❝ So you’re playing hard to get now? Cause I kinda like that. I can totally pretend I’m taking you on a date ❞ colocando uma uva na boca, Aphrodite fez questão de soar o mais provocativa o possível, mesmo que o sorriso indicasse uma brincadeira. Uma das que eram puxadas para flerte, mas mesmo assim. ❝ You know, walk you home, kissing you goodbye respectfully like a lady. Keep our clothes on. ❞
Sentando-se sobre a coberta, Aphrodite tirou o casco que usava por cima da regata e os tênis. O quarto estava quente, então não foi problema livrar-se dos agasalhos. Gostava particularmente de quando não tinham que usar os uniformes. ❝ Você não fica triste com o castelo vazio? ❞ a pergunta podia até soar aleatória, mas era algo que vinha pensando aqueles dias. ❝ Hogwarts é sempre tão cheia, o tempo todo. Estar aqui sozinha me faz sentir estranha… Não agora, claro. Agora eu não tô sozinha. Mas você entendeu. ❞ deu de ombros, fitando o rapaz. ❝ Estar sozinho faz a gente pensar no que vai acontecer daqui pra frente. No que vem acontecendo. ❞ ela baixou a cabeça, parecendo distraída com o potinho de pudim. ❝ Eu meio que tô com medo. ❞ Sebastian, por exemplo, tecnicamente estava protegido pelo sangue dele, ela não.
Riu quando ela disse que poderia fingir que estava o levando em um encontro, achando divertido imaginar como poderia imaginar realmente aquilo tudo acontecendo se não fosse o momento em que o mundo se encontrava. “Of course I’ll keep my clothes on, I’m not that kind of guy.” Brincou, observando enquanto ela se fazia mais à vontade. Sebastian já estava acostumado com a temperatura do quarto, então tudo que fez foi retirar o casaco e dobrar as mangas até os cotovelos, deixando a camiseta de botões aberta até o peito. Mesmo não precisando usar o uniforme, ainda sim usava roupas formais, era seu costume.
Não ficava triste com o castelo vazio, por mais que aquela fosse a primeira vez que estivesse o vendo daquele jeito de fato. Ele só era acostumado a estar sozinho, se não realmente então fisicamente, a maior parte do tempo. Eram raras as pessoas que faziam com que ele não se sentisse assim, Caleb era uma delas. Aphrodite lentamente se tornava a segunda. Mas entendia o motivo dela se sentir assim, quanto menos existia para que eles se distraíssem mais eles pensavam no que aconteceria dali para frente, e não era bonito. Não podia dizer que ela não tinha motivos para temer, afinal o que ela mais tinha eram motivos para ter medo.
Suspirou, a chamando para si com a mão, deixando que ela se acomodasse ente as pernas dele, envolvendo os braços na garota em um abraço. “Eu sei que você tá com medo, essa situação toda é uma grande bosta.” Disse baixo, apoiando o queixo no topo dos cabelos loiros. “É tão idiota, toda essa coisa de sangue... Nenhuma civilização sobreviveria só de ‘sangues puros’, a gente precisa de uma variedade de DNA, e além disso status sanguíneo é a coisa mais sem valor que eu posso pensar na vida.” Fez uma pequena pausa, abraçando a lufana com um pouco mais de força. “Eu não vou deixar nada acontecer com você, ok?”
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❝ I would never ❞ ele afirmou. desistir de uma ideia que estava em sua cabeça por tanto tempo não era uma coisa que ele estava acostumado, então parecia uma ideia longinqua ele desapontar helena. ele sorriu abertamente quando ela se aproximou e colou os lábios nos dele, e continuou a sorrir quando ela se afastou, levando a boca o cigarro que ainda tinha nos dedos, tragando uma vez e soltando a fumaça lentamente. jogou o cigarro no chão e pisou-o, andando na direção de sebastian quando helena clamou por sua ajuda, e juntos colocaram o outro na cadeira e amarraram-o firmemente para que não fugisse.
a primeira parte do plano havia sido executado com maestria, e rasmus estava orgulhoso disso. se sentia animado, porque a próxima parte era a mais divertida, por mais que tivesse ficado bastante orgulhoso por conseguir raptar sebastian e o trazer para a sala precisa. helena então finalmente acordou o outro, e os olhos claros de rasmus fitaram pucey por muito pouco tempo, logo se voltando a helena enquanto ela rodeava a vítima. ele ansiava pela ação, e helena sempre parecia pronta para atacar, o que a deixava ainda mais bonita naquele cenário.
