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SONETO DO FASCÍNIO
estremeço — quando as serras me tocam: dois frutos de sangue e luar que amadurecem no incêndio.
as mãos tornam-se rios, sequiosas da foz — toda a distância termina onde principia a pele.
e quando a noite termina, é a tua voz que sustenta as brasas da margem.
fica na língua o sonhado sabor dos primeiros frutos — e tudo recomeça.
Memórias 6
Continua daqui
Vou fazer nova pausa para contar não só parte do que aprendi sobre a memória enquanto escrevia estes capítulos, mas também sobre algumas das minhas falsas memórias. Acontecimentos que, por algum motivo, passaram da imaginação para os meus discos rígidos. Se não fossem impossíveis, juraria que tinham acontecido — afinal, lembro-me deles.
Convém começar pelo início.
Ao contrário de um computador, a memória humana não guarda uma simples cópia dos acontecimentos. Guarda fragmentos, perde outros, reorganiza-os e, por vezes, acrescenta detalhes — ou até recordações de acontecimentos que nunca ocorreram.
Hoje sabemos que a memória é um processo de reconstrução e não de reprodução exata. Há vários fatores que influenciam aquilo de que cada um de nós se lembra. Sem qualquer pretensão de ser exaustivo, basta pensar no interesse que um determinado acontecimento nos desperta, na atenção que lhe prestamos ou na importância que, no momento em que o vivemos, o nosso cérebro lhe atribui.
Até aqui, o problema parecia ser o índice. Afinal, ao pensar melhor em algumas das minhas próprias recordações — insisto: recordações —, descobri que também havia ficheiros inventados.
Por exemplo, lembro-me perfeitamente de o Kurt Cobain — ex-vocalista dos Nirvana — me visitar no hospital. Lembro-me até de estarmos escondidos a fumar. Há apenas dois pequenos problemas. O primeiro é que eu era tetraplégico e esconder-me não era propriamente uma opção. O segundo é que estive internado em 2006 e o Cobain morreu em 1994. Vivo, já seria uma visita improvável; morto, torna-se um bocadinho mais difícil de explicar.
Outra coisa de que me lembro, até ao mais ínfimo detalhe, é de ter combatido, ao lado de Aniceto do Rosário durante a invasão dos territórios portugueses na Índia pela União Indiana. Novamente, há dois pequenos problemas. Um, Aniceto morreu, quase sozinho, na primeira noite da invasão. Foi, aliás, o primeiro português a morrer nesse conflito. Dois, eu nasci muito depois dessa guerra — detalhe que costuma complicar este tipo de aventuras. Ambos os factos tornam esta memória um bocadinho improvável.
(continua — eventualmente)
Memórias 1: parte 4 de
Continua daqui
Passei vários minutos a tentar convencer-me de que talvez valesse a pena nunca mais sair daquele quarto. Ou, mais exatamente, daquela janela. Finalmente, acordei. Lembrei-me de que tinha atravessado o país para ir a um festival, não para admirar árvores. Fumei uma e segui para o recinto.
Honestamente, não me lembro a que horas cheguei ao recinto. Dos concertos dessa noite, só tenho a certeza de ter visto Manu Chao, embora me lembre perfeitamente de uma pessoa passar por mim de óculos escuros e camisola de malha verde florescente.
Aquela primeira noite perdeu-se quase toda. Talvez tenha sido a cerveja. Talvez o meu cérebro tenha decidido fazer uma rigorosa gestão do espaço disponível para o que viria a seguir.
É por isso que desconfio da memória. Não guarda o que devia; guarda o que lhe apetece.
(continua — eventualmente)
Memórias 5: parte 2 de
Continua daqui
Naquela altura, ainda acreditava que as drogas tinham de cumprir horários.
Cansei-me de esperar que algo acontecesse e, como sempre gostei de livros (e continuo a gostar; agora em formato digital), resolvi ir espreitar uma tenda que me tinha despertado a atenção. Por cima da entrada, um simples pedaço de cartão anunciava, em letras garrafais desenhadas com caneta de feltro: «FEIRA DO LIVRO».
Mais uma falha curiosa do índice. Recordo aquele mero pedaço de cartão com uma nitidez quase absurda, mas sou incapaz de situar a memória no tempo. Enfim... deve ter explicação.
Assim que entrei na feira do livro, deixei de caminhar. Tive a estranha sensação de que o meu corpo flutuava por entre os corredores da exposição. À medida que flutuava pelos corredores, ia também subindo. Poucos minutos depois, estava a olhar para a feira do livro como se me encontrasse junto ao teto da tenda. Era um balão de hélio sem amarras.
Alguns clássicos soltavam-se das estantes, aproximavam-se lentamente de mim e abriam-se em excertos que reconhecia de imediato.
