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i need see your hands in my book
Ledo engano:
Seria estranho se fosse fácil te deixar partir e te ver partir. Seria estranho me permitir isso. Seria ainda mais estranho se eu pensasse que o fim está próximo, mesmo não estando. Você tem seus compromissos e voa para longe quando o dever chama, quando a rotina te corrompe, quando as coisas se esvaem pelos dedos e você perde o controle. Você nunca gostou de perder o controle, nem o da TV, ou do portão.
Acho que é por isso que você se vai, precisa de um controle sobre suas mãos tremulantes, sobre seu corpo estonteado e claramente sobre mim, também. Mas eu evaporo, desfaço-me e não renasço. Esvoaço-me dos panos e só te sobram as roupas largadas pela casa, eu não volto para buscar nada e nem te peço que volte. Deixe as velharias para lá, que as jogue ou guarde no fundo de uma caixa - é uma hipótese improvável? Sim, você não guarda nenhum resquício de quem passou por ti, exceto da sua memória de fênix renascida e nada mudada.
Nada muda em nós, em mim, em você. A gente só se engana dizendo que vai melhorar, que vai parar, que vai começar, que vai remar e remar mais para perto ou mais para longe, ledo engano. Você zarpa para BH e volta à Poços de Caldas, traz boas notícias consigo, um ar da capital, livros cheirando a novos e com o pensamento voltado para o conservadorismo. Eu ri quando li a capa do livro, “quem se engana mais aqui?” pensei eu, sem te dizer uma palavra. Não, eu disse “Lewis é bom, mas cristão demais para você”. Houve um suspiro, o barulho de uma página sendo marcada e ali, pairando no ar, o som de uma página rasurada em linhas tortas sendo rasgada. Inexpressivos, desviando os olhos para o lado, retesando os músculos da boca até virarem uma tênue linha vermelha. Eu queria saber descrever melhor o momento em que descobrimos que hora mais hora menos, ruiríamos e ruminaríamos cada deslize e palavra mal colocada, cada silêncio, cada monossilábico que proferíamos e assim talvez, se soubéssemos do final da crônica, evitaríamos cada coisa desagradável, mesmo que aos nossos olhos não fosse tão desagradável assim.
Ainda não sei em que momento nos rompemos da carne, que nos tornamos mera metades estragadas, nada de unidade. Acabou-se em algum jantar? Em alguma briga? Em algum filme? Em alguma noite? Éramos um.
O que somos agora?

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há algo em seus cabelos, há algo no jeito que você anda, há algo no seu amor que faz com que nada te machuque.
Eu ouvi Ziggy Alberts pensando que quando vi seus olhos da última vez foi como eu os vi hoje e eles olhavam da mesma forma para mim e foi como se algo tivesse sumido dali, tivesse sumido algo quando você olha para mim. Pensei que Ziggy teria alguma resposta para me dar, mas ele tem o talento de cantar como um disco arranhado as vezes. Talvez estamos nos tornando isso, um disco arranhado demais e que depois de um tempo, guardamos na gaveta e esquecemos que ele existe. Somos então, esse disco arranhado?
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você é linda
você é
você!

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Eu ainda nem te amo o tanto que te amarei amanhã e depois de amanhã:
É incrível que fizemos um ano, é incrível te conhecer a dois. Perdi a sede de escrever sobre as inconstâncias, apesar de vivê-las todos os dias. A tristeza ainda continua presente, a ansiedade, a compulsão, os vícios. Mas você continua aqui, continua aqui sabendo que está aqui. E quando estamos a sós, somos nós mesmas, sem máscaras e artifícios. Somos nós, em nós, tentando juntar os nós dos dedos, tentando encontrar a mesma estrela em céus diferentes. Eu te amo antecipadamente, eu te amo ansiando o amanhã para te dizer aos sussurros matinais que você é tudo. Você é tudo.
