ENGLAND'S SWEETHEART
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let's talk about Bridgerton tea, my ask is open
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@lua-sooyeon
ENGLAND'S SWEETHEART

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
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☠ Drabble list-- You can send one anytime.
☠Send me one at your leisure and I will write a drabble based on what you send– Other prompts are always welcomed and encouraged if it’s not stated on this list.
Send any of these to me at your leisure and I will write it– Please be specific to who is going to be doing what.
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cours pratique.
@lua-sooyeon | april 6th, acting class.
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Mesmo não tão distraida quando o menino ao seu lado, Sooyeon compartilhava do mesmo sono que retirava dela todo e qualquer ânimo para dar ao professor -sempre muito agitado- qualquer tipo de reação. Improvisação teatral era sua matéria preferida, mas suas energias estavam concentradas em sobreviver um dia inteiro tendo dormido apenas uma hora e meia.
O aviso sobre o trabalho em dupla a obrigou olhar para algo que não fosse o homem expressivo que rodava pela sala, sabia bem quem se sentava ao seu lado naquele dia específico, também como na maioria dos dias mesmo não tendo lugares marcados na sala. Rindo silenciosamente, acenou com a cabeça para o mais velho, pelo menos faria dupla com alguém que tinha paciência para lidar.
"Qual dupla pode gentilmente se voluntariar para iniciar a atividade?", o mestre ecoou em embate com a voz de Boknam, e mesmo em silêncio, Sogi concordavam com a cabeça para o músico. Ambos precisavam dormir, e isso estava na face dos dois.
—Nós vamos!—disse um pouco mais alto. Era raro falar durante as aulas, mas nunca falhava em chamar muita atenção com o tom de voz alto e esporádico, vindo de muitos anos se apresentando em palcos.
Sooyeon tomou a liberdade de se levantar primeiro e seguir até o meio da sala enquanto as mesas eram organizadas em ciclo. Aquele exercício tinha sido feito tantas vezes antes que todos já estavam mais do que treinados em como agir. Ajeitava o cabelo ao virar para sua dupla e abrir um sorriso, de alguma forma abrindo o caminho para que uma otima interação acontecesse ali.
“A ideia é avaliar a capacidade de improvisação ao longo de situações inesperadas. Irei dar um tema inicial e interferir com acontecimentos ao longo do ato. Vocês não podem hesitar, travar ou agir sem naturalidade. O tema principal é: Boknam é um vendedor de flores que precisa se livrar de um vaso de flores específico e Sogi uma cliente certa de que quer comprar outro vaso de flores, irritada pela insistência do vendedor em empurrar para ela algo que não deseja. Desenvolvam!"
E como se fosse tão simples, depois da dupla ser deixada em silêncio no meio da roda, a mulher se afastou do menino, pegando emprestado a bolsa de uma das colegas emprestada por aquele instante, jogando-a no antebraço. Adotando a personagem, manteve uma expressão mais madura para se aproximar dele, esperando que já estivesse em seu personagem.
It's a beautiful mess
W: @lua-seojennie | At: Dorm A, 1st floor, 7h45| From the Plot: It's a colour war, baby.
Com tarefas semanais acumuladas, era sinal de que Sooyeon não acordaria tão facilmente naquela manhã. Ela mesma por se conhecer cansada havia deixado o celular preparado para a acordar antes das oito, teria aulas as oito e meia e não podia contar com a sorte do sono esvair-se com o tempo, eram os três alarmes ou uma falta no meio do semestre. Sogi não poderia arcar com uma mancha em seu histórico depois de se empenhar tanto durante o semestre, mas também não precisou se preocupar com acordar quando foi arrancada do sono de forma tão agressiva.
A atriz reconheceu o grito histérico de sua roommate no segundo em que a mesma entrou no quarto que dividiam há mais de dois anos, deixando a porta bater aberta enquanto corria com o celular em mãos na direção da mulher sonolenta que a essa altura já não consegui conter a curiosidade. Por que estava tão alterada? Até mesmo a postura que Jennie tanto mantinha todos os dias tinha ido embora, deixando apenas alguém que Sooyeon sabia, explodiria em breve.
—Yaaah!—a voz soou grogue de sono enquanto lutava para deixar a cama e segurar a mais velha pelos ombros. Não se importou se estava ainda de pijama, bagunçada, os olhos já não estavam mais em meia lua e sim totalmente focados na situação que buscava compreender. A segurava com firmeza, não pretendia deixar que escapasse dali sem ao menos respirar entre as palavras que tentava dizer.—Respira... o que aconteceu?!
Cozy night
With: @lua-adaono | At Ada Ono’s apartment around 1am.
Se pudesse, faria o mesmo trajeto todas as noites. Mesmo estando uma hora mais adiantada, ainda andava da ultima parada do metrô até o prédio de Ada escutando Elthon John em seus fones azuis, não esquecia de acenar para qualquer estranho que mostrasse um sorriso amigável, mesmo podendo quebrar em uma feição não muito receptiva a qualquer momento. O dia tinha sido tão confuso quanto toda a situação era em sua cabeça, havia tanta confusão que ao menos fora realmente trabalhar naquela madrugada, motivo pelo qual o porteiro se assustou com a chegada repentina e silenciosa, apenas pedindo pela chave.
Não brincou com o senhor como das ultimas vezes, estava cansada demais para isso, desesperada demais para vê-la e aliviar a frustração, esperava que apenas por estar perto da professora as coisas fossem melhores.
Não precisou de muito mais do que vê-la logo ao entrar para que todas as sensações ruins se esvaíssem em um sorriso sincero e largo. A cena era simplesmente muito fascinante para que Sooyeon retirasse os olhos da sala de estar enquanto fazia questão de trancar a porta mais uma vez. No colchão disposto no chão da sala, a mulher que tinha sempre uma presença tão forte estava num sono profundo. A TV ligada em um tom baixo no programa preferido da mais velha -RuPaul- iluminava o aparamento além da cozinha enquanto seu gatinho, o que por sinal parecia adorar os carinhos na orelha que a aluna o garantia sempre, tampava um pouco da falta de roupas maiores que a calcinha para cobrir o membro inferior. Uma risada a escapou, contida na garganta. Por mais que fosse tentada a fazer mais, apenas agradecia por tê-la tão perto.
Se fazendo em casa, deixou a bolsa, o celular e as chaves no sofá, o sapato já deixado na entrada desde o inicio, para que conseguisse subir no colchão sem alardes. Engatinhou com calma até o corpo pequeno e espalhado para que os lábios tocassem a carne, os beijos no ombro trazendo o perfume amadeirado acarinhando os sentidos primordiais do fascínio que tinha por aquela mulher. Mulher que colocou entre os braços e trilhou os beijos até a nuca.
—Missy… —resmungou ao roçar o nariz ao longo do pescoço. Nesse ato curto se livrava do travesseiro que sempre - sempre - tinha que afastar para ver o rosto feminino. —I’m here.
A rotina noturna era repleta de emoções! Chegar em casa, retirar os sapatos, lavar as roupas, tomar banho, alimentar os dois ferrets e um gato faminto, limpar as caixinhas de areia e checar se os fios da televisão continuavam inteiros ou foram roídos de uma vez pelos filhos que amava tanto.
Preguiçosa e cansada demais para cozinhar, Ada encomendou dois copos de noodles grandes e para complementar apenas assou vegetais picados e misturou um mix de sementes diversos para fingir ser uma refeição saudável, embora a cada porção trazida pelo hashi até a boca lembrasse da quantidade de sódio que havia somente naquela água encaldada, felizmente não conseguiu terminar a refeição, o sono havia domado a mente da professora.
O travesseiro na cabeça evitava a luz nos olhos que tanto detestava e assim como seu gato, sentia-se entocada e protegida. O comportamento de Ada era muito semelhante aos dos animais da casa, - apesar de ser vegetariana e não caçar animais por esporte como eles faziam. -
Na televisão, o terceiro episódio da décima temporada de Ru Paul’s Drag Race era assistido pelo gato que descansava em sua bunda, ela mal passara dos dez minutos e já roncava deitada no colchão ainda segurando o par de hashis. O sono era muito pesado para ser despertado pela gritaria das queens ou então pela presença da estudante, não distinguindo os beijos que recebia por estar acostumada demais às lambidas de seus bichinhos, eram estalados tão molhados quanto os que recebia diariamente, fora dificil acordar até ter o travesseiro retirado da cabeça.
- Hi, kitty, kitty… - Lentamente, tomava consciência da mulher deitada ao seu lado e conforme abria os olhos assim também o sorriso acompanhava. - Eu fiquei sabendo que você passou no teste… Eu fico muito feliz por você. - Sonolenta, Ada pendeu o corpo para virar-se e apoiar o corpo no braço podendo agora acariciar o rosto da jovem, acarinhar as olheiras eminentes e beijar a ponta do nariz da aluna, provavelmente tendo sua falta notada nos dormitórios da universidade. - Nós precisamos conversar… Mas você precisa comer antes. Sua comida está dentro do forno, é só esquentar, yeap? -
O sorriso continuava congelado nos lábios ao observar os atos tão sutis e com tanta leveza de Ada. Mais uma vez se pegava presa em analisar os detalhes dela. Como o cabelo se dividia naturalmente, como o sorriso doce complementava o formato do rosto, os dedos que beijaria sempre se pudesse, dedos delicados que faziam o melhor carinho e a desmontava por completo. Nem mesmo a menção do que tirava sua paz desde cedo a deixou menos aliviada quando recebia as carícias, não ousou soltar o corpo preso entre os braços. Estava finalmente calma e com as emoções controladas ali, encarando-a atenta a qualquer piscada mais rápida ou mais lenta.
—Como soube? —não imaginava como alguns comentários feitos aos colegas de curso poderiam chegar em Ada, mas ainda assim riu, agradecendo com o olhar, o gatilho seguinte a despertar a curiosidade. Tinha até mesmo esquecido sobre a promessa de uma surpresa durante o caminho, havia a deixado no escuro depois da mensagem. —Obrigada, mas eu não estou com fome, angel. O que tem pra me dizer?
