afitznoah:
petri-devine:
This is a full of shit. - Petri reclamava durante todo o trajeto de carro que a banda agora fazia em direção ao estúdio. - We signed the contract like… yesterday. - Ele ergueu os ombros, claramente sem noção alguma de tempo. - And they already want to run the band. That is fucked off - tentava parecer irritado, mas algo na sua voz completamente embargada tornava toda sua falação um tanto cômica. O fato é, estavam indo conhecer o novo baixista, algo que a gravadora tinha sugerido para melhorar o desempenho da banda. Mike passaria a desempenhar apenas o papel do vocalista e aquilo traria uma estética melhor para tudo, como assim eles disseram. - Those white collar douchebags - murmurou baixinho enquanto enfiado no banco traseiro com os braços cruzados. Com a feição emburrada e a jaqueta de couro lhe cobrindo o pescoço poderia até parecer uma criança, se não fosse pelas longas pernas apertadas naquele pequeno espaço. - What they know about music anyway? We have to fight the power - enfatizou, encarando seus parceiros de banda como se aquela fosse uma ideia genial. Mas tudo que ganhou em troca foi uma pacífica pergunta: “are you fucking high before a meeting?”. Petri se afundou mais no assento. - I had to chill out, okay? You know I get nervous with… well… - Analisou por três segundos seu próprio raciocínio. - People - concluiu por fim. Passou mais uns segundos calados enquanto balançava as pernas num ritmo frenético, o que em sua mente pareceu horas. - What if this new guy only knows how to play pop songs? - Mostrou uma careta que rapidamente foi trocada por uma expressão de extrema surpresa, como se algo óbvio tivesse finalmente estourado em sua mente. - Oh my God. What if this is all one big conspiracy to make us the next Maroon 5? - Falou tudo muito mais rápido do que um cérebro chapado é capaz. E pelos segundos que se passaram até o carro finalmente parar em frente a gravadora, Petri ficou calado, alimentando a paranoia que só fazia mais e mais sentido a cada ponto - irreal - que ligava. Ainda de cara emburrada, saiu de carro e seguiu o fluxo até estar em frente as grandes portas do prédio. - I swear to god if they make us play something close to Taylor Swift I’ll shove my drumsticks up someone’s ass. - Finalizou, se forçando a colocar uma expressão neutra no rosto antes de entrar.
Noah estava de olhos fechados, meio dormindo, meio acordado enquanto eram levados para o estúdio. A verdade era que, diferente de Petri, ele estava totalmente calmo, com uma gigantesca vontade de dormir e descansar; cortesia, é claro, da noite passada com Maya. Não que fosse culpa de ninguém, já que ele mesmo tinha esquecido que conheceriam o novo baixista naquele dia. Mas, por mais que estivesse calmo, não significava que estava satisfeito com isso. Rejeitava a ideia de uma nova pessoa na banda, em partes porque admirava as habilidades de Mike demais da conta, e também por ele ser uma pessoa complicada para se sentir confortável com outras. Admitia na sua própria cabeça que tinha, sim, se acostumado e aprendido a gostar da presença de Petri, em especial no palco, mas tinha levado mais tempo do que gostaria. E agora, para sua tristeza, teria que fazer com mais uma pessoa. Esperava que ele pendesse mais para o lado de Mike do que para o de Petri. Na sua tentativa falha de tirar um cochilo no trajeto, Noah suspirava a cada reclamação de Petri nos seus ouvidos. Até o olhou com o cenho franzido com suas ideias absurdas fortalecidas, provavelmente, pelo uso da maconha – e supôs corretamente. Sem querer, deu um riso baixo, porém voltou a fechar os olhos e encostar a cabeça na janela do carro. “Can you just shut up?” murmurou, desejando silêncio a todo custo, mesmo sabendo que era em vão. “We’re never going to be Maroon 5, stop.” Noah pareceu ofendido por um momento, então ficou agradecido por Petri ter parado de falar por pelo menos cinco segundos. Ele resmugou um palavrão por terem chegado, e saiu com o rosto sonolento. Coçava o olho conforme acompanhava Petri e Mike. “Hey.” Ele parou, agora totalmente ofendido. “For your record, she’s one, if not the, most successful musician nowadays. If we play something close to her music, we should be glad.” Cruzou os braços, mantendo o cenho franzido ao continuar a andar para dentro do prédio. “Jesus,” sussurrou para si mesmo. “Can you believe this guy?”
