IMAGINE ITACHI
Desde o momento em que seus olhos se cruzaram pela primeira vez, S/N sabia que Itachi seria parte da sua vida para sempre.
Eles tinham apenas cinco anos quando começaram a andar juntos — duas crianças que não tinham muito em comum além da solidão.
Itachi era o prodígio silencioso, sempre à sombra das expectativas do clã, carregando nos ombros um peso que nenhuma criança deveria carregar. S/N, por outro lado, era só mais um garoto entre tantos Uchihas, nascido sem nome importante ou destino grandioso. Não havia nada de especial nele, mas por alguma razão... Itachi sempre o escolhia.
— Por que você sempre me segue? — Itachi perguntou um dia, enquanto treinava sozinho na beira do rio.
S/N encolheu os ombros, chutando uma pedra na água.
— Porque você é quieto... e eu gosto disso.
A resposta fez Itachi erguer os olhos, como se não esperasse aquilo.
— Eu gosto que você fala demais... — ele respondeu, quase sorrindo.
A partir daquele dia, eles se tornaram inseparáveis.
Crescer ao lado de Itachi era como caminhar na linha tênue entre luz e escuridão. Ele era gentil, mas distante. Forte, mas frágil. Às vezes S/N achava que o amigo carregava o mundo inteiro nos olhos, mas quando estavam sozinhos... Itachi parecia apenas um garoto comum.
Eles passavam horas deitados na grama, olhando para o céu, criando constelações imaginárias que só existiam para os dois.
— Essa se chama Lobo — S/N apontava para as estrelas.
— E essa?
— Raposa... porque você é esperto.
Itachi olhava para ele em silêncio, como se quisesse guardar aquele momento para sempre.
Ninguém nunca olhava para Itachi assim... como se ele fosse apenas um garoto, e não uma arma em potencial.
Talvez fosse por isso que ele amava tanto S/N — mesmo sem entender ainda o que era aquele sentimento.
Foi aos 13 anos que tudo começou a mudar.
Os toques se tornaram demorados demais.
As noites na floresta eram silenciosas de um jeito diferente — carregadas por algo que nenhum dos dois ousava nomear.
Itachi crescia lindo, com cabelos negros sempre soltos e olhos profundos que pareciam ler cada pensamento de S/N antes mesmo que ele dissesse.
Havia algo de hipnotizante em vê-lo treinar — os movimentos perfeitos, o suor escorrendo pelas têmporas, a respiração baixa e constante. S/N ficava encarando por tempo demais... até Itachi perceber.
— Por que está me olhando assim?
S/N sempre desviava o olhar rápido demais, o rosto esquentando.
— Porque você é estranho.
Mas Itachi nunca acreditava.
Ele sempre sabia a verdade.
A primeira vez que se tocaram de verdade foi numa noite fria de inverno, quando S/N apareceu com um corte feio na mão depois de uma missão.
— Deixe-me ver...
Itachi segurou seus dedos com delicadeza, os olhos atentos enquanto amarrava um curativo improvisado.
O toque dele era quente... cuidadoso demais para alguém que sabia matar tão bem.
— Você não devia se machucar assim.
S/N riu baixinho, tentando aliviar o clima.
— Se você cuidasse de mim sempre assim, eu me machucaria mais vezes.
Itachi não respondeu. Apenas segurou sua mão por mais tempo do que precisava.
Quando soltou, os dedos roçaram na palma dele... devagar demais para ser sem querer.
O primeiro beijo aconteceu meses depois, numa noite onde o mundo parecia existir apenas para eles.
Estavam na beira do rio, como sempre, sentados lado a lado. A lua cheia refletia na água, e o vento frio trazia consigo o cheiro das árvores.
S/N falava... e Itachi ouvia em silêncio, como sempre.
— Você acha que um dia vamos sair daqui? — S/N perguntou, abraçando os joelhos.
Itachi não respondeu de imediato. Ele apenas virou o rosto devagar, os olhos escuros fixos nele.
— Eu acho que não importa onde eu vá... você vai estar comigo.
O coração de S/N parou por um segundo.
Foi tão sutil, tão delicado... mas então Itachi se aproximou, os lábios pairando sobre os dele como uma promessa silenciosa.
— Posso? — Itachi murmurou, como se pedisse permissão para algo que ele mesmo não entendia.
S/N fechou os olhos, sem confiar na própria voz.
O beijo foi lento... tímido... apenas um roçar de bocas.
Mas quando se afastaram, os dois já sabiam que nada mais seria igual.
A partir daquele dia, tudo virou segredo.
Trocas de olhares escondidos. Beijos roubados na escuridão.
Nos dias bons, se amavam em silêncio — sem precisar de palavras.
Nos dias ruins, S/N tentava alcançá-lo, mas Itachi sempre parecia mais distante.
— Você pensa demais... — S/N murmurava, puxando-o pela gola da roupa. — Só me beija.
Itachi obedecia. Sempre obedecia.
Mas havia algo nos olhos dele... como se já soubesse que aquilo estava condenado antes mesmo de começar.
— Se um dia eu tiver que ir embora... você vai me odiar? — Itachi perguntou certa noite, quando estavam deitados no telhado da casa de S/N.
S/N virou o rosto, encarando o perfil perfeito do outro na escuridão.
— Por que você iria embora?
— Só prometa... que não vai me odiar.
S/N franziu o cenho, sem entender.
— Eu nunca vou te odiar...
Ele disse aquilo com tanta certeza...