sebastian finalmente acordou, parecendo claramente perdido, e quando pousou os olhos no ruivo, murmurando seu sobrenome, rasmus abriu o sorriso, mostrando os dentes e piscou com apenas um olho na direção de sebastian, mas não respondeu ou soltou uma palavra que fosse. sabia que aquele momento era todo sobre a helena, e só estava ali para a parte divertida. não se importava em não ser o centro das atenções ali, principalmente porque teria o seu momento, quando a hora de apagar-lhe as memórias chegasse.
soltou uma risada audivél quando sebastian reagiu, revirando os olhos. ele pensava mesmo que se agitando conseguiria sair dali? rasmus e helena não seriam tão burros. ❝ awn, ele acha que você é maluca. acho que ele não entendeu direito o que ta rolando por aqui ❞
@hxlenanott
TW: Tortura
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Respirou fundo quando ela disse que quanto mais ele se debatesse mais os nós ficariam apertados, pois ele conseguia sentir aquilo sem que ela precisasse lhe contar. “Você decidiu mudar seus gostos desde que terminamos, então... Já que quem gostava de ser amarrada era você.” Sorriu levemente, por mais forte que o coração estivesse batendo. Não queria estar com medo de morrer, achava muito arriscado que lhe matassem dentro do castelo e nenhum dos dois era estúpido o suficiente para tal... Mas pelo visto eram malucos o suficiente para sequestrá-lo, então ele já não sabia mais o que esperar.
Levantou o rosto para Helena quando ela colocou a varinha em seu queixo, o rosto denunciando a expressão de fúria que a mulher conhecia muito bem, afinal havia a visto mais vezes do que poderia contar. Não teria nenhum problema com a ex-namorada se o término de ambos tivesse sido comum, mas... Não havia nada de comum em Nott. “O que você vai fazer? Vai me matar?” Perguntou em tom de deboche, fitando rapidamente Rasmus antes de voltar o olhar para ela. Deveria ter desconfiado que um babaca da Durmstrang não era flor que se cheire. “O que é isso, um tipo de preliminar nova que você inventou? Seu novo namoradinho só consegue ficar de pau duro torturando outros caras? Porque eu tenho que te dizer, Helena, sounds a bit gay.” Sorriu, como se nada estivesse errado, mas deixando o sorriso morrer quando ela citou seu pai. “Fuck you, Helena.” Foi a única coisa que conseguiu pronunciar antes que a sonserina lhe jogasse o crucio.
Adrian Pucey tinha um favoritismo pessoal por castigos físicos: supercílios cortados, olhos roxos, lábios inchados, ossos quebrados, qualquer coisa que pudesse lhe permitir descontar sua raiva no filho até que ele se saciasse ou o garoto desmaiasse, o que viesse primeiro. No entanto, ele não deixava as maldições imperdoáveis de lado, não. Aquelas tinham, no entanto, o intuito de “transformá-lo em homem”, ou “treiná-lo para qualquer situação”, qualquer desculpa travestida de preocupação que não enganava ninguém. Então, mesmo não sendo tão familiarizado com o crucio, ainda sim a dor provinda da maldição não era algo desconhecido para ele. Impossível de ser descrita, não conseguia pensar em nada que chegasse perto do que o feitiço causava, mas sabia o que era pior: era pior do que quebrar um osso, era pior do que ser sufocado, era pior do que ser atingido com qualquer objeto de ferro, era pior do que ser queimado com um charuto, era pior do que ser cortado com uma faca quente, e era pior do que tudo aquilo e muito mais juntos.
Segurou o máximo que pôde dos gritos que queria soltar, mas a dor excruciante era extremamente visível. Ela era esperta, pois ele involuntariamente tentava se soltar das cordas, e agora elas ficavam ainda mais fortes ao redor dos seus pulsos e pernas. Ele já era capaz de sentir os membros dormentes pela falta de circulação quando soltou um único grito, longo, uma mistura de dor e ódio dela, de Rasmus, de seu pai, da guerra, de tudo. Ofegava e estava vermelho quando a garota “cansou” de lhe infligir dor, sentia o corpo vibrar e doer, a visão estava levemente turva. Respirou fundo e reuniu todas as suas forças para encarar Nott nos olhos, levantando o rosto. “It’s really cute, Helena. The way you think you can hurt me more than what I’ve been hurt before.” Não havia motivos para tentar esconder de Dolohov o que acontecia dentro da casa dele, se a sonserina não havia contado então ele provavelmente já deveria ter conectado os pontos. “Poor little girl, tortured by ignorant muggles...” Debochou, balançando a cabeça em negativo. “Have you told him?” Perguntou, referindo-se à Rasmus. “Have you told you poor little sad story? Uh? And asked him to fuck the pain away?” Sorriu maldoso, sabendo que ela não gostaria nada de ouvir Sebastian debochar de algo tão horrível, mas ele havia cansado de sentir empatia por ela quando ela já havia deliberadamente dito que ele merecia as coisas que recebia do pai. “They really fucked up your head, babygirl... Or should I call you Esperanza, uh? Your real name.” Sorriu, se sentindo vingado com a possibilidade de desestabilizá-la, por mais que soubesse que sofreria as consequências daquilo depois. “You can pretend to be this real intimidating bitch, but I know the real you, honey. You’ll always be a scared little fucking cunt, hiding behind magic because you can’t defende yourself without it. You never could.”