Aquele estava longe de ser um bom dia para Mike. Por meses repetira para os executivos da gravadora que ele estava perfeitamente em paz com todas as suas atribuições na banda, que era fácil administrar seu tempo entre composições, reuniões, gravações vocais e de baixo, ensaios, planejamentos e todo o resto que insistia em manter sob o seu controle minucioso. A verdade é que não, não estava perfeitamente em paz com tudo aquilo e a rotina exaustiva unida ao partir repentino de Karen acabara intensificando a relação antes esporádica que tinha com a cocaína. Estava constante e notavelmente sobrecarregado, por isso, depois de alguns meses negando e desviando o assunto, a gravadora lhe mandou escolher entre o controle total e o segundo álbum de estúdio. Ainda assim, não se sentia pronto para abrir mão do baixo; Muito menos para um desconhecido. Por isso, enquanto Petri e Noah protagonizavam mais uma de suas constantes discussões, Mike se mantinha calado no banco da frente, com o rosto apoiado na mão, fitando a janela em silêncio, tentando se concentrar apenas no tremer constante de sua perna. Se arrependia brutalmente de ter colocado o pó branco em sua gengiva antes de sair para a reunião e não ao chegar lá, visto que agora todo o efeito havia passado e o único sentimento que lhe dominava era a paranoia de estar perdendo o seu posto. Geralmente ele era a voz da razão, sempre disposto a parar Petri e Noah. No entanto, dessa vez, desceu do carro calado, com os óculos escuros escondendo o dilatar de suas pupilas, e só se deu ao trabalho de arfar enquanto coçava a barba. Caminhou estúdio adentro sem sequer olhar para trás e procurar seus companheiros de banda. Tudo que mais queria era escutar o que o tal novo baixista tinha para apresentar, e se seria mesmo capaz de tocar suas músicas tão bem quanto ele próprio. A sala da diretoria da Nordskov era gigante, com grandes paredes de vidro e uma mesa imponente. Acomodado numa cadeira preta e alta estava Fred e, de pé ao seu lado, Mia, pontual e responsável como sempre. Mike contorceu os lábios num curto e quase inexistente sorriso, aliviado por ver um rosto amigo. Alguns outros executivos familiares circulavam de um lado para o outro em seus telefones. Foi ao acompanha-los com o olhar que notou um baixo acomodado ao lado do sofá de couro preto, e sentado neste encontravam-se um homem em seus 50 anos e uma adolescente com roupas da moda mexendo no celular. Provavelmente alguma nova contratada aguardando seu momento. Cumprimentou a todos com um breve aceno de cabeça, tirou os óculos do rosto sem fazer a menor questão de mudar seu semblante desgostoso, e suspirou. “Okay, let’s do this… Is the new guy late?” Perguntou, franzindo o cenho por não encontrar nenhum baixista ao redor.
Kat tinha a plena certeza de que sua vida estava arruinada. Parecia que ela seguia uma linha contínua, sempre apontando para baixo, até o fundo do poço. Quando Aaron tinha lhe dito sobre a possibilidade dela ser a nova participante de uma banda já formada, pensou ingenuamente que era apenas uma possibilidade. Algo inalcançável. Improvável. Quase impossível, era o que desejava. Mas ao acordar com a voz dele lhe dizendo “Wake up and get ready. We have a meeting with the band,” ela entrou em um pequeno choque. Foi pior do que ser acordada com um enorme balde d’água congelante. Eles discutiram e brigaram, e Aaron não se importava que ela tinha feito uma promessa de nunca mais tocar nenhum instrumento. Era isso, ou ela estaria sem um lugar para morar, desempregada, e sem ninguém para oferecer ajuda e abrigo. Sua única carta era ameaçar o relacionamento que tinham, mas ele também não se importava. Aquela banda -- a maldita banda -- era o que ele queria investir naquele momento e, portanto, faria de tudo para isso. Então, ele aceitou o término sem questionamentos, desde que ela fosse fazer parte da banda. Kat considerou seriamente estapeá-lo a fim de colocar o mínimo de juízo na cabeça dele, mas conhecendo-o bem, Aaron era tão teimoso quanto uma porta quando queria algo. Como aceitar a oferta era sua única opção, ela se vestiu e o acompanhou até a gravadora sem dizer uma palavra, alimentando sua raiva, decepção e o fato de depender dos outros a esse ponto. Estúpida, xingava em sua cabeça. Na sala da diretoria, ela se jogou no sofá, ao lado do baixo que tinha sido reservado especificamente para sua demonstração, contendo a vontade de quebrá-lo na parede. Em silêncio ela chegou, e em silêncio ela permaneceu; sequer prestava atenção em quem entrava. Parecia que aquele inferno era seu castigo eterno, até que finalmente viu três silhuetas adentrando e tomando seus lugares na mesa. Ela levantou os olhos para o suposto líder, o que tinha falado primeiro e que também não aparentava estar feliz com a situação. Na verdade, olhando para os outros dois, a única pessoa que parecia estar satisfeito era Aaron, na sua cadeira enorme de CEO, exalando seu poder sob todas aquelas pessoas. Kat suspirou, cansada, e guardou o celular no bolso da calça antes de se levantar. “I’m the new guy,” respondeu, encostando-se na mesa e cruzando os braços, mas não se sentando. Sua voz, como seu semblante, estava fria. “And you’re late.” Ela analisou o homem diante dela, sem esconder seus pré-julgamentos, e em seguida os outros dois. Os três pareciam ter saído de algum livro de romance adolescente, constatou. “Katarina,” disse a voz de Aaron, mais como uma repreensão do que uma apresentação. “Meet your new bandmates. Michael, Noah and Petri. And their manager, Mia.” Ele apontou para cada um que correspondia os nomes. Kat revirou os olhos, sem se mexer. “Nice to meet you.” Ela sorriu falsamente, olhando para cada um dos quatro, deixando claro que não, não era prazer algum conhecê-los.












