RESENHA: Uma longa jornada
Uma longa jornada é um livro escrito por Nicholas Sparks, o rei do romance clichê. Esse livro está longe de ser sua história mais famosa, mesmo tendo ganhado filme. Porém, dos romances que eu já li/vi, é um dos meus preferidos. O livro narra duas histórias: Sophia e Luke, Ira and Ruth. O primeiro casal se passa na atualidade e é sobre uma estudante de arte e um cowboy. Já o segundo casal é da década de 1940, sendo Ruth uma amante de arte e refugiada que veio de Viena fugindo do nazismo e Ira um filho de alfaiate. Em capítulos intercalados entre o ponto de vista de Ira, Luke e Sophia, vemos a história desses quatro se conectando de alguma forma. Quando eu li esse livro, já tinha assistido o filme e particularmente tinha gostado bastante. Então é impossível apenas ler, sem comparar as duas versões. Dessa vez, ao contrário do que aconteceu em barrado do beijo, eu acabei gostando das duas versões, de forma diferente. Graças ao esquema de mudança de ponto de vista, é possível se conectar e saber o lado de todos os personagens (menos de Ruth, que já está morta quando a história começou). Ira é um homem velho, solitário e melancólico que passa o livro inteiro preso num acidente de carro, relembrando sua história com Ruth. Ele e Ruth tiveram uma vida bonita, que mostra como amor é escolhas, escolhas essas que requerem sacrifícios, mas que é justamente através disso que sabemos se alguém nos ama. Em geral, a história dele é mais bonita no filme. No livro, é angustiante passar por todos aqueles momentos com ele, perceber a decadência do ser humano aos poucos. No livro, por ter sido salvo antes, Ira compartilha sua história com Sophia, quando ela o visita para ler as cartas. Essa jogada do filme teria sido bastante útil no livro, já que em muitos momentos eu me peguei contando as páginas, esperando quando o capítulo do Luke chegaria. Claro que Ira continua sendo um romântico totalmente apaixonado em sua deusa Ruth, porém até mesmo o final faz mais sentido no filme que no livro. No entanto, devo concordar que quando se trata de Sophia e Luke, o livro dá uma surra no filme. Não que o filme seja ruim. Mas a relação desses dois fica muito melhor no livro, se desenvolve lentamente, te dá tempo para perceber eles se apaixonando e se apaixonar junto com eles. Luke não é tão teimoso e arrogante, ele na verdade é carinhoso, educado, gentil, homem de família, protetor. E Sophia é uma menina doce, companheira, gentil e muito menos direta que no filme. Eles formam um casal simples, porém incrível, que te faz soltar o livro às vezes para poder suspirar em meio a tanta fofura. No filme, embora os atores tenham sido ótimos, a personalidade dos personagens mudaram um pouco e ambos perderam essa maturidade e docilidade que é típica dos casais de Sparks. Resumindo, tanto o filme quanto o livro são bons, só que de modos diferentes. O livro é bom porque você tem um casal doce, meigo e maduro, que é Luke e Sophia, embora tenha que aguentar a melancolia de Ira. O filme é bom porque você tem um casal que demonstra escolhas e sacrifícios, um casal com um amor muito forte e verdadeiro, que é o caso de Ruth e Ira, embora você tenha que ver uma Sophia e Luke meio apressados, opostos demais para conseguir dar certo. Enfim, minha recomendação? Leia o livro. Assista o filme. Aprenda a amar os dois e você é quem sairá no lucro.