❝ That means I can take off my clothes now? ❞ brincou, entrando no quarto de Sebastian como se fosse seu, como sempre fazia. Tinha o dom de sentir-se em casa em qualquer lugar e por mais que às vezes tal traço parecesse um defeito - eram nesses momentos que ela já havia escutado o quanto era dada ou fácil, coisas que não entravam em sua cabeça -. Era inevitável fazer comparações todas as vezes que entrava alim, visto que as diferenças entre os dormitórios da Lufa Lufa eram gritantes. Não de uma forma ruim, era só mais… Sofisticado. E Effie não era muito acostumada com coisas sofisticadas.
A lufana escaneou o quarto rapidamente em busca de algo que pudesse usar de manta para forrar o chão, e quando achou, só ergueu o tecido rapidamente para Sebastian como se estivesse perguntando se poderia usá-lo. As comidas flutuantes arrumaram-se ali, e o presente que ela havia ganhado do corvino pousou bem ao seu lado logo após pegar algumas almofadas e arrumar ali também. E então por último, pegou a varinha no decote - sempre escondida ali -, e com um simples movimento fez com que luzinhas de natal enfeitassem os dosséis das camas. Aphrodite sorriu ao notar o quanto pareciam vagalumes. Não era muito, mas era melhor que nada. ❝ Pronto, temos nossa própria ceia slash piquenique de Natal agora. ❞ dando uma voltinha no próprio eixo, a lufana parou com uma mão na cintura e a outra sinalizando ao redor, em sua própria representação dramática de uma hostess. ❝ What’d you think? ❞
Apenas riu quando ela brincou sobre tirar as roupas, pois se fosse responder diria que sim, aquela era exatamente a hora. Não conseguia se conter quando o assunto era flerte, especialmente com a loira. Poderia não levar a lugar nenhum, mas ainda sim era o tipo de conversa que eles carregavam às vezes e Sebastian gostava bastante daquele clima, gostava daquele tipo de dinâmica com todas as mulheres que se envolvia. Observou enquanto ela tomava frente em arrumar os pratos, acabando por se surpreender com o produto final. Não esperava menos dela, mas ainda sim, aquela era quase uma cena de um filme de romance. “I think you’re trying to get my clothes off.” Brincou, segurando a mão de Aphrodite para que os dois se sentassem sobre o cobertor. “É bem romântico, não pense que eu não estou de olho nas suas intenções, ok? Eu sou um homem puro.”
Ele tinha os olhos fixos em qualquer lugar menos nela, enquanto Aphrodite mantinha os seus em atentos a ele. Tinha necessidade de fazer contato visual pois pensava que muitas vezes palavras não eram o suficiente para descrever sentimentos. Os olhos diziam muito mais e ler pessoas era bem mais fácil desta forma, ainda mais aquelas não muito dispostas a falar como Sebastian. Sendo assim pode perceber que ele estava desconfortável pela forma que os braços se cruzaram e ele baixou a cabeça, e só então a lufana quebrou o contato visual, fitando os próprios pés por alguns instantes.
Não sabia o que ele queria dizer com a tal referida “bagunça” que ele poderia deixar na vida de alguém, pois o tópico família não era algo discutido entre eles, pelo menos não da parte de Sebastian. Aphrodite sim falava sobre a dela, pois adorava tagarelar sobre como era a sua vida na Grécia pois desta forma sentia menos saudades, mas Pucey tinha aquela personalidade mais fechada, logo, a única coisa que a bruxa sabia sobre a família dele era o fato de serem podre de ricos e terem pose de família modelo, como basicamente a maioria das famílias puristas. Sabia, porém, que nem sempre as aparências deixavam algo claro, e a maneira que o corvino se referiu à família a fez pensar que era o que acontecia dentro da casa dele. De repente, os hematomas que vez ou outra tinham visto no corpo do bruxo não mais pareciam hematomas causados pelo quadribol ou brigas de corredor, e ela se flagrou com vontade de perguntar… Mas não o fez. Em vez disso, buscou pela mão dele e lhe beijou as costas, oferecendo um sorriso que implicitamente deixava claro que o assunto estava encerrado e ela não tocaria mais nele. ❝ Everything happens for a reason. ❞ sabia que era a frase mais clichê e piegas do mundo mas, fazer o que? Ela realmente acreditava nisso, naquela coisa de destino. Não no conceito que fazia as pessoas acreditarem que tudo estava escrito, e sim na ideia de que o universo sempre oferecia mais de uma opção a uma pessoa, e que aquela escolhida sempre teria um motivo para acontecer.