Não tinha certeza ainda do que chamá-la, trocava insistentemente de apelidos com medo de ultrapassar qualquer tipo de barreira. As barreiras entretando não interferiram nos toques. Sogi aproveitava do carinho que recebia para oferecer algo parecido ao traçar desenhos sem padrão específico nas costas da professora, arrastando as unhas na pele com leveza, a pele febril que tanto amava sentir contra a própria. Aqueles pequenos momentos se tornavam seus preferidos.
Ao escutá-la falar sobre a falta de fome, Ada revirou os olhos não acreditando no que a boca dizia; sabia que aquilo era uma grande mentira vindo de uma dieta masoquista. Era impossível uma jovem estudante estar sem fome após horas trabalhando de pé e correndo de um lado para o outro da cidade. — Você não está com fome e eu sou bilionária, que coincidência! Ao menos nossas mentiras nos fazem rir e nos dão muita esperança, não é? — Com a disposição que não tinha, levantou-se do colchão para buscar a refeição comprada especialmente para a estudante não antes de aquecê-la no micro-ondas por alguns segundos e entregar a vasilha quente com um par de hashis de alumínio. — Aliás… Eu soube porquê você fez questão de espalhar para a universidade toda que foi selecionada e todo esse belíssimo entusiasmo juvenil veio parar em meus ouvidos. Sua professora me contou, disse que você é muito talentosa… Ela quis dizer que provavelmente você não estará mais sentada num colchão no chão comendo industrializados numa caixa na madrugada após o teu trabalho. — A presença certamente fez Ada recuperar a lucidez, falava como uma louca sentada no colchão com uma almofada entre as pernas, gesticulando e abrindo os mais espontâneos sorrisos.
A professora remediou levantar-se dali, mais uma vez. Pensou em presenteá-la após ter certeza de quê Sooyeon teria realmente o papel e estava dentro do casting… Mas acreditava nela, embora ainda achasse que a fatídica dor no vestiário fosse muito teatral para ser verdadeira,e mesmo sendo uma mentira, ela continuava uma ótima atriz. Sogi era uma boa companhia ainda que colocasse sua carreira em risco tendo uma estudante em sua sala, prestes a tirar a roupa. Ada engatinhou para alcançar a porta do armário embaixo da televisão puxando dali uma sacola revelando o que poderia ser somente pelo logotipo dourado estampado em papel marrom. — A carreira que você escolheu… Well… O que eu posso dizer? Eles vão querer comer você pra saber se você vale o investimento. E se você aparecer assim, certamente esse será o último papel principal que conseguirá na sua vida como atriz. De rostinho bonito na propaganda na televisão você pode passar a ser a menina que passa atrás segurando balões… Não desmerecendo esses papéis, mas você merece muito mais que isso. As coisas aqui na Coréia funcionam como nos Estados Unidos, você precisa mostrar o que tu tem pra ser respeitada. — Ada colocou a grande sacola da Gucci na frente da estudante, ali estavam embalados um par de sapatos da Gucci e uma bolsa para complementar qualquer roupa que vestisse, a bolsa já ocupava o armário da professora há alguns anos ainda que nunca utilizada precisou limpá-la e embalá-la, originalmente comprada em solo francês quando ainda era uma moradora da capital. Já os sapatos, foram comprados especialmente para Sooyeon e não se arrependeu do dinheiro gasto. — Mostre a eles que você é muito mais que uma bolsista ou uma atendente num bar. Eu não quero que você futuramente foda com alguém pra conseguir a porra de um papel na televisão… Você é valiosa demais pra isso… — Sem permitir ainda que abrisse os pacotes, Ada avançou o corpo para buscar a boca da estudante, lambendo-a como um gato.
Foi sua vez de revirar os olhos ao ser obrigada a comer. Por mais que fosse grata pela comida disponível para ela, sabia que apenas o pensamento em sua saúde era valioso, enrolou com toda aquela comida. Realmente estava ocupada demais tentando aliviar a pressão que sentia, prestes a explodir enquanto aproveitava da presença da mulher. A presença que ficava um pouco mais pesada ao ouvi-la tocar nas feridas que mais doíam naquele momento. Não sabia se deveria interromper o discurso da professora e negar qualquer tipo de presente, qualquer tipo de ajuda. Era orgulhosa, mas acima de tudo engolia toda a esperança que tinham sobre ela, que decaiu de uma atriz de renome na Inglaterra para uma atendente de um café vinte e quatro horas na Coreia porque queria estudar; ela conhecia muito bem as decepções da profissão, os altos e baixos e sabia o quanto era nescessário o apoio para que retornasse suas forças.
É claro, foi chocante para ela reconhecer o logotipo, relembrando os tempos no qual tinha os pais para bancá-la pelas ruas de Londres e as idas a Liverpool quando acreditavam que largaria o teatro para fazer algo como administração. Não vinha de uma família pobre, apenas de uma família que odiava suas escolhas.
Engoliu seco quando, com calma, entendeu os presentes caros que Ada estava dando. Ponderava ao menos dizer a ela: Oh well…eu ao menos sei se vou conseguir fazer a peça, Ada. Eu trabalho de sete da noite às duas da manhã, quando parte do horário dos ensaios e apresentações acontecem, para sobreviver em um país onde dinheiro é mais que nescessário e isso me consume o dia inteiro. Provavelmente não será essa a minha grande volta aos palcos, me desculpe a decepção. Mas se calou ao ver o que a mais velha estava lhe dando aquilo de coração, deixou um sorriso escapar, talvez deixasse tantas coisas para dizer para uma outra ocasião. Talvez a solução para tudo viesse na manhã seguinte quando, esperava, acordasse ao lado dela. De cabeça mais vazia e com coragem para desistir de um dos seus compromissos da tarde para mudar os horários.
Um “obrigada”, sincero, quase lhe escapou mas este pareceu ser engolido pela rapidez com que viu a mais velha contra o próprio rosto, a lingua mais abusada que sua própria personalidade fazendo-a miar em aprovação, não perdendo tempo ao afastar a refeição mal acabada para segurá-la pela cintura, os dedos finos subindo pela espinha, a pele quente contra as digitais quando a encontrou em um beijo longe de casto, derretendo tudo o que antecedeu até aquele segundo.
Os olhos perderam o brilho e o toque parecia forçadamente quente para que Ada se calasse de vez, teria finalmente cutucado a estudante? Ela temia que sim, mas precisava entendê-la e conversar calmamente sobre o que a fez não pular de alegria ao receber uma sacola da Gucci, qualquer jovem no lugar dela teria uma reação mais excêntrica; principalmente uma atriz. O presente caro não valeria o dinheiro investido se não pudesse auxiliá-la psicologicamente. Ela precisou interromper o beijo mesmo quando os seios já roçavam contra a blusa da jovem e a cintura fina fosse maleada com todo cuidado… Precisava conversar, ainda que foder às 2hrs da madrugada parecesse a melhor das opções. — São apenas bens materiais, mas isso vai fazê-los te respeitar. Eu adoraria que as coisas aqui não funcionassem assim… Mas as pessoas te olham diferente quando você usa algo de marca e não tem talento nenhum. São apenas sapatos… Muitos vão olhar para os teus pés e ignorar o fato de que está calçando Gucci mas… Aquela pessoa, aquela única pessoa que pode te colocar dentro de uma agência, dentro de uma equipe teatral, dentro de um casting para cinema é a que vai reparar nos teus pés e na bolsa que tu usa. E eu quero que você entre nesses lugares.. — Ada havia se afastado para falar, as palavras saíam rápidas e convincentes, era o que precisava para fazê-la acreditar. — Porque aqui dentro você já é muito bem vinda, petit. — Atreveu-se a segurá-la pelo pulso que descansava na cintura e escorregar a palma da estudante pela barriga até alcançar a calcinha, permanecendo com a própria mão por sobre a dela.
A ter longe mais uma vez fez com que o suspiro profundo que segurava desde cedo escapasse, o corpo voltando a se apoiar com as duas mãos no colchão enquanto a encarava, esperando pelo discurso motivacional que viria de Ada. Não esperava que entendesse sua falta de reação, apesar de ser totalmente grata pelo que fazia. Não era sua culpa quando a aluna não se abria tão facilmente sobre coisas que julgava serem de peso para as outras pessoas ao seu redor. Ada não precisava saber tudo sobre sua vida logo já, dos abusos sofridos dentro de uma agência que, como a professora dizia, iria a ajudar com a carreira. Tinha medo em todas as partes de Sogi, mas ela não diria naquele momento. Então, por mais que odiasse usar de atuação com Ada, foi preciso mostrar o melhor dos sorrisos.
Se não bastasse a vontade absurda de apenas a envolver em um abraço e ficar quieta, ou escutar sua respiração embolada na da professora enquanto os corpos deixavam a noite mais confortável e íntima, o ato avançado da mais velha intensificou tudo o que borbulhava por dentro desde que pisara no apartamento para ser recebida pelas pernas descobertas. Moveu os dedos inconsciente dos próprios atos, roçando as digitais pelo que conseguia alcançar. A garganta já estava seca, o corpo se aproximava cada vez mais. Era impossível não desejar mais do que manter a conversa e aquela distância tão rude de um palmo.
—Eu sou grata, Ada. Eu realmente sou. Pela confiança depositada em mim. Mas no momento eu não sei se quero estar dentro de algum lugar senão você.

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Não brincou com o senhor como das ultimas vezes, estava cansada demais para isso, desesperada demais para vê-la e aliviar a frustração, esperava que apenas por estar perto da professora as coisas fossem melhores.