Mas naquela época, ainda não sabia que promessas eram feitas para serem quebradas.
Nos últimos meses antes de tudo desmoronar, eles se amavam em segredo sempre que podiam.
Itachi encontrava formas de vê-lo mesmo entre missões, aparecendo no meio da noite na janela de S/N, com cheiro de chuva e olhos cansados.
S/N o puxava para dentro, o abraçava sem dizer nada... como se soubesse que o tempo deles estava se esgotando.
— Você é minha única coisa boa... — Itachi sussurrava contra sua pele, nos raros momentos em que deixava o coração falar mais alto.
S/N o beijava com força, tentando colocar naquele beijo tudo o que não conseguia dizer em palavras.
Mas Itachi sempre partia antes do sol nascer.
Como se o dia não pudesse testemunhar o que eles tinham.
Como se só na escuridão eles fossem livres.
Era que cada beijo...
Cada toque...
Cada promessa silenciosa...
Estava fadada a se tornar uma lembrança antes mesmo de acontecer.
Ainda não era o fim...
Mas o crepúsculo já pairava sobre eles.
E quando a noite finalmente caísse...
Tudo o que restaria seriam as memórias do que poderia ter sido.
A noite em que o clã Uchiha morreu foi a mais longa da vida de S/N.
O cheiro de ferro queimava o ar.
O som da chuva misturava-se aos gritos sufocados que vinham das casas.
A morte caminhava pelas ruas em passos lentos — invisível para quem dormia, inevitável para quem acordava.
S/N acordou com o cheiro de sangue antes mesmo de ouvir os gritos.
Algo estava errado.
Muito errado.
Ele se levantou da cama, ainda tonto pelo sono, tropeçando até a janela. A aldeia Uchiha dormia sob a luz pálida da lua... mas havia sombras se movendo entre as casas.
No começo, achou que era apenas uma patrulha noturna.
Mas então ele viu.
Um corpo na lama.
A garganta cortada.
Os olhos arrancados.
A bile subiu em sua garganta, mas ele não conseguia desviar o olhar.
Seu coração começou a bater rápido demais, martelando nos ouvidos como se quisesse rasgar o peito.
— O que está acontecendo...?
A pergunta saiu em um sussurro trêmulo, mas ninguém estava lá para responder.
Outro grito ecoou pela aldeia — curto, cortado no meio.
Então o silêncio veio outra vez.
Um silêncio que gritava mais alto que qualquer som.
S/N sabia o que significava.
Alguém estava matando... rápido demais, preciso demais.
Aquilo não era uma invasão.
Era uma execução.
Ele se afastou da janela, o coração disparado, os olhos arregalados.
Itachi...
O nome martelava na sua cabeça sem parar, como uma oração desesperada.
Ele saiu pela porta de casa descalço, o corpo movendo-se por puro instinto.
A cada esquina que virava, encontrava mais corpos.
Pais. Filhos. Irmãos.
Amigos.
— Não... não... — ele sussurrava, as palavras se quebrando entre os dentes.
As mãos tremiam.
As pernas fraquejavam.
O cheiro de sangue se entranhava na pele, nos cabelos, como se nunca fosse sair.
Mas mesmo com o horror ao redor... ele continuava andando.
Porque no fundo, S/N sabia para quem estava procurando.
E parte dele já sabia quem estava por trás de tudo aquilo.
Encontrou Itachi na praça central, sob a árvore onde costumavam brincar quando eram crianças.
A lâmina dele ainda pingava sangue.
Os olhos, vermelhos como o próprio massacre, giravam lentamente no Sharingan.
Havia cadáveres ao redor.
Mas Itachi estava sozinho.
Sempre sozinho.
O coração de S/N parou.
— I-Itachi...?
A voz saiu fraca, quebradiça, como se não pertencesse a ele.
Itachi fechou os olhos por um instante... como se aquela única palavra o machucasse mais do que todas as mortes que causou naquela noite.
Quando abriu de novo, os olhos eram apenas negros.
Vazios.
— Vá para casa, S/N.
A voz dele era baixa, sem emoção.
Mas S/N reconheceria aquela voz em qualquer lugar.
— O que você fez...?
Itachi não respondeu.
Ele apenas olhou para S/N como se estivesse o vendo pela última vez... mesmo estando parado bem ali.
— Vá para casa.
— Não.
O grito saiu antes mesmo que ele percebesse.
Os olhos ardiam. As lágrimas caíam sem permissão.
— Você... você não pode ter feito isso...
O peito de S/N subia e descia rápido demais.
Cada respiração era uma luta.
Cada batida do coração doía.
— Me diz que não foi você...
Mas ele já sabia.
Já sabia desde o primeiro corpo que viu naquela noite.
Itachi sempre foi bom demais.
Bom demais para deixar rastros.
Bom demais para errar.
O silêncio dele foi a confirmação que quebrou S/N por dentro.
— Por quê...?
A pergunta veio em um fio de voz, engasgada nas lágrimas.
Os olhos de Itachi se fecharam de novo, como se não pudesse suportar a dor na voz dele.
— Porque eu não tive escolha.
Itachi se aproximou devagar, os passos quase inaudíveis no chão encharcado de sangue.
S/N não se moveu.
Não conseguia.
Tudo dentro dele gritava para fugir.
Mas como ele podia correr de alguém que amava mais do que a própria vida?
— Me odeie, S/N...
A mão fria tocou seu rosto com a mesma delicadeza de todas as noites em que dividiram segredos na escuridão.
