁo era mais tĂŁo difĂcil de ser visto, e quando estava com ele, conseguia enxergas as coisas como ele via. E tudo era diferente. Sua devoção pela arte, principalmente por Vincent van Gogh se transformou no desejo de fazer o mesmo que ele fazia. Ser ao menos uma pequena parte do que ele foi. VocĂȘ jĂĄ era capaz de ver o mundo com outros olhos, e tudo parecia mais belo assim. VocĂȘ esperou tempo demais pela motivação ou pelo menos o apoio de seus pais, mas sĂł pode encontrĂĄ-los em Vincent. Ele mudava e te surpreendia a cada dia. O garotinho baixo demais para a sua idade e com feiçÔes que poderiam ser comparadas facilmente com as de uma criança havia crescido. Entretanto, os orbes de um azul intenso nunca perderam o brilho ingĂȘnuo e atĂ© mesmo infantil que chamava a atenção de todos. Vincent era todo em cores, o seu modelo favorito. Mesmo que ele nunca soubesse, vocĂȘ costumava desenhar e pintar seu rosto muitas vezes, nĂŁo compreendendo a razĂŁo de uma pessoa instigar tanta curiosidade. Eram muitas cores, muitos traços, muita coisa que ninguĂ©m poderia ver se nĂŁo prestasse a devida atenção. VocĂȘs se conheciam hĂĄ mais de uma dĂ©cada, vocĂȘ sabia tudo sobre ele. Mas aquilo nĂŁo parecia ser o suficiente.
Ao contrĂĄrio de Vincent, vocĂȘ havia regredido. O Maxwell de sete anos parecia ter retornado. AlĂ©m das expressĂ”es emburradas e respostas malcriadas, algo em seu peito parecia lhe consumir. DoĂa, como uma mĂŁo invisĂvel apertando seus ĂłrgĂŁos vitais sem dĂł alguma cada vez que vocĂȘ ouvia a voz alheia ou via seu sorriso. Essa dor sĂł lhe causava mais chateação. VocĂȘs começaram a brigar com mais frequĂȘncia, e ele passou a tomar uma posição sobre elas. VocĂȘ sentiu na pele o que ele possivelmente guardava para si. Vincent era compreensĂvel e te valorizava, Max. Mas atĂ© ele, atĂ© seu melhor amigo que sempre esquecia e te perdoava, se cansaria. Uma discussĂŁo em especial construiu uma barreira entre vocĂȘs. Como um muro impossĂvel de ser ultrapassado ou escalado. VocĂȘ nunca se sentiu tĂŁo infeliz quanto nos poucos dias em que se afastaram. VocĂȘ sabia que estava errado, mas era orgulhoso demais para assumir o prĂłprio erro e buscar o perdĂŁo. VocĂȘ precisava destruir aquele muro denso envolto a ambos enquanto havia alguma chance. E sem abrir mĂŁo do seu orgulho, foi ao seu encontro. Quando vocĂȘ teve coragem para encarĂĄ-lo nos olhos, uma atitude impensada pegou a ambos de sĂșbito. VocĂȘ o beijou.
O primeiro beijo que vocĂȘs trocaram surpreendeu a ambos. A ele por ter sido em meio a uma discussĂŁo, e a vocĂȘ por ter esclarecido tanta coisa em tĂŁo pouco tempo. VocĂȘ nunca deu indĂcios de que sentia qualquer coisa por ele, e nem ele por vocĂȘ. Precisou de uma briga sĂ©ria e um beijo para que vocĂȘ compreendesse que aquela dor, aquela pressĂŁo em seu peito fosse amor. Com os lĂĄbios grudados ao de seu melhor amigo, vocĂȘ se sentia tonto, e em dĂșvida se essa reação era por causa do prazer fĂsico ou a grande quantidade de informaçÔes que passavam em sua mente. VocĂȘ o amava. Ao processar a informação que pensando bem, estava claro para os dois, vocĂȘ se afastou imediatamente olhando-o como se fosse a primeira vez. Vincent era uma aquarela naquele momento. Os olhos azuis estavam largos e muito mais claros do que o habitual, e dessa vez brilhavam em dĂșvida e confusĂŁo. Os lĂĄbios entreabertos, assim como as maçãs do rosto tinham um tom rubro. A sua maior vontade, Pond, era tomĂĄ-lo em seus braços e se entregar ao sentimento recĂ©m-descoberto, mas nĂŁo podia. NĂŁo com aquele turbilhĂŁo de emoçÔes e pensamentos dominando seus pensamentos.
