RESENHA: A volta ao mundo em 80 dias
Quando eu peguei esse livro para ler, achei que fosse ser um trabalho rápido, de apenas dois dias. O que minha ignorância, e por que não dizer também arrogância, não tinham calculado, era que esse livro é escrito por ninguém mais e ninguém menos que Julio Verne. Você não lê clássicos em dois dias. Isso não seria certo com os pobres coitados. Demorei um pouco mais que o planejado, não porque a história não era boa, mas simplesmente por causa do modo da narrativa. A volta ao mundo em 80 dias narra a história de Philias Fogg, um inglês rico e fleumático, que, após apostar com seus companheiros do Reform Club, sai com seu criado Passepartout a fim de realizar uma volta ao mundo em apenas 80 dias. Escolhi esse livro principalmente por estar cansada de sempre ouvir falar das obras de Julio Verne, acompanhar as adaptações, porém nunca ler de fato. E, claro, para dar um tempo nas obras de investigação. Essa obra me surpreendeu em vários aspectos, embora tenha decepcionado em outros. Vamos às boas notícias primeiro. Sim, a obra é muito boa e cheia de aventuras. Fogg e Passepartout enfrentam vários obstáculos, cada um lidando emocionalmente com esses obstáculos de formas diferentes. Verne é muito calculado na sua escrita, de modo que os imprevistos são bem reais e plausíveis. Ele também é excelente em montar seus personagens. Passepartout é impulsivo e leal, o tipo de personagem que te cativa de cara. Fogg é mais neutralizado, fleumático, um típico inglês (demorei um pouco para gostar dele, pois sempre o via como um robô previsível). E, claro, Srta. Aoda e Fix, adoráveis acréscimos a obra. O que mais me decepcionou, no entanto, foi a narrativa em si. Verne lista com exaustão as cidades que eles simplesmente passam perto! Além disso, listam muitas referências locais/políticas/temporais. Para mim, que sou apenas uma amante de livros, essa parte era simplesmente... tediosa. Por vezes eu perdia o local em que ele soltava uma informação importante. Estaria sendo injusta, no entanto, se não dissesse que me vi ansiosa no final. Não para acabar o livro e deixá-lo de lado. Mas sim, para que os personagens vencessem e atingissem seu objetivo. Definitivamente não sou como Fogg, que se mantém impassível diante dos problemas da vida. Sou mais Passepartout, que se descabela e quer resolver com as próprias mãos aquilo que está fora de seu alcance. Em resumo o livro é muito bom, mas você que não está acostumado com narrativas mais antigas deve ter um pouco de paciência e perseverar. É um livro fantástico, basta sair da sua zona de conforto, e você verá!