— Me odeie... e viva.
S/N soluçou, segurando o pulso dele com força, como se pudesse impedir que Itachi desaparecesse.
— Não me peça isso...
— Eu preciso que você viva.
As lágrimas caíram silenciosas pelas bochechas de Itachi — tão raras, tão escondidas.
A única vez que S/N viu Itachi chorar... foi naquele momento.
Um último beijo foi deixado na testa de S/N.
Gelado.
Rápido.
Final.
Então Itachi se afastou, virando as costas.
S/N cambaleou para frente, tentando alcançá-lo... mas as pernas não obedeciam mais.
Ele caiu de joelhos, com o sangue dos Uchihas manchando suas mãos e sua pele.
— Itachi...
O nome saiu num sussurro rouco, quase inaudível.
Mas Itachi ouviu.
Porque Itachi sempre ouvia.
Ele parou por um segundo... sem se virar.
— Adeus, S/N.
E então ele desapareceu na noite.
Deixando S/N sozinho... entre os mortos.
S/N ficou naquela praça até o amanhecer.
Não chorou mais.
Não gritou mais.
Só ficou ali... esperando acordar de um pesadelo que nunca terminava.
Quando o sol nasceu, toda a aldeia Uchiha estava morta.
Exceto por dois corações que continuavam batendo... Um fugindo. Outro quebrado.
Mas mesmo entre as ruínas... o amor deles ainda existia.
Morto, mas nunca enterrado.
O tempo nunca cura... só disfarça as cicatrizes.
Sete anos se passaram desde aquela noite.
Sete invernos.
Sete primaveras.
Sete anos perseguindo um fantasma.
S/N sobreviveu.
Não porque queria.
Mas porque ele mandou.
A aldeia inteira lamentava o clã Uchiha... mas ninguém falava sobre o garoto que ficou para trás.
O órfão esquecido que viu a morte de perto e foi deixado para viver com as memórias.
O que ninguém sabia era que S/N era mais Uchiha do que qualquer um dos mortos naquela noite — mesmo sem ter o nome.
Criado nas sombras do clã desde criança, sempre se sentiu como uma peça que não se encaixava.
Mas Itachi o encaixou.
Foi Itachi quem lhe ensinou o que era pertencer a alguém.
Foi Itachi quem cuidou dele.
Foi Itachi quem o beijou pela primeira vez na noite em que completaram quinze anos — escondidos na floresta, com o coração batendo tão alto que achavam que qualquer um podia ouvir.
Foi Itachi quem o abandonou.
Agora, aos vinte anos, S/N era uma lenda.
Ninja solo.
Sem bandeira.
Sem vila.
Sem mestre.
Ninguém sabia de onde ele vinha ou para quem trabalhava.
Só sabiam que ele sempre cumpria o trabalho — rápido, silencioso, perfeito.
Shiro no Yurei.
O Fantasma Branco.
Seu nome sussurrava entre os criminosos e mercenários como uma maldição.
Mas quando S/N se olhava no espelho, tudo o que via era o garoto órfão ajoelhado no sangue seco do clã Uchiha... esperando por alguém que nunca voltaria.
Ele nunca falou o nome de Itachi em voz alta nesses sete anos.
Mas pensava nele toda noite antes de dormir.
E toda vez que matava alguém.
Porque toda morte que causava... era um pedido silencioso para que alguém finalmente o encontrasse e acabasse com tudo.
Mas ninguém era bom o bastante para matá-lo.
Exceto ele.
Foi na chuva que se viram de novo.
O destino gosta de ironias.
Um esconderijo nos arredores da fronteira com o País do Fogo.
S/N estava ali em missão, contratado para eliminar um grupo de ninjas desertores.
Ele matou todos.
Mas alguém o observava...
Ele sentiu primeiro o cheiro da chuva.
Depois, o chakra.
Suave como seda.
Letal como veneno.
— Eu sabia que era você...
A voz cortou o silêncio, baixa e suave como sempre.
S/N congelou no meio da poça de sangue, o corpo inteiro pulsando como se tivesse levado um choque direto no coração.
Por um segundo, achou que estava imaginando.
Mas quando se virou...
Os olhos negros estavam lá.
Os cabelos longos, molhados pela chuva.
A capa da Akatsuki esvoaçava ao vento, os nuvens vermelhas grudadas no tecido escuro.
— Itachi...
O nome saiu antes mesmo que ele pudesse impedir.
Sete anos de silêncio quebrados em uma única palavra.
A alma de S/N rachou por dentro.
— Você cresceu... — Itachi murmurou, como se estivesse falando com um sonho. — Eu ouvi histórias sobre você.
S/N soltou uma risada amarga, carregada de ódio e amor na mesma medida.
— Que bom que gostou do que me transformou.
O coração de Itachi se apertou.
Ele não disse nada.
O silêncio dele ainda machucava mais do que qualquer faca.
— Por que você voltou? — S/N perguntou, os olhos brilhando perigosamente. — Para terminar o que começou?
Itachi o observou por um longo momento.
Então, lentamente, andou até S/N — cada passo ecoando como um trovão em meio à chuva.
— Eu vim ver... o que restou de você.
O peito de S/N subia e descia com a respiração pesada.
— Só restou ódio, Itachi.
Itachi parou na frente dele.
Perto demais.
O cheiro dele era exatamente o mesmo de anos atrás — chuva, madeira e algo que S/N nunca conseguiu nomear.