O caminho até a torre da Corvinal era longo, visto que a entrada para o SC ficava no quinto andar. Logo Sebastian e Aphrodite subiam as escadas que, aquela altura, a lufana havia pegado a manha para não se perder, mas ao chegar na entrada da torre e dar de cara com a águia e a charada, a bruxa apenas olhou para Sebastian. ❝ É aqui que você entra, corvino. ❞
Aquela era a frase mais clichê do mundo, mas Sebastian não fez qualquer objeção sobre a mesma, ela não estava errada no final das contas. Parou em frente ao SC e ouviu a mascote lhe dar uma charada, não demorando mais do que alguns segundos para lhe dar a resposta e entrar no local. Não tinha muitas dificuldades sobre os enigmas que precisava resolver todos os dias, até gostava deles. Era um jeito de manter o cérebro funcionando.
Poucos instantes depois estavam no dormitório do rapaz, e ele não podia deixar de pensar sobre como Hogwarts deveria ser vazia no Natal, mas naquele ano estava ainda mais do que ele imaginava. Provavelmente muitos alunos sequer voltariam do feriado, ele apostava. “Pronto, minha sereia.” O garoto sorriu com a ironia do apelido, fechando a porta logo atrás da loira. “Pode ficar à vontade.”
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O tom casual usado por Sebastian não convenceu Aphrodite, que vinha andando ao seu lado com as comidas flutuando atrás de si. Nunca tinham conversado verdadeiramente sobre aquela questão de relacionamentos pois o que eles mantinham era simples de resolver até ali, prático. No entanto, Effie tinha sensibilidade e uma percepção peculiar das pessoas, então ouvi-lo falar daquela forma não soou convincente. ❝ É isso? Porque assim, por mais que eu goste da parte de poder te beijar e tudo mais, do jeito que você saiu correndo atrás dela e com a cara que você voltou… Não parecia ser algo que merece um simples ‘Ela foi transferida’ ❞ fez aspas com os dedos para repetir o que foi dito por ele, numa tentativa falha de imitar sua voz. Aphrodite olhava para frente, mas voltou sua atenção para Sebastian antes de continuar. ❝ You don’t have to play though all the time. You know that, right? ❞ não falava no sentido motivacional como em um discurso clichê, só queria dizer que estava tudo bem se ele estivesse chateado. Tinha direito disso. ❝ Como você está? Realmente? I won’t tell if you don’t tell. ❞
Respirou fundo quando a ouviu, pois ele sabia que não tinha a convencido. Por Merlin, ele não convencia ninguém que tivesse visto a forma como ele olhava Mailyn, mas os outros não ousavam perguntar para ele mais a fundo. Aphrodite claramente não tinha aquele receio. “Certo, eu fui atrás dela naquele dia e ela me contou que a mãe já tinha feito tudo para transferir ela e a irmã para outra escola. Meio que não importou o beijo, ficou em segundo plano.” Na verdade Sebastian não havia conseguido dizer nada antes que a garota falasse que estava indo embora, e aquele se tornasse o foco da conversa. “A gente combinou de não mandar nenhuma carta e não manter contato. Ela tá segura onde tá, eu vou ficar bem e continuar se comunicando só traria emoções que... Não tem como lidar agora, entende?” Não diria em voz alta, mas era muito claro que as coisas caminhavam cada vez mais na direção do pior destino possível, e uma guerra já era uma opção explorada por várias pessoas. Eles estavam treinando, afinal, era apenas uma questão de “quando” e não “se”. “Foi melhor assim, a gente nunca daria certo. Eu prefiro que ela esteja longe e segura, que não esteja pensando em mim e não precise lidar com a bagunça que eu deixaria na vida dela.” Afirmou, cruzando os braços em uma postura defensiva, sem olhar para a loira ao seu lado. Ficava mais fácil falar aquelas coisas quando não olhava nos olhos dela. “Eu sou o único que consegue lidar com a minha família, que consegue lidar com... Comigo. É melhor assim, eu to bem.”