(continua — eventualmente)

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Memórias 5: parte 1 de
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Sei onde isto aconteceu. O problema é quando. Foi na Festa do Avante!, mas não consigo dizer em que edição. Ia quase todos os anos e, na minha memória, há apenas uma Festa do Avante!
Estávamos sentados na relva quando alguém perguntou:
— Já todos experimentaram cogumelos mágicos?
Eu disse que não. Foi o último momento de sensatez daquela tarde.
Levantaram-se alguns sorrisos. Alguém tirou de uma mochila uma pequena caixa de plástico e abriu-a com a solenidade de quem vai revelar um grande segredo da humanidade. Lá dentro estavam uns cogumelos secos. Tinham um aspeto pouco inspirador. Pareciam restos de folhas velhas esquecidas ao sol.
— Isto bate muito?
A resposta foi um encolher de ombros coletivo. Hoje percebo que, em matéria de drogas, essa é provavelmente a resposta mais assustadora que se pode ouvir.
Pouco depois, um punhado deles começou a circular de mão em mão. Quando chegou à minha, hesitei durante uns segundos. Não por prudência. Apenas porque achei que tinham um ar francamente desagradável.
Comi-os na mesma.
O sabor confirmou as minhas expectativas. Era como mastigar um pedaço de floresta húmida misturado com cartão velho. Não recomendo a experiência gastronómica.
Ficámos à espera.
Cinco minutos.
Dez.
Quinze.
Nada.
Começámos todos a concluir que aquilo era uma fraude monumental ou que alguém nos tinha vendido cogumelos de sopa desidratada. Como acontece tantas vezes na vida, foi precisamente quando deixámos de esperar que as coisas começaram a acontecer.
(continua — eventualmente)
ps: os títulos, de agora em diante, é que é 😊
Memórias - 6
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Isto não é bem uma memória. É mais uma tentativa de explicação. Lembram-se de eu ter dito que depois falava melhor nas minhas falhas de memória? Chegou esse momento. Claro que nada disto está cientificamente comprovado. É apenas uma teoria minha. O meu AVC aconteceu no tronco cerebral e, tanto quanto sei, a maior parte das estruturas ligadas à memória reside no córtex cerebral. Ainda assim, gosto de imaginar que o impacto foi suficientemente violento para atingir os meus discos rígidos e corromper alguns setores. Os ficheiros continuam lá. O problema é o índice. Há datas que desapareceram quase por completo. Outras trocaram de lugar. Há pessoas de quem me lembro perfeitamente, mas não sei em que ano as conheci. Há acontecimentos que consigo contar em detalhe, mas sou incapaz de dizer se aconteceram com dias, meses ou anos de diferença. E há espaços completamente vazios. Nota-se muito que estudei Engenharia Informática? Espero que sim. Era uma chatice descobrir agora que afinal não serviu para explicar nem a minha própria cabeça. Por último, vou dar dois exemplos de coisas que me fazem muita confusão. Quando, ao fim de dois meses de casamento, me separei, peguei no carro e fiz mais de cento e cinquenta quilómetros para visitar uma antiga paixão – não consegui vê-la. Isto foi há mais de vinte anos, mas consigo dizer que discos ouvi na viagem. No entanto, não consigo dizer se estive na rua dela. Outra coisa que me intriga é a leitura. Sei que antes do AVC li muito. Quando ouço o nome de um livro dessa altura, reconheço-o imediatamente. Sei que o li. Mas é como abrir um ficheiro vazio: o livro está lá, mas não consigo contar a história nem lembrar-me das personagens. Já os livros que li depois do AVC são diferentes. Vou-me lembrando da história enquanto leio, mas, quando acabo, até o título se perde.
(continua — eventualmente)
Memórias – 5: parte 2 de
Continua daqui
O F. já estava há uns minutos na rua e, mais que real preocupação, aproveitei-me disso para aliviar o meu próprio sofrimento:
— O F. está demorado. Vou ver se está tudo bem.
Naquela passagem de ano, o frio em Esperança Baixa parecia ainda mais feroz, sobretudo à noite. A humidade do mar, presa no pinhal, gelava até aos ossos e chegava a formar pequenos cristais de gelo no cabelo.
No entanto, o F. estava sentado no parapeito de uma montra, sem casaco e a transpirar muitíssimo. Cheguei a assustar-me. Não por ele — por mim. Como é que ia explicar aos pais dele que o filho asmático tinha morrido depois de fumar uma ganza comigo?
Nada disso foi necessário. Ele recuperou rapidamente e a descarga de adrenalina matou-nos a moca.
