Eu nunca tive certeza sobre quem eu sou
Me impressiona ver minhas mudanças
Também me assusta e me deixa confusa
Ansiosa, com medo e paralisada
De novo
O novo me paralisa
Não sei como lidar
Não sei como conversar
Me expressar
O que está na minha mente
No meu peito é tanto
Mas quando eu falo, não sei
Acho que as palavras se entrelaçam
Como linhas finas, que no menor dos descuidos
Pronto, formam um nó impossível
E eu saio cuspindo meias palavras, os nós
Mas ninguém me entende, nada faz sentido
E eu fico me explicando sem parar
Me sinto como uma estrangeira
Que fala uma língua desconhecida
Me sinto exposta, envergonhada e arrependida
“Na próxima eu não digo mais nada”
Prometo a mim mesma
As vezes eu consigo manter minha promessa
Quando falho, me sinto uma idiota
“Por que eu ainda tento?”
Acho que eu só quero ser ouvida
Sem julgamentos
Sem que riam dos meus erros,
Que ao invés disso, me ajudem
Me ouçam
Sou grata por ter alguns amigos assim
Sou grata pela menina que me acalmou no seminário
Mas ainda é difícil
Preciso lidar com o sentimento ambíguo de querer ser ouvida, mas que logo depois se transforma no mais profundo desejo de desaparecer.