Não precisou de muito mais do que vê-la logo ao entrar para que todas as sensações ruins se esvaíssem em um sorriso sincero e largo. A cena era simplesmente muito fascinante para que Sooyeon retirasse os olhos da sala de estar enquanto fazia questão de trancar a porta mais uma vez. No colchão disposto no chão da sala, a mulher que tinha sempre uma presença tão forte estava num sono profundo. A TV ligada em um tom baixo no programa preferido da mais velha -RuPaul- iluminava o aparamento além da cozinha enquanto seu gatinho, o que por sinal parecia adorar os carinhos na orelha que a aluna o garantia sempre, tampava um pouco da falta de roupas maiores que a calcinha para cobrir o membro inferior. Uma risada a escapou, contida na garganta. Por mais que fosse tentada a fazer mais, apenas agradecia por tê-la tão perto.
Se fazendo em casa, deixou a bolsa, o celular e as chaves no sofá, o sapato já deixado na entrada desde o inicio, para que conseguisse subir no colchão sem alardes. Engatinhou com calma até o corpo pequeno e espalhado para que os lábios tocassem a carne, os beijos no ombro trazendo o perfume amadeirado acarinhando os sentidos primordiais do fascínio que tinha por aquela mulher. Mulher que colocou entre os braços e trilhou os beijos até a nuca.
—Missy… —resmungou ao roçar o nariz ao longo do pescoço. Nesse ato curto se livrava do travesseiro que sempre - sempre - tinha que afastar para ver o rosto feminino. —I’m here.
A rotina noturna era repleta de emoções! Chegar em casa, retirar os sapatos, lavar as roupas, tomar banho, alimentar os dois ferrets e um gato faminto, limpar as caixinhas de areia e checar se os fios da televisão continuavam inteiros ou foram roídos de uma vez pelos filhos que amava tanto.
Preguiçosa e cansada demais para cozinhar, Ada encomendou dois copos de noodles grandes e para complementar apenas assou vegetais picados e misturou um mix de sementes diversos para fingir ser uma refeição saudável, embora a cada porção trazida pelo hashi até a boca lembrasse da quantidade de sódio que havia somente naquela água encaldada, felizmente não conseguiu terminar a refeição, o sono havia domado a mente da professora.
O travesseiro na cabeça evitava a luz nos olhos que tanto detestava e assim como seu gato, sentia-se entocada e protegida. O comportamento de Ada era muito semelhante aos dos animais da casa, - apesar de ser vegetariana e não caçar animais por esporte como eles faziam. -
Na televisão, o terceiro episódio da décima temporada de Ru Paul’s Drag Race era assistido pelo gato que descansava em sua bunda, ela mal passara dos dez minutos e já roncava deitada no colchão ainda segurando o par de hashis. O sono era muito pesado para ser despertado pela gritaria das queens ou então pela presença da estudante, não distinguindo os beijos que recebia por estar acostumada demais às lambidas de seus bichinhos, eram estalados tão molhados quanto os que recebia diariamente, fora dificil acordar até ter o travesseiro retirado da cabeça.
- Hi, kitty, kitty… - Lentamente, tomava consciência da mulher deitada ao seu lado e conforme abria os olhos assim também o sorriso acompanhava. - Eu fiquei sabendo que você passou no teste… Eu fico muito feliz por você. - Sonolenta, Ada pendeu o corpo para virar-se e apoiar o corpo no braço podendo agora acariciar o rosto da jovem, acarinhar as olheiras eminentes e beijar a ponta do nariz da aluna, provavelmente tendo sua falta notada nos dormitórios da universidade. - Nós precisamos conversar… Mas você precisa comer antes. Sua comida está dentro do forno, é só esquentar, yeap? -
O sorriso continuava congelado nos lábios ao observar os atos tão sutis e com tanta leveza de Ada. Mais uma vez se pegava presa em analisar os detalhes dela. Como o cabelo se dividia naturalmente, como o sorriso doce complementava o formato do rosto, os dedos que beijaria sempre se pudesse, dedos delicados que faziam o melhor carinho e a desmontava por completo. Nem mesmo a menção do que tirava sua paz desde cedo a deixou menos aliviada quando recebia as carícias, não ousou soltar o corpo preso entre os braços. Estava finalmente calma e com as emoções controladas ali, encarando-a atenta a qualquer piscada mais rápida ou mais lenta.
—Como soube? —não imaginava como alguns comentários feitos aos colegas de curso poderiam chegar em Ada, mas ainda assim riu, agradecendo com o olhar, o gatilho seguinte a despertar a curiosidade. Tinha até mesmo esquecido sobre a promessa de uma surpresa durante o caminho, havia a deixado no escuro depois da mensagem. —Obrigada, mas eu não estou com fome, angel. O que tem pra me dizer?
Não tinha certeza ainda do que chamá-la, trocava insistentemente de apelidos com medo de ultrapassar qualquer tipo de barreira. As barreiras entretando não interferiram nos toques. Sogi aproveitava do carinho que recebia para oferecer algo parecido ao traçar desenhos sem padrão específico nas costas da professora, arrastando as unhas na pele com leveza, a pele febril que tanto amava sentir contra a própria. Aqueles pequenos momentos se tornavam seus preferidos.
Ao escutá-la falar sobre a falta de fome, Ada revirou os olhos não acreditando no que a boca dizia; sabia que aquilo era uma grande mentira vindo de uma dieta masoquista. Era impossível uma jovem estudante estar sem fome após horas trabalhando de pé e correndo de um lado para o outro da cidade. — Você não está com fome e eu sou bilionária, que coincidência! Ao menos nossas mentiras nos fazem rir e nos dão muita esperança, não é? — Com a disposição que não tinha, levantou-se do colchão para buscar a refeição comprada especialmente para a estudante não antes de aquecê-la no micro-ondas por alguns segundos e entregar a vasilha quente com um par de hashis de alumínio. — Aliás… Eu soube porquê você fez questão de espalhar para a universidade toda que foi selecionada e todo esse belíssimo entusiasmo juvenil veio parar em meus ouvidos. Sua professora me contou, disse que você é muito talentosa… Ela quis dizer que provavelmente você não estará mais sentada num colchão no chão comendo industrializados numa caixa na madrugada após o teu trabalho. — A presença certamente fez Ada recuperar a lucidez, falava como uma louca sentada no colchão com uma almofada entre as pernas, gesticulando e abrindo os mais espontâneos sorrisos.
A professora remediou levantar-se dali, mais uma vez. Pensou em presenteá-la após ter certeza de quê Sooyeon teria realmente o papel e estava dentro do casting… Mas acreditava nela, embora ainda achasse que a fatídica dor no vestiário fosse muito teatral para ser verdadeira,e mesmo sendo uma mentira, ela continuava uma ótima atriz. Sogi era uma boa companhia ainda que colocasse sua carreira em risco tendo uma estudante em sua sala, prestes a tirar a roupa. Ada engatinhou para alcançar a porta do armário embaixo da televisão puxando dali uma sacola revelando o que poderia ser somente pelo logotipo dourado estampado em papel marrom. — A carreira que você escolheu… Well… O que eu posso dizer? Eles vão querer comer você pra saber se você vale o investimento. E se você aparecer assim, certamente esse será o último papel principal que conseguirá na sua vida como atriz. De rostinho bonito na propaganda na televisão você pode passar a ser a menina que passa atrás segurando balões… Não desmerecendo esses papéis, mas você merece muito mais que isso. As coisas aqui na Coréia funcionam como nos Estados Unidos, você precisa mostrar o que tu tem pra ser respeitada. — Ada colocou a grande sacola da Gucci na frente da estudante, ali estavam embalados um par de sapatos da Gucci e uma bolsa para complementar qualquer roupa que vestisse, a bolsa já ocupava o armário da professora há alguns anos ainda que nunca utilizada precisou limpá-la e embalá-la, originalmente comprada em solo francês quando ainda era uma moradora da capital. Já os sapatos, foram comprados especialmente para Sooyeon e não se arrependeu do dinheiro gasto. — Mostre a eles que você é muito mais que uma bolsista ou uma atendente num bar. Eu não quero que você futuramente foda com alguém pra conseguir a porra de um papel na televisão… Você é valiosa demais pra isso… — Sem permitir ainda que abrisse os pacotes, Ada avançou o corpo para buscar a boca da estudante, lambendo-a como um gato.
Foi sua vez de revirar os olhos ao ser obrigada a comer. Por mais que fosse grata pela comida disponível para ela, sabia que apenas o pensamento em sua saúde era valioso, enrolou com toda aquela comida. Realmente estava ocupada demais tentando aliviar a pressão que sentia, prestes a explodir enquanto aproveitava da presença da mulher. A presença que ficava um pouco mais pesada ao ouvi-la tocar nas feridas que mais doíam naquele momento. Não sabia se deveria interromper o discurso da professora e negar qualquer tipo de presente, qualquer tipo de ajuda. Era orgulhosa, mas acima de tudo engolia toda a esperança que tinham sobre ela, que decaiu de uma atriz de renome na Inglaterra para uma atendente de um café vinte e quatro horas na Coreia porque queria estudar; ela conhecia muito bem as decepções da profissão, os altos e baixos e sabia o quanto era nescessário o apoio para que retornasse suas forças.
É claro, foi chocante para ela reconhecer o logotipo, relembrando os tempos no qual tinha os pais para bancá-la pelas ruas de Londres e as idas a Liverpool quando acreditavam que largaria o teatro para fazer algo como administração. Não vinha de uma família pobre, apenas de uma família que odiava suas escolhas.
Engoliu seco quando, com calma, entendeu os presentes caros que Ada estava dando. Ponderava ao menos dizer a ela: Oh well...eu ao menos sei se vou conseguir fazer a peça, Ada. Eu trabalho de sete da noite às duas da manhã, quando parte do horário dos ensaios e apresentações acontecem, para sobreviver em um país onde dinheiro é mais que nescessário e isso me consume o dia inteiro. Provavelmente não será essa a minha grande volta aos palcos, me desculpe a decepção. Mas se calou ao ver o que a mais velha estava lhe dando aquilo de coração, deixou um sorriso escapar, talvez deixasse tantas coisas para dizer para uma outra ocasião. Talvez a solução para tudo viesse na manhã seguinte quando, esperava, acordasse ao lado dela. De cabeça mais vazia e com coragem para desistir de um dos seus compromissos da tarde para mudar os horários.