Quando o F. se levantou, a transpiração tinha desenhado um mapa escuro na pedra fria do parapeito. Ficámos os dois a olhar para aquela marca durante alguns segundos. Depois voltámos para dentro.
Ao mesmo tempo que nós, chegava a que agora sei chamar-se P.
(continua — eventualmente)
Memórias – 5: parte 1 de
Continua daqui
Não me lembro se já falei de Esperança Baixa — ou se me vou repetir —, mas cá vai. Há uma vila piscatória sem casas nem ruas, feita apenas de areia, vento e sal. Não aparece nos mapas. É uma dobra do litoral onde a noite se demora mais do que devia. Chamam-lhe Esperança Baixa. Para mim, sempre teve outro nome: Primeiro Amor. Ali, o frio noturno não é uma ausência; é uma presença. É o nevoeiro furtivo e pesado. É o mar a lançar gotículas cortantes. Um animal invisível que se aninha por dentro da pele e se espalha devagar. Um polvo. Foi numa dessas noites que tudo o que eu julgava disperso acabou por se concentrar no espaço que havia no meu peito. Eu e uns amigos estávamos lá de férias. Já tínhamos conhecido algumas raparigas locais e dois de nós (ainda hoje penso: por que não todos? Éramos quatro e elas também eram quatro…) fomos convidados para ver um filme em casa de uma delas, aproveitando o facto de os pais estarem fora. O que ela não disse foi que o irmão — bastante mais velho — também lá estaria. Pode parecer estranho — sobretudo numa idade de intensa atividade hormonal —, mas naquela altura, com dezassete anos, dávamos muito mais importância às ganzas (haxixe), ao álcool e ao skate do que às raparigas. Talvez tenha sido precisamente esse desprendimento, ou a ilusão dele, que primeiro lhes despertou a curiosidade. Essa dose de desapego e loucura que nos orientava talvez tenha contribuído para a infeliz decisão de fumarmos uma brutal ganza antes de chegarmos a casa dela. Quando chegámos, elas já lá estavam todas. Assim como o irmão da dona da casa. Felizmente, sentou-nos em duas cadeiras no fundo da sala, atrás de toda a gente. Depois achou boa ideia apagar as luzes. — Assim fica melhor! Não ficava. Ao fim de poucos minutos, juro que a televisão começou a afastar-se de mim, como se alguém a empurrasse para o outro lado da sala. Regressava até quase me tocar na cara. Afastava-se. Regressava. Afastava-se. Regressava. Foi então que ouvi a voz do meu amigo. — C., estou um bocado maldisposto. Não parem o filme. Vou só lá fora apanhar um pouco de frio. Depois de um breve silêncio — e de um olhar que me pareceu de genuína preocupação — ela respondeu: — Sim. A porta tem duas fechaduras. Achas que consegues abri-la? — Sim, consigo. Levantou-se e saiu da sala. Nem cinco segundos passaram quando o ouvir gritar: — C.! Não consigo abrir a porta!
(continua — eventualmente)
Memórias - 4
Continua daqui
Antes de tudo, quero pedir desculpa e explicar o porquê de tantos “não me lembro”. O AVC afetou-me estranha e seriamente a memória e tenho vários espaços que não consigo preencher. Depois falo nisso, mas, entretanto, decidi fazer uma pausa em Vilar de Mouros. Ando aqui com uma história a fervilhar e, possivelmente, a bloquear uma passagem mais fluida de Vilar de Mouros. Por outro lado, a história de Vilar de Mouros é grande, intrigante e merece ser contada com todo o detalhe que for possível.
Ainda hesitei contar isto. Atualmente tudo é racismo, homofobia, xenofobia, intolerância, etc. Depois pensei: primeiro, não há aqui nada de mal; segundo, tenho tão poucos leitores que seria muito azar haver algum comentário desse tipo; finalmente, para além de me estar a marimbar para comentários meramente destrutivos, não consigo imaginar nenhum que me possa afetar.
Ao contrário do que fiz anos depois na viagem a Vilar de Mouros, em 1993 planeei bem uma ida a Lousada para ver uma prova do Campeonato da Europa de Rallycross no Eurocircuito de Lousada.
A prova foi a um domingo, mas como tenho família em Paços de Ferreira, que é lá muito perto, combinei com um amigo e fomos na Fiat Panda Van dele logo no sábado. Para poupar, não apanhámos autoestradas e a velocidade máxima que atingíamos era quando ele desengatava o carro numa descida. Demorámos umas seis horas a chegar. A nossa grande cumplicidade, permitia que estivéssemos longos períodos em silêncio sem sentirmos qualquer incómodo. O que já acontecia há uns trinta minutos.