O sorriso da lufana aumentou e ela baixou os olhos por alguns segundos antes de fita-lo, se permitindo ficar envergonhada por alguns milésimos de segundos. ❝ Vamos sair daqui então, podemos levar comida e fazer uma pequena ceia. Ficamos no meu comunal ou no seu, não acho que alguém se importaria com tudo vazio… ❞ Aphrodite se levantou, buscando a varinha nas vestes. Selecionava algumas das variedades dispostas na mesa e planejava que estas os seguissem durante o caminho quando voltou a falar. ❝ Conseguiu resolver seu problema?❞ la estreitou os olhos lembrando-se da situação que ocorrera alguns dias atrás. Não tinha entendido muito bem o que havia de fato acontecido, só sabia que Sebastian havia saído correndo do nada e que voltou parecendo cabisbaixo. ❝ Você saiu correndo do nada atrás da Chang… Conseguiram se acertar? Pensando bem, talvez eu não deveria ter te beijado. ❞ riu baixo, o olhando rapidamente. Não sabia se Sebastian estava num relacionamento ou não, mas de qualquer forma não queria atrapalhar.
Aceitou a oferta dela sem pensar duas vezes, afinal aquela era a melhor parte de passar o feriado na escola: não precisar sair do quarto. “A gente pode ir pro meu dormitório, todos os meus colegas de quarto foram pra casa.” Ofereceu, se virando para voltar a caminhar quando ouviu a pergunta dela. Certo, ele não poderia mesmo esperar que Aphrodite não dissesse nada, não é? Não havia realmente falado sobre aquilo com ninguém, também, afinal mesmo Caleb sendo seu melhor amigo, ainda sim o garoto entendia que Pucey não era muito de sentimentos e respeitou o “eu não quero falar sobre isso” disfarçado de “é só uma garota” quando o moreno disse. “Tudo bem, você pode me beijar a vontade. Ela não tá mais aqui, foi transferida.” Esclareceu, como se não fosse nada de mais. A voz estava um pouco dura, na verdade, e sabia que Aphrodite veria por aquilo como um pedaço de vidro na sua frente.
❝ Oh, stop it, you’re supposed to say that! Such a player ❞ implicou, mas pelo tom aplicado em sua voz Sebastian saberia que não passava de uma brincadeira. Pelo menos a parte do elogio, pois sabia que ele era sincero, agora sobre tê-lo chamado de player… No entanto, não prolongou o assunto e apenas arqueou as sobrancelhas, observando o pacote que Sebastian trazia. Como não havia reparado naquilo? ❝ Você me comprou um presente? Bash, não precisava ❞ ela parecia surpresa e feliz, com os olhos castanhos alternando entre o corvino e a caixa, que ela logo tratou de abrir.
Aphrodite era uma pessoa simples. Talvez por ter crescido aprendendo a usar a natureza como o maior recurso, não tinha aquela ganância que o ser humano direcionava ao dinheiro ou bens materiais, portanto, já estava feliz por Sebastian ter lembrado dela. Ver que ele havia escolhido um presente que era de certo significativo, no entanto, a deixou mais contente ainda. Era importante para ela saber que as pessoas por quem tinha consideração tinham a mesma por ela. ❝ É lindo ❞ ela disse num primeiro instante, pegando primeiramente o colar. Não foi difícil colocá-lo, e ela baixou a cabeça para ver a pedra, sorrindo para o bruxo em seguida. Se inclinando para frente, Aphrodite tocou o rosto de Sebastian e o beijou calmamente, tomando seu tempo ao fazê-lo.
Foi um ato tão natural que não existiu hesitação nem nenhum tipo de constrangimento quando ela o olhou e por fim sorriu. ❝ Não sem nem como agradecer, obrigada por ter lembrado de mim. Eu adorei. ❞ o sorriso, porém, diminuiu quando a sereiana se deu conta de que não tinha nada para ele. Não tinha o hábito de trocar presentes pois não comemorava o Natal em casa, e como achou que não teria companhia naquele ano… ❝ Pelos deuses, eu não tenho nada para te dar. ❞ confessou um tanto sem graça. ❝ Não achei que teria companhia. ❞
Ficou feliz quando ela gostou tanto do presente, por mais que tivesse desconfiado que Aphrodite reagiria da mesma maneira se ele lhe desse um pedaço de tijolo. “É pra proteger você, e dizem que essa pedra ajuda a meditar... Eu não sei se você medita, mas enfim.” Deu de ombros, deixando com que ela o beijasse, afinal havia sido pego de surpresa. Gostava da forma como ela fazia aquilo de modo tão natural, e como sua expressão depois era como se nada demais tivesse acontecido. “Não, não...” Segurou as mãos da sereia, dando um pequeno sorriso. “Você não precisa me dar nada. Só de estar aqui comigo já é o melhor presente.”
