A presença de novos compradores era o assunto da vez em Wisteria Hollow. E alguns deles haviam demonstrado um genuíno interesse em conhecer a tão falada turquesa, a joia que havia acabado de se recuperar de uma gripe terrível, porém não era como se Coraline estivesse disposta a sair com a maioria dos novatos inconvenientes e desprovidos de boa aparência . Por isso, a morena vinha se apoiando na própria doença para fugir de alguns dos encontros. Uma estratégia baixa, era verdade, mas que vinha funcionando perfeitamente bem. Sendo assim, bastou que ela ouvisse o barulho de passos próximos a sala de ambientação para que ela se jogasse em um dos sofás, passando a ostentar a expressão mais debilitada que conseguia fingir conforme apoiava a sua cabeça no encosto. ❛ —— É melhor se afastar ou você pode pegar a gripe! ❜❜ ela disse em disparada para o outrx, simulando um pequeno ataque de tosse ao término dos próprios dizeres.
✗。º◂—— Já havia perdido a oportunidade de falar com ela uma vez, e não perderia novamente. Haviam assuntos inacabados entre eles, e Kyle não era covarde à ponto de deixá-los de lado — bem da verdade, era o contrário. Com passos firmes o embaixador dirigia-se até a saleta onde lhe disseram que a turquesa estava, ensaiando seu discurso durante o percurso. Primeiro teria de confessar tudo aquilo que fez com ela, mas também precisava lhe dizer os motivos — não era uma justificativa para seus atos, mas haviam motivações para ter feito o que fez. Depois disso, poderia conversar sobre como fica... Qualquer pensamento fora interrompido ao ouvir a voz da turquesa, já diante da porta. Espiando o lado de dentro, decidiu adentrar o local ao vislumbrar outra silhueta masculina. — O senhor ouviu o que ela disse. Ainda está um pouco adoecida, não vai querer ficar acamado. — Comentou, já conduzindo o senhor de meia idade porta à fora. Coraline havia marcado encontro com ele? Assustou-se com o pensamento enciumado, olhando para a garota sobre o ombro como se desejasse entender aquilo. Porém, os olhos desviaram-se para que acenasse ao senhor e finalmente fechasse a porta, voltando assim a observá-la. — Já eu, posso correr o risco. — Assumiu com algum humor, limpando a garganta antes de decidir se aproximar dela, um sorriso hesitante brincando em seus lábios. — Acredito que precisamos conversar, Coraline.
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❛ –––– We ᴀʀʀɪᴠᴇ into this ᴡᴏʀʟᴅ
as 𝕚𝕟𝕟𝕠𝕔𝕖𝕟𝕥𝕤.
Wide eyed and vulnerable.
It is the job of our 𝕡𝕒𝕣𝕖𝕟𝕥𝕤
to ɴᴜʀᴛᴜʀᴇ and ᴘʀᴏᴛᴇᴄᴛ us. "
🆂🆃🆄🅰🆁🆃 the Royal ꜰᴀᴍɪʟʏ ❝ ᴀᴇꜱᴛʜᴇᴛɪᴄ. ❞
Sloan Stuart as JR Bourne (54 years old) — MORTO
Aleena Stuart as Jennifer Connelly (50 years old ) — MORTA
Kyle Stuart as Matthew Daddario (30 years old )
Delia Stuart as Alycia Debnam-Carey (25 years old )
Dougal Stuart as Sam Underwood (25 years old )
Lyanna Stuart as Millie Bobby Brown (15 years old )
Era um pouco estranho estar tão frio e possuir tantos agasalhos a seu dispor. Mesmo após passar um ano treinando com as outras jóias, Leona não havia bem se habituado a ser tratada de maneira tão sofisticada. Parecia errado até. Não conseguia se desprender das memórias da infância assim tão fácil. Pensamentos como aquele tendiam a deixá-la com o ânimo ruim então com toda a certeza estava aliviada por ter de encontrar Kyle no labirinto. Algo para fazer era bem o que estava precisando. Teve que voltar ao quarto umas cinco vezes já que as criadas sempre diziam que não estava agasalhada o suficiente e Leo não sabia dizer quando era ‘o suficiente’. Quando enfim foi liberta, andou até o lugar marcado, o vendo mais à frente. Sorriu para Kyle ao vê-lo, parando ao lado do mesmo. ❛ ── Não se oferece competição para uma pessoa competitiva, senhor Kyle! Brincou, se juntando a ele na risada. ❛ ── Mas vou optar por seguirmos juntos, pois, se o senhor acabar se perdendo irei ficar com peso na consciência.