VocĂȘ estava assustado com a intensidade daquele sentimento. Estava em duvida se era recĂproco, se nĂŁo seria desprezado. Tinha medo. Medo de nĂŁo conseguir lidar com algo tĂŁo grande e sincero, medo do que aconteceria quando descobrissem que seu coração pertencia a outro rapaz. Medo do que poderia escapar dos lĂĄbios que foram tocados pelos seus hĂĄ poucos instantes. Incapaz de enfrentar Vincent, e vocĂȘ mesmo, vocĂȘ foi embora. O melhor aluno da sala durante anos, o rapaz confiante e centrado que orgulhava os pais a cada dia, aquele que prometia ser um artista de sucesso, demonstrando a avalanche de sentimentos que nĂŁo conseguia expressar em cada quadro que pintava foi embora. VocĂȘ nĂŁo sabia lidar com os prĂłprios sentimentos. Eles te assustavam, porque vocĂȘ sempre foi deveras racional. VocĂȘ nĂŁo podia lidar com aquilo.
Virar as costas para Vincent depois de tĂȘ-lo tĂŁo perto, depois de ter experimentado a melhor sensação da sua vida lhe causou um enorme vazio. Aquela atitude que poderia ter inĂșmeros significados fez vocĂȘ ter certeza de que o perderia de vez. Portanto, vocĂȘ tentou se convencer de que a presença do menor nĂŁo te faria tanta falta. Como vocĂȘ foi tolo em cogitar essa hipĂłtese, Maxwell. Mesmo apĂłs semanas sem qualquer tipo de contato com ele, vocĂȘ era capaz de visualizar a expressĂŁo surpresa que ele assumiu apĂłs o beijo. A lembrança dos lĂĄbios dele se chocando contra os seus ficaria para sempre com vocĂȘ, trazendo a Ăąnsia por mais contato. VocĂȘ estava enlouquecendo sem seu Vince. Todos sabiam que isso aconteceria um dia, atĂ© vocĂȘ. VocĂȘ nĂŁo gostava de discutir com ele, embora a causa da maioria das brigas travadas entre vocĂȘs fossem iniciadas por vocĂȘ. Todas as vezes que vocĂȘs ficavam sem se falar, ele te procurava para pedir perdĂŁo, mesmo sendo desnecessĂĄrio. Dessa vez foi diferente. A Ășltima briga fora esquecida, camuflada por uma razĂŁo muito maior. A dor que a distĂąncia causava parecia se intensificar a cada dia. VocĂȘ sentia como se estivessem te rasgando por dentro, e essa sensação te fazia lembrar, ironicamente, daquela dor que vocĂȘ sentiu quando os sintomas da sua paixĂŁo despontaram sem vocĂȘ sequer saber. Um sentimento tĂŁo puro e julgado ser tĂŁo belo deveria causar tanta dor assim?
Ele ainda cruzava o seu caminho, e quando vocĂȘ procurava o brilho familiar nos olhos alheios, vocĂȘ sĂł podia enxergar o opaco. Estava sem vida, pareciam magoados e doloridos. Vincent era todo em cores, o seu modelo favorito. Mas quando vocĂȘ tentou pintĂĄ-lo novamente, a cor que predominava sua obra era cinza. Tom esse que permaneceria se vocĂȘ nĂŁo tivesse quebrado todas as suas barreiras e lutado contra a sua prĂłpria razĂŁo. Sua razĂŁo perderia, porque vocĂȘ precisava tĂȘ-lo de volta para si. VocĂȘ nĂŁo era hipĂłcrita para alegar que ainda o queria como um amigo. Isso nĂŁo bastaria, de novo, nĂŁo era o suficiente. VocĂȘ compreendeu o mistĂ©rio que cercava Vince, e precisava desvendĂĄ-lo. VocĂȘ precisava apresentar as cores a ele novamente. O branco de sua pele e sorriso, o azul que nĂŁo podia ser comparado com nada, o rosado que cobria as maçãs do rosto quando ele estava empolgado ou acanhado. O negro de seus cabelos e o vermelho de seus lĂĄbios. VocĂȘ precisava de Vincent mais do que qualquer coisa. Mais do que a aceitação de pessoas que vocĂȘ nem sequer conhecia ou fazia questĂŁo de obter respeito, mais do que sua vontade de ser famoso atravĂ©s do seu talento, mais do que a vontade dele de salvar vidas e roubar sorrisos. EntĂŁo vocĂȘ foi, e diria o tamanho da sua necessidade. Anularia padrĂ”es e preconceitos. Surpreenderia toda a sua famĂlia e empolgaria a famĂlia Williams. Faria seus amigos em comum e colegas revirarem os olhos como se jĂĄ soubessem sobre o desenrolar da histĂłria entre vocĂȘs de cor. No fim, ele te pertencia, e vocĂȘ a ele. E nada mais importava.