Um "obrigada", sincero, quase lhe escapou mas este pareceu ser engolido pela rapidez com que viu a mais velha contra o próprio rosto, a lingua mais abusada que sua própria personalidade fazendo-a miar em aprovação, não perdendo tempo ao afastar a refeição mal acabada para segurá-la pela cintura, os dedos finos subindo pela espinha, a pele quente contra as digitais quando a encontrou em um beijo longe de casto, derretendo tudo o que antecedeu até aquele segundo.
Cozy night
With: @lua-adaono | At Ada Ono’s apartment around 1am.
Se pudesse, faria o mesmo trajeto todas as noites. Mesmo estando uma hora mais adiantada, ainda andava da ultima parada do metrô até o prédio de Ada escutando Elthon John em seus fones azuis, não esquecia de acenar para qualquer estranho que mostrasse um sorriso amigável, mesmo podendo quebrar em uma feição não muito receptiva a qualquer momento. O dia tinha sido tão confuso quanto toda a situação era em sua cabeça, havia tanta confusão que ao menos fora realmente trabalhar naquela madrugada, motivo pelo qual o porteiro se assustou com a chegada repentina e silenciosa, apenas pedindo pela chave.
Não brincou com o senhor como das ultimas vezes, estava cansada demais para isso, desesperada demais para vê-la e aliviar a frustração, esperava que apenas por estar perto da professora as coisas fossem melhores.
Não precisou de muito mais do que vê-la logo ao entrar para que todas as sensações ruins se esvaíssem em um sorriso sincero e largo. A cena era simplesmente muito fascinante para que Sooyeon retirasse os olhos da sala de estar enquanto fazia questão de trancar a porta mais uma vez. No colchão disposto no chão da sala, a mulher que tinha sempre uma presença tão forte estava num sono profundo. A TV ligada em um tom baixo no programa preferido da mais velha -RuPaul- iluminava o aparamento além da cozinha enquanto seu gatinho, o que por sinal parecia adorar os carinhos na orelha que a aluna o garantia sempre, tampava um pouco da falta de roupas maiores que a calcinha para cobrir o membro inferior. Uma risada a escapou, contida na garganta. Por mais que fosse tentada a fazer mais, apenas agradecia por tê-la tão perto.
Se fazendo em casa, deixou a bolsa, o celular e as chaves no sofá, o sapato já deixado na entrada desde o inicio, para que conseguisse subir no colchão sem alardes. Engatinhou com calma até o corpo pequeno e espalhado para que os lábios tocassem a carne, os beijos no ombro trazendo o perfume amadeirado acarinhando os sentidos primordiais do fascínio que tinha por aquela mulher. Mulher que colocou entre os braços e trilhou os beijos até a nuca.
—Missy… —resmungou ao roçar o nariz ao longo do pescoço. Nesse ato curto se livrava do travesseiro que sempre - sempre - tinha que afastar para ver o rosto feminino. —I’m here.
A rotina noturna era repleta de emoções! Chegar em casa, retirar os sapatos, lavar as roupas, tomar banho, alimentar os dois ferrets e um gato faminto, limpar as caixinhas de areia e checar se os fios da televisão continuavam inteiros ou foram roídos de uma vez pelos filhos que amava tanto.
Preguiçosa e cansada demais para cozinhar, Ada encomendou dois copos de noodles grandes e para complementar apenas assou vegetais picados e misturou um mix de sementes diversos para fingir ser uma refeição saudável, embora a cada porção trazida pelo hashi até a boca lembrasse da quantidade de sódio que havia somente naquela água encaldada, felizmente não conseguiu terminar a refeição, o sono havia domado a mente da professora.
O travesseiro na cabeça evitava a luz nos olhos que tanto detestava e assim como seu gato, sentia-se entocada e protegida. O comportamento de Ada era muito semelhante aos dos animais da casa, - apesar de ser vegetariana e não caçar animais por esporte como eles faziam. -
Na televisão, o terceiro episódio da décima temporada de Ru Paul’s Drag Race era assistido pelo gato que descansava em sua bunda, ela mal passara dos dez minutos e já roncava deitada no colchão ainda segurando o par de hashis. O sono era muito pesado para ser despertado pela gritaria das queens ou então pela presença da estudante, não distinguindo os beijos que recebia por estar acostumada demais às lambidas de seus bichinhos, eram estalados tão molhados quanto os que recebia diariamente, fora dificil acordar até ter o travesseiro retirado da cabeça.
- Hi, kitty, kitty… - Lentamente, tomava consciência da mulher deitada ao seu lado e conforme abria os olhos assim também o sorriso acompanhava. - Eu fiquei sabendo que você passou no teste… Eu fico muito feliz por você. - Sonolenta, Ada pendeu o corpo para virar-se e apoiar o corpo no braço podendo agora acariciar o rosto da jovem, acarinhar as olheiras eminentes e beijar a ponta do nariz da aluna, provavelmente tendo sua falta notada nos dormitórios da universidade. - Nós precisamos conversar… Mas você precisa comer antes. Sua comida está dentro do forno, é só esquentar, yeap? -
O sorriso continuava congelado nos lábios ao observar os atos tão sutis e com tanta leveza de Ada. Mais uma vez se pegava presa em analisar os detalhes dela. Como o cabelo se dividia naturalmente, como o sorriso doce complementava o formato do rosto, os dedos que beijaria sempre se pudesse, dedos delicados que faziam o melhor carinho e a desmontava por completo. Nem mesmo a menção do que tirava sua paz desde cedo a deixou menos aliviada quando recebia as carícias, não ousou soltar o corpo preso entre os braços. Estava finalmente calma e com as emoções controladas ali, encarando-a atenta a qualquer piscada mais rápida ou mais lenta.
—Como soube? —não imaginava como alguns comentários feitos aos colegas de curso poderiam chegar em Ada, mas ainda assim riu, agradecendo com o olhar, o gatilho seguinte a despertar a curiosidade. Tinha até mesmo esquecido sobre a promessa de uma surpresa durante o caminho, havia a deixado no escuro depois da mensagem. —Obrigada, mas eu não estou com fome, angel. O que tem pra me dizer?
Não tinha certeza ainda do que chamá-la, trocava insistentemente de apelidos com medo de ultrapassar qualquer tipo de barreira. As barreiras entretando não interferiram nos toques. Sogi aproveitava do carinho que recebia para oferecer algo parecido ao traçar desenhos sem padrão específico nas costas da professora, arrastando as unhas na pele com leveza, a pele febril que tanto amava sentir contra a própria. Aqueles pequenos momentos se tornavam seus preferidos.
Cozy night
With: @lua-adaono | At Ada Ono’s apartment around 1am.
Se pudesse, faria o mesmo trajeto todas as noites. Mesmo estando uma hora mais adiantada, ainda andava da ultima parada do metrô até o prédio de Ada escutando Elthon John em seus fones azuis, não esquecia de acenar para qualquer estranho que mostrasse um sorriso amigável, mesmo podendo quebrar em uma feição não muito receptiva a qualquer momento. O dia tinha sido tão confuso quanto toda a situação era em sua cabeça, havia tanta confusão que ao menos fora realmente trabalhar naquela madrugada, motivo pelo qual o porteiro se assustou com a chegada repentina e silenciosa, apenas pedindo pela chave.
Não brincou com o senhor como das ultimas vezes, estava cansada demais para isso, desesperada demais para vê-la e aliviar a frustração, esperava que apenas por estar perto da professora as coisas fossem melhores.
Não precisou de muito mais do que vê-la logo ao entrar para que todas as sensações ruins se esvaíssem em um sorriso sincero e largo. A cena era simplesmente muito fascinante para que Sooyeon retirasse os olhos da sala de estar enquanto fazia questão de trancar a porta mais uma vez. No colchão disposto no chão da sala, a mulher que tinha sempre uma presença tão forte estava num sono profundo. A TV ligada em um tom baixo no programa preferido da mais velha -RuPaul- iluminava o aparamento além da cozinha enquanto seu gatinho, o que por sinal parecia adorar os carinhos na orelha que a aluna o garantia sempre, tampava um pouco da falta de roupas maiores que a calcinha para cobrir o membro inferior. Uma risada a escapou, contida na garganta. Por mais que fosse tentada a fazer mais, apenas agradecia por tê-la tão perto.
Se fazendo em casa, deixou a bolsa, o celular e as chaves no sofá, o sapato já deixado na entrada desde o inicio, para que conseguisse subir no colchão sem alardes. Engatinhou com calma até o corpo pequeno e espalhado para que os lábios tocassem a carne, os beijos no ombro trazendo o perfume amadeirado acarinhando os sentidos primordiais do fascínio que tinha por aquela mulher. Mulher que colocou entre os braços e trilhou os beijos até a nuca.
—Missy... —resmungou ao roçar o nariz ao longo do pescoço. Nesse ato curto se livrava do travesseiro que sempre - sempre - tinha que afastar para ver o rosto feminino. —I’m here.
Non C'è
Non c'è, non c'è il profumo della tua pelle
Non c'è, il respiro di te sul viso
Non c'è, la tua bocca di fragola
Non c'è, il dolce miele dei tuoi capelli
Non c'è, che il veleno di te sul cuoreNon c'è, via d'uscita per questo amore
Non c'e, non c'è vita per me, più
Non c'è, non c'è altra ragione che mi liberi l'anima

Anya is live and ready to show you everything. Watch her strip, dance, and perform exclusive shows just for you. Interact in real-time and make your fantasies come true.
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Do I look straight?
|W: @lua-adaono|
-Me perdoe por perguntar algo tão…invasivo, talvez? Mas…
A estudante reprimia o sorriso desafiador, não queria passar a impressão de ser, de fato, abusada. Não era hora de revelar tanto de sua personalidade, tampouco puxar o temperamento de Ada, o que não conhecia.
-…a senhorita sabe como é famosa entre as garotas de Laforet?- evitou a olhar por um momento, o sorriso logo refletiria nos pequenos olhos e não, a professora não precisava ver aquilo entregar suas intenções por trás do discurso.