Não podia dizer que sabia como era por dois motivos. Primeiro porque não tinha um pai, então não era familiarizada com a dinâmica entre um pai e um filho, e segundo porque toda aquela história de purismo de sangue ainda era surreal aos olhos de Aphrodite. Muitos sereianos temiam os humanos, especialmente os de seu tipo, agraciados com aquela beleza que parecia ter sido esculpida pelos deuses, pois o homem era ganancioso e queria aquilo que não podia ter. Ainda assim, fora educada para respeitar e apreciar tudo o que tornava o próximo diferente, portanto, por mais que tivesse estudado sobre aquilo, simplesmente não conseguia aceitar. Não fazia sentido. ❝ Sabe, de onde eu venho ser diferente é sinônimo de celebração. Não vou ser hipócrita e dizer que não tememos os homens, mas ainda assim conseguimos enxerga-los como seres excepcionais. As peculiaridades são o que nos tornam interessante, entende? Imagina como seria sem graça se todos fossem iguais? E agora estão nos separando por causa de algo que sequer controlamos. Não faz sentido que me achem menos digna de viver só pelo meu sangue. E é ainda mais surreal que esteja acontecendo pela terceira vez. ❞ o olhar dela pareceu vago por alguns instantes, e seu tom soou triste. Algo fora do normal para Aphrodite, que sempre tinha os ânimos lá em cima. Suspirando, a lufana voltou a fitar o corvino e sorriu pequeno, aceitando mudar de assunto. Era natal e isso significava que não era momento para tristeza. ❝ Minha mãe está bem e segura, graças aos deuses. Todos estão. Vão continuar seguros desde que se mantenham no mar. ❞ ela roubou um copo de suco de laranja e deu um longo gole. ❝ Eu quis ficar aqui porque se fosse para casa ela definitivamente não me deixaria voltar. E quando Cordelia diz não, é não. ❞ a última frase soou extremamente semelhante ao jeito que sua própria mãe falava e isso fez a sereiana torcer o nariz. ❝ Mas enfim, a parte boa é que com você aqui não vou passar o natal sozinha no meu quarto me sentindo miserável. E nem você, tenho certeza que sou uma companhia bem mais agradável que a Dama Cinzenta. E mais bonita também.❞
Gostava da forma com a qual ela se expressava, e podia dizer que concordava completamente com ela. Desde pequeno Sebastian era uma criança doce, coisa que tirava seu pai completamente do sério, pois o garotinho fazia amizades com todas as pessoas que passavam na rua, trouxas ou não. Mesmo quando foi ensinado que deveria desprezar aqueles que não tinham o sangue puro como o dele, o pequeno Sebastian não conseguia entender o motivo que levava tudo aquilo a importar. Não dizia que nunca havia sido preconceituoso, pois havia passado por uma fase onde fazia de tudo para agradar seu pai e seu irmão, mas era a maneira que ele tinha de tentar não apanhar tanto em casa. Havia sido uma coisa triste, na verdade, o garotinho perguntando para o irmão mais velho quando o pai havia deixado de bater nele, e ouvindo que o homem nunca havia batido no outro filho pois ele não era uma decepção.
Respirou fundo e balançou a cabeça, afastando as memórias da sua cabeça e sorrindo com a fala de Aphrodite sobre a companhia. Com certeza ela não passaria trancada pro próprio quarto, passaria no dele. “Eu não posso deixar de concordar, mas não é uma comparação justa. Você é completamente magnífica.” Respondeu, colocando uma de suas mexas atrás da orelha, fazendo uma leve carícia em seu queixo. “I have something for you...” Sorriu, retirando um pacote consideravelmente grande de trás de si. “Eu não entendo nada dessas coisas, mas eu espero que você goste.”
Dentro do pacote estava uma grande druida de ametista, o que ele havia entendido ser a pedra representativa do signo astrológico de Aphrodite. Ele não entendia nada sobre misticismo, mas a pedra representava sabedoria, equilíbrio, proteção, vitalidade, a purificação do corpo físico e a eliminação de qualquer malefício, além de garantir uma energia protetora e também poderia ser usada para meditação. Fazia muita coisa, na opinião de Sebastian, então parecia um presente adequado. Dentro dela repousava uma corrente com uma ametista menor, que estava encantada com magia para proteção da garota. Não que não confiasse no poder de proteção que o cristal tinha sozinho (não confiava), mas não custava nada garantir.