✗。º◂—— De sobrancelhas arqueadas e sorriso nos lábios, ele concordou brevemente com a mais nova, compartilhando da mesma crença que ela. Era competitivo, ainda que a postura fosse mascarada por camadas de boa educação e respeito. Quem não gostava do sabor da vitória, no entanto? — Uma competição é sempre saudável, senhorita. — Anunciou, oscilando levemente os ombros, como se não desse margens para discussão e aquilo fosse uma verdade universal. Ele acreditava que era, ao menos, e muitos de seus negócios foram fechados simplesmente por uma competição. Se tratava de propaganda, simplesmente, a famosa lei da oferta e procura. — Agradeço tamanha gentileza, senhorita Leona. Seria desesperador passar uma noite fria preso neste labirinto, sem ter como fugir ou clamar por ajuda. — Ele brincou, logo lhe oferecendo o braço para que pudessem adentrar o labirinto. Leona era jovem, até demais, e o lembrava muito sua irmã Lyanna. Jamais seria uma opção, ainda assim, gostaria de conhecê-la. — O que fazia antes daqui? Da Corte, no caso...
Kitty vinha esperando aquele encontro desde que conversara com Coraline a respeito do envolvimento dos dois, cada vez adicionando mais itens à lista de motivos para desprezar o comprador. Encarou-o, atônita com o que ouvia, e caminhou na direção dele com toda a fúria transparente em seus olhos. “Deve desculpas a mim?!” questionou, firme. Pela forma como avançava, parecia prestes a iniciar uma briga física, sem se importar com a diferença de tamanho dos dois. “Que tal pedir desculpas à garota a quem o senhor prometeu casamento e depois saiu beijando outras? E foi assistir aos fogos com sabe-se lá quem! Soube que ela está acamada em Cape Triumph? Com certeza com a saúde fragilizada pela falta de sensibilidade e de caráter do senhor! Quando os homens prometem casamento, é esperado exclusividade, tem de ser muito claro se não é essa sua intenção. Não pode brincar com os sentimentos das pessoas assim! O senhor não tem um pingo de decência, Sr. Stuart? Espero que nenhuma garota seja tola o suficiente para se sujeitar a um casamento com um homem tão vil e asqueroso. Se nem todas sabem o que fez, farei questão de que descubram antes que mais uma vítima caia em suas garras.”
✗。º◂—— Embora não parecesse, suas intenções eram sinceras. Kyle era um bom homem, com uma boa índole, que havia feito uma escolha errada. Uma escolha que envolvia sua moral. No final das contas, talvez houvesse enxergado uma relação com Coraline que era impossível de se criar, e embasou suas decisões na opinião formada. Diante o olhar de Chastity, e sua aproximação, ele enxergou o quão errado estava — já havia o feito antes, verdade seja dita, quando mediu os estragos de sua atitude e sentiu-se culpado. — À você, à Coraline, e suspeito que à outras pessoas também. — Assumiu sem rodeios, sustentando o olhar da loira e ajeitando-se em postura correta. Daria razão se lhe batesse, contudo, se pudesse evitar o faria — não por si, mas para evitar que a mais nova se metesse em problemas. Boa índole, lembra-se? Deixou-a falar tudo de lábios reprimidos, deixando que seus erros fossem jogados em sua cara à medida que se limitava à concordar com a joia em sinal de que prestava atenção. Quando, por fim ela terminou, se permitiu abrir os lábios. — Eu fui atrás dela, para pedir perdão e me redimir. Então, senhorita Darrow, soube que ela está acamada sim e lamento sinceramente por isso. Mas não creio que seja culpa minha, talvez uma parcela, mas não toda. Coraline é mais forte do que isto. — E isto se referia à ele mesmo, sua imaturidade e idiotice sem limites. Cora era forte demais para deixar que os atos inconsequentes de um mimado a abalassem daquela forma. — Kitty. Senhorita Darrow, eu entendo o que se é esperado, sim. Mas, não que lhe devo explicar, minha relação com senhorita Hybern é diferente. Ainda assim, nada justifica o que fiz, e sei que agi de forma errônea. Estou aqui pedindo desculpas, e aproveitando para lhe pedir que não espalhe meu erro.