Ainda que estivessem no ambiente de trabalho de Sogi, longe das paredes com ouvidos na universidade, acreditava que o questionamento era completamente invasivo. Não estava ali para discutir sobre sua sexualidade, tampouco com uma aluna que mal conhecia para ser tão aberta.
— Hm… Talvez eu saiba… Mas acredito que é normal criarmos uma admiração maior por professores, principalmente na minha área.. Afinal.. Eu estou sempre em contato com meus alunos, e o toque cria essa sensação de aproximação, principalmente quando você é jovem e está buscando a todo tempo por essas sensações que… Queimam. —
A professora tentou indicar na fala que não estava disponível para se relacionar com alunas, muito menos uma menina tão invasiva e abusada como Sooyeon.
— Pra você chegar tão displicente e me falar isso… É porquê se encontra nessa lista, não? Estou errada, senhorita Sooyeon? —
Não queria criar um clima tenso, tampouco facilitar a situação para a estudante; optou por igualmente deixá-la desconfortável com um questionamento, mesmo não sendo ela sentada em uma cadeira tentando tranquilizar-se com uma xícara de chá.
Nunca seria fácil acabar com a graça que Sooyeon via em investir tempo e força de vontade na professora que há muito tempo chamava sua atenção. Nem mesmo em seu trabalho, as duas da manhã, com os pulsos cheirando a café de tanto tempo e tantos clientes servidos, o sorriso a abandonava.
-Depende…eu pareço me interessar por homens, professora?
Agora tudo estava mais calmo, Ada a sua única presente na cafeteria, os colegas pouco se importavam se sua conduta era duvidosa para com um cliente, muito menos quando esta era sua professora. Tão abusada quanto como havia começado a conversa, havia tomado a iniciativa se se sentar ao oposto da mulher.
-É obvio que me encontro no seu fan club, mas ao contrário de todo o resto, prefiro ser direta.
Calculava muito bem cada movimento. Considerava apenas muito idiota não dizer ou fazer o que desejava, apesar de respeitar o espaço físico da mais velha. Tão suave quanto a forma que se sentava, usou o pequeno bloquinho de pedidos para anotar um conjunto de números que sabia, Ada reconheceria, talvez, de imediato. Ao arrastá-lo ao longo da mesa para entrega-lo, se levantava a espera de uma reação qualquer.
Com um revirar de olhos sendo abandonado por um sorriso debochadamente certeiro, Ada cruzou as pernas aproveitando o último gole morno do chá que, até o momento, apreciava. Ao voltar a xícara para o pires observou silenciosamente a aluna ocupar a cadeira em sua frente, sem nem mesmo pedir licença.
— Você parece se interessar por pessoas muito difíceis de serem conquistadas, miss. —
A invasão de espaço irritou completamente a professora e vê-la abusar de sua paciência ao escrever qualquer merda em um papel a fez bufar tendo como única opção rir de toda aquela situação, raspando as unhas compridas nos cabelos na tentativa de não se tornar explosiva no ambiente de trabalho de Sooyeon, o sorriso que se abria era totalmente falso para disfarçar o constrangimento ao ler o número no papel.
— Com quem você conseguiu isso, Sooyeon? — O constrangimento havia se transformado e dissipado em muitos sentimentos. Quem seria tão estúpido ao invadir a privacidade de uma professora conseguindo seu número pessoal para importuná-la através de mensagens? Quem seria tão tolo ao pensar que não seria denunciada para o conselho estudantil ao importunar uma professora fora de seu trabalho? Sabia que Sooyeon era uma ótima atriz, ela já havia demonstrado facilidade em ser o centro da atenção, não somente, agora tudo parecia um grande blefe para se aproximar da professora, certamente tudo não passava de uma mentira. Se a denunciasse, talvez tudo virasse contra a professora, a aluna parecia convincente demais e não se surpreendia por cursar teatro. God damn. Mas aquilo não ficaria assim, levantou-se logo após Sooyeon atravessar a porta do estabelecimento provavelmente prevendo o próximo passo de Ada, a garota era tão inteligente que sabia exatamente como guiar aquela situação e mais uma vez, Ada se encontrava em uma teia de aranha.
— Ok, garotinha. Você se acha muito esperta, não é? Me envia mensagens privadas, toma atitudes extremas para se aproximar de mim. O que você quer? Um atestado de homossexualidade para que eu seja expulsa da universidade? Queimar a porra da minha integridade ficando com uma menininha abusada como você? —
Ada discretamente segurou a mulher pela cintura, ainda que mais velha, era quase vinte centímetros mais baixa e num ato desesperado para impor respeito, pressionou-a contra a parede, olhando para os lados desconfiada.
— Quanto te pagaram pra foder a minha vida, Sooyeon? Me fala. Eu pago o dobro pra você calar a boca e me ignorar. Pago mensalmente só pra não olhar pra tua cara. O que você sabe? O que te disseram? Me diz quem te deu meu número. —
Ada respirou fundo quando as palavras eram rispidamente sussurradas, ela sabia que performar e ser sócia de uma casa no subúrbio onde drogas eram deliberadamente usufruídas poderiam ocasionalmente destruir toda sua carreira profissional, só não sabia que isso ocorreria através de uma das alunas.
Certamente a reação da professora estava longe do esperado por Sogi, mas a surpresa pela voracidade das ações aparentemente desesperadas de Ada foi perfeitamente disfarçada; sua vida dedicada ao teatro não valeria de nada se agora, em uma situação tão delicada, não servisse como vantagem. A confusão sobre as acusações, entretanto, estava clara nos olhos cerrados. O contato físico teria lhe deixado totalmente desconcertada se a mais velha não tivesse ali despejado mais gasolina em cima de seu interesse em tudo o que a cercava.
Apesar do quão errado foi usar de sua atuação para pedir o número de Ada a uma professora, usando a desculpa mais obvia ao contar sobre o fatídico dia de seu colapso, ainda assim não havia nada mais além do que o desejo por descobri-la mais do que professora. Era uma mulher encantadora e pelos seus modos sabia que Ada tinha plena consciência disso.
-Te expulsar? Me pagar?
Dessa vez a explosiva era Sooyeon. As acusações eram apenas muito confusas e injustas para ela. Foi bruta ao tentar escapar das mãos firmes que a travavam contra a parede da cozinha, como se o perfume não lutasse em fazê-la fraca.
-What the fuck you’re talking about?-seu próprio temperamento havia ido por água abaixo, mal conseguia formular frases em coreano.
Analisando rapidamente a mulher diferente da professora que via quase todos os dias, sabia que não se libertaria dali facilmente. Não entendia o que tanto havia feito para receber uma reação daquelas. Ada pensava ser uma stalker com más intenções? Realmente não imaginava motivos plausíveis para tanta comoção.
-Claramente seu maior problema não é sexualidade, Ada. Tem medo de que? O que uma aluna interessada na porra da sua existência pode descobrir de tão ruim?
Sogi já não era a melhor em termos de respeito de Laforet. Sua criação fora do país automaticamente a transformava em leiga sobre os costumes, mas não era como se Ada parecesse ligar muito para respeito naquele instante. Não havia espaço para conveniências.
Ada voltou a passar as mãos nos próprios cabelos, precisou dar as costas para a aluna e olhar para a rua apenas para certificar-se de quê não estava louca e que muito provavelmente suas reações estavam exaltadas por conta de uma sexta a noite regada a cocaína. Okay… Calm… Down…. She knows nothing, you’re just overreacted.
— Fine. — Era evidente que toda aquela explosão era recorrente do uso da droga; estava há muitos meses sem substâncias ilícitas rodando pelo organismo e na primeira oportunidade, justo em uma sexta-feira santa, o peso na consciência e o medo bateram muito mais forte que as sensações de felicidade atenuadas. Naquele breve momento, voltando a encarar a aluna, decidiu confiar em seu desentendimento apesar de continuar achando-a extremamente abusada.
Utilizando o verso do papel alcançado, Ada deslizou os dedos no bolso traseiro da calça da atendente, com um olhar fixo e vigilante ao dela, retirou dali a caneta para anotar o endereço de seu apartamento e prevalecida de sua idade e cargo universitário, lambeu o papel para grudá-lo em sua testa.
— Você tem trinta minutos pra chegar nesse endereço, aí conversamos sobre a minha sexualidade. —
Disse firme, tampando mais uma vez a caneta e prendendo-a entre os dentes de Sooyeon. Abandonou a garota ali contra a parede, mas não antes de retirar do bolso uma nota de 10000W deixando em cima do balcão.
— See you. —
Facilmente diria que sua professora era, de fato, um pouco louca e ela com certeza se atestaria ainda mais maluca por se sentir tão atraída por ela, mesmo depois de ver uma versão diferente do que imaginava ser a mulher fora da universidade.
Tomou o tempo em que Ada parecia usar para se acalmar para respirar fundo e ajeitar a própria roupa, a blusa meio-transparente de botões quase deixando transparecer o sutiã preto de renda. Ela estava uma bagunça, perdida e ainda irritada depois de tantas acusações. E como se não bastasse toda a frustração do que era para ser um flerte, se indignou ainda mais com o modo que fora tratada antes de ser deixada de forma patética contra a parede, apenas com uma ordem para seguir. Se deveria obedecer ou não era sua maior duvida.
Bufando, retirou o papel molhado da testa para checar o endereço deixado. Não poderia usar a saliva de uma forma melhor? , se perguntava mentalmente ao arrastar o dinheiro para o caixa.
Não teria se deslocado até o endereço se um de seus colegas, atento ao problema que Sogi havia causado, não oferecesse cobrir seu turno. A cafeteria era bem clássica, a dona os confiava tomar conta do local durante a madrugada, não seria problema para ela sair um pouco mais cedo, pegar um táxi com metade da gorjeta ganha durante o dia, para aparecer em trinta e cinco minutos na porta de Ada, usando o sobretudo como abrigo do frio.