Ele levantou uma mão devagar e tocou o rosto de S/N...
...exatamente como naquela noite antes de ir embora.
— Você sempre foi lindo... até mesmo quebrado.
S/N cerrou os dentes.
As lágrimas que não chorava há anos queimavam por trás dos olhos, mas ele se recusava a deixá-las cair.
— Não ouse me tocar...
Mas ele não se afastou.
Porque odiava Itachi tanto quanto o amava.
E ele sabia que, se Itachi o beijasse ali mesmo... ele se entregaria.
Como sempre se entregou.
— Me odeie... — Itachi sussurrou, o polegar traçando o contorno dos lábios de S/N.
— Eu odeio.
— Então me mate.
S/N se engasgou na própria respiração.
Os dedos dele tremiam ao fechar na kunai em sua cintura.
— Você acha que eu não quero?
Itachi inclinou o rosto, deixando os lábios roçarem na orelha dele.
— Eu acho... que você ainda me quer mais do que quer me odiar.
S/N fechou os olhos com força, prendendo o gemido que quase escapou.
Sete anos... e o maldito ainda sabia como desmontá-lo.
— Você destruiu minha vida...
— Eu te salvei.
— Mentiroso.
Itachi puxou o rosto dele para mais perto, colando suas testas.
O mundo inteiro se dissolveu ao redor.
Só existiam os dois ali.
Como sempre foi.
Como sempre seria.
— Então me mate, S/N... ou me beije.
A kunai caiu no chão com um som surdo.
E antes mesmo que percebesse o que estava fazendo... S/N se jogou nos lábios dele.
Itachi o segurou com força, como se estivesse esperando por aquilo todos esses anos.
A boca dele era quente e lenta, explorando cada pedaço que deixou para trás.
O gosto era o mesmo...
Mas a dor era nova.
Eles se beijaram ali mesmo, entre corpos mortos, sob a chuva...
Dois fantasmas se reencontrando.
— Eu odeio você... — S/N sussurrou contra a boca dele.
— Eu sei...
A chuva castigava o telhado.
As paredes do esconderijo abafavam o mundo lá fora, deixando apenas o som da respiração deles... e o coração de S/N, batendo frenético.
A boca de Itachi ainda queimava sobre a dele — quente, paciente, cruel.
Cada toque era um pedido de perdão silencioso.
Cada beijo, uma cicatriz que nunca cicatrizou.
S/N odiava o jeito como o corpo dele ainda respondia.
Sete anos... e bastava um toque para o quebrar inteiro de novo.
As mãos de Itachi subiram devagar pelo corpo molhado dele, deslizando sob a camisa rasgada, como se quisesse sentir cada músculo que não estava lá na última vez que se viram.
— Você ficou tão... forte... — Itachi murmurou, arrastando os lábios pelo pescoço de S/N, deixando mordidas suaves no caminho.
S/N fechou os olhos com força, a respiração irregular.
— Não faça isso...
— Não fazer o quê? — A voz baixa, de seda, sussurrada direto contra sua pele.
— Não... me tocar assim...
Itachi mordeu o lóbulo da orelha dele.
— Você quer que eu pare?
Desgraçado.
Ele sabia que S/N nunca mandaria ele parar.
S/N agarrou os ombros dele, como se quisesse empurrá-lo... mas os dedos apenas apertaram o tecido negro da capa da Akatsuki, puxando-o mais para perto.
O desejo queimava mais forte que o ódio.
— Você me deixou, Itachi... — sussurrou, a voz falhando entre os beijos. — Você me deixou naquele inferno... sozinho...
Itachi parou, os olhos escuros brilhando na penumbra.
— Eu nunca quis te deixar...
— Mas deixou.
O silêncio pairou entre eles — pesado, sufocante.
Itachi sabia que não havia desculpa para isso.
Então, em vez de falar... ele beijou S/N de novo.
Dessa vez, mais profundo.
Mais lento.
Como se quisesse gravar cada segundo na pele dele.
Os corpos se chocaram, quentes mesmo sob a chuva fria.
S/N sentiu as mãos de Itachi subirem até seus cabelos, puxando sua cabeça para trás e expondo o pescoço pálido.
A língua dele traçou o caminho da mandíbula até a clavícula.
— Itachi...
O nome escapou como um gemido baixo, como se ele estivesse amaldiçoando e implorando ao mesmo tempo.
Itachi sabia exatamente como provocar cada suspiro, cada arrepio.
Sete anos não mudaram isso.
S/N odiava o quanto ainda era dele.
Itachi soltou a capa, deixando o tecido pesado cair no chão com um som úmido.
Por baixo, usava apenas a malha fina da Akatsuki, marcada com o símbolo Uchiha nas costas.
S/N queria odiar aquilo... mas tudo o que conseguia pensar era em como Itachi estava lindo.
Mãos frias puxaram sua camisa para cima, revelando cada cicatriz que S/N ganhou desde a última vez.
O olhar de Itachi escureceu.
— Quem fez isso com você?
S/N riu sem humor.
— Você fez.
Itachi fechou os olhos, como se a resposta o tivesse cortado mais fundo do que qualquer lâmina.
Então ele caiu de joelhos na frente dele.
S/N ficou paralisado quando sentiu a boca quente de Itachi roçar sua barriga, beijando cada cicatriz como se tentasse curá-las com os lábios.
— Desculpa... — Itachi sussurrou contra a pele dele.
