━━ ⟢ esmond, por um momento, sentiu que seu peito explodiria em felicidade ao escutar as palavras de amor que o outro lhe respondeu. sabia que o que viviam era amor, mas estar tão límpido daquela forma era tudo que ele queria. a mão de lorcan estava realmente mal e certamente uma marca ficaria ali. talvez ficasse mais sútil com o passar o tempo, mas só de ver ela sabia que teria que ter mais conversas similares com aquela com o namorado. “eu sei que você não gosta, meu amor, mas você precisa para que a sua mão fique bem.” ele ficava extremamente triste de submeter o namorado à uma situação claramente desconfortável, mas ele não tinha o que fazer. sabia que se ele não tentasse, o namorado ignoraria o machucado até que ele se tornasse algo ainda maior. “eu vou com você e vou ficar o tempo inteiro do seu lado, tá bom?” beijou o rosto dele novamente, tentando convencer o namorado de qualquer maneira. seu cérebro naquele momento rodava com informações. pensou que já que estava sendo sincero e contando tudo que seu coração guardava, deveria ir até o fim. “lorcan, eu… eu quero que você seja sincero comigo, também.” péssimo começo. péssimo. “eu não gosto que outras pessoas apontem coisas que você deveria me dizer, por mais óbvias que sejam.” por mais que seu tom fosse doce e calmo, suas palavras não estavam sendo do jeito que ele imaginava. “só… seja sincero comigo, tem algo que você não me disse e que eu deveria saber?” esmond já sabia. depois de ouvir de seu pai que ele estava namorando com um doente mental e que já havia citado várias vezes que o filho de luna não batia muito bem, que esmond só fazia aquilo para irritar ele. que ele já não bastava ser um desperdício, que ele tinha que trazer mais desperdícios para perto de si. ele ficou furioso na hora, foi uma briga horrível e ele só não partiu para medidas irracionais por causa de suas irmãs. não aceitava que ninguém falasse daquela forma de seu namorado, nem mesmo seu pai. ainda mais seu pai, que pouco valor lhe dava. apesar disso, depois dos ânimos calmos, ele conseguiu escutar sua mãe dizendo que o filho de luna era só diferente e que percy não deveria falar assim de outra pessoa. ao escutar isso esmond teve confirmação de algo que já tinha escutado, mas que tinha subtraído de suas informações. seu namorado era, de fato, diferente. não entendia muito bem sobre o assunto, mas dormiu com raiva de seu pai por ser uma pessoa tão ruim.
Meu amor. As palavras suaves tinham um efeito calmante sobre si, combinando isso com a poção que havia tomado, Lorcan não conseguia discordar do namorado, escolhendo apenas continuar com a feição emburrada. Se fosse arrastado mesmo para a enfermaria no dia seguinte, Esmond não iria escapar; faria questão de sentar-se no colo do mais velho para impedi-lo de ir para qualquer canto que fosse enquanto estivessem cuidando de sua mão. E, na realidade, seria uma forma de lhe tranquilizar também, afinal, com o calor e perfume do bruxo lhe cercando, não iria dar atenção para quem quer que fosse mexer com seu ferimento. ' ——— 'Tá bom.' concordou baixinho, sorrindo levemente para o beijo ganho na bochecha. O carinho era explícito nas ações e palavras que o outro Lufano usava para falar consigo, como não tinha percebido que seus sentimentos eram recíprocos? Escusado seria dizer que para perceber algo assim, teria que ser jogado em sua face. Mas a mudança ocorreu novamente em seu rosto. O loiro franziu o cenho para esboçar a confusão que tinha ficado, não entendia o que aquilo queria dizer. Escondia algo dele? Bom, não escondia, mas também não tocava em um assunto que, segundo sua mãe, já deveria ter surgido na conversa desde o princípio. E, sinceramente, Lorcan não entendia o porquê. Era parte de si, mas Esmond lhe aceitou com todas as suas peculiaridades à mostra, não fingia ser outra pessoa quando perto dele. Sentia-se confortável o suficiente para ser verdadeiro sobre tudo. ' ——— Não entendi o que você quer dizer.' verbalizou. Não via problemas em admitir quando o sentido das palavras eram perdidos por si; mas, dessa vez, talvez pelo menos desconfiasse. E como não era justo falar sobre sinceridade e mentir na cara dura, ele continuou: ' ——— Eu nunca menti pra você. Sempre fui sincero.' resmungou, os dígitos finos buscando se enfiar nos cachinhos bagunçados que estavam à sua disposição. ' ——— As pessoas não falam sobre mim, Esm... a não ser pra especular sobre... meu comportamento em geral.' continuou a resmungar. Não era estúpido. Tinha ouvido o suficiente de todos ao redor para saber que outras pessoas apontando coisas sobre si significava que lhe chamaram de louco ou algo semelhante. ' ——— Síndrome de Asperger.' abaixou a voz ainda mais, engolindo em seco. ' ——— Faz parte do espectro autista. É disso que queria que eu falasse?' não direcionava o olhar para o namorado, fitava os cachos escuros com os quais mexia e nada mais.