Desde que havia ouvido os rumores escandalosos sobre Kyle e Cora, e o tivesse confrontado, o que terminou ( de alguma forma ) pedida em casamento, Laoghaire andava descaradamente evitando o comprador. Ela ainda não tinha tido coragem de perguntar a Cora sobre a verdade porque, bem… ela andava sendo uma covarde. A verdade é que a saúde frágil da amiga tinha sido a desculpa perfeita para deixar o assunto lá, como se pudesse ser esquecido, por que então, Laoghaire não precisava, de fato, lidar com ele. Ficar presa em casa não ajudava porque a sensação de claustrofobia começava a dominá-la e ela decidiu sair, colocou a capa verde-jade entre os ombros, o capuz de pelinhos felpudos, como o rabo de um lobo albino, aquecia e enfeitava sua toca e a pequena manta que lhe cobria os dedos quando começou a caminhada. Algumas das jóias decidiram lhe acompanhar, mas logo um grupo de compradores as abordou e Laoghaire terminou sozinha perto do único comprador que parecia distraído o suficiente das garotas, era também a única pessoa que ela pretendia evitar, mas agora era tarde. — Sr. Stuart, isso é lindo…. Já pensou em se tornar poeta? — Ela provocou, rindo, já que diminuí-lo parecia o tipo de humor seguro no momento.
✗。º◂—— Poderia ter prometido à Laoghaire tempo, mas havia algum tempo que já não tinha o controle total sobre suas emoções quando se tratando da garota vinda de Moher. Desta maneira, sempre que deslumbrava os cabelos avermelhados da jade, alguma parte dentro de si esperava que ela fosse se aproximar — se não para responder a pendência, que fosse para cumprimentá-lo ou lhe contar uma de suas histórias. Mas a garota parecia o evitar, seu lado observador lhe dizia isso quando a pegava desviando seu caminho. Por sorte ou azar, fora justamente a figura da ruiva que encontrou ao erguer o olhar, um revirar de olhos dramático sendo oferecido à ela em resposta a sua réplica. — Na verdade, já sim, senhorita. Minha mãe incentivou bastante quando era mais novo, dizia que eu tinha o dom. — Aquela era uma mentira deslavada, e isso era evidente na maneira como sorria para a jade. Queria mostrar, contudo, que podiam entrar na brincadeira, e principalmente que poderiam conversar normalmente. — Veio aqui fora procurar algum Yeti? Acho que acabei espantando o que estava próximo, lamento por isso... — Brincou de forma jocosa, se referindo ao gosto adorável da garota em contar histórias. Sequer havia percebido que aproximou-se da ruiva, podendo observar agora as íris esverdeadas mais de perto.
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O vento forte havia diminuído um pouco, mas Amelia ainda não considerava fraco o suficiente para que um dos compradores estivesse do lado de fora da casa daquela forma. A qualquer momento a ventania podia voltar ainda mais forte e não era saudável que Kyle estivesse naquele mesmo lugar. Deixou de observá-lo pela janela e dirigiu-se até a porta da casa. Ajeitou o casaco sobre o corpo e abriu a porta. Um pouco encolhida, a loira caminhou até o comprador. “Sr. Stuart?” A loira disse de forma a fazê-lo notá-la. Estava pronta para sugerir que ele voltasse para dentro da casa quando ele passou a falar. Franziu o cenho levemente. “Não, senhor… Me desculpe.” Encolheu os ombros por um segundo. Realmente nunca havia ouvido falar sobre aquele ditado e também não pretendia demorar-se em seu aviso. “Senhor, acho que deve voltar para dentro da fazenda.” Movimentou a cabeça para indicar o lugar logo atrás dos dois. “Estou sentindo que a ventania vai voltar daqui a pouco e não é seguro que permaneça aqui fora…” Deu voz as suas preocupações, encarando-o com certa ansiedade. “Vamos entrar?”