Uma das coisas que mais gostava sobre a vida na terra eram as datas comemorativas. É claro que, como em toda comunidade e cultura diferente, os sereianos também tinham seus próprios feriados e motivos para comemorar, mas Aphrodite não se lembrava de nada tão bonito como o natal. A decoração, a neve cobrindo tudo, o espírito de generosidade e fraternidade que parecia aflorar nas pessoas… Tudo parecia extremamente atrativo aos olhos dela, e mesmo que não tivesse tido muitas oportunidades de comemorar a data como as outras pessoas faziam, pois o máximo que acontecia em sua casa era uma pequenina ceia entre ela e Cordelia, nunca ficava menos encantador.
Naquele ano em especial, a decisão de ficar em Hogwarts partiu de Aphrodite. Assustada como estava com toda a situação que assolava o mundo mágico, a lufana sabia bem que corria grande risco de que sua mãe não permitisse sua volta para Hogwarts após o feriado, afinal, estaria protegida nas águas da Grécia, pelo seu povo e pela natureza. Ali ela estava com um alvo nas costas, tendo o sangue que tinha e sendo filha de quem era. Effie, por sua vez, não estava disposta a abrir mão de seu último ano letivo, pois apesar de estar com medo não pularia fora quando as coisas ficassem difíceis. Não era assim que a própria Cordelia lhe tinha educada e não era assim que iria agir. E não era de todo ruim também, pois apesar de amar estar rodeada de pessoas, a sereiana sabia muito bem aproveitar a própria companhia, visto que eram poucos os alunos que haviam ficado. Por isso sua primeira reação a aproximação de Sebastian foi o pequeno sobressalto que a fez colocar a mão no peito, mesmo que o sorriso não tivesse demorado a enfeitar seu rosto. ❝ Hi, handsome ❞ cumprimentou, virando-se de frente para ele. Logo se colocava nas pontas dos pés e lhe beijava a bochecha, como sempre fazia. Um hábito não muito comum entre os britânicos, mas que a bruxa tinha. Era grega, de qualquer jeito… ❝ O que você ‘tá fazendo aqui? Achei que tivesse ido para casa. ❞
Sorriu com o beijo dela em sua bochecha, não demorando mais do que alguns segundos para puxá-la para se sentar no banco com ele. Sabia que britânicos não eram os mais calorosos, sua casa então quem o diga, portanto gostava da forma como Aphrodite era sempre calorosa com ele. “Não tinha como, meu pai passou o ano todo alucinado com os Herdeiros de Sangue e ir pra casa só estragaria o meu Natal e o de todo mundo.” Não disse, mas a verdade era que não queria voltar para a escola depois do feriado precisando esconder os hematomas, isso se o homem lhe deixasse voltar.
“Mas e você? A sua mãe tá bem? Segura?” Perguntou, levemente preocupado. Sabia que a garota e a sua mãe eram sereias, e aqueles tempos não estavam favoráveis para nenhum mestiço. Qualquer cuidado era pouco naquela situação, mesmo que fosse Natal e teoricamente uma época tranquila. A nova onda de ataques era imprevisível, não duvidava que pudessem aproveitar a calmaria do feriado para fazer mais um massacre.
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❄️ A reação do rapaz era o que Serafine estava querendo, só esperava que ele fosse ficar tão animado daquele e não conseguiu conter o sorriso largo diante da positividade com o seu presente. — Fico muito feliz que você tenha gostado, Sebastian. — diz com o forte sotaque francês quase enrolando as palavras, jogando os cabelos longos para trás com delicadeza e fingiu pensar na pergunta dele para então assentir lentamente com a cabeça. — Claro que quero. Não são todas, para ser sincera, cheri, a maioria delas não está. — soltou em um tom um tanto desapontada, esperando por ele para poder ir até a mesa de bebidas e pegar alguma que soubesse estar batizada. — Aliás, está muito… élégant, não espera, eu esqueci a palavra em inglês. — soltou franzindo um pouco o cenho até se lembrar até finalmente conseguir — Ah sim, elegante. Desculpe, as vezes me dá um branco de como falar alguma coisa em inglês. — confessou soltando uma risada divertida. Até que a meio veela estava começando a gostar de Hogwarts, embora ainda fosse um pouco estranho as pessoas usando varinhas a toda hora, eram bem agradáveis — mesmo que tivesse que fingir gostar de conversar com sangues ruins e traidores, ela conseguia muito bem manter as aparências.
