Não fui trabalhar essa noite. Resolvi me sentar de frente para um espelho velho e sujo, daqueles que têm um cheiro horrível por causa do desgaste. Fiquei em posição de meditação, encarando meu reflexo. Meus cabelos estavam caídos sobre os olhos, as marcas de expressão evidentes em meu rosto. Tentei me forçar a sorrir, mas não havia motivo para isso.
Em seguida, ainda me olhando, comecei a me questionar sobre os motivos pelos quais as pessoas se forçam a fazer algo que não querem. Certa vez, meus colegas de trabalho, ambos veganos, aceitaram comer carne por receio de contrariar nosso chefe, que levou um chester enorme para a celebração de fim de ano. Pode soar como um exemplo tosco, mas, na minha cabeça, fazia sentido.
