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Miss Atomic Bomb. July 26, 1966. Maxâs Point of View.
Quem lhe perguntasse algumas semanas depois, ou atĂ© mesmo no dia seguinte, Max Pond nunca admitiria que estivesse naquele lugar Ă quela hora da noite fazendo o que estava prestes a fazer apenas por um pequeno capricho de River. Embora ambos fossem novos demais para se preocupar com a prĂłpria integridade, o jovem rapaz achava que aquilo tudo era uma loucura. Eram vinte e trĂȘs horas e quarenta e cinco minutos do dia do suposto aniversĂĄrio de River Song e assim como os costumes trouxas, ela pensou em um desejo ao soprar num fĂŽlego sĂł â coisa que se orgulhou e fez questĂŁo de jogar na cara do primo que conseguira sozinha â todas as âmilharesâ velas dispostas no bolo grande, atrativo e repleto de chocolate. Com toda sua excentricidade, Maxwell nunca esperou por um pedido comum, tampouco um que nĂŁo o envolvesse. Tentou â inutilmente, vale ressaltar â usar todo o poder que a sua voz fina e ainda sem forma possuĂa para fazer a mais nova mudar de ideia. No entanto, Riv nunca andava para trĂĄs com as coisas que colocava em sua cabeça.
O desejo era claro: queria correr por toda a rua do pacato vilarejo bruxo que o garoto residia com os dois pelados. Nus. Sem roupa nenhuma. Nem as peças Ăntimas, Maxxie! A garota exclamou quando o rapaz abriu a boca em protesto, fazendo as palavras morrerem no meio do caminho. Escapar da casa dos Song naquela noite nĂŁo foi algo que exigiu muito trabalho dos pequeninos. Depois de toda a bagunça que aquilo que deveria ser apenas uma jantar com um bolinho causou, os primos tinham certeza que nada faria seus pais acordarem antes do inĂcio da tarde do dia seguinte. Pensando nisso, River apareceu na beirada da cama de Max que ressonava tranquilamente poucos minutos atrĂĄs, fazendo o menino levantar-se num sobressalto apĂłs ouvir o chamado sutil da loira. Ele ficou imediatamente mal humorado, fazendo-a ralhar com ele para que deixasse de ser tĂŁo ranzinza. VocĂȘ sabia que mau humor envelhece? Ela questionara provocando-o. Que eu saiba aniversĂĄrios envelhece. Retrucou sabiamente, nĂŁo notando o riso sutil que escapou dos lĂĄbios femininos.
â Eu teria escolha se nĂŁo estivesse? â o futuro ravino bufou em resposta ao questionamento sobre estar pronto ou nĂŁo. Fazia frio, muito frio, e Maxwell tinha certeza que ambos poderiam morrer de hipotermia caso ficassem muito tempo do lado de fora. Sugou o ar gelado pela boca antes de descer as calças largas do pijama. Olhou pelo canto dos olhos o sorriso feliz que nĂŁo deixava o rosto alheio, enquanto ela puxava a camisola por cima. NĂŁo havia malĂcia alguma por parte de nenhum dos dois, somente cumplicidade quando a menor capturou os dedos finos e compridos do menino e entrelaçou aos prĂłprios. River Song nĂŁo contou atĂ© trĂȘs quando começou a puxar Max Pond pelos braços, e nenhum dos dois sabia que os gritos dela foram ouvidos por algumas pessoas das casas vizinhas que pediram para seus maridos irem ver o que estava acontecendo. Eles nĂŁo sabiam que seus pais iriam acordar sim antes da tarde do dia seguinte, tampouco que iriam ficar de castigos (e gripados) durante uns bons meses. Contudo, depois de alguns anos, Max refletiu que cada uma daquelas coisas que lhe aconteceram naquele vinte e seis de julho tornou aquele dia mais especial do que o seu prĂłprio aniversĂĄrio. Afinal, nem era o aniversĂĄrio de River Song de verdade â e sim o de seu pai â mas ele nĂŁo conseguia pensar em outro dia que se divertiu tanto quanto aquele. ⊠E bem, foi com as mĂŁos sobre suas partes Ăntimas que ele vira Vincent Williams pela primeira vez.
In spite of everything I shall rise again: I will take up my pencil, which I have forsaken in my great discouragement, and I will go on with my drawing. From that moment everything transformed for me.
Vincent van Gogh
You watch us run, winter 1976. Pond & Song.