S/N odiava como as lágrimas queimavam atrás dos olhos.
— Cala a boca...
Mas Itachi não calou.
Ele desceu lentamente, as mãos deslizando pela cintura dele até desamarrar a faixa ninja.
S/N prendeu a respiração quando sentiu os dedos ágeis desabotoando sua calça, puxando-a para baixo até que seu pau semi-ereto ficou exposto ao ar frio.
Itachi ficou apenas olhando por um momento, os olhos brilhando como brasas.
— Você é tão lindo...
S/N quase gemeu só com o olhar.
— Você vai me deixar sozinho de novo depois disso...?
Itachi não respondeu.
Apenas envolveu a ponta do pau de S/N com a boca quente, sugando devagar enquanto olhava direto para ele.
S/N arfou, as pernas tremendo.
— Desgraçado...
A língua dele era lenta, cruel...
Como tudo o que Itachi fazia.
Ele chupava como se tivesse todo o tempo do mundo.
Como se não houvesse guerra, nem morte, nem passado entre eles.
Só aquele momento.
Só aquele desejo sujo e quebrado.
As mãos de S/N se agarraram aos cabelos longos dele, puxando forte — mas Itachi só gemeu contra ele, fazendo o corpo de S/N se contorcer.
— Itachi... porra...
Ele estava tão duro que doía, os quadris tremendo enquanto lutava para não gozar na boca do próprio assassino.
Quando Itachi finalmente se afastou, os lábios brilhavam com a saliva, os olhos ainda mais escuros.
— Vira...
A voz baixa, carregada de luxúria.
S/N ficou parado por um segundo, o peito subindo e descendo.
Então, lentamente, ele se virou.
As mãos de Itachi deslizaram por sua cintura, puxando-o para trás.
A boca dele beijou a nuca...
Depois a coluna...
Depois a curva da lombar...
S/N mordeu os lábios com força quando sentiu os dedos dele se deslizarem até sua entrada, molhados pela própria saliva.
— Eu vou ser gentil...
— Vai se foder...
Itachi sorriu contra a pele dele.
— Eu vou.
O primeiro dedo entrou devagar, forçando S/N a abrir para ele.
Sete anos...
E ainda era a primeira vez.
Ainda era dele.
Itachi preparou com paciência, sussurrando elogios contra sua pele enquanto o esticava...
...até que S/N estivesse ofegante, se empurrando contra os dedos dele, querendo mais.
— Itachi... por favor...
Aquele por favor destruiu qualquer controle que o Uchiha ainda tinha.
Ele se alinhou atrás de S/N, pressionando lentamente a ponta contra a entrada lubrificada...
— Eu vou te foder, S/N... — sussurrou, a voz rouca contra o ouvido dele.
— Então fode logo...
Itachi empurrou devagar, enterrando-se centímetro por centímetro dentro do corpo quente.
S/N arqueou as costas, mordendo os próprios dedos para não gemer alto.
— Porra...
Itachi se afundou até o fim, ficando lá por um instante, tremendo.
— Você é tão apertado...
— E você... é um filho da puta...
Itachi riu baixinho.
Depois começou a se mover.
Lento no começo, apenas torturando...
Mas logo o ritmo ficou mais forte.
Mais fundo.
Mais cruel.
Cada estocada arrancava um gemido abafado.
Cada batida de quadril parecia apagar todos os anos de distância entre eles.
S/N estava se perdendo.
Se afogando em Itachi de novo...
E odiava como ainda era a melhor coisa que já sentiu na vida.
Eles transaram na chuva, entre os fantasmas do passado...
E naquela noite, S/N não odiou Itachi.
Ele apenas amou.
Porque às vezes, o ódio é só outra forma de nunca deixar alguém ir embora.
A primeira coisa que S/N sentiu foi o cheiro.
Aquele cheiro de chuva e suor misturados...
Aquele cheiro de Itachi.
O calor do corpo maior ainda estava ali, envolvendo o seu.
Os braços firmes o seguraram durante toda a madrugada, como se nunca mais fossem soltar...
Mas era mentira.
S/N soube antes mesmo de abrir os olhos.
O espaço ao seu lado estava vazio.
Frio.
Como se ele nunca tivesse estado ali.
O coração dele afundou — lento, doloroso, como uma faca sendo empurrada para dentro do peito.
Ele abriu os olhos devagar, piscando para espantar as lágrimas antes mesmo que elas caíssem.
A pequena cabana ainda estava escura, apenas a luz tímida do amanhecer infiltrando-se pelas frestas da madeira.
Tudo estava exatamente como na noite anterior.
Os colchões jogados no chão.
As roupas espalhadas, ainda úmidas da chuva.
Seu corpo ainda doía por dentro, marcado por cada estocada.
Mas não havia sinal dele.
Nada além de um cobertor dobrado sobre suas costas — como se um pedaço de pano pudesse substituir a presença que o abraçou a noite inteira.
S/N ficou ali por um longo tempo, apenas respirando.
Sentindo o gosto amargo na boca.
A mesma maldita sensação de sete anos atrás.
Como se o destino estivesse brincando com ele.
Como se estivesse condenado a sempre acordar sozinho.
Abandonado.
Ele apertou o cobertor contra o rosto, sufocando o grito na garganta.
— Filho da puta...
As lágrimas caíram sem aviso.
Ele odiava chorar.
Odiava o quanto ainda era um garoto estúpido toda vez que se tratava de Itachi.
Eles tinham feito amor por toda a madrugada — lento, urgente, desesperado.
