Quando seus pais insistiram para que fizesse parte da temporada de casamentos, Heron não imaginou que seria daquela forma, estava acostumado a ser abordado por mães e até mesmo damas em Brighton, mas ali parecia ser bem mais… intenso. Ainda tinha o pareamento da Rainha, algo que em sua opinião, facilitava as coisas, trabalhar no restaurante de seu avô e participar dos eventos da temporada não era algo fácil de conciliar, então o pareamento acabava o ajudando a conhecer as moças, lhe poupando o trabalho de ir em busca delas. Claro que com as mães em seu pé, seria difícil ter algum trabalho em conhecer todas as damas da temporada.
Ali estava ele em seu primeiro pareamento, um recém chegado, outra cidade e outro ambiente. Seria um eufemismo dizer que ele estava nervoso. No entanto, seu nervosismo se dava pela falta de controle da situação e não por não saber se portar com uma dama, isso ele sabia perfeitamente, ou não seria conhecido como um dos melhores pretendentes. Seguir vendado para onde devia ir foi um pouco difícil, mesmo que houvesse alguém o guiando, os tropeços pelo caminho foram inevitáveis, fazendo-o chegar com os dedos dos pés doendo de tanto que se sentiam atraídos pelas quinas dos móveis.
O retirar da venda foi tranquilo, piscava os olhos para se acostumar a iluminação, gravando muito bem o nome da dama dito pela criadagem da rainha. Finalmente seus olhos se focaram nela e houve um certo deleite de sua parte diante de tamanha beleza. “Prazer, my lady. Parece que sou par, espero que possamos nos divertir criando uma apresentação”. Declarou com bom humor antes de fazer uma pequena reverência para ela.
📰 Todas as vezes que pensava em toda aquela tolice de casamento, Lavender já pensava em desistir de tudo e voltar para os Estados Unidos onde poderia andar calmamente sem que lhe olhassem torto por conta de suas vestes – ela claramente não se importava muito com aquilo, mas não podia mentir que lhe irritava um pouco – no entanto, a ruiva tinha seus objetivos quando o chefe sugeriu que fosse para Londres e não era do tipo de pessoa que daria para trás no primeiro incômodo que aparecesse.
Agora, lá estava a jornalista, deixando-se conduzir vendada para uma sala onde deveria encontrar seu par daquele evento – embora só fosse ser anunciada no baile – e não sabia se estava nervosa pelo fato de ter de conversar com alguém que poderia ser um possível pretendente ou se era porque a venda bagunçava um pouco seus cabelos vermelhos cuidadosamente arrumados. No instante em que fora tira a venda, ela precisou de alguns instantes para acostumar-se a claridade da sala e decorou rapidamente o nome do rapaz com quem ficaria… bem, os olhos dourados fixaram-se na face masculina e um sorrisinho formou-se nos lábios avermelhados da jovem Barclay, bom, ao menos era alguém muito bonito – O prazer é meu, my lord. Realmente, espero que possamos mesmo nos divertir criando uma apresentação e deixando um suspense no ar acerca de quem poderíamos ser – diz no mesmo bom humor que o dele, retribuindo a reverência dele com um breve curvar da cabeça em cumprimento – Então, senhor Burakgazi, alguma ideia do que podemos fazer? Devo dizer-lhe, que meu tempo longe de Londres deixaram-me um tanto avoada com que pode ser considerado para uma apresentação como esta.