“Importantes sim, mas não prioridade,” disse, deixando claro que a prioridade sempre seria os filhos e a esposa.
Assistiu o filho, dali já dava para perceber que ele perderia no jogo, mas isso não importava para o mais velho. A graça estava em passar um tempo fazendo aquilo que gostava, sem conversas administrativas e sorrisos ensaiados para agradar ou com sua postura mais dura quando precisava garantir algum contrato por meios não tão honestos.
“Não se preocupe em treinar, estamos nos divertindo e lá vai mais uma…”, exclamou satisfeito quanto acertou mais uma, perto demais que bastava apenas um toque e ele sairia vencedor. “Nice! Um dia você chega lá, eu não vou pegar leve só porque você é meu filho.”
O sorriso foi diminuindo, mas não sumindo de todo, conhecia bem o menino que tinha e lhe dava o tempo necessário para organizar os pensamentos. A admiração que os filhos tinham por ele era fruto de uma educação baseada na admiração e não no medo. Coisa que ele aprendeu a cultivar antes mesmo de entrar na política. Pessoas eram mais fiéis a quem admiravam, falavam mais para quem gostavam e buscavam aqueles que os compreendiam.
Para Leonard e Richard, John usava os mesmos métodos, carregados porém de honestidade.
“Bonita, meu filho, muito bonita,” falou enquanto ia até até a mochila e trocava o taco. “Mas ela não é aquela por quem você dizia estar se apaixonando, então me pergunto o quanto de honestidade você estava transmitindo no baile. Não o julgo, fez um bom papel, mas você sabe que não engana seu velho pai.
"Sou todo ouvidos se quiser falar o que realmente está acontecendo.”
Se fosse um mau perdedor, provavelmente estaria irritado, mas Leonard estava bem longe de ser essa pessoa. Gostava de se divertir e passar um tempo com quem ama, se ganhava ou perdia o jogo, ele nunca se importava de verdade. E até achava engraçado lidar com pessoas competitivas, sempre era hilário suas reações. —— Pelo menos sei que, se quiser impressionar uma garota, não posso trazer ela aqui. —— Brincou, e nem faria de qualquer forma. Tinha o campo de golfe como o lugar especial dele e de John.
Sorriu, empolgado, quando o pai afirmou achá-la bonita. Sempre buscava pela aprovação do pai, não porque em sua educação via isso como necessário, mas por admirá-lo, e por buscar ter uma relação como a que ele tinha com Ellinor. Por isso, de alguma forma, Leonard achava que os pais eram os únicos que poderiam alertá-lo, caso ele estivesse entrando em uma enrascada amorosa. O sorriso, no entanto, murchou logo que o pai anunciou que não tinha comprado bem o seu teatrinho. Era como se John soubesse que Leo estava enganando aos outros, mas não a ele. Nunca a ele. Era seu pai, afinal. Suspirou, deixando os ombros relaxarem, como se estivesse se preparando para falar. —— Não, pai, não era dela que eu falava. O namoro com a Bora não é de verdade, mas não estou enganando ela, viu? Foi um acordo que fizemos. Ela precisava de um namorado para apresentar à família, que está sempre perguntando sobre, e eu... Bem, queria disfarçar meus sentimentos pela garota que falei com você sobre. É a Clarissa. —— Informou, em um resumo, disposto a falar mais, caso o homem perguntasse. Lembrava-se de já ter apresentado Clarissa como uma amiga, muito antes de desenvolver sentimentos por ela, quando ainda eram realmente apenas amigos. Não sabia se John se lembraria da loira.