Vênus em Peixes e virgens:
Estou perdida, quebrada, exaurida. Estou confusa, não sentindo quase nada além do meu corpo enjoado e doído. Nessa semana eu queria ser homem, ter um pau e me sentir por isso. Não, na verdade tenho uma vagina virgem. Tão virgem, mas tão virgem que poderia ser imaculada, tombada como patrimônio histórico, santificada. Minha mãe diz que sou pura por isso, que não tenho pecados aos olhos de Deus. Eu não acredito nisso porque eu já menti, já bebi, já fumei, já fofoquei, já pratiquei da gula, já fui maldosa e ri de alguém. Desejei um homem comprometido por alguns segundos e já me masturbei muito. Eu não conheço ou reconheço que isso seja pecado, mas sinto que seja. Um pênis nunca atravessou minha carne, é isso que chamam de perder a virgindade, certo? Então eu sou. Puramente virgem. Nenhuma língua na minha língua, nenhuma língua nos mamilos, nenhuma língua no clitóris. Minha mãe diz que sou um orgulho, minhas irmãs conheceram os prazeres fálicos aos quinze e aos treze. Uma no mato, outra na festa. O máximo que faço é abrir as pernas na cama e me tocar. Não acho que sexo seja pecado, nem que a falta dele seja uma passagem direta ao nosso-lar ou aos céus. Lembro que quando estava impossível, minha família queria me colocar num internato adventista. Daquele que meninos e meninas são separados, estudam separados, comem separados e dormem separados. As visitas seriam aos domingos, porque o sábado é guardado. Não se comeria carne, não se pecaria. Seria uma daquelas escoteiras, que coleciona medalhas de honra ao mérito, que não corta o cabelo e espera casar virgem e ter muitos filhos. Se realmente eu tivesse terminado os estudos no internato adventista eu seria uma completa lésbica. Já teria chupado alguma boceta, tocado em algum peito. Como essas meninas se aguentam? Eu teria sido expulsa, provavelmente. Alguma delas iria me delatar, meu pai teria me matado e eu estaria mais perdida e querendo chupar bocetas. Não me sinto melhor por nada disso. Acho que desde que vi um corpo nu feminino eu me interessei. Não tinha o discernimento, mas entendi que aquilo era bom de alguma forma. Do mesmo que o corpo do homem, que nunca vi nenhum nu na minha frente, não acho que seja algo extraordinário. O pênis só penetra, goza e solta liquido. Os braços te enlaçam e o cheiro de testosterona deve ativar algo no cérebro. Nunca experimentei, não acho que deva ser algo extraordinário. Não mesmo. Talvez eu goste e goze, goze muito. Ou somente perca o hímen, chore por isso, me arrependa por ter sido um cara errado e fique traumatizada por não saber o que fazer com aquele troço na minha frente (apesar das horas de pornô acumuladas durante a vida). Dizem que na hora você sabe o que fazer, eu não sei. Acho que não seja por ai. Se você ama, como a Ca disse, não tem pressa. Ela também é virgem como eu, se masturba como eu, a diferença é que ela já namorou, mas também não soube o que fazer. Disse que achou nojento, estranho e com um cheiro estranho. Perguntei se ele tinha tomado banho, ela riu e não soube responder. Cada vagina é uma vagina, ela diz ser pequena e que vai doer. Eu também acho o mesmo de mim. Cada pênis é um pênis, ela achou feio, fedido e estranho. Perguntei se ela preferia uma boceta, ela disse que era mais arrumada, menos fedida e mais arrojada. Ri do arrojada, sempre falamos termos estranhos. Chamamos outra amiga pra conversa, a dona da sexualidade exacerbada, a que já fez anal, ménage e todas as peripécias possíveis na cama. Ela diz que nos merecemos, porque somos virgens e achamos bocetas legais. Um ataque de risos, várias contradições. Essa disse que um pênis que nós amamos leva aos céus, que damos até o cu por um cara que amamos. Não sei, acho que ela é mais intensa que eu. Anal não. A conversa se prolongou por uma hora, me perguntei onde essa mulher arrumou tanto repertório sexual. Acho que têm mulheres que nascem com uma pomba-gira no ventre. Ô sensualidade! Vi um vídeo de um tarólogo, onde disse que o alinhamento dessa semana dos planetas, de que Vênus está em peixes, tirou as cartas e saiu a Luxúria, a Imperatriz e os Amantes. Disse que estaremos muito ligados ao sexo, mas tão sensíveis que o sexo estaria apenas na teoria, que na prática estaríamos mais espiritualizados e não concluindo o que chamamos de sexo. Tudo o que ele diz é incrivelmente certo.
