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@larasbusy

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eyes
Medo de saber
eu quero inspirar,
me acalmar,
enquanto a água cai sobre o chão,
mas a fumaça do incenso queimado
me sufoca,
então admiro o nascer do sol
e os pássaros cantando
para me inspirar
e me acalmar
Eu sempre tentei mudar a pessoa que sou para algo melhor, mas tenho uma voz silenciosa que grita para mim em público, mas sem mais ninguém ouvir, de que o passado me define tanto quanto o presente e nunca serei capaz de perdoar ou ser perdoada.

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Tenho vontade de chorar, mas me seguro. Não quero que notem. Não preciso se mais preocupação, vergonha ou conselho. Tudo isso não adianta de nada.
Título
Tento esconder meu coração acelerado, mas ele grita.
A música alta impede que os assobios (passos) do vento sejam escutados
e faz com que meus arrepios sejam cada vez menores.
Mas ainda observo as cortinas dançando
ainda sinto o frio vindo da janela aberta para mim
ainda percebo as vibrações do corredor de vento batendo os tijolos.
Ainda vejo minha mãe checando se as caixas,
os panos,
os vasos de planta
ainda não caíram.
E todo mundo ainda observa,
sente,
percebe
e vê se os relâmpagos que estão no céu
já passaram para minha cabeça
e trouxeram as lembranças ensurdecedoras
que a música alta deixa escapar.
Sinto falta de quando apreciava a música baixa,
a janela,
o som,
a escuridão.
Mas já faz tanto tempo,
que já esqueci de como é bom
sentir o perfume da chuva,
a música dos trovões,
as luzes dos raios
e o frio dos ventos.
Nesta noite pesada, inclusive as estrelas cansaram.
Estrias de zebra
minha perna coça,
e temo que as ondas de dor
apareçam de novo
e me tornem uma grande zebra.
Ai, Deus.
Tive uma recuperação tão difícil,
para elevar minha autoestima de -1 a 0
e me ver tão bela quanto qualquer cavalo.
Agora, me torno uma zebra
a cada
dia
que passa.
E dói-me dizerem
que está tudo bem,
que é normal,
mesmo não sendo.
Um cavalo
não
é
zebra.
Dói-me a ponto de chorar,
e observar as águas de meus olhos
serem lançadas verticalmente como projéteis
junto de meu corpo, ao chão.
Demorará mais quanto tempo
para superar,
me aceitar e me ver
como bela zebra novamente?
Só quero parar de chorar,
partir meu coração,
ao olhar minhas patas,
minha crina,
no espelho.

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Sinto uma dor ensurdecedora, inquietante
E quieta.
Minha vida virou de ponta-cabeça quando aquilo aconteceu.
Hoje em dia, nas chuvas de verão, sinto o vento assobiar através da minha boca. A água chega dentro de mim antes de encharcar a casa. Os relâmpagos ecoam dentro da minha cabeça.
E o mundo continua parado, como antes da chuva, como se o trauma fosse só meu.
Estou em reunião.
Acontece que neste exato momento, estou numa reunião. Compreendo que falam, mas não consigo ouvir. Parece um bando de “blá blá blá”, um monte de ruído. Por mais que tento me concentrar, a dor borbulhante debaixo da minha pele, no meu abdômen, me impede de entender o que está acontecendo neste exato momento. Pois lembro da minha prova de Termodinâmica que tive na quinta-feira e estou a ponto de chorar. Tenho dúvidas, tenho medo. E se eu for mal na prova? E se eu for mal na próxima também? E se eu for reprovada? E se eu não tiver futuro, morrer passando fome? E daí, por um instante, a sensação de medo passa a ser tristeza: será que é porque eu sou burra? Eu não sou boa o suficiente?
Agora, estou com medo, ansiosa e triste ao mesmo tempo. Mas fico calada, não choro, não reclamo. Acontece que neste exato momento, estou numa reunião.
O último pedaço esperançoso dentro de mim me pediu ajuda - e eu recusei.
Hoje, o último pedaço esperançoso dentro de mim me pediu ajuda.
E eu recusei.
Me desculpe por esta sensação, por parecer covarde. Estou apenas sendo realista. Realista demais. Realista doloroso. Pois faz um tempo que reflito e percebo como humanos são tão pouco sentimentais. Sim, fingimos ser a espécie superior, a espécie que cuida das demais, a espécie vital. “A” espécie. Mas não somos nada. Somos fogo, o resto é fósforo. Destruímos tudo e mentimos para nós mesmos.

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Dores
A respiração lenta dói, dói e fere como se eu fosse queimada por mil sóis; Calor infernal, imerso num frio insólito. E hoje dói mais que ontem, que doía mais que anteontem, que doía mais do que há 10 anos, quando não doía. Fazia um tempo, faz tempo, que a preocupação não se concentrava em meu corpo Agora, enquanto me estremeço, desesperada, procurando minha caneta entre papéis sobre Kafka, meus olhos aguam, meu peito queima, minhas pernas tremem e minha pálpebra pesa novamente. E dói, como dói!
Há outros navios no oceano
Então, passei a navegar em meu barco e você no seu. Eu em meu pequeno bote de madeira, você no gigante navio de metal. Logo, as duas embarcações tomaram rumos diferentes, e se tornaram distantes e solitárias. O seu navio controlando as ondas do mar, o meu levado pelo vento. O meu bote de madeira, já longe, não tem mais cheiro de ferro. E a formiga feita de aço que permanecia no horizonte, deixou de ser visível. Agora, só resta o frio na barriga da saudade.