Max tentava se lembrar em qual ponto da sua vida tinha deixado de seguir as prĂłprias decisĂ”es para acatar desejos abusivos. Em nenhuma das vezes que decidiu sair com algum dos amigos para lugares novos, eles acabaram bem. Agora, levar River Song para um pub trouxa poderia ser considerado como a maior loucura que Maxwell Pond faria em vida. Ă claro que o rapaz tentou de todo o modo que conseguia negar o pedido e tentar contornar a vontade da prima. No entanto, teimosa e decidida como era, fora River que o contornou o rapaz, conseguindo tornar sua vontade em algo concreto. O rapaz atĂ© tentou apelar pelo bom senso dos pais e tios que por sua vez, tinham plena confiança nele, achando que aquela ideia poderia trazer uma boa experiĂȘncia para os dois â alĂ©m de controlar os Ăąnimos da Ășnica filha dos Song. Rendido concordou em levar a garota atĂ© o lugar, com a condição de apenas levĂĄ-la. âTente respeitar o horĂĄrio de encontro dessa vez.â Rabiscou no final pergaminho que escrevera antes de se arrumar para o passeio.
Faltavam poucos dias para o fim de 1976 e a chegada de 1977, e Max nĂŁo conseguia imaginar algo melhor para fechar suas âfĂ©rias de Natalâ com chave de ouro. AlĂ©m de ser proibido de colocar os pĂ©s para alĂ©m da porta da sala durante os dias que estivera em casa â incluindo ali seu aniversĂĄrio de dezessete anos â, a Ășnica vez que sairia no pequeno recesso, foi para levar a prima mais a uma festa cujo interesse de sua parte era inexistente. Ajeitou pela Ășltima vez a gola da camisa xadrez sob o casaco preto grosso que utilizava a fim de se proteger do frio e alcançou sua varinha e uma carteira trouxa que continha algum dinheiro para que pudesse se virar com a garota. Marcaram de sair da casa da menina Ă s nove horas da noite, para que chegasse ao local antes do indicado no maldito folheto que River havia encontrado no malĂŁo de uma amiga antes de sair de Hogwarts. Desceu atĂ© a sala de estar, onde Adam Pond o aguardava com as Ășltimas recomendaçÔes e ordens sobre horĂĄrios e postura. Max o ouviu em silĂȘncio apenas assentindo quando achava ser necessĂĄrio, enquanto tentava ignorar o pensamento de que jĂĄ era maior de idade e que ordens como aquela eram totalmente desnecessĂĄrias hĂĄ algum tempo.
Livre do discurso do pai e de todos os abraços e beijos preocupados da mĂŁe, se preparou para aparatar atĂ© a casa dos Song que ficava a uma distĂąncia relevante da sua. Concentrou-se em todas as recomendaçÔes dadas pelo funcionĂĄrio do MinistĂ©rio no ano anterior e meditou sobre os trĂȘs âDâs. NĂŁo era a primeira vez que aparatava sozinho, portanto sentia-se mais confiante em seu sucesso. Planeou seu destino, conhecendo a sensação desconfortĂĄvel que o tomava sempre que usava algum meio mĂĄgico para se locomover. Para seu alĂvio, percebeu o chĂŁo sob seus pĂ©s e todos os membros em seus devidos lugares. Abriu os olhos certificando-se de que aquela era a cozinha dos tios e tratou de caminhar em direção Ă sala de estar, onde todos possivelmente estariam. Tia Amy e tio Rory sorriram compreensivos encolhendo os ombros como duas crianças que acabaram de serem descobertos pelos pais depois de aprontarem alguma traquinagem. Max ignorou o gesto dos mais velhos e os cumprimentou, ouvindo a promessa de que a filha estava quase pronta.
Ao contrĂĄrio do que acreditava diante do aviso dos tios, Maxwell se viu esperando River por cerca de meia hora. Pond detestava esperar. O humor que lhe restava esvaĂa-se junto com a pouca paciĂȘncia que possuĂa habitualmente. Quando ouvira passos do andar superior da casa, Max levantou-se tentando controlar a perna direita que batia furiosamente no chĂŁo em um gesto de nervosismo. Tia Amy se levantou, aproximando-se de Max dando-lhe um beijo na bochecha e saiu da sala sendo seguida por Rory, que apenas acenou para o sobrinho em um gesto quase imperceptĂvel com a cabeça. Max retribuiu o aceno sem conseguir disfarçar a insatisfação por ter ficado de molho durante tanto tempo. â Meia hora, River Song. Trinta minutos! NĂŁo Ă© possĂvel que vocĂȘ tenha tido a noite inteira disponĂvel para se arrumar e resolveu começar tĂŁo em cima da hora â ralhou emburrado gesticulando enquanto encarava a causa de toda a sua chateação com uma expressĂŁo sĂ©ria.