✗。º◂—— A imensidão branca e o uivo do vento, auxiliavam o comprador à imaginar que estava sozinho do lado de fora, ele próprio não sabendo o motivo de tal acontecimento. Fato é que, imaginar estar sozinho, fizera com que desse um pequeno sobressalto ao ouvir a voz feminina, sorriso despontando em seus lábios ao observar Amelia. A joia era educada e parecia estar sempre solícita para oferecer ajuda, gostava dela devido tais qualidades. Poderia ser uma boa amiga, quem sabe uma confidente. A negativa quanto ao ditado, contudo, trouxe um beicinho aos lábios de Stuart, que o ostentou por alguns segundos antes de menear a cabeça em concordância. — Não deve ser um dito tão popular... — Disse simplesmente, com um leve dar de ombros, como se aquilo não significasse muito. Procuraria, contudo, na biblioteca mais tarde, por algo que o ajudasse à lembrar. Com o convite alheio, se permitiu aproximar, oferecendo o braço à loira a medida que concordava com ela. Como havia dito, parecia sempre solícita à ajudar. — Você se preocupa bastante com os demais, isso é algo nobre, Amelia. — Disse, por fim lhe oferecendo um novo sorriso, conduzindo a garota de volta à fazenda. — Aceita compartilhar uma xícara de chocolate quente?
se a Lao continuar te enrolando, faz um strio tease pra ela
✗。º◂—— Agradeço a dica, senhor Grey. Pode ter certeza que irei usá-la quando cobrar minha resposta. Acho que os anos assistindo @donndwbhcn podem me ajudar em algo...
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O fato dos Thorn terem se revelado sanguessugas piores do que Duncan imaginava, entretanto, fora algo que caíra bem para o homem que agora se encontrava sentado em uma poltrona confortável, segurando em suas mãos uma sopa quente a fim de aquecer. O frio não era tão terrível assim, mas necessitava ser aquecido e nada melhor que uma sopa e uma lareira, certo? E, claro, negócios! “Vamos conversar sobre os termos de um possível empréstimo para o caso de sua joia de interesse tenha ficado fora do seu orçamento?” Questionou ao companheiro.
✗。º◂—— Em uma poltrona ao lado da de Duncan, apreciava seu copo de destilado enquanto observava o outro. A bebida era bem vinda no frio, ainda que não fosse a opção favorita do embaixador, que aguardava por sua sopa. As palavras do outro chamaram sua atenção, e foi obrigado à pender a cabeça em sua direção conforme arqueava uma das sobrancelhas. — Um empréstimo? — Outro gole foi dado enquanto fingia ponderar a possibilidade. Havia conhecido homens como ele, e foi com divertimento que voltou à responder: — Um rim em troca de cem peças de ouro? — Uma baixa risada lhe escapou conforme negava com a cabeça. — Agradeço a chance, mas ainda consigo pegar por quem me interessei. À menos, é claro, que seu preço tenha subido meu amigo.
“Proibidas de saírem… Quero ver quem vai me prender” murmurou para si mesma, enquanto procurava uma porta que não estivesse trancada. A saída da cozinha, por onde retiravam o lixo era a fonte de suas maiores esperanças e uma dedução certeira. Assim que Kitty a abriu, o vento cobriu sua silhueta dos pés à cabeça com neve, forçando-a a adiar seus planos — carregava um livro grande e frágil, não podia deixá-lo molhado! Ela o escondeu embaixo do tecido grosso da capa de inverno e pôs a mão na maçaneta mais uma vez. “E lá vamos nós…”
✗。º◂—— Só quando ouviu a voz feminina deu por si que aquela era a primeira vez que a encontrava desde o incidente. Depois da sua longa conversa com a jade, só conseguia sentir-se culpado por tê-la beijado, o que nem em um milhão de anos poderia imaginar sentir por beijar alguém. — Senhorita Darrow... — Chamou-a para atrair sua atenção conforme escorava-se contra a porta, impedindo assim que a mais nova a abrisse. Se o fizesse, Kyle não gostaria de pensar nos problemas que ela atrairia para si. — Imagino que lhe devo desculpas. — Anunciou, buscando os olhos azuis com os seus, um sorriso mínimo sendo percebido nos lábios. — Aceitaria uma xícara de chá para que eu possa me redimir, e evitar que se meta em confusões?