Acompanhou a garota até a mesa de bebidas, não se importando muito com as bebidas não estarem todas alteradas, afinal para tudo se dava um jeito. “Tudo bem, você não precisa se preocupar em não lembrar de algumas palavras, eu falo francês.” Respondeu, com um pequeno sorriso. Tinha o passa-tempo de aprender línguas novas sempre que podia, e francês havia sido uma das primeiras que Sebastian havia conseguido dominar sem a ajuda de outras pessoas. Na verdade a maioria das coisas que aprendia, ele fazia sozinho. “Quem tirou você? Eu espero que tenha ganhado um presente legal.”
Aquele era o primeiro ano que Sebastian passava o natal em Hogwarts ao invés de ir para casa, por mais bizarro que parecesse. Mesmo que tivesse uma relação ruim com o pai e o irmão, ainda sim o garoto não abria mão de passar as datas comemorativas na mansão, tudo por causa de sua mãe. Naquele ano não poderia fazer aquilo, para a tristeza de Helena, visto que Adrian havia passado o ano inteiro enviando cartas atrás de cartas para o rapaz, uma mais absurda do que a outra, exigindo que ele se juntasse aos Herdeiros de Sangue quando a hora chegasse. Não duvidava que se aparecesse em casa fosse recebido por uma corja de ex-comensais, que forçariam o garoto a entrar pro clube.
Por mais deprimente que fosse, então, preferia continuar na escola. Não deveria ser tão ruim, ao menos teria aquele tempo para ler e descansar, sem toda a loucura das aulas e das mortes, afinal até mesmo o novo Lorde das Trevas deveria comemorar o natal. Havia visto @fckingxddess pelos corredores, no entanto, então queria aproveitar para dar o presente da garota. Sabia que jóias caras e roupas de marca não tinham nada a ver com a loira, então seu presente precisava ser mais... Natural?
Encontrou a garota no Salão Principal, abordando-a por trás e colocando as mãos sobre os seus olhos, sorrindo levemente quando viu o pequeno susto que deu na loira. “Guess who.” Começou, mas não demorando muito mais para tirar as mãos dos olhos dela, deixando que ela se virasse para ele. “Hi, babygirl.”
❄️ Serafine não conhecia direito a pessoa que tinha tirado de amigo secreto, então, acabou por perguntar a alguns conhecidos como quem não queria nada e finalmente descobriu do que Sebastian poderia gostar — claro, era de sua natureza querer dar o melhor presente, não conseguia negar — e agora era o momento em que deveria dar o presente. Não tinha muito como fazer um discurso, afinal, não era alguém que poderia chamar de amigo próximo e não tinha muito o que falar sobre o rapaz, acabando por falar apenas algo por cima e finalmente dizer a Sebastian que ele era seu amigo secreto.
Com cuidado — e um pouco de dificuldade, já que aquelas coisas de quadribol eram pesadas — a francesa estendeu o pacote cuidadosamente embrulhado e estendeu na direção do rapaz o taco de batedor personalizado com o nome dele que mudava ocasionalmente com as iniciais da casa e as cores da mesma. — Espero que goste. Confesso que é bem difícil comprar algo quando se é nova na escola — a meio veela comentou com um sorriso simpático formando-se nos lábios.
Sebastian não era muito fã de amigos secretos, gostava de dar presentes às outras pessoas e gastar ainda mais o dinheiro de seu pai, mas não havia tirado alguém que fosse próximo naquele ano, então havia sido um parto descobrir o que dar. Além de tudo, não gostava muito de ganhar presentes, se é que aquilo fazia sentido. Mas com a saída de Mailyn de Hogwarts, precisava de alguma coisa para se distrair, mesmo não sabendo exatamente onde estava emocionalmente com tudo o que estava acontecendo.
Deu um pequeno sorriso quando Serafine lhe deu o pacote, segurando-o com uma das mãos e dando de ombros ao ouvir a menina. “Tudo bem, eu tenho certeza que é um ótimo presente. A não ser que tenha pego um objeto amaldiçoado da loja da Amélie, ela não vai muito com a minha cara no momento.” Respondeu, afinal só sabia que a garota era prima de Burke e francesa, nada mais. Começou a abrir o pacote, se sentindo um pouco mais animado do que estava anteriormente quando viu que era um bastão de quadribol personalizado. “Fuck, this is amazing!” Sorriu, observando cada detalhe do mesmo. “Thank you, Serafine. Quer uma bebida? Aposto que Neville está fingindo não saber que todas estão adulteradas.”
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