Tenho escrito muito e pensado pouco. Talvez por isso minhas palavras sejam incompreensíveis (daqui uns meses não entenderei essa confusão). Fiz um vestibular quase sem pensar. Sentei naquela praça pra esperar o portão abrir e vi tanta gente. Gente bonita, jovem. Talvez eu pertença um dia aquele lugar? Gostaria. Gostaria de descer naquele ponto de frente a praça, tomar um lanche ali do lado, sair meio dia feliz por estar fazendo algo de escolha minha. Acontece? Pode ser que sim. Tenho feito muito e pensado pouco. Só penso a noite, revejo o dia. Repasso na cabeça e nem por isso fico satisfeita. Nem tudo me satisfaz, pareço ser alguém fácil mas no fim sou tão difícil quanto. Me satisfazem as pequenas coisas espontâneas. Sou fácil de agradar, mas não de me satisfazer. Talvez ninguém me satisfaça. Niguém nunca satisfez. Tenho escrito muito e distanciado de tudo. Estou mais próxima da água salgada que da minha mãe. Perdão, mas atitudes me mudam. Sou escorregadia mas sempre volto. O que me cativa tem espaço, tempo e prioridade. Eu sumo, desapareço, nado e nado pro fundo mas sempre ressurjo, subo a superfície e tomo um grande suspiro antes de voltar para meu oceano. É difícil, preciso de espaço. Paro comunicações por dois, três dias apenas para me alinhar. Voltar comigo mesma. Gosto dos silêncios também, tenho minhas fases de pouca fala, pouco entusiasmo, pouco tudo. Fico pequena, pequena. Gosto de quem me tira da ociosidade. Que nos dias mais silenciosos me tira uma fala longa daquelas de deixar ofegante, que me faz sorrir por pouca coisa e se me faz rir eu lembro que talvez eu ame quem me faça isso. Tenho escrito muito e pensado pouco. As noites parecem mais perturbadas, vazias e quentes. Mas passa. Daqui uns meses ficam tranquilas, cheias e frias. As estações mudam e eu também, mudo com a lua, com o movimento dos planetas, com os dias, falas e amor. Ainda me pergunto o motivo de tanta inconstância…
Tenho escrito muito e pensado pouco. Talvez por isso minhas palavras sejam incompreensíveis (daqui uns meses não entenderei essa confusão). Fiz um vestibular quase sem pensar. Sentei naquela praça pra esperar o portão abrir e vi tanta gente. Gente bonita, jovem. Talvez eu pertença um dia aquele lugar? Gostaria. Gostaria de descer naquele ponto de frente a praça, tomar um lanche ali do lado, sair meio dia feliz por estar fazendo algo de escolha minha. Acontece? Pode ser que sim. Tenho feito muito e pensado pouco. Só penso a noite, revejo o dia. Repasso na cabeça e nem por isso fico satisfeita. Nem tudo me satisfaz, pareço ser alguém fácil mas no fim sou tão difícil quanto. Me satisfazem as pequenas coisas espontâneas. Sou fácil de agradar, mas não de me satisfazer. Talvez ninguém me satisfaça. Niguém nunca satisfez. Tenho escrito muito e distanciado de tudo. Estou mais próxima da água salgada que da minha mãe. Perdão, mas atitudes me mudam. Sou escorregadia mas sempre volto. O que me cativa tem espaço, tempo e prioridade. Eu sumo, desapareço, nado e nado pro fundo mas sempre ressurjo, subo a superfície e tomo um grande suspiro antes de voltar para meu oceano. É difícil, preciso de espaço. Paro comunicações por dois, três dias apenas para me alinhar. Voltar comigo mesma. Gosto dos silêncios também, tenho minhas fases de pouca fala, pouco entusiasmo, pouco tudo. Fico pequena, pequena. Gosto de quem me tira da ociosidade. Que nos dias mais silenciosos me tira uma fala longa daquelas de deixar ofegante, que me faz sorrir por pouca coisa e se me faz rir eu lembro que talvez eu ame quem me faça isso. Tenho escrito muito e pensado pouco. As noites parecem mais perturbadas, vazias e quentes. Mas passa. Daqui uns meses ficam tranquilas, cheias e frias. As estações mudam e eu também, mudo com a lua, com o movimento dos planetas, com os dias, falas e amor. Ainda me pergunto o motivo de tanta inconstância…