✗。º◂—— Amor. É o nível ou grau de responsabilidade, utilidade e prazer com que lidamos com as coisas e pessoas que conhecemos. Uma das muitas palavras que continua a mesma do latim para o português, e uma das únicas com um só significado em todo o mundo. O amor é o principal objeto de desejo de garotas e garotos que lutam desesperadamente para sentir um pouquinho da deliciosa perversão restrita à sortudos do mundo. Ou nem tão sortudos assim. O amor também é o grande causador do ódio, da dor, da desilusão e algumas vezes até de guerras. Amor é algo que doí e machuca como nada mais pode fazer. Dizem que o amor e a morte são parecidos, mas às vezes a morte pode ser doce… Já o amor é feito para apenas ser cruel e frio, como uma lâmina afiada entrando no seu coração e ficando por lá por dias, semanas, meses, anos… Até que um dia você para de senti-la e começa a se conformar com ela, encontrar conforto, se acomodar.
Não era por amor que Kyle havia escolhido a Corte de Luz — talvez tenha sido até mesmo por obrigação. Tendo sido criado em um lar aonde existiam muitas pessoas para amar, aprendeu a não deixar mais ninguém entrar, aprendeu que as coisas não são exatamente como nos contos de fadas e quanto mais pessoas você ama mais fácil é de ser derrubado. Privou-se de deixar outros entrarem, construiu uma barreira impermeável e impediu que retirassem suas camadas de proteção. Apenas sua família o conhecia como ele realmente era. Vivenciou então, a queda quando os pais se foram, o ápice de sua indiferença e barreira emocional sendo criados naquele instante. Era independente, autossuficiente. Não precisava de uma companheira ao seu lado naquele momento. Mas, oras, todos os seus amigos compareciam aos eventos acompanhados e alguns lhe atormentavam com questões sobre quando se casaria ou se as mulheres não o atraíam. Era um ultraje, e aquilo serviu como motivação para seguir para em direção à Adoria.
Uma mulher que sorrisse e acenasse, que o acompanhasse e fosse perfeita quando ao seu lado. Era o que queria, e se bem conhecia o local sabia que ali a encontraria. Quando recebeu os formulários das garotas em seu primeiro dia em Wisteria Hollow, escolheu de forma racional aquelas que desejava conhecer. Havia há muito definido o padrão de esposa que desejava ter ao seu lado, e por mais simples que parecessem as respostas, foram o suficiente para que através delas Kyle identificasse aquelas que se encaixavam nos requisitos e quais seriam perda de tempo conhecer. Àquela altura, Laoghaire Byrne e seu formulário com teor aventureiro e selvagem foram alocados na categoria perda de tempo. Pelas respostas a julgara como uma moçoila, e precisava de uma mulher mais séria, objetiva, adaptável, madura e responsável ao seu lado. No momento passado não era capaz de prever, contudo, que seriam justamente os trejeitos espontâneos de Byrne que o fariam abaixar as barreiras e deixá-la entrar — fato inédito em sua vida, afinal, muito embora gostasse da ideia do amor, evitava vivê-lo e isso implicava em deixar terceiros de fora de sua fortaleza.
Com o perfil ideal em mente, mesmo antes de as conhecer pessoalmente, deixou claro aos organizadores por quais tinha preferência — queria ser rápido e voltar o quanto antes para Ícoris, afinal, tinha assuntos importantes para tratar por lá, não que seu próprio casamento não fosse importante para o embaixador. Acordado então com os irmãos Thron, e definido que poderia desembolsar além do preço da joia em determinadas situações, aguardou o baile para que finalmente as conhecesse. A beleza era algo à se admirar em todas, mas os cabelos ruivos que ofereciam à Laoghaire — àquela altura, apenas a observando, ainda não sabia seu nome — uma visão selvagem, lhe chamaram a atenção. Uma dança e boa conversa, foi o que pedira a garota, que com sua simplicidade o fez se tornar mais falante do que normalmente era. Ao descobrir se tratar da jade, contudo, aquela que dizia adorar a obra As viagens de Gulliver em seu formulário, decidiu que não estava interessado. Mas, bem, não deveria ser inocente à ponto de pensar que uma decisão era o suficiente. Sentado na escrivaninha de seu quarto, tendo a vista da lua à sua frente, escreveu a primeira carta.
