Reforcei meu barquinho de papel
O meu barquinho de papel já reforcei com cartolina, passei durex nas partes rasgadas pra poder navegar pelas águas turvas da inundação onde tu me deixaste sozinho. Naveguei por redemoinhos em uma viagem sem volta. Passei por grandes correntezas e tempestades em alto-mar. Acordei de ressaca. Acordei e olhei para dentro de mim. Para dentro de quem eu sou antes e depois de ti. Primeiro não encontrei nada. Senti-me um nada. Fadado a desaparecer em amor. Soterrado em angústia e dor. Um coração despedaçado, amordaçado, desmanchado. Fiz da dor meu cobertor. Durante meses eu dava socos no meu peito antes de dormir suplicando para que a dor parasse. Pelo menos por um instante. Distante. Demorei a conseguir encher meus pulmões de ar e voltar a respirar sem falhar. Pensei em desistir. Desisti um trilhão de vezes. Minha vida se resumia a te esquecer, te tirar de mim, deixar de te amar. Deixar de existir. Em meio as minhas buscas interiores tentei buscar fora. Transei com alguns corpos, mas em todos só conseguia te procurar. Teu cheiro, teu toque, teu calor, teu olhar e a tua respiração. Eu fechava os olhos e suplicava para que alguma força cósmica transformasse aquela pessoa em ti de novo. Eu falhei. Falhei mil vezes. Eu morri. Morri mil vezes. Mas renasci. Renasci mil vezes. E estou aqui. E eu descobri que eu não tenho que lutar para te esquecer. Eu não preciso focar no amor que eu sinto por ti e sim no amor que eu sinto por mim.












