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Oioi, eu sou a ArtemĂsia, mas vocĂŞs podem me chamar de Misa. Antes de começar eu gostaria de pontuar que: Eu jĂĄ tinha uma conta antes "nondual" (ou algo assim) e jĂĄ tinha postado relato de revisada, porĂŠm, infelizmente perdi conta. Agora aqui estou eu, novamente :). Eu acrescentei mais detalhes e corrigir alguns erros para vocĂŞs lerem e entenderem meu relato com facilidade.
Antes de entrar na comunidade da lei da suposição e do nĂŁo dualismo, eu jĂĄ fazia parte da comunidade shifting. E, sendo bem sincera, nĂŁo foi uma jornada âlinearâ. Eu me frustrava muito, desisti vĂĄrias vezes, mas sempre acabava voltando. Tinha algo ali que nĂŁo me deixava abandonar completamente. Na verdade, eu sempre fui muito apegada Ă ideia de criar, sempre gostei mais de escrever scripts do que qualquer outra coisa. Era algo que me prendia, que me dava uma sensação de controle e de muitas possibilidades. EntĂŁo, quando eu conheci o conceito de âvida revisadaâ, obviamente nĂŁo foi diferente.
Eu fiz um script mudando absolutamente tudo: nome, idade, aparĂŞncia, histĂłria, famĂlia, amizades⌠praticamente toda a estrutura da minha vida. Era como reescrever completamente quem eu era. Acho que a Ăşnica coisa que eu mantive foi o meu aniversĂĄrio (porque eu amo meu aniversĂĄrio KSKSKSKK). Mesmo consumindo muito conteĂşdo, eu tambĂŠm era uma pessoa muito preguiçosa. Principalmente depois que eu comecei a entender que nĂŁo existia mĂŠtodo milagroso, que nĂŁo tinha um caminho especĂfico a seguir, e que, na verdade, nĂŁo existia um futuro a ser alcançado porque tudo jĂĄ estava acontecendo agora. Isso me fez parar de buscar tanto âfazerâ alguma coisa.
Mas isso nĂŁo significa que foi fĂĄcil. Eu estava passando por questĂľes pessoais bem sensĂveis na ĂŠpoca. Coisas que mexiam muito comigo emocionalmente, que me faziam parecer sentir presa naquela realidade. E, em vĂĄrios momentos, o fĂsico mostrava exatamente o oposto do que eu dizia assumir. Isso me afetava, sim. Eu tinha dias ruins, dias em que parecia impossĂvel sustentar qualquer outra visĂŁo e continuar na mesma narrativa de erro, como se para todos funcionasse, e para mim nĂŁo.
Desde pequena, eu sempre tive uma sensação muito forte de ser apenas uma figurante na minha prĂłpria vida, como se eu estivesse sempre Ă margem, nunca realmente participando. Eu era aquela pessoa que passava despercebida, que ninguĂŠm realmente notava. Minhas amizades eram superficiais, passageiras, nunca evoluĂam para algo mais profundo. Tudo parecia meio vazio, repetitivo. Eu me achava uma inĂştil, que nĂŁo sabia fazer nada bom de verdade. E, por causa disso, eu me refugiava muito na imaginação. Eu passava horas criando cenĂĄrios, histĂłrias, personagens, vivendo em RPGs mentais, lendo fanfics⌠era a forma que eu encontrava de escapar da sensação de nĂŁo pertencimento que eu sentia na ârealidadeâ.
O que começou a mudar tudo pra mim foi a forma como eu lidava com a minha própria mente. Principalmente atravÊs da observação. Antes, eu achava que observar pensamentos era tentar controlå-los, limpar, substituir, evitar os negativos. Eu fazia exatamente isso: lutava contra o que aparecia e isso só me deixava mais presa, mais cansada, mais identificada com tudo aquilo.
Quando eu entendi que observar não Ê controlar, mas apenas notar⌠sem julgar, sem reagir, sem tentar mudar⌠foi como se algo tivesse se soltado dentro de mim. Os pensamentos continuavam vindo, claro. Mas eu não me prendia mais neles, eu não tentava mais transformar cada pensamento em um problema a ser resolvido. Eu só via, deixava estar, e eles iam embora sozinhos. Isso mudou completamente a minha relação com o que eu sentia e pensava.
A meditação entrou muito nesse processo tambĂŠm, eu peguei a prĂĄtica todos os dias que eu tinha tempo livre (especificamente as meditaçþes do "corvo seco" que me ajudou bastante com a observação. RECOMENDO!!), mas nĂŁo como uma tĂŠcnica rĂgida, e sim como uma extensĂŁo dessa observação. Era mais sobre parar e simplesmente estar, sem tentar chegar em algum estado especĂfico. Com o tempo, isso foi trazendo uma sensação de leveza para mim, de espaço interno, como se eu nĂŁo estivesse mais sendo arrastada por tudo que surgia na minha mente. Principalmente quando eu nĂŁo meditava por "sĂł meditar", mas quando eu entendia a mensagem que a meditação trazia para mim.
AtĂŠ que, em um certo momento, eu tive um sonho lĂşcido da minha vida revisada. Foi uma experiĂŞncia muito intensa, muito vĂvida. Eu lembro de ter ficado extremamente feliz enquanto estava lĂĄ. Mas quando acordei, veio uma sensação de frustração, como se tivesse sido âsĂł um sonhoâ. Mesmo assim, eu voltei a dormir⌠e, naquele momento, eu simplesmente aceitei aquela realidade como sendo a minha. Sem esforço, sem tentativa de forçar nada. SĂł aceitei e entĂŁo eu acordei de novo.
SĂł que dessa vez, eu nĂŁo percebi imediatamente que algo tinha mudado. Tudo parecia ânormalâ demais. A primeira coisa que eu fiz foi pegar o celular e abrir o TikTok, como eu sempre fazia (Ăłbvio). SĂł que, em algum momento, algo começou a nĂŁo bater. Eu sĂł percebi de verdade quando recebi uma mensagem de uma pessoa que fazia parte do meu script de vida revisada. Ai eu comecei a achar que eu estava maluca.
Eu literalmente pulei da cama e comecei a reparar no celular, que não era mais o mesmo, no ambiente ao meu redor, no quarto⌠fui atÊ o espelho e fiquei olhando, tentando entender o que estava acontecendo. Eu tocava nas coisas, como se precisasse confirmar que aquilo era real (e era). Tudo estava exatamente como eu tinha colocado no script. Na verdade, estava atÊ melhor do que eu tinha imaginado.
Enfim⌠foi isso. Se eu pudesse deixar algo aqui, principalmente pra quem estĂĄ passando por momentos difĂceis, ĂŠ que nada disso me impediu. Nem meus pensamentos, nem minhas emoçþes, nem as situaçþes que eu estava vivendo. Nada disso tem o poder de te separar do que vocĂŞ jĂĄ ĂŠ.