Meu Relato: A Noite em que Visitei Sete Além
Nunca fui de acreditar muito nessas histórias sobre Sete Além. Sempre achei que fossem apenas lendas da internet... até acontecer comigo.
Isso aconteceu numa madrugada de domingo. Eu acordei por volta das 3h17 sem motivo aparente. A casa estava completamente silenciosa. O estranho era que eu sentia uma vontade inexplicĂĄvel de sair do quarto.
Quando abri a porta, tudo parecia igual, mas havia algo errado. O corredor estava mais comprido do que o normal, e o ar era pesado, como se o tempo tivesse parado.
Olhei pela janela e senti um frio na espinha.
A rua estava completamente vazia. NĂŁo havia carros, cachorros, vento, nem o som dos grilos. As luzes dos postes tinham um tom alaranjado muito forte, quase impossĂvel de olhar por muito tempo.
Decidi sair de casa.
Assim que coloquei os pés na calçada, tive a sensação de que alguém me observava, mas nunca consegui ver ninguém. Caminhei por alguns minutos até perceber que todas as ruas pareciam iguais. Não importava para onde eu andasse, sempre acabava voltando ao mesmo lugar.
Foi entĂŁo que vi algumas pessoas.
Elas caminhavam lentamente, de cabeça baixa. Ninguém falava. Quando tentei pedir informação, uma delas apenas levantou o rosto por alguns segundos. O olhar era vazio, como se não houvesse emoção alguma.
Sem dizer uma Ășnica palavra, ela apontou para uma rua estreita.
Segui naquela direção.
No fim da rua havia um prédio enorme, completamente iluminado por dentro. Mas as luzes eram diferentes... não pareciam luzes comuns. Eram fortes, porém não iluminavam direito.
Quando entrei, ouvi um barulho semelhante ao de uma estação de trem, mas não existiam trilhos.
Foi aĂ que uma voz falou atrĂĄs de mim:
â "VocĂȘ nĂŁo pertence a este lugar."
Olhei para trĂĄs.
Não havia ninguém.
Meu coração acelerou.
Corri para a saĂda, mas a porta desapareceu.
Comecei a sentir falta de ar. Tudo ao meu redor parecia vibrar, como se o mundo inteiro estivesse tremendo em silĂȘncio.
Fechei os olhos por alguns segundos.
Quando os abri...
Eu estava novamente no meu quarto.
O relĂłgio ainda marcava 3h17.
Nenhum minuto havia passado.
Até hoje não sei explicar o que aconteceu naquela madrugada. Pode ter sido um sonho extremamente real... ou talvez eu tenha conhecido um lugar que nunca deveria ter visto.
Desde então, sempre que vejo uma rua vazia iluminada por luzes alaranjadas durante a noite, lembro daquela sensação.
E, por um instante, tenho medo de estar voltando para Sete Além.