Viu-se boicotado por si mesmo ao requisitá-la para um momento à sós. Não tocava desde a morte de sua mãe, e por algum motivo que lhe fugia da lógica, o fez acompanhado por ela. Ainda assim, insistia para si mesmo que não era nada demais. Não seria ele capaz de desenvolver sentimentos por uma criatura como ela, ou como qualquer outra. Tinha plena consciência de quão frio aquele pensamento poderia parecer aos olhos e mente daqueles que tinham sido programados e moldados para achar o amor a coisa mais pura e boa do mundo, mas todo o resto da sua vida parecia viver em chamas. Ele deveria e iria proteger seu coração da sensação de ardor descrita por tantos apaixonados, mesmo que o fizesse de forma inconsciente. Todo dia pensava sobre novos jeitos de afastar-se emocionalmente daqueles que o rodeavam, alguns era fácil, outros não. Laoghaire deveria ser uma das fáceis de se afastar, mas o encontro posterior, na feira de artesanato provou para ele que estava enganado. E mais duas cartas foram escritas.
Ela não era o tipo de garota com a qual se envolvia, e mesmo assim ele se viu afetado. Ela o instigava a ser alguém que usualmente não era, a ser alguém melhor. Ademais, algo na ruiva despertava essa vontade de dar atenção, de interagir e principalmente de provocar. Naquela tarde fizera uma confissão que o acompanhou pelos dias seguintes: Passei muito tempo em sua terra, e só lamento não tê-la encontrado lá, antes de tudo. O que diabos aquilo queria dizer? Que se afeiçoava pela dona dos olhos verdes que insistiam em aparecer em seus sonhos? Não poderia pressagiar que aquilo aconteceria consigo, e só pensava nos amigos dizendo que foi em busca de uma noiva e encontrou um amor. Imaginar que sentia-se enfeitiçado pela ruiva, contudo, o fizera recorrer à mais encontros com as outras garotas. Não era isso o que procurava ali, e embora fosse considerado uma dádiva por muitos, a possibilidade de ter sentimentos pela garota assustava Kyle.
Para tirar a prova em relação à sentir ou não algo por ela, convidou Laoghaire para um tempo sozinhos no baile seguinte. No vento frio da beirada do lago e abaixo da chuva de fogos, fizera confissões que evitava fazer à si mesmo. E sentiu-se bem com isso, em deixar a Byrne ciente de si. Revelar à ela seu maior medo era a maior prova de que ela havia o conquistado. Talvez, contudo, fosse tarde demais para realizar a descoberta. Contar então... não havia momento menos propício. E mesmo assim, despejou o que sentia sobre ela. Não importava ser correspondido, por mais que a ideia de rejeição o deixasse preparado para se fechar novamente. Aquelas paredes deveriam se manter erguida, e ele estava muito bem sucedido em sua tarefa. Isso até a moherniana chegar, e sem querer, derrubar tudo o que ele lutou anos para erguer. Com a invasão sem aviso prévio da outra, Kyle encontrou-se fadado à sentir.
✗。º◂—— Embora não fosse recomendado que permanecessem no exterior da fazenda, era exatamente onde Kyle se encontrava, com uma xícara de café em mãos e bem agasalhado. A neve não havia caído naquele dia, mas ainda se acumulava em alguns espaços sobre a grama devido dias anteriores. Havia acabado de sentar-se na borda da fonte, parada naquele momento, quando fora interrompido por um dos criados para a entrega de uma carta. Sozinho, decidiu abri-la no mesmo momento, sorriso sendo esboçado ao constatar que se tratava de uma carta do governante de Icoris. Uma leitura rápida foi feita antes que dobrasse o papel e o guardasse no bolso interno do colete, preparando-se para se sentar novamente quando a visão alheia invadiu seu campo. Há quanto tempo estava ali? Questionou-se mentalmente, desfazendo a breve expressão de confusão para esboçar um sorriso. — Você já ouviu aquele ditado? Se no dia de São Ramiel chover, alguma coisa, alguma coisa, vai permanecer...? — Questionou a companhia em tom divertido, pois não lembrasse do maldito ditado.