Itachi o fodeu como se estivesse tentando costurar cada pedaço quebrado entre eles.
Como se pudesse apagar cada morte, cada sangue, cada cicatriz.
Mas S/N sabia.
Sabia que aquela noite não era um recomeço.
Era uma despedida.
Itachi o segurou tão forte enquanto o preenchia...
Mas agora ele se foi.
De novo.
— Desgraçado... — S/N sussurrou contra o travesseiro, a voz quebrada.
Ele se sentou devagar, sentindo o próprio corpo protestar.
Cada músculo latejava.
Cada marca dos dedos de Itachi ainda queimava em sua pele.
Era como se ele tivesse sido fodido só para ser esquecido depois.
Deixado para trás como um brinquedo usado.
Como se Itachi só quisesse ter algo bom antes de voltar para o inferno.
O coração de S/N se contorceu.
Ele olhou ao redor, desesperado por qualquer sinal.
Uma carta.
Uma palavra.
Uma maldita desculpa.
Mas tudo o que encontrou foi o cheiro dele...
E o silêncio.
Então ele viu.
Sobre a mesa baixa, ao lado da vela apagada...
Um pequeno pedaço de papel dobrado.
As mãos dele tremiam quando pegou.
A letra era elegante, desenhada com a mesma calma cruel que Itachi sempre teve.
Apenas uma linha:
"Você ainda é a única coisa boa que eu tive."
S/N sentiu o coração rachar no peito.
Os dedos amassaram o papel, trêmulos de raiva... de dor.
— Covarde...
Ele queria odiá-lo.
Deus, como queria odiá-lo.
Mas tudo o que sentia era aquela mesma maldita saudade — quente, sufocante — que o perseguiu por todos aqueles anos.
Aquele amor condenado que nunca morreu.
S/N se levantou devagar, sentindo o sêmen seco entre as pernas, a pele marcada pelos dedos que o seguraram forte demais.
O corpo dele ainda carregava Itachi.
Mas Itachi já não carregava nada dele.
Ele foi embora de novo...
... e dessa vez, S/N sabia que não voltaria mais.
Ele se vestiu em silêncio, ignorando a dor entre as pernas, ignorando o gosto salgado das lágrimas na boca.
Quando saiu da cabana, o sol começava a subir no horizonte — cruel e indiferente.
A floresta ao redor estava em silêncio, como se nunca tivesse havido dois amantes ali dentro.
Como se tudo o que aconteceu naquela madrugada fosse apenas um sonho sujo...
... destinado a morrer com o amanhecer.
O tempo não curava nada.
Não para S/N.
Um ano inteiro passou... e ele ainda acordava com o cheiro de Itachi grudado na memória.
Ainda sentia os dedos fantasma o segurando naquela última noite — prendendo seus quadris, sussurrando coisas que nunca deveria ter dito.
S/N se tornou uma lenda desde então.
O órfão que veio da sarjeta...
O ninja que sobreviveu ao massacre...
O homem que nunca perdeu uma luta.
Mas toda vez que S/N olhava para o próprio reflexo, tudo o que via era o garoto quebrado que Itachi Uchiha abandonou na madrugada.
A ferida aberta que nunca cicatrizou.
E agora...
Ele estava ali.
Na chuva.
De novo.
O coração batendo tão rápido que parecia prestes a rasgar o peito por dentro.
O cheiro dele vinha antes da presença.
Aquele cheiro que o perseguiu em cada pesadelo.
S/N sabia que ele estava perto antes mesmo de vê-lo.
— Por que demorou tanto...? — a voz dele saiu rouca, quebrada pelo ódio e pela saudade.
Silêncio.
A chuva escorria pelos cabelos de S/N, colando as mechas na pele pálida.
Foi então que ele o viu.
Itachi estava encostado na árvore, vestido de preto...
Mais magro.
Mais velho.
Mais lindo.
Os olhos vermelhos brilharam sob o capuz encharcado, fixos apenas nele — como se o ano inteiro nunca tivesse existido.
Como se ainda fossem apenas eles dois...
Presos naquela maldita dança.
— Eu não deveria estar aqui — Itachi disse, a voz baixa, mas cortante como uma lâmina.
— Mas está.
S/N deu um passo.
Então outro.
Cada movimento era lento, carregado de veneno e desejo.
A dor estava toda ali, entre as batidas silenciosas da chuva...
Mas o amor também estava.
Ele odiava isso.
— Por quê? — S/N sussurrou, com a voz tremendo.
Itachi o encarou por um longo instante.
Então sorriu.
Aquele sorriso amargo...
O mesmo que S/N conhecia desde criança.
— Porque eu queria te ver uma última vez.
S/N sentiu o chão afundar sob os pés.
O coração dele se agarrou àquelas palavras como se pudessem salvá-lo.
Última vez.
— Não...
Ele deu mais um passo, até estar perto o bastante para sentir a respiração dele.
Itachi não se afastou.
Os olhos vermelhos escorriam por cada pedaço do rosto de S/N — como se estivesse gravando cada detalhe na memória.
Como se estivesse se despedindo sem dizer.
— Você vai morrer... — S/N sussurrou, como se dizer em voz alta pudesse mudar alguma coisa.
Itachi não negou.
Ele apenas ergueu a mão fria e tocou o rosto de S/N.
O toque foi suave, como se ele ainda fosse aquele garoto frágil que Itachi segurava à noite para afastar os pesadelos.