Fez nota mental antes de tocar a campainha: estaria pisando em um campo minado durante a conversa, poderia entrar em sérios problemas por estar na casa de sua professora. Qualquer ação deveria ser minimamente pensada.
-Gosh…I’m so fucked up.
Chegou em casa com o espírito de um furacão prestes a entrar em colapso ao pensar que o tempo estipulado para a chegada de Sooyeon definitivamente não era o suficiente para esconder todas as evidências de quê a professora era uma viciada em kumbaya, marijuana e cocaína. Os livros sobre o cenário performático pós-moderno ainda estavam sujos com resquícios das carreiras anteriormente cheiradas, duas taças quebradas ao lado do sofá e um vinho seco no chão amadeirado dando-lhe a única opção de cobrir aquela poça de uva com a casinha de seu gatinho, ele deve estar jogado na cama, bêbado por ter lambido minha sujeira. — O que eu sou? Uma professora muito profissional de dança contemporânea, eu amo ballet… Ok… Isso eu não consigo fingir… Mas! Ok. Ok. Uma professora muito profissional. Uma professora muito profissional que fode com alunos e coloca a carreira de professora em risco num país totalmente antiquado e homofóbico. — As palavras saíam deliberadas tentando evitar os espelhos da casa embora os olhos sempre se encontrassem no reflexo e reforçassem os xingamentos, estava muito surpresa com as próprias atitudes para não ceder a um cigarro de kumbaya e era exatamente o que a mente necessitava para relaxar e deixar que todas as tensões ficassem enclausuradas fora do apartamento. Com o cigarro de flores aceso, aproveitou a chama para acender igualmente o incenso de alecrim tão cheiroso quanto as misturas de ervas que os pulmões filtravam, os incensos eram seus melhores aliados quando a mente resolvia sabotá-la e negativar todas as boas oportunidades, mas em menos de trinta e cinco minutos era de sua obrigação encontrar um canal interior para acalmar o peito, sua saída seria concentrar-se na fumaça de incenso e cigarro compondo a ampla sala. Em pausadas tragadas o corpo aniquilava toda e qualquer ansiedade que pudesse ainda estar impregnada ali. só precisaria arrancar dos pés as meias compridas suadas e entregar para os ferrets brincarem, nunca entenderia aquele tesão animal por chulé mas gostava de satisfazê-los, pareciam tão felizes brincando com meias molhadas e fedidas!
Meias entregues aos ferrets, Ada poderia preocupar-se em abrir uma garrafa de vinho tinto, levar para a sala duas taças de cristal pretensiosamente colocadas na mesinha de centro ao lado do cinzeiro onde seu cigarro descansava e o incenso queimava. Com a geladeira aberta, organizou petiscos veganos em duas tigelas pequenas pois sabia que não teriam tempo para desfrutar da comida, a boca se ocuparia com uma saliva muito mais apetitosa.
Se não entendesse o quão difícil eram os turnos noturnos, ficaria até um pouco duvidosa de seu papel no mundo depois de ser tratada com tanta indiferença pelo taxista de meia idade. Quem poderia o culpar? Provavelmente teria passado mais de vinte anos na mesma profissão, tendo que lidar com várias corridas grosseiras durante a madrugada. Mesmo assim, não custava ser ao menos um pouco mais cordial. Já não bastava o nervosismo por não saber o que lhe esperava no apartamento -conseguia ser inocente nos momentos mais inoportunos- teve de lidar com a falta de resposta ao seu “obrigada” martelando no fundo da cabeça enquanto procurava, tremendo de frio, pelo numero do apartamento.
Não foi nenhum pouco difícil achar na verdade. Custou-lhe apenas mais cinco minutos somados aos trinta e cinco para realmente chegar ali. Tinha o celular em mãos para avisar Ada caso não lhe ouvisse tocar a porta. Como não ouviria?
Se debatia entre virar as costas para a porta e voltar com toda sua falta de escrupulosos para seu dormitório, ou continuar ali esperando. Sogi sabia que, depois de já ter tocado a campainha, era burrice pensar que, por ventura, teria tempo para sair de cena e mesmo assim tentou. Tentou apenas para ser interrompida pela porta se abrindo, uma vibe totalmente diferente a engolindo e atraindo para que tornasse a encarar a mulher parada a porta.
—Estou dez minutos atrasada mas são quase três da manhã. Atrasos podem ser relevados a essa hora, não podem?
Encapsulated by your apathy Love me like a common malady Keep my Charlotte in a basket And force me with your hand But my indignation goes beyond my neck And I might show up when you least expect And whose final scene it is will be left up to you
[Flashback - Musical expression]
Antes mesmo de reconhecer seu amor pela música a ponto de decidir segui-la, Kuhn lembra-se que, ainda menino, já tinha o costume de ser um pouco mais chato do que as outras pessoas para assistir filmes, e pensando bem agora talvez isso possa até ser considerado o “prelúdio” de seu destino como artista. Seus gostos para gênero e imagem não eram [e ainda não são] bem definidos - dos filmes de terror psicológico mais bem construído às animações humildes e pouco populares postados na internet -, existe um fator em comum que pode instigar seu amor ou ódio por uma certa obra da sétima arte: a trilha sonora.
A questão é que ele nunca imaginou que sairia dessa posição de mero criticador na frente de uma tela, até que um dia Sooyeon o contatou para pedir-lhe ajuda com a escolha de uma música para seu projeto e, sendo o Ryu um apaixonado pelo tema como era, fez de tudo para manter o equilíbrio ao concordar com o convite da outra segundanista.
No horário e local marcados, então, levando consigo apenas o MP4 que guardava todas as suas músicas de diversos compositores (assim como as releituras feitas por artistas sucessores), além das preciosas gravações de cunho mais pessoal, é claro, Kuhn adentrou o Caffè Bene com um grande sorriso, não demorando a localizar em uma das mesas a moça que ele procurava - até porque o local encontrava-se praticamente livre de outras pessoas. — Espero que não esteja me esperando faz muito tempo, Sooyeon-ssi. — Anunciou com um misto de cortesia e brandura. — Posso me sentar? — Apontou para a cadeira vazia diante dela e, apenas após receber uma confirmação, ocupou o tal lugar. Tentava não parecer muito desleixado com suas ações mas, sinceramente, aquilo seria um desafio.
Era a primeira vez que eles encontravam-se, afinal. E antes disso, o estudante de música provavelmente tinha sido para Sooyeon quase o mesmo que ela era para ele: um nome com créditos. “Quase o mesmo”, porque era um tanto quanto impossível conhecê-la só assim. Soubesse disso ou não, a Kim tinha seus próprios admiradores (que elevavam tanto sua arte quanto sua beleza) na Laforet, e no curso de música não era diferente, já que o rapaz tinha ouvido sobre ela diversas vezes em meio aos suspiros de seus colegas. — Então, se não for um incômodo, me conte mais sobre o seu projeto. — Tirou o MP4 do bolso e o descansou em cima da mesa, passando a encará-la com expectativa.
Estava tão imerso em saber mais sobre aquilo, no entanto, que sequer se deu conta de que, mesmo sendo um novo cliente no local, ele ainda não tinha feito menção de pedir nada.
MUSICAL EXPRESSION (FLASHBACK)
✶ * ・ ғɪɴᴅɪɴɢ sᴏᴏʏᴇᴏɴ’s sᴏᴜɴᴅᴛʀᴀᴄᴋ
Mesmo sem tanto contato com o garoto, já achava uma graça o jeitinho doce que conseguia enxergar ao analisá-lo. Era sua mania reparar em expressões corporais e faciais graças aos intensos estudos de personagens feitos ao longo da vida.
— Faça seu pedido, Kuhn. Será necessário para que não seque a garganta, Falaremos muito hoje.
Tentava ao máximo manter o tom e sorriso amigável, era seu traço principal por trás de todo o resto que sabia, Laforet falava bastante sobre. Seria sua seriedade em se tratando da carreira, a fatalidade que ela, na verdade, não via, tudo não passavam de meros detalhes por trás do riso fácil e sorriso contagiante.
Esperou que a companhia se fizesse confortável com o pedido,com a pose e também com os pertences para iniciar a conversa sobre seu projeto. Começara explicando o conceito livre do mesmo para chegar ao seu principal problema.
— Meus colegas irão utilizar musicas populares para a atuação. Provavelmente teremos Indie, R&B. Eu quero algo que vá além disso. Quero tocar fundo em minhas próprias feridas, preciso de uma musica que desperte o que tenho de mais profundo, preciso de algo que traga isso em cada melodia. Feridas.
Do I look straight?
|W: @lua-adaono|
-Me perdoe por perguntar algo tão…invasivo, talvez? Mas…
A estudante reprimia o sorriso desafiador, não queria passar a impressão de ser, de fato, abusada. Não era hora de revelar tanto de sua personalidade, tampouco puxar o temperamento de Ada, o que não conhecia.
-…a senhorita sabe como é famosa entre as garotas de Laforet?- evitou a olhar por um momento, o sorriso logo refletiria nos pequenos olhos e não, a professora não precisava ver aquilo entregar suas intenções por trás do discurso.
Ainda que estivessem no ambiente de trabalho de Sogi, longe das paredes com ouvidos na universidade, acreditava que o questionamento era completamente invasivo. Não estava ali para discutir sobre sua sexualidade, tampouco com uma aluna que mal conhecia para ser tão aberta.
— Hm… Talvez eu saiba… Mas acredito que é normal criarmos uma admiração maior por professores, principalmente na minha área.. Afinal.. Eu estou sempre em contato com meus alunos, e o toque cria essa sensação de aproximação, principalmente quando você é jovem e está buscando a todo tempo por essas sensações que… Queimam. —
A professora tentou indicar na fala que não estava disponível para se relacionar com alunas, muito menos uma menina tão invasiva e abusada como Sooyeon.
— Pra você chegar tão displicente e me falar isso… É porquê se encontra nessa lista, não? Estou errada, senhorita Sooyeon? —
Não queria criar um clima tenso, tampouco facilitar a situação para a estudante; optou por igualmente deixá-la desconfortável com um questionamento, mesmo não sendo ela sentada em uma cadeira tentando tranquilizar-se com uma xícara de chá.