Ela ainda estava decidindo o que pensar a respeito do homem. Tinha ouvido comentários na fazenda sobre suas aventuras, porém, ele não parecia exatamente libertino com ela, ou talvez Lysandra já estivesse acostumada a lidar com estes, e já não fossem tão impressionantes. Não podia dizer que o considerava comum, no entanto. O sorriso ladino do outro dizia que os comentários eram verdadeiros, e a joia afastou os cabelos da nuca para que o comprador fizesse o que havia sido requerido. “Nem todos são tão gentis assim”, observou, sabendo que não devia ser nenhum sacrifício o que viera a seguir. Aquilo podia ter mais a ver com aproveitamento do que com gentileza, de fato. Stuart não podia ver, já que ela estava virada para a parede, mas sorriso idêntico pintava os lábios da Lazuli ao ouvir o comentário seguinte, estremecimento percorrendo a pele tocada pelo moreno, especialmente quando sentiu seu hálito quente junto ao ouvido. “Já terminou de fechar, senhor Stuart?”, perguntou, o riso presente na voz. “Sei bem o que o senhor espera que eu abra, mas só posso fazê-lo depois do depósito de duzentas e cinquenta peças de ouro e um contrato assinado. Me entende? É pelo bem dos negócios”
✗。º◂—— É da minha natureza, senhorita Lysandra. Podemos dizer que a senhora Stuart fez um bom trabalho em me criar... — Deu de ombros, dando uma pequena risada. O movimento dos dedos da garota, exibindo sua nuca não passando despercebido pelo Stuart, que concentrou sua atenção no que lhe era pedido para evitar desvios de tarefa. Achava justo, contudo, que ela o provocasse quando ele fazia o mesmo com os toques estratégicos e sussurros bem pensados. Ao terminar de fechar o botão, não se afastou, mantendo-se às costas da lazuli ao tempo que concordava com a cabeça, mesmo que o movimento não pudesse ser visto pela garota. — Terminado, já pode se virar. — Anunciou, no mesmo tom jocoso usado pela garota. Em seguida, sobrancelhas foram arqueadas, pasmo com as palavras que saíram pelos lábios da joia. — Senhorita Mowbray, pensa isto de mim? — Questionou em falsa surpresa pelo teor da conversa, oscilando a cabeça em uma negação. Poderia se dizer ofendido, mas na verdade dera uma pequena risada. — De negócios eu entendo, e talvez de mulheres também. A senhorita vale além deste valor, eu tenho certeza que pagaria além deste valor. E o cavalheiro que a conquistar terá muita sorte, eu suponho...
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A ruiva sempre achara que era boa em ler as pessoas, não se achava inteligente — Uros sabe que não! Mas nunca achou que um dia iria errar tanto. Ela tinha lido as situações de maneira completamente errada com o moreno, não vira os sinais vermelhos de que ele não era quem dizia que era e caíra, feita uma patinha, em seu jogo. Mesmo agora, quando ela o pegava no flagra ele sequer tinha a coragem de admitir, e quando ele se aproximou para tocar seu rosto ela se afastou, de maneira arisca e nada delicada. — Não ofenda meu intelecto, Sr. Stuart! Sei que devo ter pouco da sua admiração para que zombe de mim com tão pouca consideração, mas não me trate com condescendência. — Nenhuma palavra foi dita em tom alterado, ela não berrou e isso queria dizer que algum do treinamento que lhe instruído acabou fixando, no fim das contas. Ela teria feito uma cena se fosse há algum tempo atrás, de modo algum teria cedido ao pedido dele depois de tudo o que descobrira, mas sabia, no fundo, ela queria entender os motivos dele a tinha cortejado ( o passeio no lago tinha sido algo assim, não? Pelo menos fora importante para ela.. ) se tinha intenção de fechar o contrato com Cora. De modo algum tinha ciumes da amiga, de fato, se soubesse desde o começo teria apoiado e se afastado do embaixador sem problema algum, o que lhe irritava tinha sido o fato de ter feito o papel de boba. — Tudo bem. — Ela disse por fim, sentindo-se como uma criança malcriada enquanto o seguia. Quando chegou no tal lugar, sua postura não tinha melhorado em nada, de braços cruzados e atitude ruim ela encarou o moreno de olhos verdes com frieza. — E então? O que é que tem para me contar?