Os olhos de S/N se encheram de lágrimas, mas ele não as deixou cair.
— Por quê...? Por que você sempre tem que me deixar...?
O silêncio entre eles gritou mais alto do que qualquer resposta.
Itachi deslizou os dedos pelo queixo de S/N, descendo pelo pescoço... até fechar a mão devagar em torno da garganta fina.
O coração de S/N parou.
Aquela mão...
A mesma que já o matou tantas vezes nas memórias...
Agora estava ali, segurando-o de novo.
Mas não havia força.
Não havia violência.
Apenas... saudade.
— Porque você é a única coisa que eu nunca consegui destruir...
A voz dele quebrou na última palavra.
S/N fechou os olhos, sentindo a palma quente queimar contra a pele gelada.
Ele odiava Itachi.
Mas o amava mais.
Sempre amaria.
As lágrimas caíram silenciosas.
Itachi limpou cada uma com os polegares, como se pudesse consertar tudo.
Mas não podia.
Ele nunca podia.
— Por favor... fica comigo dessa vez... — a voz de S/N era só um sussurro quebrado.
Itachi o puxou devagar.
Os lábios se encontraram na chuva.
Molhados.
Lentos.
Partidos.
O beijo foi triste...
Mas foi deles.
Itachi o segurou pela cintura, como naquela última madrugada...
Mas agora o beijo tinha gosto de morte.
De despedida.
S/N agarrou o manto preto com as duas mãos, como se pudesse segurá-lo dessa vez.
Como se pudesse impedir que ele fosse embora.
— Não... — ele soluçou contra a boca dele. — Não faz isso comigo de novo...
Itachi apenas o beijou mais forte.
Profundo.
Lento.
Como se quisesse deixar cada pedaço dele marcado em S/N para sempre.
Quando se separaram, S/N estava tremendo.
— Me mata também — ele sussurrou.
Itachi riu baixinho...
Mas havia lágrimas nos olhos dele.
— Você é a única coisa que eu nunca teria coragem de matar...
A mão dele deslizou até o coração de S/N, pressionando devagar sobre a pele molhada.
— Mas eu matei você por dentro... não matei?
S/N mordeu o lábio, tentando conter o soluço.
— Há muito tempo...
Eles ficaram ali, presos um no outro.
Dois órfãos condenados.
Dois amantes amaldiçoados.
Até que Itachi o afastou devagar...
Como sempre fazia.
— Eu preciso ir...
— NÃO!
S/N segurou o rosto dele, desesperado.
— Eu te odeio, porra... — a voz dele quebrou em soluços. — Eu te odeio tanto...
Itachi sorriu...
E beijou as lágrimas que escorriam por seus lábios.
— Eu sei...
Ele deu um passo para trás.
Depois outro.
Até desaparecer na escuridão.
A chuva lavava tudo ao redor — sangue, mágoa, esperança.
S/N ficou parado, quebrado na floresta, esperando acordar.
Mas não era um pesadelo.
Era só Itachi...
O amor da vida dele.
Voltando para o inferno...
E deixando S/N para morrer sozinho mais uma vez.
Os anos passaram...
Mas S/N permaneceu no mesmo lugar.
Preso naquela noite.
Preso naquela despedida.
Preso nele.
Itachi Uchiha morreu sozinho.
Morreu odiado.
Morreu sem ninguém para pranteá-lo.
Ninguém... além de S/N.
Ele era o único que sabia a verdade.
O único que sabia que Itachi nunca foi o monstro que o mundo pintava.
Sasuke ia ao túmulo às vezes, de longe, como se ainda lutasse para perdoar o irmão.
Mas S/N sempre estava lá antes.
Sempre no mesmo horário.
Sempre na mesma postura.
Silencioso.
Imóvel.
Com as mãos escondidas sob o manto negro, segurando o que restava do próprio coração.
Ele não rezava.
Não falava.
Não chorava mais.
Apenas ficava ali... como uma estátua viva.
Esperando Itachi voltar para buscá-lo.
Mas ele nunca voltava.
O tempo deixou cicatrizes em S/N.
As marcas do abandono.
Os olhos que já foram vivos, agora eram baços, sempre fixos na lápide fria.
Ninguém se atrevia a perguntar por que ele nunca se casou.
Por que nunca teve filhos.
Por que nunca pertenceu a lugar nenhum.
A resposta estava enterrada sob aquele chão.
Itachi o matou sem nem precisar tocar na lâmina.
Desde aquela madrugada, S/N apenas... existia.
Respirava.
Caminhava.
Lutava.
Mas nunca viveu.
— Ainda estou aqui, Itachi... — ele murmurava, como se o morto pudesse ouvir. — Você me deixou para trás... mas eu ainda estou aqui.
O vento soprava entre as árvores, frio e vazio como sempre.
Só ele ouvia a resposta...
"Eu sei."
Quando Sasuke aparecia, S/N nunca dizia nada.
Apenas se afastava, deixando o irmão viver seu luto sozinho.
Nunca trocaram uma palavra sobre Itachi.
Talvez porque ambos sabiam que nenhum deles realmente o conhecia.
Não como S/N conhecia.
Não como amante.
Não como maldição.
O tempo passou, mas o cheiro dele ainda estava na pele de S/N — mesmo depois de uma década.
As mãos de Itachi ainda queimavam sua cintura nas madrugadas solitárias, quando o sono o traía e os sonhos o levavam de volta para aquela noite.
A primeira vez.