Nunca seria fácil acabar com a graça que Sooyeon via em investir tempo e força de vontade na professora que há muito tempo chamava sua atenção. Nem mesmo em seu trabalho, as duas da manhã, com os pulsos cheirando a café de tanto tempo e tantos clientes servidos, o sorriso a abandonava.
-Depende…eu pareço me interessar por homens, professora?
Agora tudo estava mais calmo, Ada a sua única presente na cafeteria, os colegas pouco se importavam se sua conduta era duvidosa para com um cliente, muito menos quando esta era sua professora. Tão abusada quanto como havia começado a conversa, havia tomado a iniciativa se se sentar ao oposto da mulher.
-É obvio que me encontro no seu fan club, mas ao contrário de todo o resto, prefiro ser direta.
Calculava muito bem cada movimento. Considerava apenas muito idiota não dizer ou fazer o que desejava, apesar de respeitar o espaço físico da mais velha. Tão suave quanto a forma que se sentava, usou o pequeno bloquinho de pedidos para anotar um conjunto de números que sabia, Ada reconheceria, talvez, de imediato. Ao arrastá-lo ao longo da mesa para entrega-lo, se levantava a espera de uma reação qualquer.
Com um revirar de olhos sendo abandonado por um sorriso debochadamente certeiro, Ada cruzou as pernas aproveitando o último gole morno do chá que, até o momento, apreciava. Ao voltar a xícara para o pires observou silenciosamente a aluna ocupar a cadeira em sua frente, sem nem mesmo pedir licença.
— Você parece se interessar por pessoas muito difíceis de serem conquistadas, miss. —
A invasão de espaço irritou completamente a professora e vê-la abusar de sua paciência ao escrever qualquer merda em um papel a fez bufar tendo como única opção rir de toda aquela situação, raspando as unhas compridas nos cabelos na tentativa de não se tornar explosiva no ambiente de trabalho de Sooyeon, o sorriso que se abria era totalmente falso para disfarçar o constrangimento ao ler o número no papel.
— Com quem você conseguiu isso, Sooyeon? — O constrangimento havia se transformado e dissipado em muitos sentimentos. Quem seria tão estúpido ao invadir a privacidade de uma professora conseguindo seu número pessoal para importuná-la através de mensagens? Quem seria tão tolo ao pensar que não seria denunciada para o conselho estudantil ao importunar uma professora fora de seu trabalho? Sabia que Sooyeon era uma ótima atriz, ela já havia demonstrado facilidade em ser o centro da atenção, não somente, agora tudo parecia um grande blefe para se aproximar da professora, certamente tudo não passava de uma mentira. Se a denunciasse, talvez tudo virasse contra a professora, a aluna parecia convincente demais e não se surpreendia por cursar teatro. God damn. Mas aquilo não ficaria assim, levantou-se logo após Sooyeon atravessar a porta do estabelecimento provavelmente prevendo o próximo passo de Ada, a garota era tão inteligente que sabia exatamente como guiar aquela situação e mais uma vez, Ada se encontrava em uma teia de aranha.
— Ok, garotinha. Você se acha muito esperta, não é? Me envia mensagens privadas, toma atitudes extremas para se aproximar de mim. O que você quer? Um atestado de homossexualidade para que eu seja expulsa da universidade? Queimar a porra da minha integridade ficando com uma menininha abusada como você? —
Ada discretamente segurou a mulher pela cintura, ainda que mais velha, era quase vinte centímetros mais baixa e num ato desesperado para impor respeito, pressionou-a contra a parede, olhando para os lados desconfiada.
— Quanto te pagaram pra foder a minha vida, Sooyeon? Me fala. Eu pago o dobro pra você calar a boca e me ignorar. Pago mensalmente só pra não olhar pra tua cara. O que você sabe? O que te disseram? Me diz quem te deu meu número. —
Ada respirou fundo quando as palavras eram rispidamente sussurradas, ela sabia que performar e ser sócia de uma casa no subúrbio onde drogas eram deliberadamente usufruídas poderiam ocasionalmente destruir toda sua carreira profissional, só não sabia que isso ocorreria através de uma das alunas.
Certamente a reação da professora estava longe do esperado por Sogi, mas a surpresa pela voracidade das ações aparentemente desesperadas de Ada foi perfeitamente disfarçada; sua vida dedicada ao teatro não valeria de nada se agora, em uma situação tão delicada, não servisse como vantagem. A confusão sobre as acusações, entretanto, estava clara nos olhos cerrados. O contato físico teria lhe deixado totalmente desconcertada se a mais velha não tivesse ali despejado mais gasolina em cima de seu interesse em tudo o que a cercava.
Apesar do quão errado foi usar de sua atuação para pedir o número de Ada a uma professora, usando a desculpa mais obvia ao contar sobre o fatídico dia de seu colapso, ainda assim não havia nada mais além do que o desejo por descobri-la mais do que professora. Era uma mulher encantadora e pelos seus modos sabia que Ada tinha plena consciência disso.
-Te expulsar? Me pagar?
Dessa vez a explosiva era Sooyeon. As acusações eram apenas muito confusas e injustas para ela. Foi bruta ao tentar escapar das mãos firmes que a travavam contra a parede da cozinha, como se o perfume não lutasse em fazê-la fraca.
-What the fuck you’re talking about?-seu próprio temperamento havia ido por água abaixo, mal conseguia formular frases em coreano.
Analisando rapidamente a mulher diferente da professora que via quase todos os dias, sabia que não se libertaria dali facilmente. Não entendia o que tanto havia feito para receber uma reação daquelas. Ada pensava ser uma stalker com más intenções? Realmente não imaginava motivos plausíveis para tanta comoção.
-Claramente seu maior problema não é sexualidade, Ada. Tem medo de que? O que uma aluna interessada na porra da sua existência pode descobrir de tão ruim?
Sogi já não era a melhor em termos de respeito de Laforet. Sua criação fora do país automaticamente a transformava em leiga sobre os costumes, mas não era como se Ada parecesse ligar muito para respeito naquele instante. Não havia espaço para conveniências.
Ada voltou a passar as mãos nos próprios cabelos, precisou dar as costas para a aluna e olhar para a rua apenas para certificar-se de quê não estava louca e que muito provavelmente suas reações estavam exaltadas por conta de uma sexta a noite regada a cocaína. Okay… Calm… Down…. She knows nothing, you’re just overreacted.
— Fine. — Era evidente que toda aquela explosão era recorrente do uso da droga; estava há muitos meses sem substâncias ilícitas rodando pelo organismo e na primeira oportunidade, justo em uma sexta-feira santa, o peso na consciência e o medo bateram muito mais forte que as sensações de felicidade atenuadas. Naquele breve momento, voltando a encarar a aluna, decidiu confiar em seu desentendimento apesar de continuar achando-a extremamente abusada.
Utilizando o verso do papel alcançado, Ada deslizou os dedos no bolso traseiro da calça da atendente, com um olhar fixo e vigilante ao dela, retirou dali a caneta para anotar o endereço de seu apartamento e prevalecida de sua idade e cargo universitário, lambeu o papel para grudá-lo em sua testa.
— Você tem trinta minutos pra chegar nesse endereço, aí conversamos sobre a minha sexualidade. —
Disse firme, tampando mais uma vez a caneta e prendendo-a entre os dentes de Sooyeon. Abandonou a garota ali contra a parede, mas não antes de retirar do bolso uma nota de 10000W deixando em cima do balcão.
— See you. —
Facilmente diria que sua professora era, de fato, um pouco louca e ela com certeza se atestaria ainda mais maluca por se sentir tão atraída por ela, mesmo depois de ver uma versão diferente do que imaginava ser a mulher fora da universidade.
Tomou o tempo em que Ada parecia usar para se acalmar para respirar fundo e ajeitar a própria roupa, a blusa meio-transparente de botões quase deixando transparecer o sutiã preto de renda. Ela estava uma bagunça, perdida e ainda irritada depois de tantas acusações. E como se não bastasse toda a frustração do que era para ser um flerte, se indignou ainda mais com o modo que fora tratada antes de ser deixada de forma patética contra a parede, apenas com uma ordem para seguir. Se deveria obedecer ou não era sua maior duvida.
Bufando, retirou o papel molhado da testa para checar o endereço deixado. Não poderia usar a saliva de uma forma melhor? , se perguntava mentalmente ao arrastar o dinheiro para o caixa.
Não teria se deslocado até o endereço se um de seus colegas, atento ao problema que Sogi havia causado, não oferecesse cobrir seu turno. A cafeteria era bem clássica, a dona os confiava tomar conta do local durante a madrugada, não seria problema para ela sair um pouco mais cedo, pegar um táxi com metade da gorjeta ganha durante o dia, para aparecer em trinta e cinco minutos na porta de Ada, usando o sobretudo como abrigo do frio.
Fez nota mental antes de tocar a campainha: estaria pisando em um campo minado durante a conversa, poderia entrar em sérios problemas por estar na casa de sua professora. Qualquer ação deveria ser minimamente pensada.
-Gosh...I’m so fucked up.
Do I look straight?
|W: @lua-adaono|
-Me perdoe por perguntar algo tão…invasivo, talvez? Mas…
A estudante reprimia o sorriso desafiador, não queria passar a impressão de ser, de fato, abusada. Não era hora de revelar tanto de sua personalidade, tampouco puxar o temperamento de Ada, o que não conhecia.
-…a senhorita sabe como é famosa entre as garotas de Laforet?- evitou a olhar por um momento, o sorriso logo refletiria nos pequenos olhos e não, a professora não precisava ver aquilo entregar suas intenções por trás do discurso.
Ainda que estivessem no ambiente de trabalho de Sogi, longe das paredes com ouvidos na universidade, acreditava que o questionamento era completamente invasivo. Não estava ali para discutir sobre sua sexualidade, tampouco com uma aluna que mal conhecia para ser tão aberta.