✗。º◂—— Para alguém que desejava uma esposa apenas para ficar exposta como um troféu em uma prateleira, Kyle Stuart havia se envolvido demais. Soube disso quando a ruiva, que sempre pareceu apreciar seus toques singelos, se esquivou de qualquer contato. Aquilo lhe causava dor, mas não era tão egoísta com Laoghaire à ponto de pensar em seus sentimentos enquanto a fitava. Estava... magoada? — Pouca admiração... o que? — Aos sus ouvidos, o que a Byrne dizia era absurdo. Será que não era capaz de ver o que causava nele? Havia o enfeitiçado, mesmo sem intenção, e agora só pensava em olhos verdes, sardas e cabelos de fogo. — Você é a mulher mais inteligente e esperta que conheço! — Respondeu, por óbvio. Sua vontade sendo de lhe segurar o rosto alheio com ambas as mãos como se fosse capaz de enviar aquilo na cabeça de Byrne. Parecer não ter ciência, porém, de todas as suas qualidades, a tornava ainda mais encantadora aos olhos do embaixador. Um leve sorriso foi ostentado em seus lábios ante o comportamento emburrado da mais nova, e seguiu com ela para a primeira sala que encontrou. Não importava se ouviriam atrás da porta, ele só precisava lhe falar. Mas como começar? Primeiro Coraline, mas e depois? Bom, precisava pensar em uma coisa de cada vez. — Eu tenho minhas favoritas, como deve imaginar que todo comprador tem. Não quero esperar muito para me casar, e tenho que ser objetivo nisso mesmo que tais assuntos não possam ser levados na lógica. Se quiser me chamar de desesperado por isso, eu aceito. Coraline era uma dentre as cinco que mais criei afinidade, e a presenteei no dia de Vaiel, quando a chamei para um passeio. Disse que a escolheria, ela era uma opção de escolha naquele momento. Mas não estamos noivos, nada está certo enquanto eu não assinar um contrato, e eu não fiz isto. Eu não sei se farei, porque como disse, assuntos assim não podem ser levados na lógica quando a emoção fala mais alto. — Agora diria que vinha sonhando com suas histórias e seus olhos expressivos desde a feira de artesanato? Ou, que pensava em seu perfume desde o primeiro baile, quando tiver a honra de dançar com ela? Confessaria que tocar em dueto não parecia tão ruim, desde que fosse com ela? Ou, diria ainda, que desejava ser um homem melhor e digno dela desde que a conheceu? Céus, aquilo era difícil! Mas tudo pareceu se dissipar quando os olhos encontraram os dela. — Eu tenho sentimentos pela senhorita. Não no sentido amigável, embora queira muito ser também o seu amigo. Eu sei que posso não ser sua pessoa preferida no mundo neste momento, mas juro pelos meus pais Laoghaire que isto não é um jogo. — Se, ainda assim ela duvidasse do que dizia, saberia que não tinha chance alguma com a ruiva. Mas não mencionou assunto tão delicado como forma de teste. Aproximou-se dela, se controlando para não guardar a insistente mecha de cabelo atrás da orelha. — Não consigo ficar perto da senhorita sem querer te abraçar, ou olhar nos seus olhos sem sentir algum desejo. Eu nunca tinha me sentido assim antes e isso me assusta mais do que o oceano! — Respirou fundo, ainda sem desviar os olhos dos da jade. Céus, ela era mesmo tão linda! — Eu queria a vossa permissão. Eu jamais faria isso sem te consultar antes, e eu prometo entender se me recusar. Também não cobro uma resposta agora e peço encarecidamente que se houver um só momento de hesitação, a senhorita não descarte minha proposta mas sim pense nela com cuidado. Eu gostaria da sua permissão, senhorita Byrne... — E então, se ajoelhou, tentativa de tomar a mão alheia com a sua. — Para fechar o seu contrato.
✗。º◂—— Os raios de sol não eram visíveis no céu de Adoria, devido a grossa camada de nuvens cinzentas que cobriam o céu da cidade naquela tarde. A antes animada e movimentada mansão, agora abrigava pessoas que se aninhava em seus aposentos, ou outros que se reuniam na volta da lareira no salão principal enquanto desfrutavam de um chocolate quente. Mas Kyle não estava exatamente naquele clima, e com o grosso casaco apertado contra o corpo ele aguardava @lexnc na entrada do labirinto. O vento ali cortava sua pele, e sentia o leve arder nas maçãs do rosto devido a baixa temperatura — esperava que a mais nova estivesse bem agasalhada. Não deveria estar conhecendo novas garotas quando já tinha se decidido, mas nenhuma informação oficial havia sido compartilhada com os Thorn e não existia mal algum em fazer novas amizades. Quando avistou a morena, exibiu um sorriso simpático, apontando com a cabeça na direção do labirinto. — Dizem que nem todos que entram conseguem sair... — Anunciou, entregando-se com uma leve risada. — Seguiremos juntos, senhorita Teigur, ou prefere descobrir quem chega primeiro do outro lado?