Já não me lembro qual era, mas na rádio começou a dar uma música de ritmo lento e muito romântica. Nesse momento, aproveitei a serenidade e pus-lhe a mão na perna.
Ele engoliu em seco.
Olhou para a minha mão, depois para mim e, por fim, voltou a fixar os olhos na estrada. Fez-se um silêncio ainda maior do que o anterior.
— O que é que estás a fazer? — perguntou, sem conseguir esconder o desconforto. Tinha os olhos muito abertos, cravados na estrada, como se receasse desviar a atenção por um segundo.
Retirei a mão com toda a calma.
— Nada.
— Nada? Então porquê?
— Queria só perceber uma coisa.
Franziu a testa.
— Perceber o quê?
— Se confiavas mesmo em mim.
Franziu ainda mais a testa.
— E para isso tinhas de me apalpar a perna?
Encolhi os ombros.
— Resultou. Agora sei que confias. Ainda não me mandaste sair do carro.
Calou-se dois ou três segundos. Depois desatou a rir. Daquelas gargalhadas que obrigam a encostar o carro porque deixam de permitir ver a estrada.
— És completamente atrasado.
(continua — eventualmente)

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Memórias - 3
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Como é natural — e como já referi —, assim que cheguei, a minha primeira preocupação, foi arranjar um sítio para ficar. Escolhi uma pequena pensão ainda afastada do recinto. Afastada da própria vila — não planear dá nisto, mas eu estava de carro e tinha recursos para não me preocupar com o gasto suplementar que a distância implicaria. A vista da janela do quarto era simplesmente fenomenal. A pensão parecia perdida no meio da serra, como se alguém a tivesse construído ali e depois se tivesse esquecido dela. À minha frente estendia-se um oceano de verde. Pinheiros, carvalhos e eucaliptos confundiam-se numa massa contínua que subia e descia ao ritmo das encostas, sem que se visse uma estrada, uma casa ou qualquer outro sinal de gente. Apenas árvores. Árvores até onde a vista alcançava. Havia qualquer coisa profundamente tranquilizadora naquela paisagem. O silêncio não era ausência de som; era feito do vento a correr pelas copas, do canto distante das aves e daquele rumor indefinível que só as grandes manchas de floresta conseguem produzir. Um silêncio vivo. Lembro-me de ficar alguns minutos encostado ao parapeito da janela, sem pressa nenhuma de sair. Tinha acabado de atravessar o país para ir a um festival onde, poucas horas depois, haveria milhares de pessoas, música ensurdecedora, álcool, fumo e fogo. No entanto, ali, naquele quarto perdido na serra, parecia impossível acreditar que esse mundo existisse a escassos quilómetros de distância. Ainda hoje me recordo daquela vista. Não da disposição dos móveis, nem da cor das paredes, nem sequer do nome da pensão. Apenas daquele verde quase excessivo, como se a serra tivesse decidido engolir tudo o resto.
(continua — eventualmente)
entrega também é marca: golpes que escolhem florir enquanto sangram.
há inteligências que iluminam mais do que qualquer rosto. não seduzem pelo imediato, mas pela lenta combustão das ideias, pela elegância de um pensamento que encontra caminhos onde todos os outros veem apenas paredes.
SONETO DA ENTREGA
contenção ao redor das raízes das mãos sustenta o lume até o sangue fervilhar.
a imobilidade dissolve devagar a distância do toque — e o corpo floresce por dentro do nó.
só o corpo rendido conhece a exata medida do incêndio; o resto fica do lado de fora.
cada nó que aperta abre um espaço invisível onde o desejo aprende a respirar.
Memórias - 2
Continua daqui
* Corrigido e Alterado
Antes que comecem as especulações que liguem o meu estilo de vida — nomeadamente o consumo de álcool, tabaco e drogas — ao meu AVC e consequente tetraplegia, quero desde já esclarecer que não, não teve nada a ver com isso. Eu tinha uma malformação congénita numa veia cerebral que entupiu e causou o AVC. Podia ter vivido a vida toda sem qualquer problema ou tê-lo a qualquer momento. No meu caso, o “qualquer momento” foi em 2006. Segundo se pensa, embora não se saiba, a única relação que poderá haver entre o AVC e o estilo de vida é o facto de, na altura, eu trabalhar e stressar muito. Faço este esclarecimento porque seria demasiado fácil construir uma narrativa moral: a de que uma juventude vivida no limite acaba inevitavelmente por apresentar a conta. A vida raramente é assim tão simples. Há quem abuse do corpo durante décadas e morra serenamente aos noventa. Há quem faça tudo "como deve ser" e veja o destino mudar numa manhã qualquer. No fundo, tive um azar antigo. Um azar que nasceu comigo.
(continua — eventualmente)

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