Os Arquivos não eram exatamente o local preferido dos cavaleiros de dragões, o que significava que eram pouco vistos com um livro em mão em dias normais - para isso, tinham seus preciosos escribas. Em Hexwood, contudo, toda a ignorância dos montadores parecia ficar ainda mais evidente em meio a um mar de khajols aplicados e dedicados ao estudo de seus deuses e de todas aquelas bruxarias. Era como um golpe no ego de Roiben, que sempre tinha sido um cavaleiro bem recomendado, o primeiro de seu esquadrão, orgulhoso de tudo o que era capaz de fazer; ali, seus conhecimentos não pareciam ter valor algum para aquela gente. Ainda assim, não foi de propósito que acabou esbarrando nos livros da khajol – apenas uma das muitas inconveniências de ter de dividir o espaço com eles. Até entendia que a casa fosse dos feiticeiros, mas era inegável que podiam ser demasiado espaçosos e pouco hospitaleiros. Podia ter um relacionamento melhor com os donos do lugar do que muitos cavaleiros do Quadrante, mas isso não significava que desejava estar ali e não no conforto de Wülfhere, mesmo que Wülfhere fosse só um amontoado de pedras atualmente. Ao receber o aviso de cuidado, que o corpo imediatamente recepcionava como uma ameaça – mesmo que vinda de um ser diminuto como aquele – foi natural o retrucar, algo sobre a mais nova não ser cuidadosa o suficiente com suas próprias coisas, o que ele não estava em posição de assumir, já que não a conhecia, e ela estava certa quando disse exatamente isso. O cavaleiro seguiria em frente independentemente do discurso contendo lição de moral que era proferido, apenas ignorando-o, não tivesse o timbre alheio soado em seus ouvidos reacendendo uma memória. Foi só quando as íris focalizaram, de fato, na mais nova, que o Kaya soube que não estava diante de uma completa desconhecida. Ou melhor, percebia agora que, se dependesse de Mare, ele não saberia muito além de seu primeiro nome, como o fato dela ser uma khajol. "Mare?" testou, franzindo o cenho e retornando para se virar na direção dela. Seria possível que estivesse confundindo? Tinham se visto poucas vezes, mas Roiben tinha considerado saber o suficiente para ser capaz de reconhecê-la, e para concluir que ela não passava de uma humana. Tantas horas de conversa tinham de servir para algo. "O que está fazendo aqui?" questionou, sorrindo sem graça, como se tivesse sido pego desprevenido. Na realidade, o que queria mesmo era perguntar: o que está fazendo aqui se você é apenas uma humana? "Quero dizer, você não deveria estar aqui, deveria? Hexwood é uma instituição para khajols"