Passa sim (até a lua)
Estou deitada na cama, olhando através da janela do quarto a lua nua. Sem nuvens, sem sinais de chuva. Só a lua, me observando. Eu a observo atentamente, apesar da miopia e do astigmatismo. Procuro meus óculos pelo criado-mudo e não encontro. Eu sempre perco meus óculos dentro de casa, apesar de não gostar de usar a toda hora. Olho a lua de novo, está mais alta e o crepúsculo já dará lugar as sombras da noite. A cortina voa, meu quarto está inundando em uma luz espectral, azul. As borboletas da cortina de voil parecem voar quando o vento sopra. Suspiro. Procuro a lua e ela sumiu. Não mais na minha linha de visão, passa sim amor. Até a lua passou. A lua passou da minha janela pra sua, pra te mandar uma mensagem, minha mensagem. É tudo passa sim! É um conforto e um desconforto. É o contentamento e o descontentamento principalmente o estranhamento. Que estranhamento. A lua ainda não voltou, você a puxou para uma conversa? Sobre o que vocês confessam? Que surpresa, ela apareceu aqui. Bateu na minha janela, colocou seu brilho sobre meus olhos. O vento me atinge, eriça meus pêlos, eriça minh'alma. Levanto e vou observar mais de perto. Gostaria de ter um disco voador. É uma idéia lunática, engraçado pensar que talvez você não acharia um absurdo e até viajasse à lua comigo. Você iria? Lua, Irlanda, Itália, Escócia, Bahia? Eu ia. Seguiria seus passos a caminho de qualquer lugar. Uma nuvem cobriu a lua. Ou a lua que se cobriu com a nuvem? Acho que ela está com vergonha, a estou encarando demais e agora quero visita-la e ela nem me convidou. Até nas noites de luar a minha intensidade se demonstra certeira. Que vontade de ir pra praia, ouvir o mar. Ver a lua e te ver refletida na água. Pensando bem eu vou. Nada me prende. Não mais. Estou cheia de pontos finais, queria ter muitas vírgulas como você. E como parar de relacionar até pontos gramaticais a você? Poderia listar a tudo que te relaciono e quantas vezes eu pego-me pensando em ti. É um absurdo, acordar sem música. Mas com sua macia imagem na cabeça. É um absurdo bom, será que passa também?

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Noite calada
Tive a sensação de uma plena mudança. Não foram quilos perdidos, na verdade engordei. Não foi a roupa nova, o jeans apertado na bunda, o colar de cristal na nuca. Não foi nada disso. Não foi fumar, nem bebericar o vinho, não foi ver o mar repleto de nuvens carregadas, nem foi observar um crepúsculo animado e tão cansado. Não foi encontrar forças pra sair de casa. Não foi. Não foi. Foi algo mais intenso, maior. É, são as mudanças que batem na minha porta. Mudanças que abalam meu coração. Eu não quero mudar não. Só quero que as situações mudem e que nova gente chegue e se aconchegue mas que não me machuquem mais. Aí não, machuca não! Tô cuidando ainda das feridas, tá criando fibrina ainda. Tenha calma comigo! Tô lentinha e tô abobada, tô sentindo muito! Aí que tô sentindo demais!
Pudim de passas.
Qual a cor dos seus átomos? Sei que eles são maciços e indivisíveis, você é forte e única. Seriam seus átomos constituintes, pudins de passas? Lembro de ter-te perguntado um dia “se você fosse um doce, qual seria?” Você respondeu “um pudim” e eu ainda me pergunto, gosta de passas? Dalton e Thomson poderiam estar revoltosos, estou usando suas teorias atômicas para te romantizar, mas quem disse que não é possível? Ciência e amor dão as mãos e caminham juntos (apesar das discrepâncias) e é isso que eu gostaria de fazer com você.