A última vez.
A única vez.
— Por que você não me levou com você...?
O sussurro se misturava ao vento, perdido na imensidão do mundo que seguiu em frente.
S/N nunca seguiu.
Nunca seguiria.
Porque não havia vida sem Itachi.
Só havia esse vazio infinito, onde os fantasmas dançavam e as promessas quebradas sussurravam.
Todas as noites, S/N sonhava com ele.
Com aqueles dedos frios em sua pele.
Com o sabor do sangue e do amor misturados.
Com aquela última promessa que nunca foi dita em voz alta:
"Eu volto para você."
Mas Itachi mentiu.
E S/N ficou preso...
Esperando.
Vivendo.
Morrendo aos poucos.
Sozinho.
Sempre sozinho.
— Eu te odeio... — ele murmurava, ano após ano, diante da lápide fria.
Mas sempre voltava.
Porque a única coisa pior do que esperar Itachi...
Era esquecê-lo.
A morte de S/N foi um sussurro na vila.
Silenciosa... solitária... como tudo que ele foi em vida.
Encontraram seu corpo ao amanhecer, deitado sob uma árvore na mesma colina onde costumava visitar o túmulo de Itachi.
Os olhos fechados.
O rosto sereno.
Como se finalmente tivesse encontrado paz.
A causa nunca foi esclarecida.
Alguns diziam que foi um acidente — talvez o coração cansado demais para continuar batendo.
Outros sussurravam que ele escolheu morrer.
Mas a verdade é que ninguém sabia.
Ninguém... além dele.
No fim, não importava.
Apenas uma coisa era certa:
S/N partiu do mesmo jeito que viveu... sozinho.
Mas...
Quando a última respiração deixou seus pulmões, o vazio que o envolveu não era escuro.
Não era frio.
Era quente...
...e familiar.
S/N abriu os olhos lentamente.
A luz ao redor era dourada, como se o sol nunca fosse embora.
Ele estava deitado sobre a grama macia, a mesma grama onde tantas vezes esperou por alguém que nunca voltava.
Mas agora...
Alguém estava ali.
De pé, com o vento balançando os fios negros como tinta...
O sorriso suave desenhado no rosto pálido...
Os olhos vermelhos, gentis...
...esperando por ele.
Itachi.
O coração de S/N se despedaçou... e depois se refez em uma única batida.
— Você... — a voz saiu fraca, como se ele não acreditasse. — Você me deixou...
O sorriso de Itachi se curvou um pouco mais, triste e doce.
— Eu nunca quis...
S/N ficou imóvel.
Anos de dor se rasgaram dentro dele de uma vez só.
Tudo o que ele queria dizer... tudo o que guardou por tanto tempo...
Mas nada saiu.
Só lágrimas.
Só soluços.
Itachi se ajoelhou na frente dele, tão perto que S/N sentiu o cheiro que nunca esqueceu — a mistura de madeira queimada, chuva e sakura.
Os dedos finos deslizaram pelas cicatrizes que o tempo havia deixado no rosto dele.
— Você esperou por mim... — Itachi sussurrou, como se isso doesse mais do que qualquer pecado que já carregara.
S/N fechou os olhos, se afogando naquele toque que tanto sonhou, mas nunca mais sentiu desde aquela última noite.
— Eu nunca... — a voz quebrou — ...nunca soube viver sem você.
Itachi sorriu.
Os olhos ardiam, mas nenhuma lágrima caía.
— Eu sei...
S/N apertou os punhos na grama, tremendo.
— Por que... por que você não voltou...?
Itachi não respondeu.
Porque a resposta sempre esteve ali, sufocada entre as noites vazias e as cartas que nunca foram escritas.
Ele não podia voltar.
Mas agora...
Agora ele estava ali.
A mão pálida deslizou até o peito de S/N, sentindo o coração que finalmente tinha parado de doer.
— Eu vim te buscar...
S/N soluçou.
A raiva, a saudade, o amor... tudo se misturando dentro dele.
— Você demorou demais...
Itachi fechou os olhos, como se aquela frase fosse a punição mais cruel que já recebeu.
— Me perdoe.
O silêncio se estendeu entre eles.
O mesmo silêncio que separou suas vidas...
Mas que agora os unia na morte.
Os lábios de Itachi tocaram a testa de S/N, como se estivesse selando cada ferida que o tempo abriu.
— Nunca mais... — ele murmurou contra a pele quente — ...nunca mais vou deixar você sozinho.
S/N desabou contra o peito dele, soluçando como uma criança.
A dor de anos se dissolvendo entre dedos que acariciavam seus cabelos, entre braços que o envolviam de novo...
...entre um amor que nunca morreu.
Ali...
Onde o tempo não existia.
Onde o mundo não podia tocá-los.
Onde ninguém mais poderia separá-los.
Eles ficaram assim.
Abraçados.
Sem palavras.
Sem promessas.
Só... juntos.
Até que S/N finalmente sussurrou:
— Me leva pra casa...
Itachi sorriu...
...e o céu dourado os engoliu.
Ninguém nunca soube o que aconteceu com S/N naquela noite.
Só diziam que o túmulo de Itachi nunca mais ficou vazio.
Dois lírios brancos sempre floresciam lado a lado, mesmo no inverno mais rigoroso.
Como se alguém estivesse ali...
Esperando.
Amando.
Vivendo.
Mesmo depois da morte.
"Dizem que existem amores que só podem florescer no além."









