Chaleira apitando. Desligo.
Pego a alça e faço um leve movimento circular pra quebrar o fervor da água. Despejo devagar na jarra de vidro da cafeteira francesa, também em movimentos circulares, pra água quente penetrar no pó do café e extrair os óleos essenciais. Encho até a metade, mexo com a colher, misturando circularmente e aguardo apurar. A fumaça quente que sai dança leve com o suave vento que entra da janela. A fumaça dança e espirala…
Olho pra janela.
Abro a torneira, enxaguo e coloco a colher sobre a pedra fria. A água espirala na borda antes de descer pelo ralo.
Reaqueço e despejo o restante da água na jarra. Despejo circularmente. Mexo mais uma vez. Não sei se teria necessidade, mas eu quis ver a espuminha cremosa do café espiralando na superfície.
Fechei meus olhos e senti o inebriante cheiro do café entrando pelas minhas narinas, entra, circula pelos pulmões e sai.
Me servi.
Peguei minha caneca e me sentei à mesa.
Acendi um incenso. Ele queima. A fumaça sobe.
Espirais…
Precisei escrever.
Abri meu bloco de notas no celular.
Gole de café...
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