— Hm… Talvez eu saiba… Mas acredito que é normal criarmos uma admiração maior por professores, principalmente na minha área.. Afinal.. Eu estou sempre em contato com meus alunos, e o toque cria essa sensação de aproximação, principalmente quando você é jovem e está buscando a todo tempo por essas sensações que… Queimam. —
A professora tentou indicar na fala que não estava disponível para se relacionar com alunas, muito menos uma menina tão invasiva e abusada como Sooyeon.
— Pra você chegar tão displicente e me falar isso… É porquê se encontra nessa lista, não? Estou errada, senhorita Sooyeon? —
Não queria criar um clima tenso, tampouco facilitar a situação para a estudante; optou por igualmente deixá-la desconfortável com um questionamento, mesmo não sendo ela sentada em uma cadeira tentando tranquilizar-se com uma xícara de chá.
Nunca seria fácil acabar com a graça que Sooyeon via em investir tempo e força de vontade na professora que há muito tempo chamava sua atenção. Nem mesmo em seu trabalho, as duas da manhã, com os pulsos cheirando a café de tanto tempo e tantos clientes servidos, o sorriso a abandonava.
-Depende…eu pareço me interessar por homens, professora?
Agora tudo estava mais calmo, Ada a sua única presente na cafeteria, os colegas pouco se importavam se sua conduta era duvidosa para com um cliente, muito menos quando esta era sua professora. Tão abusada quanto como havia começado a conversa, havia tomado a iniciativa se se sentar ao oposto da mulher.
-É obvio que me encontro no seu fan club, mas ao contrário de todo o resto, prefiro ser direta.
Calculava muito bem cada movimento. Considerava apenas muito idiota não dizer ou fazer o que desejava, apesar de respeitar o espaço físico da mais velha. Tão suave quanto a forma que se sentava, usou o pequeno bloquinho de pedidos para anotar um conjunto de números que sabia, Ada reconheceria, talvez, de imediato. Ao arrastá-lo ao longo da mesa para entrega-lo, se levantava a espera de uma reação qualquer.
Com um revirar de olhos sendo abandonado por um sorriso debochadamente certeiro, Ada cruzou as pernas aproveitando o último gole morno do chá que, até o momento, apreciava. Ao voltar a xícara para o pires observou silenciosamente a aluna ocupar a cadeira em sua frente, sem nem mesmo pedir licença.
— Você parece se interessar por pessoas muito difíceis de serem conquistadas, miss. —
A invasão de espaço irritou completamente a professora e vê-la abusar de sua paciência ao escrever qualquer merda em um papel a fez bufar tendo como única opção rir de toda aquela situação, raspando as unhas compridas nos cabelos na tentativa de não se tornar explosiva no ambiente de trabalho de Sooyeon, o sorriso que se abria era totalmente falso para disfarçar o constrangimento ao ler o número no papel.
— Com quem você conseguiu isso, Sooyeon? — O constrangimento havia se transformado e dissipado em muitos sentimentos. Quem seria tão estúpido ao invadir a privacidade de uma professora conseguindo seu número pessoal para importuná-la através de mensagens? Quem seria tão tolo ao pensar que não seria denunciada para o conselho estudantil ao importunar uma professora fora de seu trabalho? Sabia que Sooyeon era uma ótima atriz, ela já havia demonstrado facilidade em ser o centro da atenção, não somente, agora tudo parecia um grande blefe para se aproximar da professora, certamente tudo não passava de uma mentira. Se a denunciasse, talvez tudo virasse contra a professora, a aluna parecia convincente demais e não se surpreendia por cursar teatro. God damn. Mas aquilo não ficaria assim, levantou-se logo após Sooyeon atravessar a porta do estabelecimento provavelmente prevendo o próximo passo de Ada, a garota era tão inteligente que sabia exatamente como guiar aquela situação e mais uma vez, Ada se encontrava em uma teia de aranha.
— Ok, garotinha. Você se acha muito esperta, não é? Me envia mensagens privadas, toma atitudes extremas para se aproximar de mim. O que você quer? Um atestado de homossexualidade para que eu seja expulsa da universidade? Queimar a porra da minha integridade ficando com uma menininha abusada como você? —
Ada discretamente segurou a mulher pela cintura, ainda que mais velha, era quase vinte centímetros mais baixa e num ato desesperado para impor respeito, pressionou-a contra a parede, olhando para os lados desconfiada.
— Quanto te pagaram pra foder a minha vida, Sooyeon? Me fala. Eu pago o dobro pra você calar a boca e me ignorar. Pago mensalmente só pra não olhar pra tua cara. O que você sabe? O que te disseram? Me diz quem te deu meu número. —
Ada respirou fundo quando as palavras eram rispidamente sussurradas, ela sabia que performar e ser sócia de uma casa no subúrbio onde drogas eram deliberadamente usufruídas poderiam ocasionalmente destruir toda sua carreira profissional, só não sabia que isso ocorreria através de uma das alunas.
Certamente a reação da professora estava longe do esperado por Sogi, mas a surpresa pela voracidade das ações aparentemente desesperadas de Ada foi perfeitamente disfarçada; sua vida dedicada ao teatro não valeria de nada se agora, em uma situação tão delicada, não servisse como vantagem. A confusão sobre as acusações, entretanto, estava clara nos olhos cerrados. O contato físico teria lhe deixado totalmente desconcertada se a mais velha não tivesse ali despejado mais gasolina em cima de seu interesse em tudo o que a cercava.
Apesar do quão errado foi usar de sua atuação para pedir o número de Ada a uma professora, usando a desculpa mais obvia ao contar sobre o fatídico dia de seu colapso, ainda assim não havia nada mais além do que o desejo por descobri-la mais do que professora. Era uma mulher encantadora e pelos seus modos sabia que Ada tinha plena consciência disso.
-Te expulsar? Me pagar?
Dessa vez a explosiva era Sooyeon. As acusações eram apenas muito confusas e injustas para ela. Foi bruta ao tentar escapar das mãos firmes que a travavam contra a parede da cozinha, como se o perfume não lutasse em fazê-la fraca.
-What the fuck you’re talking about?-seu próprio temperamento havia ido por água abaixo, mal conseguia formular frases em coreano.
Analisando rapidamente a mulher diferente da professora que via quase todos os dias, sabia que não se libertaria dali facilmente. Não entendia o que tanto havia feito para receber uma reação daquelas. Ada pensava ser uma stalker com más intenções? Realmente não imaginava motivos plausíveis para tanta comoção.
-Claramente seu maior problema não é sexualidade, Ada. Tem medo de que? O que uma aluna interessada na porra da sua existência pode descobrir de tão ruim?
Sogi já não era a melhor em termos de respeito de Laforet. Sua criação fora do país automaticamente a transformava em leiga sobre os costumes, mas não era como se Ada parecesse ligar muito para respeito naquele instante. Não havia espaço para conveniências.

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A estudante reprimia o sorriso desafiador, não queria passar a impressão de ser, de fato, abusada. Não era hora de revelar tanto de sua personalidade, tampouco puxar o temperamento de Ada, o que não conhecia.
-…a senhorita sabe como é famosa entre as garotas de Laforet?- evitou a olhar por um momento, o sorriso logo refletiria nos pequenos olhos e não, a professora não precisava ver aquilo entregar suas intenções por trás do discurso.
Ainda que estivessem no ambiente de trabalho de Sogi, longe das paredes com ouvidos na universidade, acreditava que o questionamento era completamente invasivo. Não estava ali para discutir sobre sua sexualidade, tampouco com uma aluna que mal conhecia para ser tão aberta.
— Hm… Talvez eu saiba… Mas acredito que é normal criarmos uma admiração maior por professores, principalmente na minha área.. Afinal.. Eu estou sempre em contato com meus alunos, e o toque cria essa sensação de aproximação, principalmente quando você é jovem e está buscando a todo tempo por essas sensações que… Queimam. —
A professora tentou indicar na fala que não estava disponível para se relacionar com alunas, muito menos uma menina tão invasiva e abusada como Sooyeon.
— Pra você chegar tão displicente e me falar isso… É porquê se encontra nessa lista, não? Estou errada, senhorita Sooyeon? —
Não queria criar um clima tenso, tampouco facilitar a situação para a estudante; optou por igualmente deixá-la desconfortável com um questionamento, mesmo não sendo ela sentada em uma cadeira tentando tranquilizar-se com uma xícara de chá.
Nunca seria fácil acabar com a graça que Sooyeon via em investir tempo e força de vontade na professora que há muito tempo chamava sua atenção. Nem mesmo em seu trabalho, as duas da manhã, com os pulsos cheirando a café de tanto tempo e tantos clientes servidos, o sorriso a abandonava.
-Depende...eu pareço me interessar por homens, professora?
Agora tudo estava mais calmo, Ada a sua única presente na cafeteria, os colegas pouco se importavam se sua conduta era duvidosa para com um cliente, muito menos quando esta era sua professora. Tão abusada quanto como havia começado a conversa, havia tomado a iniciativa se se sentar ao oposto da mulher.
-É obvio que me encontro no seu fan club, mas ao contrário de todo o resto, prefiro ser direta.
Calculava muito bem cada movimento. Considerava apenas muito idiota não dizer ou fazer o que desejava, apesar de respeitar o espaço físico da mais velha. Tão suave quanto a forma que se sentava, usou o pequeno bloquinho de pedidos para anotar um conjunto de números que sabia, Ada reconheceria, talvez, de imediato. Ao arrastá-lo ao longo da mesa para entrega-lo, se levantava a espera de uma reação qualquer.
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A estudante reprimia o sorriso desafiador, não queria passar a impressão de ser, de fato, abusada. Não era hora de revelar tanto de sua personalidade, tampouco puxar o temperamento de Ada, o que não conhecia.
-...a senhorita sabe como é famosa entre as garotas de Laforet?- evitou a olhar por um momento, o sorriso logo refletiria nos pequenos olhos e não, a professora não precisava ver aquilo entregar suas intenções por trás do discurso.