O primeiro suspeito foi uma boneca que era toda de encaixes, encaixava em tudo até mesmo em um rapaz de botas rosas. Ela saiu em uma noite chuvosa dentro dela mesma, com um vestido florido e azul, ela não sentia a chuva na pele, mas ouvia o maravilhoso barulho da chuva e do seu silêncio, se sentou na calçada perto de uma poça, e começou a tocar a água da chuva que havia na sua pele, veio então uma pergunta: "por que eu não consigo sentir as gotas?" veio então o segundo suspeito fora da lei, uma escrivaninha do lado da sua cama com um guarda-chuva roxo com fitinhas pretas, ele estava seco e sua pele molhada, seria bom naquele momento uma xícara de café com leite e um piano para colocar em prática seus maiores segredos, segredos que todos escutavam quando ela ia para a escrivaninha no meio da madrugada. O terceiro foi uma janela, da cor branca que era virada para a mais bela arte e de tirar o fôlego, virada para o número quatro "o céu", que coloca em prática suas emoções e desabafos mais profundos, com cores e barulhos, caíam até pedrinhas dele. Pedrinhas que quebravam até mesmo as janelas mais fortes. O quinto foi uma porta com a maçaneta torta, de noite escutava uma voz que não era voz mais era um ruído vindo do silencioso quadro da boneca. O sexto foi uma parede com algumas fitas coloridas e um rasgão entre elas, como de uma unha, insanas eram as noites naquele quarto. Sabe lá o que acontecia ali. O sétimo era uma caixinha verde que foi deixada por um "passarinho especial", digamos assim, ela sentia ele como se pode-se sentir a alma, só que nem sentia a cor do seu sorriso, ele só entregou a caixinha por entregar, dentro não havia nada de bonito, nada de surpreso, só havia um vazio, que nem o quarto dela quando ia para perto do oitavo que era mais ou menos uma parede branca, ela se sentava perto daquela parede e poderia sentir o que quisesse, à parede conseguia ouvir ela, ela abraçava a parede com todas as forças mesmo sabendo que não ia precisar abrir os braços para fazer isso. O nono era um teclado, sua cor era cinza e bem longe da janela aberta, um cinza fechado assim como suas noites de insanidade que deitavam em lençóis grossos que poderia sentir que estava soterrada por eles, mas não estava nem na superfície deles. O décimo foi virando aos poucos uma espécie de décimo primeiro, era um casaco cinza que ao vestir sentia o mundo e as constelações dentro dele, vestia ele toda hora e todo dia quando precisava de conforto. O décimo segundo é uma aliança que acabou virando sua, por um certo alguém dar para ela de uma lembrança boa, tão boa que às vezes ela chora de alegria, coisa que o teclado cinza e fechado não conta quando fala de estórias bonitas, porém tristes. O décimo terceiro era uma agonia que viva dentro dela, ela fazia dessa agonia poesia e poeira, sempre empurrava para de baixo do tapete em esperança que no outro dia ai ver no seu redor de novo. E a décima quarta e esplêndida, era um álbum de fotos de todos os outros suspeitos que foi citado, cada um com um significado e cor, cada chuva no seu temporal, e assim foi que nevou nos 14 sentimentos, ou meninos suspeito. A chuva parou, e um lindo arco-íris abriu no céu e ela fez que nem sempre entrou para dentro de casa, fechou a porta e foi dormir com o vestido molhado de gotas do seu grande amor.