Alguma voz solitĂĄria no fundo da mente de Andrew tentou o lembrar que beijar Taeyang era a Ășltima coisa que ele deveria estar fazendo. Simplesmente nĂŁo era certo beijar uma das pessoas que vocĂȘ atormentou da forma que Andrew atormentara o filho de Hades no Ășltimo ano, ainda que ele nĂŁo estivesse em plena e sĂŁ consciĂȘncia. Mas essa voz era insignificante no momento. Talvez Andrew a tivesse escutado se jĂĄ nĂŁo estivesse beijando Tae, se cada reação do filho de Hades nĂŁo o surpreendesse e lhe desse vontade de continuar e aprofundar o contato entre eles. Ele nĂŁo mentiria e diria que estava agindo sem pensar. Muito pelo contrĂĄrio, Andrew nunca pensara tanto durante um beijo, mas era necessĂĄrio para manter os movimentos delicados, para deixar que tudo corresse no ritmo de Taeyang. JĂĄ havia abusado demais ao beija-lo sem perguntar nada. A mĂŁo livre de Andrew foi parar nas costas do filho de Hades, na altura de sua cintura, quando os braços se envolveram no filho de Afrodite. Ao ouvir as risadas, And praguejou inevitavelmente pois sabia, antes mesmo de acontecer, que o beijo estava acabado naquele exato momento e isso nĂŁo era algo que ele queria. Respirando fundo e amaldiçoando mentalmente aqueles dois semideuses, deixou que Tae se afastasse apesar de nĂŁo fazer nenhum movimento para se afastar tambĂ©m. Na verdade, ele nem saiu de seu lugar. Apenas se virou para encarar os outros campistas com os olhos semicerrados de ameaça. Era de se esperar que aquilo acontecesse, mas isso nĂŁo mudava o fato de que And ficara com raiva pela interrupção do beijo, ainda que ele tivesse começado apenas por causa da brincadeira. Andrew nĂŁo se importava nem um pouco em ser observado, mas era bem Ăłbvio que isso afetada Taeyang. Depois que os dois semideuses foram embora, Andrew se virou para Kim sem saber o que fazer agora. Beijar era fĂĄcil. Mas consolar alguĂ©m com vergonha? Ele nem sabia se era possĂvel. E nĂŁo se permitiria deixar que o filho de Hades se machucasse outra vez por algo que era sua culpa. ââHm⊠Hey. Eles jĂĄ foram emboraâŠââavisou se aproximando do garoto, ainda que estivesse de costas para ele, mas manteve uma distĂąncia segura. ââVocĂȘ⊠Bem, vocĂȘ nĂŁo precisa ter vergonha por isso, sabe? Milhares de pessoas se beijam todos os dias, principalmente sob um visco. NĂŁo Ă© nada demais, nada para ter vergonha.ââdisse, tentando ajudar. Levantou uma das mĂŁos, pensando em tocar o ombro dele, mas mudou de ideia. Pensou tambĂ©m em pedir desculpas pelo beijo, por tudo. Mas nĂŁo consegui se ver fazendo isso. ââSe eles vierem encher o saco de novo, eu estou louco para usar meu machadoââ brincou com o bracelete em seu pulso antes de finalmente tocar o ombro dele, rapidamente. ââVamos terminar logo esse trabalhoââ.
     Os passos dos outros se afastando foram um pouco de alivio para o Kim, mesmo sem se virar para ver quem estava ali, restava apenas a ele a esperança de quem um dos passos havia sido tambĂ©m o de Andrew para que pudesse enfim ficar sozinho com seus pensamentos confusos demais â por que o filho de Afrodite tinha que mexer tanto consigo? O levava do pior ao melhor, havia magoado ele tantas vezes que era incrĂvel como um simples beijo em uma brincadeira como aquela havia sido capaz de levar a prole de Hades a loucura â porĂ©m a sorte nĂŁo estava ao seu lado naquele momento, nunca estava! A voz do outro apenas serviu para que ele tomasse um leve susto e o coreano apenas assentiu tĂŁo levemente que achou que o outro nem mesmo havia visto, sendo assim respirou fundo e assentiu com mais clareza. â ââ Eles conseguiram o que desejavam, para que iriam ficar mais de todo modo? â Sua voz ainda tĂŁo fraca como antes, nem deveria ter tentado falar algo pois a voz claramente entregava toda a confusĂŁo que estava dentro de si naquele momento. Havia uma guerra dentro de si entre seu coração que bateu tĂŁo rĂĄpido na hora que beijou o mais alto e o seu cĂ©rebro que apontava os diversos motivos porque ele deveria se manter bem longe dele, longe de tudo que envolvia o Fairwoods pois ele era apenas problemas que ele nĂŁo precisava naquele momento. As palavras do outro ainda serviram para que a sua situação piorasse, uma risada sem qualquer traço de humor foi dada apĂłs ouvir as mesmas e todas as suas forças foram precisas para que ele nĂŁo deixasse as lĂĄgrimas caĂrem pelo seu rosto, como ele poderia dizer aquilo? O beijo nĂŁo tinha significado nada para o outro, como ele mesmo havia dito, porĂ©m havia significado tanto para o coreano que sĂł de lembrar da sensação dos braços do outro o envolvendo e os dedos tocando levemente seu rosto sentia seu corpo entrar em chamas. â ââ Ă, nĂŁo tem motivo algum para sentir vergonha por um beijo ou se sentir estranho e nĂŁo preciso que vocĂȘ me defenda, Fairwoods! Eu posso parecer mas nĂŁo sou indefeso, longe disto na verdade. â O tom de raiva era claro em suas palavras, por algum motivo toda a sua dor havia se tornado raiva em poucos minutos e ele queria bater no outro naquele momento mas nĂŁo faria aquilo; Respirou fundo tentando se acalmar e deu novamente as costas para o outro começando a caminha atĂ© a cama de uma das irmĂŁs para tirar os enfeites que estavam na parede acima das camas e logo estava arrancando os mesmos sem cerimĂŽnia alguma. â ââ VĂĄ embora, Andrew, eu consigo terminar isso sozinho e aqui nem Ă© o seu chalĂ© para que vocĂȘ tenha alguma necessidade de ajudar.